De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a pediculose (infestação por piolhos) afeta cerca de 100 milhões de pessoas no mundo anualmente. No Brasil, estima-se que 30% a 50% das crianças em idade escolar já tiveram contato com o parasita. A ivermectina oral e a permetrina tópica são os tratamentos de primeira linha aprovados pela ANVISA, com eficácia superior a 95% quando usados corretamente.
Seu filho chegou da escola coçando a cabeça e você logo pensou: “será que é piolho?”. Você não está sozinho: a pediculose capilar é uma das parasitoses mais comuns na infância e também pode afetar adultos. Saber qual remédio para matar piolho escolher e como usar corretamente faz toda a diferença para eliminar o parasita e evitar reinfestações. Neste guia completo, você vai encontrar informações atualizadas sobre os medicamentos disponíveis, desde a permetrina tópica até a ivermectina oral, com base em bulas oficiais da ANVISA, protocolos do Ministério da Saúde e evidências científicas.
- Classe terapêutica: Pediculicidas (antiparasitários tópicos e sistêmicos)
- Princípio ativo: Permetrina (tópico), Ivermectina (oral), Dimeticona (tópico), Lindano (restrito), Malatião (restrito)
- Fabricante principal: EMS, Medley, Neo Química, Mantecorp (genéricos); Merck (Stromectol – ivermectina), Galderma (Permetrina)
- Apresentações: Loção tópica (permetrina 1%), xampu (permetrina 1%), comprimidos (ivermectina 6 mg), creme enxaguável (dimeticona)
- Requer receita: Ivermectina oral – Sim (receita médica tipo B1 – antimicrobiano); Produtos tópicos (permetrina, dimeticona) – Não necessitam de receita
- Registro ANVISA: Sim, todos os produtos mencionados possuem registro vigente no Brasil (categoria medicamentos isentos de prescrição ou controlados).
Maria, 35 anos, mãe de dois meninos de 6 e 9 anos, percebeu que as crianças estavam com coceira intensa no couro cabeludo há uma semana. Ao inspecionar, encontrou lêndeas (ovos) grudadas nos fios próximos à raiz, além de piolhos adultos vivos. Ela levou os filhos ao pediatra, que diagnosticou pediculose ativa e prescreveu permetrina 1% loção (aplicar à noite, deixar agir por 10 minutos e enxaguar). O médico também orientou a repetir o tratamento após 7 dias para matar os piolhos recém-eclodidos. Maria seguiu a orientação e, após duas aplicações, a coceira desapareceu. Além disso, ela lavou roupas de cama e bonés em água quente (acima de 60°C) para evitar reinfestação. O resultado foi a eliminação completa dos piolhos em menos de 10 dias.
Para que serve remédio para matar piolho: indicações oficiais
O remédio para matar piolho (chamado tecnicamente de pediculicida) tem a finalidade de eliminar a infestação por Pediculus humanus capitis, o piolho da cabeça. Esses insetos ectoparasitas se alimentam de sangue do couro cabeludo e causam prurido intenso (coceira), que pode levar a escoriações, infecções secundárias (como impetigo) e até distúrbios do sono e irritabilidade, especialmente em crianças.
Indicações terapeuticas aprovadas pela ANVISA:
- Pediculose capilar ativa: Tratamento de infestação por piolhos vivos (adultos e ninfas) e lêndeas viáveis.
- Reinfestação: Em casos de contato próximo com pessoas infectadas ou fômites (roupas, bonés, travesseiros).
- Controle de surtos: Em ambientes coletivos (escolas, creches, abrigos) – uso combinado com medidas ambientais.
Mecanismo de ação dos principais princípios ativos:
- Permetrina (tópico): pertence à classe dos piretróides. Age sobre os canais de sódio dos neurônios dos piolhos, causando paralisia e morte do inseto. Tem ação ovicida parcial (mata lêndeas em estágio inicial).
- Ivermectina (oral): atua nos receptores de glutamato dos canais de cloreto, aumentando a permeabilidade da membrana neuronal, levando à paralisia flácida e morte. Tem meia-vida longa (18 horas) e é eficaz contra piolhos e sarnas.
- Dimeticona (tópico): é um óleo de silicone que age fisicamente: recobre os piolhos e ovos, obstruindo seus orifícios respiratórios e causando asfixia. Mecanicamente, não há resistência, sendo uma excelente opção para cepas resistentes a piretróides.
Em 2025–2026, o Ministério da Saúde brasileiro recomenda a permetrina 1% como tratamento de primeira linha para pediculose capilar, seguida pela dimeticona 4% (para casos de resistência ou contraindicação a piretróides). A ivermectina oral é reservada para infestações extensas, resistentes ou em pacientes com múltiplas lesões de impetigo. Sempre consulte um médico ou farmacêutico antes de iniciar qualquer tratamento.
Como tomar remédio para matar piolho: dosagem e administração
A forma de uso depende do tipo de medicamento escolhido. Abaixo, as principais orientações baseadas em bulas oficiais (ANVISA) e protocolos clínicos:
Permetrina 1% loção / xampu (tópico):
- Adultos e crianças a partir de 2 meses de idade: Aplicar quantidade suficiente para cobrir todo o couro cabeludo e cabelos, massageando suavemente. Deixar agir por 10 minutos (loção) ou de 5 a 10 minutos (xampu) e enxaguar abundantemente.
- Repetir após 7 dias para eliminar piolhos recém-eclodidos das lêndeas que não morreram na primeira aplicação.
- Evitar contato com olhos, mucosas e pele lesionada. Se houver contato, lavar com água corrente.
- Não usar simultaneamente com outros produtos capilares (condicionadores, leave-in) que possam formar película.
Ivermectina 6 mg comprimidos (oral):
- Adultos e crianças com peso ≥15 kg: Dose única de 200 µg/kg. Exemplo: criança de 30 kg toma 1 comprimido de 6 mg; adulto de 70 kg toma 2 comprimidos (12 mg).
- Tomar com água, em jejum ou com alimentos (preferencialmente sem alimentos gordurosos para evitar aumento abrupto de absorção).
- Repetição: Em geral, uma única dose é suficiente. Em alguns casos, o médico pode indicar uma segunda dose após 7 a 14 dias.
- Não mastigar os comprimidos.
Dimeticona 4% loção (tópico):
- Adultos e crianças a partir de 6 meses: Aplicar generosamente nos cabelos secos, cobrindo todo o couro cabeludo. Deixar agir por 8 a 12 horas (geralmente durante a noite) e depois lavar com xampu comum.
- Repetir após 7 dias se houver piolhos vivos ou lêndeas viáveis.
- Não usar em conjunto com outros produtos capilares oleosos.
Duração do tratamento: Para a maioria dos casos, o tratamento com pediculicidas tópicos conclui-se em 2 aplicações com intervalo de 7 dias. A ivermectina oral é dose única. Acompanhamento com pente fino é recomendado para remover lêndeas mortas e verificar eficácia.
Efeitos colaterais de remédio para matar piolho
Assim como qualquer medicamento, os pediculicidas podem apresentar reações adversas. Conheça as mais comuns:
Permetrina tópica (efeitos colaterais):
- Comuns (>10%): prurido leve e transitório no local da aplicação (muitas vezes confundido com a própria coceira do piolho).
- Incomuns (1–10%): vermelhidão, ardência, formigamento (parestesia) leve que desaparece em minutos a horas.
- Raros (<1%): dermatite alérgica de contato, erupção cutânea, edema facial. Em caso de hipersensibilidade, suspender o uso e procurar atendimento.
Ivermectina oral (efeitos colaterais):
- Comuns (>10%): tontura, náusea, diarreia, dor abdominal; geralmente leves e autolimitados.
- Incomuns (1–10%): cefaleia, sonolência, fadiga, prurido generalizado (pode ser reação à morte dos parasitas).
- Raros (<1%): reações alérgicas graves (angioedema, síndrome de Stevens-Johnson), convulsões, coma (superdosagem). Sinais de alerta: febre alta, bolhas na pele, inchaço dos lábios e língua, dificuldade para respirar. Nesses casos, suspender imediatamente e ir ao pronto-socorro.
Dimeticona tópica (efeitos colaterais):
- Comuns: sensação de oleosidade no cabelo, difícil remoção (pode exigir duas lavagens).
- Incomuns: irritação leve do couro cabeludo, se o produto entrar em contato com olhos (lavar com água).
- Raros: praticamente não descritos, por tratar-se de um óleo de silicone inerte.
Importante: nunca misture diferentes pediculicidas sem orientação médica. Se houver sinais de superinfecção bacteriana (pus, crostas, febre), não trate em casa – procure um médico.
Contraindicações e quem não deve usar
Nem todos os pacientes podem usar esses medicamentos. Confira as contraindicações principais:
Permetrina tópica:
- Hipersensibilidade conhecida a piretróides (ex.: crisântemos) ou a qualquer componente da fórmula.
- Pele com escoriações extensas, feridas abertas ou infecções agudas no couro cabeludo.
- Bebês com menos de 2 meses (não há estudos de segurança para essa faixa etária).
- Gestantes e lactantes: pode ser usado sob supervisão médica, mas prefira dimeticona ou consulta prévia.
Ivermectina oral:
- Hipersensibilidade à ivermectina ou a qualquer excipiente.
- Crianças com peso inferior a 15 kg (não há dados de segurança).
- Mulheres grávidas (categoria C – risco potencial; só usar se benefício superar risco).
- Amamentação: passa para o leite materno; evitar durante o tratamento e por pelo menos 3 dias após a dose.
- Doenças hepáticas graves (cirrose, hepatite fulminante) – ajuste de dose ou evitar.
- Distúrbios neurológicos (epilepsia descontrolada, meningite) – pode agravar convulsões.
Dimeticona tópica:
- Hipersensibilidade à dimeticona ou a silicones (raro).
- Crianças menores de 6 meses (segurança não estabelecida).
- Feridas abertas no couro cabeludo – pode causar irritação.
Se você tem alguma condição de saúde (doença hepática, renal, neurológica) ou faz uso de outros medicamentos, informe sempre o médico antes de iniciar o tratamento.
Interações medicamentosas importantes
As interações mais relevantes envolvem a ivermectina oral. Veja o que evitar:
- Ivermectina + medicamentos que inibem a glicoproteína P (P-gp) (ex.: verapamil, amiodarona, itraconazol, cetoconazol, ritonavir): podem aumentar a concentração plasmática da ivermectina, elevando o risco de neurotoxicidade (tontura, confusão, convulsões).
- Ivermectina + warfarina: potencializa o efeito anticoagulante – monitorar INR se o paciente fizer uso crônico.
- Ivermectina + álcool: evite bebidas alcoólicas durante o tratamento e por 48 horas depois, pois o álcool pode aumentar os efeitos colaterais (tontura, sonolência).
- Ivermectina + benzodiazepínicos (diazepam, clonazepam) ou barbitúricos: risco aumentado de sedação e depressão respiratória.
- Permetrina tópica: não há interações medicamentosas conhecidas significativas, mas evitar uso simultâneo com outros produtos capilares (cremes, laquês, colorações) que possam reduzir a absorção.
- Dimeticona: por ser inerte, não apresenta interações medicamentosas relevantes.
Sempre informe ao profissional de saúde todos os medicamentos que você usa, incluindo fitoterápicos e suplementos.
Preço e onde encontrar remédio para matar piolho
Os preços variam conforme a apresentação e a região do país. Dados atualizados para 2025–2026 (valores médios de farmácias populares e drogarias online):
- Permetrina 1% loção 60 mL (genérico): R$ 18,00 a R$ 35,00 – marcas conhecidas: EMS, Neo Química, Medley. O produto de referência (Kwell, da Mantecorp) pode custar entre R$ 45,00 e R$ 65,00.
- Permetrina 1% xampu 100 mL: R$ 22,00 a R$ 40,00 (genérico); referência cerca de R$ 50,00.
- Ivermectina 6 mg comprimidos (genérico – 2 comprimidos): R$ 15,00 a R$ 28,00. O Stromectol (Merck) é mais caro, por volta de R$ 80,00 a R$ 120,00 a caixa com 2 comprimidos.
- Dimeticona 4% loção 50 mL: R$ 35,00 a R$ 55,00 (marcas como Nix D, Paranix, Vencet).
O SUS (Sistema Único de Saúde) disponibiliza permetrina tópica e ivermectina oral para casos de pediculose em unidades básicas de saúde, mediante avaliação médica. Muitos postos distribuem gratuitamente para famílias em situação de vulnerabilidade ou em surtos escolares. Consulte a farmácia básica do seu município.
Dica: prefira comprar genéricos de permitrina, que têm o mesmo princípio ativo e eficácia comprovada, por um custo até 50% menor que o produto de referência.
O que perguntar ao médico antes de usar
Antes de iniciar o tratamento, faça estas perguntas ao médico ou farmacêutico:
- Qual o melhor remédio para matar piolho no meu caso (tópico ou oral)?
- Quantas aplicações são necessárias e qual o intervalo entre elas?
- Posso usar o medicamento em meu filho menor de 2 anos? Quais cuidados?
- Preciso lavar roupas de cama, toalhas e pentes? Como fazer para evitar reinfestação?
- Existe risco de resistência dos piolhos a esse princípio ativo? Em caso de falha, qual a alternativa?
- Há contraindicação se eu estiver grávida, amamentando ou usando algum outro remédio?
- Quais sinais de efeitos adversos devo observar e quando buscar ajuda?
- 01. Sempre leia a bula do medicamento antes de usar – siga exatamente a quantidade e o tempo de ação indicados.
- 02. Após aplicar o pediculicida tópico, use um pente fino (pente para piolho) para remover piolhos e lêndeas mortos; repita a cada 2 dias por 2 semanas.
- 03. Lave roupas de cama, pijamas, toalhas e bonés das pessoas infestadas em água quente (acima de 60°C) e seque em secadora no ciclo quente; itens que não podem ser lavados podem ser vedados em saco plástico por 14 dias.
- 04. Não compartilhe pentes, escovas, presilhas, fones de ouvido e chapéus durante o tratamento e na semana seguinte.
- 05. Trate todos os membros da família que tiverem contato próximo com a pessoa infestada, mesmo que não apresentem coceira – a prevenção é a melhor estratégia.
- 06. Não exagere na quantidade: uma dose extra do medicamento não acelera a cura e pode causar irritação ou toxicidade.
Perguntas frequentes sobre remédio para matar piolho
remédio para matar piolho engorda ou emagrece?
Não. Os pediculicidas tópicos (permetrina, dimeticona) agem apenas localmente e não alteram o peso. A ivermectina oral pode causar náusea leve em algumas pessoas, mas não há evidências de que cause ganho ou perda de peso significativa.
Posso tomar remédio para matar piolho na gravidez?
A ivermectina oral é contraindicada na gravidez (categoria C). A permetrina tópica pode ser utilizada após avaliação médica, principalmente no segundo e terceiro trimestres. A dimeticona é considerada segura, pois não é absorvida pela pele. Consulte sempre seu obstetra antes de usar qualquer medicamento durante a gestação.
Quanto tempo leva para remédio para matar piolho fazer efeito?
Os piolhos vivos morrem em minutos a horas após a aplicação tópica. A coceira, porém, pode persistir por 2 a 5 dias devido à reação alérgica residual. A ivermectina oral começa a agir em 2 a 4 horas, eliminando a maioria dos piolhos em 24 horas. As lêndeas (ovos) podem não ser todas mortas na primeira aplicação – por isso a repetição após 7 dias é essencial.
O remédio para matar piolho pode ser usado em bebês?
Depende. A permetrina é aprovada a partir de 2 meses de idade, mas com supervisão médica. A dimeticona pode ser usada a partir de 6 meses. A ivermectina oral não é recomendada para crianças com menos de 15 kg. Nunca use qualquer pediculicida em recém-nascidos sem orientação profissional.
Como saber se o tratamento deu certo?
Se após 24 a 48 horas da aplicação não houver piolhos vivos visíveis (você pode usar pente fino para verificar) e a coceira diminuir significativamente, o tratamento está sendo eficaz. Se ainda houver piolhos vivos após 7 dias da primeira aplicação, pode ser necessário trocar de princípio ativo ou repetir o tratamento com outro medicamento.
O remédio para matar piolho tem cheiro forte?
A permetrina tem um odor suave e característico, geralmente não desagradável. A dimeticona é praticamente inodora. A ivermectina em comprimidos não tem odor relevante. Alguns xampus podem conter fragrâncias para melhorar a aceitação.
Posso usar remédio para matar piolho junto com o tratamento de sarna?
A ivermectina oral trata tanto pediculose quanto escabiose (sarna). Já a permetrina tópica também é indicada para sarna. Se você suspeita de ambas as condições, consulte um médico para um diagnóstico correto e tratamento único, se possível.
Qual a validade do remédio para matar piolho depois de aberto?
Líquidos tópicos (loção, xampu) devem ser descartados 30 dias após a abertura do frasco, pois o princípio ativo pode se degradar. Comprimidos de ivermectina mantêm a validade até a data impressa na embalagem (desde que armazenados em local seco e fresco). Não guarde medicamentos vencidos.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base em bulas oficiais ANVISA, evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 29/06/2026
Na Clínica Popular Fortaleza você agenda uma consulta com especialistas que explicam seu tratamento, ajustam doses e orientam o uso correto dos medicamentos.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui a bula do medicamento, orientação médica ou farmacêutica. Nunca use medicamentos sem prescrição ou orientação de um profissional de saúde habilitado.
Fontes consultadas:
Bula Med – Bulas de Medicamentos ANVISA
MSD Saúde – Manual MSD para profissionais de saúde
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