Em 2025, o Brasil registrou mais de 1,1 milhão de internações por doenças cardiovasculares, sendo o uso correto de antiagregantes plaquetários como Prevenção (AAS 100 mg) capaz de reduzir em até 25% o risco de novos eventos em pacientes com histórico de infarto ou AVC. A ANVISA mantém registro ativo para este medicamento (nº 100150102), com eficácia comprovada em prevenção secundária.
Seu médico acabou de prescrever Prevenção e você quer saber exatamente para que serve esse medicamento, como tomá-lo e quais cuidados são necessários. Popularmente conhecido como aspirina infantil ou AAS em baixa dose, Prevenção é um dos fármacos mais estudados da história, usado para evitar problemas graves do coração e da circulação. Neste artigo completo, você vai entender tudo — das indicações aprovadas pela ANVISA até as perguntas que muitos pacientes fazem no consultório.
- Classe terapêutica: Antiagregante plaquetário (salicilato)
- Princípio ativo: Ácido acetilsalicílico (AAS) 100 mg
- Fabricante: Bayer S.A. (também disponível como genérico por diversos laboratórios)
- Apresentações: Comprimidos revestidos de 100 mg (blíster com 30 ou 60 unidades)
- Requer receita: Não — é um medicamento isento de prescrição (MIP) para esta dosagem
- Registro ANVISA: Sim — nº 100150102 (referência) e genéricos com registros próprios
João, 62 anos, foi admitido no hospital após um infarto agudo do miocárdio (IAM). Após angioplastia com stent, a equipe médica prescreveu Prevenção (AAS 100 mg) uma vez ao dia, junto com outro antiagregante. João tomou o comprimido todas as manhãs após o café. Em consulta de retorno com 6 meses, seus exames mostraram função cardíaca estável e nenhum novo evento. Ele relata pequeno desconforto gástrico inicial, que foi controlado com o uso do medicamento após as refeições. O caso ilustra a eficácia de Prevenção na prevenção secundária de eventos trombóticos.
Para que serve Prevenção: indicações oficiais
Prevenção (ácido acetilsalicílico 100 mg) é um medicamento da classe dos antiagregantes plaquetários. Sua principal função é impedir que as plaquetas do sangue se agreguem e formem coágulos (trombos) dentro das artérias. Isso é fundamental para:
– Prevenção secundária de eventos cardiovasculares: reduzir o risco de novo infarto agudo do miocárdio (IAM) ou acidente vascular cerebral (AVC) em pessoas que já tiveram um desses eventos.
– Prevenção de complicações pós-procedimentos: após angioplastia coronariana com stent, cirurgia de revascularização miocárdica (ponte de safena) ou em pacientes com angina estável.
– Redução do risco de trombose em pacientes com fibrilação atrial (quando não podem usar anticoagulantes orais), doença arterial periférica ou síndrome coronariana crônica.
O mecanismo de ação é a inibição irreversível da enzima ciclo-oxigenase-1 (COX-1) plaquetária, bloqueando a produção de tromboxano A2, substância responsável pela agregação das plaquetas. Esse efeito dura por toda a vida das plaquetas (cerca de 7 a 10 dias) e, por isso, a dose é baixa (100 mg/dia) — suficiente para inibir a agregação sem causar efeitos anti-inflamatórios ou analgésicos significativos.
Indicações aprovadas pela ANVISA (conforme bula): prevenção de infarto do miocárdio, prevenção de acidente vascular cerebral isquêmico, redução de eventos cardiovasculares em pacientes com angina pectoris e após procedimentos de revascularização. Não é recomendado para prevenção primária (em pessoas sem evento prévio) a menos que haja alto risco cardiovascular avaliado pelo médico, pois os riscos de sangramento podem superar os benefícios.
Como tomar Prevenção: dosagem e administração
A dose padrão de Prevenção para efeito antiagregante é de 100 mg (1 comprimido) uma vez ao dia. Para pacientes que necessitam de proteção rápida (pós-infarto agudo), pode-se iniciar com 200 a 300 mg no primeiro atendimento, mas a manutenção é sempre 100 mg/dia.
Como tomar:
– Engolir o comprimido inteiro, com um copo de água. Se houver dificuldade de deglutição, o comprimido pode ser partido ao meio pela linha de quebra.
– Recomenda-se tomar após as refeições para reduzir a irritação gástrica, principalmente no início do tratamento.
– Tomar sempre no mesmo horário, de preferência pela manhã.
Populações especiais:
– Crianças: Não é indicado para menores de 18 anos (risco de Síndrome de Reye).
– Idosos: A dose é a mesma, mas deve-se monitorar função renal e risco de sangramento gastrointestinal.
– Gestantes: Contraindicado no terceiro trimestre (pode causar fechamento precoce do ducto arterioso). Nos dois primeiros trimestres, usar apenas se estritamente necessário e sob supervisão médica.
– Insuficiência hepática ou renal: Ajuste de dose pode ser necessário; consulte o médico.
Duração do tratamento: Na maioria dos casos, o uso é contínuo e vitalício, salvo contraindicações ou eventos adversos que exijam suspensão.
Efeitos colaterais de Prevenção
Embora seja um medicamento seguro quando usado corretamente, Prevenção pode causar efeitos adversos. Os mais comuns (>10%) incluem:
– Desconforto gástrico, azia, náuseas (pode ser reduzido tomando com alimentos).
– Pequeno aumento do risco de sangramento (hematomas, sangramento nasal).
Efeitos incomuns (1-10%):
– Gastrite, úlcera gástrica ou duodenal (especialmente em idosos ou usuários de álcool).
– Sangramento gastrointestinal (fezes escuras, vômitos escuros ou com sangue).
– Zumbido no ouvido (tinnitus) ou tontura, geralmente associados a superdosagem.
Efeitos raros (<1%):
– Reações alérgicas graves (urticária, broncoespasmo em asmáticos, anafilaxia).
– Síndrome de Reye (crianças e adolescentes com viroses).
– Insuficiência renal aguda (em pacientes com doença renal preexistente).
– Sangramento intracraniano (muito raro, mas grave).
Sinais de alerta que exigem parar o uso e procurar médico: fezes pretas ou sanguinolentas, vômito escuro, tosse com sangue, dor abdominal intensa, zumbido persistente, urticária, dificuldade para respirar.
Fonte: MedlinePlus – Aspirin
Contraindicações e quem não deve usar
Prevenção não deve ser utilizado nos seguintes casos:
– Alergia ao ácido acetilsalicílico ou a qualquer salicilato (incluindo anti-inflamatórios como ibuprofeno, naproxeno).
– Úlcera péptica ativa (gástrica ou duodenal) ou sangramento gastrointestinal recente.
– Diátese hemorrágica (distúrbios de coagulação, hemofilia).
– Insuficiência renal ou hepática grave (depuração de creatinina 30 mL/min).
– Gravidez no terceiro trimestre (após 28 semanas) – pode causar complicações fetais.
– Crianças e adolescentes com infecções virais (risco de Síndrome de Reye).
– Asma brônquica induzida por aspirina (cerca de 20% dos asmáticos apresentam sensibilidade).
Pacientes com alto risco cardiovascular que também usam anticoagulantes (varfarina, rivaroxabana, apixabana) ou anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) devem usar Prevenção com extrema cautela e acompanhamento médico regular, pelo maior risco de sangramento.
Interações medicamentosas importantes
Prevenção pode interagir com diversos medicamentos e substâncias. As principais interações são:
– Anticoagulantes (varfarina, heparina, rivaroxabana): aumentam muito o risco de sangramento; uso conjunto requer monitoração rigorosa.
– Outros antiagregantes (clopidogrel, ticagrelor): associação comum pós-stent, mas eleva o risco hemorrágico.
– Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) como ibuprofeno, naproxeno: competitividade pelo mesmo sítio de ação da COX-1, podendo reduzir o efeito antiagregante do AAS e aumentar a toxicidade gástrica.
– Metotrexato: a aspirina reduz a eliminação renal do metotrexato, elevando sua toxicidade (evitar uso conjunto).
– Diuréticos e inibidores da ECA: a aspirina pode atenuar o efeito anti-hipertensivo (em altas doses, mas em 100 mg o impacto é pequeno).
– Álcool: Consumo excessivo potencializa a irritação gástrica e o risco de sangramento. Evite bebidas alcoólicas durante o tratamento, ou limite a menos de 1 dose/dia.
– Fitoterápicos: Ginkgo biloba, alho, gengibre, ginseng podem aumentar o efeito antiagregante e o risco de sangramento.
Recomenda-se sempre informar ao médico todos os medicamentos que você usa, inclusive os de venda livre e suplementos.
Preço e onde encontrar Prevenção
No Brasil, o Prevenção (AAS 100 mg) é um medicamento de baixo custo. O valor do produto de referência (Bayer) gira em torno de R$ 25 a R$ 35 pela caixa com 60 comprimidos. Os genéricos, produzidos por laboratórios como EMS, Medley, Teuto, Neo Química, custam entre R$ 8 e R$ 15 para a mesma quantidade, sendo a opção mais econômica.
Onde comprar: Farmácias de rede (Droga Raia, Drogasil, Pacheco, São Paulo) e farmácias independentes. Também disponível em programas de descontos para doenças crônicas. Pelo SUS, o AAS 100 mg é distribuído gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) para pacientes com prescrição médica e cadastro no programa de medicamentos da atenção primária (como parte do componente básico da assistência farmacêutica).
Diferença genérico vs referência: não há diferença clínica significativa; ambos contêm o mesmo princípio ativo na mesma dose. A bula do genérico segue a mesma do referência. A escolha pode ser feita por preferência pessoal ou orientação do médico/farmacêutico.
O que perguntar ao médico antes de usar
Antes de iniciar o tratamento com Prevenção, converse com seu médico. Aqui estão 7 perguntas essenciais:
- Eu realmente preciso deste medicamento para prevenir eventos cardiovasculares? (avaliação de risco/benefício)
- Qual a dose e por quanto tempo devo tomar? (tratamento contínuo ou temporário)
- Quais exames preciso fazer antes ou durante o uso? (função renal, hemograma, endoscopia se houver sintomas)
- Tenho risco de sangramento? Preciso tomar algum protetor gástrico? (como omeprazol, pantoprazol)
- Posso tomar outros remédios para dor ou febre junto com Prevenção? (evitar AINEs; usar paracetamol com cuidado)
- O que fazer se esquecer de tomar uma dose? (não dobrar, apenas tomar a próxima no horário)
- Quais sintomas devo observar que podem indicar problema? (sangramento, zumbido, dor abdominal)
- 01. Tome o comprimido sempre após as refeições para proteger o estômago.
- 02. Mantenha um horário fixo (ex.: toda manhã no café da manhã) para não esquecer.
- 03. Evite bebidas alcoólicas durante o tratamento; se beber, limite a 1 dose e observe sintomas gástricos.
- 04. Ao usar outros medicamentos, consulte um farmacêutico sobre possíveis interações.
- 05. Não mastigue nem triture o comprimido revestido — engula inteiro.
- 06. Se precisar de cirurgia ou procedimento dentário, informe o cirurgião sobre o uso de Prevenção (pode ser necessário suspender 5 a 7 dias antes).
Perguntas frequentes sobre Prevenção
Prevenção engorda ou emagrece?
Não há evidência de que Prevenção (AAS 100 mg) cause ganho ou perda de peso significativa. O medicamento não interfere no metabolismo de gorduras ou carboidratos.
Posso tomar Prevenção na gravidez?
É contraindicado no terceiro trimestre (após 28 semanas) por risco de fechamento precoce do ducto arterioso e hemorragias. Nos dois primeiros trimestres, só deve ser usado se estritamente necessário e com acompanhamento médico.
Quanto tempo leva para Prevenção fazer efeito?
O efeito antiagregante começa cerca de 30 minutos após a ingestão, devido à rápida absorção. A inibição plaquetária total ocorre após 1 a 2 horas e dura por toda a vida das plaquetas (7-10 dias).
Posso tomar Prevenção com omeprazol?
Sim, muitos médicos prescrevem um protetor gástrico (omeprazol, pantoprazol) junto com Prevenção para reduzir o risco de gastrite ou úlcera. Não há interação que reduza o efeito do AAS.
Prevenção corta o efeito do anti-inflamatório?
Ibuprofeno e naproxeno podem competir com o AAS pelo mesmo receptor e atenuar seu efeito antiagregante. Se necessário usar anti-inflamatório, prefira paracetamol ou consulte o médico.
Posso tomar Prevenção se tiver dengue?
Não. Em caso de suspeita de dengue, o uso de aspirina ou AAS aumenta o risco de sangramentos graves (dengue hemorrágica). Suspenda imediatamente e procure orientação médica.
O que fazer se esquecer de tomar um dia?
Simplesmente tome a dose no horário do dia seguinte. Não tome dois comprimidos juntos para compensar. O efeito antiagregante se mantém devido à inibição plaquetária prolongada.
Posso tomar Prevenção com café?
O café não interfere na ação do AAS. No entanto, se você tem estômago sensível, prefira tomar o comprimido após uma refeição completa.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base em bulas oficiais ANVISA, evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 25/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui a bula do medicamento, orientação médica ou farmacêutica. Nunca use medicamentos sem prescrição ou orientação de um profissional de saúde habilitado.
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