Desde sua aprovação pela ANVISA em 2004, o oxalato de escitalopram tornou-se um dos antidepressivos mais prescritos no Brasil. Em 2025, estima-se que mais de 12 milhões de brasileiros utilizam algum ISRS, sendo o escitalopram o segundo mais vendido no país, com cerca de 1,8 milhão de receitas anuais (Fonte: IQVIA Brasil 2025).
Seu médico acabou de prescrever Oxalato e você quer saber exatamente para que serve? Talvez você esteja com um diagnóstico recente de depressão ou ansiedade e o nome do princípio ativo (oxalato de escitalopram) lhe soe estranho. Calma: este artigo foi preparado por especialistas para esclarecer todas as suas dúvidas sobre o medicamento, desde as indicações até os cuidados no dia a dia.
- Classe terapêutica: Antidepressivo – Inibidor Seletivo da Recaptação de Serotonina (ISRS)
- Princípio ativo: Oxalato de escitalopram
- Fabricante: Eurofarma, EMS, Medley, Germed, entre outros (genéricos disponíveis)
- Apresentações: Comprimidos revestidos de 10 mg e 20 mg; solução oral 20 mg/mL (uso hospitalar restrito)
- Requer receita: Sim — Receita de Controle Especial (B1 – azul)
- Registro ANVISA: Sim – nº 1.0047.0462 (referência Lexapro®) e múltiplos genéricos aprovados
Para que serve Oxalato: indicações oficiais
O oxalato de escitalopram, conhecido comercialmente como Lexapro® ou por seus genéricos, é um medicamento da classe dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS). Sua principal função é aumentar a disponibilidade de serotonina no sistema nervoso central, neurotransmissor associado à regulação do humor, do apetite, do sono e do bem-estar emocional.
As indicações oficiais aprovadas pela ANVISA (baseadas em ensaios clínicos de fase III) incluem:
- Transtorno Depressivo Maior (TDM): Tratamento agudo e de manutenção em adultos e adolescentes a partir de 12 anos. Estudos mostram superioridade em relação ao placebo a partir da segunda semana, com resposta plena geralmente em 4 a 6 semanas.
- Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG): Redução da ansiedade excessiva, tensão motora e preocupação persistente, com eficácia comprovada em mais de 5 estudos duplo-cegos randomizados.
- Transtorno de Pânico: Com ou sem agorafobia, o escitalopram diminui a frequência e intensidade das crises, sendo recomendado como tratamento de primeira linha pelas diretrizes da Associação Brasileira de Psiquiatria (2024).
- Transtorno de Ansiedade Social (Fobia Social): Redução do medo intenso de situações de exposição e julgamento, com melhora da qualidade de vida relatada em 70% dos pacientes após 12 semanas.
- Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC): Embora não seja a primeira escolha, pode ser utilizado em combinação com terapia cognitivo-comportamental nos casos moderados.
O mecanismo de ação é relativamente simples: o escitalopram bloqueia o transportador de serotonina (SERT) na fenda sináptica, impedindo a recaptação do neurotransmissor e aumentando sua concentração. Esse efeito gradualmente restaura a sinalização serotoninérgica, aliviando os sintomas depressivos e ansiosos. Por atuar exclusivamente na serotonina (diferente de outros antidepressivos que agem também em noradrenalina e dopamina), apresenta perfil de efeitos colaterais mais favorável, sendo bem tolerado em idosos.
Como tomar Oxalato: dosagem e administração
A administração do oxalato de escitalopram deve ser sempre orientada por médico prescritor, que ajustará a dose conforme a resposta clínica e tolerabilidade de cada paciente. Abaixo estão as recomendações gerais baseadas na bula aprovada:
- Adultos (18 a 64 anos):
- Depressão e TAG: dose inicial de 10 mg uma vez ao dia, podendo ser aumentada para 20 mg após 2 a 4 semanas, se necessário.
- Transtorno de pânico: iniciar com 5 mg/dia na primeira semana para minimizar ansiedade inicial; depois 10 mg, podendo chegar a 20 mg/dia.
- Dose máxima recomendada: 20 mg/dia.
- Idosos (>65 anos): iniciar com 5 mg/dia (metade do comprimido de 10 mg) por 7 dias, depois 10 mg. Dose máxima: 10 mg/dia.
- Adolescentes (12 a 17 anos): apenas para transtorno depressivo maior, com dose inicial de 10 mg/dia, podendo ser aumentada a 20 mg/dia.
- Crianças (<12 anos): não recomendado por falta de estudos de segurança e eficácia.
Como administrar: O comprimido deve ser ingerido inteiro, com um copo de água, com ou sem alimentos. Recomenda-se tomar sempre no mesmo horário (manhã ou noite, conforme tolerância ao sono – se causar insônia, preferir pela manhã; se sonolência, à noite). A duração do tratamento mínimo para depressão é de 6 a 12 meses após remissão dos sintomas, para prevenir recaídas. A interrupção deve ser gradual (redução de 2,5 mg a cada 1-2 semanas) sob supervisão médica.
Cláudia, 34 anos, professora, procurou atendimento na Clinica Popular Fortaleza com queixas de irritabilidade constante, insônia, falta de energia e pensamentos negativos há 3 meses. Após avaliação clínica e aplicação do PHQ-9 (pontuação 17 – depressão moderada), a médica prescreveu oxalato de escitalopram 10 mg uma vez ao dia pela manhã. Na primeira semana, Cláudia relatou leve náusea e boca seca, que cederam com o uso contínuo. Após 5 semanas, ela notou melhora do humor, retomou as atividades diárias e o sono se regularizou. A dose foi mantida por 9 meses e depois reduzida gradualmente. Hoje, Cláudia está em remissão e faz acompanhamento trimestral.
Efeitos colaterais de Oxalato
Como todo medicamento de ação central, o oxalato de escitalopram pode causar reações adversas. A maioria é leve a moderada e tende a desaparecer nas primeiras duas semanas de tratamento. Conheça os principais:
- Comuns (>10% dos pacientes): náusea, boca seca, sudorese excessiva, sonolência ou insônia, fadiga, diarreia ou constipação. A náusea pode ser minimizada tomando o medicamento com alimentos.
- Incomuns (1-10%): tontura, tremor, disfunção sexual (diminuição da libido, anorgasmia, ejaculação tardia), alteração de peso (pequeno ganho nas primeiras semanas, geralmente 1-2 kg), bocejos frequentes, parestesias (formigamento).
- Raros (<1%): hematomas ou sangramentos incomuns (devido a efeito antiplaquetário leve), convulsões, síndrome serotoninérgica (agitação, febre, taquicardia, rigidez muscular – emergência médica), hiponatremia (especialmente em idosos), reações alérgicas graves (urticária, angioedema).
Sinais de alerta que exigem parar o uso e buscar atendimento: pensamentos suicidas, mania (euforia exagerada, agitação extrema), sangramento anormal (genqival, nasal ou hematomas sem trauma), febre alta com rigidez muscular, confusão mental, batimentos cardíacos irregulares. Em caso de qualquer reação grave, suspenda o medicamento e procure o pronto-socorro ou seu médico.
Contraindicações e quem não deve usar
O oxalato de escitalopram é contraindicado nas seguintes situações:
- Hipersensibilidade ao escitalopram ou a qualquer componente da fórmula.
- Uso concomitante de inibidores da MAO (p.ex., fenelzina, tranilcipromina, selegilina) – risco de síndrome serotoninérgica grave. Deve haver um intervalo de pelo menos 14 dias entre o término do IMAO e o início do escitalopram.
- Uso de pimozida (antipsicótico) – aumenta risco de arritmias ventriculares.
- Pacientes com síndrome congênita do QT longo ou histórico de arritmias cardíacas significativas.
- Insuficiência hepática grave (Child-Pugh classe C): não recomendado.
- Gravidez e amamentação: não deve ser usado durante a gestação a menos que estritamente necessário, pois estudos observacionais indicam leve aumento do risco de hipertensão pulmonar persistente neonatal (HPPN) e síndrome de abstinência neonatal. Na amamentação, o escitalopram é excretado no leite materno em pequenas quantidades; deve-se avaliar risco-benefício.
- Crianças <12 anos: contraindicado por falta de dados de segurança.
Uso com cautela em idosos, pacientes com epilepsia, diabetes (pode alterar o controle glicêmico), insuficiência renal (depuração <30 mL/min), histórico de sangramentos gastrointestinais e em pacientes que utilizam anticoagulantes ou anti-inflamatórios.
Interações medicamentosas importantes
O escitalopram interage com diversos medicamentos e substâncias. As mais relevantes são:
- Inibidores da MAO (IMAO): associação proibida – risco de síndrome serotoninérgica fatal. Intervalo mínimo de 14 dias entre o uso.
- Linezolida (antibiótico) e azul de metileno: também aumentam serotonina, devem ser evitados.
- Anticoagulantes e antiplaquetários (varfarina, clopidogrel, rivaroxabana, AAS, ibuprofeno, naproxeno): potencializam o risco de sangramento – monitorizar TP e INR.
- Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs): aumentam o risco de hemorragia digestiva, especialmente em idosos.
- Erva-de-São João (Hypericum perforatum): associação perigosa de síndrome serotoninérgica – jamais usar junto.
- Álcool: potencializa a sonolência e tontura; evite bebidas alcóolicas durante o tratamento.
- Medicamentos que prolongam o intervalo QT (quinidina, sotalol, haloperidol, macrolídeos, certos antifúngicos): risco de arritmias cardíacas – realizar ECG antes e durante o uso.
- Litio e triptanos (usados em enxaqueca): podem elevar o risco de síndrome serotoninérgica; requerem monitorização.
Preço e onde encontrar Oxalato
O oxalato de escitalopram é amplamente disponível em drogarias e farmácias de todo Brasil, tanto na versão de referência (Lexapro®) quanto em genéricos. A média de preços no mercado brasileiro (pesquisa em junho de 2026) é:
- Genérico 10 mg (30 comprimidos): R$ 25 a R$ 45
- Genérico 20 mg (30 comprimidos): R$ 35 a R$ 55
- Lexapro® (referência) 10 mg (30 comprimidos): R$ 90 a R$ 130
- Lexapro® 20 mg (30 comprimidos): R$ 120 a R$ 170
Os genéricos (produzidos por laboratórios como EMS, Medley, Germed, Sandoz) são intercambiáveis e possuem a mesma eficácia e segurança. Pelo SUS, o escitalopram está incluído no Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF) para transtorno depressivo maior resistente, mediante Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT). Para isso, o paciente deve ser encaminhado a um serviço de referência (CAPS ou ambulatório de psiquiatria) e preencher os critérios de acesso. A maioria das pessoas adquire com receita simples em farmácias privadas.
O que perguntar ao médico antes de usar
Antes de iniciar o tratamento com oxalato de escitalopram, faça estas perguntas ao seu médico:
- Qual a dose ideal para o meu caso e por quanto tempo devo tomar?
- Preciso de algum exame antes de começar (ECG, função hepática, tireoide)?
- Como devo fazer para parar o medicamento sem ter crise de abstinência?
- Posso tomar outros medicamentos que já uso (inclusive fitoterápicos e suplementos)?
- Quais sintomas devo monitorar nas primeiras semanas, e quando devo voltar para reavaliação?
- Há risco de ganho de peso ou alterações sexuais? O que fazer se ocorrerem?
- Posso dirigir ou operar máquinas durante o tratamento?
Essas perguntas ajudam a personalizar o tratamento e evitar surpresas. Anote as respostas e leve-as em um caderno de monitoramento de humor.
- 01. Tome o medicamento no mesmo horário todos os dias para manter o nível sérico estável e evitar esquecimentos.
- 02. Nunca dobre a dose se esquecer: se passar mais de 12 horas do horário, pule a dose e tome a próxima no horário regular.
- 03. Evite dirigir ou realizar atividades que exijam atenção nas primeiras duas semanas, até saber como o medicamento afeta sua atenção.
- 04. Mantenha uma alimentação equilibrada e hidrate-se bem – a boca seca pode ser aliviada com água ou balas sem açúcar.
- 05. Informe sempre aos médicos (inclusive dentistas) que você usa escitalopram, especialmente antes de procedimentos cirúrgicos ou uso de anestésicos.
- 06. Associe o tratamento medicamentoso à psicoterapia – a combinação tem eficácia superior à medicação isolada para depressão e ansiedade.
- 07. Monitore seu humor com um diário ou aplicativo (ex: Moodpath, Daylio) para identificar padrões e relatar na consulta.
Perguntas frequentes sobre Oxalato
Oxalato engorda ou emagrece?
A maioria dos pacientes não apresenta alteração significativa de peso. Em alguns, pode haver ganho modesto (1-2 kg) nas primeiras semanas, geralmente devido à melhora do apetite associada à remissão da depressão. Em contrapartida, a náusea inicial pode levar a uma pequena perda de peso. O efeito é individual e geralmente reversível.
Posso tomar Oxalato na gravidez?
Não é recomendado a menos que estritamente necessário. Estudos mostram risco ligeiramente aumentado de hipertensão pulmonar persistente neonatal e síndrome de abstinência no recém-nascido. Se a gestante tem depressão grave, o médico deve avaliar risco-benefício, preferindo alternativas como a sertralina (mais estudada na gestação).
Quanto tempo leva para Oxalato fazer efeito?
Os primeiros efeitos (melhora do sono e apetite) podem surgir em 1 a 2 semanas. O efeito antidepressivo pleno sobre o humor, energia e motivação geralmente é alcançado entre 4 e 6 semanas de uso contínuo na dose terapêutica.
Oxalato causa dependência?
O escitalopram não causa dependência química (como os benzodiazepínicos), mas a interrupção abrupta pode provocar síndrome de descontinuação (tontura, náusea, parestesias, ansiedade de rebote). Por isso, a retirada deve ser gradual, orientada pelo médico.
Posso beber álcool enquanto tomo Oxalato?
O álcool pode potencializar os efeitos sedativos do escitalopram, causando tontura e sonolência excessiva. Além disso, o álcool por si só piora os sintomas de depressão e ansiedade. Recomenda-se evitar bebidas alcoólicas durante o tratamento.
Oxalato corta o efeito do anticoncepcional?
Não há evidência de que o escitalopram interfira na eficácia dos anticoncepcionais orais, injetáveis ou de emergência. A interação é improvável, mas mulheres que apresentarem sangramento irregular ou suspeita de falha devem consultar o ginecologista.
O que fazer se eu vomitar após tomar o comprimido?
Se vomitar dentro de 30 minutos após tomar, tome outro comprimido. Se vomitar após 1 hora, não repita a dose – o medicamento já foi absorvido. Em caso de dúvida, consulte seu farmacêutico ou médico.
Posso tomar Oxalato junto com ibuprofeno?
O uso concomitante de ISRS e AINEs (ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco) aumenta o risco de sangramento gastrointestinal, especialmente em idosos. Prefira paracetamol para dor e febre. Se o uso de AINE for inevitável, o médico pode associar um protetor gástrico (omeprazol).
Crianças podem tomar Oxalato?
O escitalopram é aprovado para adolescentes a partir de 12 anos apenas para transtorno depressivo maior. Para crianças menores de 12 anos, não há estudos de segurança. Outros ISRS, como fluoxetina, são preferíveis nessa faixa etária.
Oxalato pode causar queda de cabelo?
É um efeito muito raro (menos de 1% dos pacientes). Se ocorrer, geralmente é reversível com a suspensão do medicamento. Caso note queda capilar, converse com seu dermatologista para afastar outras causas (carências nutricionais, estresse).
Fontes e referências
- MedlinePlus – Escitalopram (em inglês)
- Bula Med – Bula do Oxalato de Escitalopram
- ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária
- Hospital Israelita Albert Einstein – Escitalopram
- MSD Saúde – Transtorno Depressivo Maior
- Clinica Popular Fortaleza — Consultas Medicas
- Exames na Clinica Popular Fortaleza
- Omeprazol: para que serve e como tomar
- Dipirona: para que serve, dosagem e efeitos
- Ibuprofeno: para que serve e cuidados
- Amoxicilina: para que serve e como usar
- Azitromicina: para que serve
- Paracetamol: para que serve e dosagem
- Nimesulida: para que serve
- CID F41 — Ansiedade
- CID M54 — Dorsalgia (dor nas costas)
- CID J06 — Infeccao Respiratoria
- CID K21 — Refluxo Gastroesofagico
- CID N39 — Infeccao Urinaria
- O que e hematoquezia
- O que e epistaxe (sangramento nasal)
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base em bulas oficiais ANVISA, evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 25/06/2026
Na Clinica Popular Fortaleza você agenda uma consulta com especialistas que explicam seu tratamento, ajustam doses e orientam o uso correto dos medicamentos.


