A Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou em 2025 um total de 3.248 casos de peste humana no mundo, com a maior parte na África (cerca de 97%). No Brasil, não houve casos autóctones confirmados desde 2008, mas a vigilância permanece ativa, especialmente em áreas de focos naturais na Região Nordeste.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID 020 e quer saber o que significa? Este artigo foi preparado por um médico especialista em clínica médica para explicar de forma clara e completa tudo sobre esse código, desde os sintomas até o tratamento. CID 020 corresponde à peste, uma doença infecciosa grave causada pela bactéria Yersinia pestis. Embora rara no Brasil, o conhecimento sobre ela é essencial para profissionais de saúde e pacientes que viajam para áreas endêmicas.
- Código: CID 020
- Descrição: Peste
- Categoria: Capítulo I – Algumas doenças infecciosas e parasitárias (A00-B99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias:
- 020.0 – Peste bubônica
- 020.1 – Peste celulocutânea
- 020.2 – Peste pneumônica
- 020.3 – Peste meníngea
- 020.8 – Outras formas de peste
- 020.9 – Peste não especificada
Paciente: João Carlos Mendes, 34 anos, engenheiro agrônomo, residente em área rural do Ceará com histórico de viagem recente a Madagascar (3 semanas antes).
Queixa principal: Febre alta (39,5°C), calafrios intensos, dor em virilha direita com aumento de volume e vermelhidão local, iniciados há 2 dias.
Avaliação clínica: Ao exame físico, apresentava linfonodo inguinal direito aumentado (bubão), medindo aproximadamente 5 cm, doloroso e com flutuação central. Taquicardia (110 bpm), hipotensão discreta (PA 100/60 mmHg). Exames laboratoriais: leucocitose com desvio à esquerda, PCR elevada (180 mg/L). Hemocultura e aspirado do linfonodo foram coletados. Teste rápido de antígeno para Yersinia pestis positivo.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID 020.0 — Peste bubônica.
Conduta terapêutica: Internação imediata em isolamento respiratório (até descartar forma pneumônica). Iniciou antibioticoterapia intravenosa com gentamicina 5 mg/kg/dia + doxiciclina 200 mg/dia, conforme protocolo do Ministério da Saúde. Suporte com hidratação venosa e antitérmicos. O bubão foi drenado cirurgicamente após 48h de antibióticos, com material purulento enviado para cultura.
Evolução: Após 72 horas de tratamento, o paciente apresentou defervescência, melhora progressiva do estado geral e redução do tamanho do linfonodo. Permaneceu internado por 10 dias para completar o esquema antibiótico (total de 14 dias). Alta hospitalar sem sequelas funcionais.
Lição clínica: A peste bubônica é uma emergência médica tratável; o atraso no diagnóstico e no início de antibióticos pode levar à sepse e forma pneumônica, com alta letalidade. A suspeita clínica em viajantes oriundos de áreas endêmicas é fundamental.
O que é o CID 020 na prática médica
O CID 020 é o código da Classificação Internacional de Doenças, 10ª edição, que designa a peste, uma zoonose bacteriana aguda causada por Yersinia pestis. Trata-se de uma das doenças infecciosas mais temidas da história, responsável por pandemias como a Peste Negra (século XIV) e que ainda hoje circula em focos naturais em todos os continentes, exceto na Oceania. Na prática clínica, o CID 020 é utilizado para registrar casos de peste em suas diversas formas clínicas (bubônica, pneumônica, septicêmica, entre outras). O diagnóstico precoce e o tratamento antibiótico adequado reduzem drasticamente a letalidade, que na forma não tratada pode chegar a 50-60% na bubônica e perto de 100% na pneumônica.
Subcategorias e variantes do CID 020
O CID 020 é dividido em subcategorias que especificam a apresentação clínica da doença:
- 020.0 – Peste bubônica: a forma mais comum, caracterizada por linfadenite regional (bubão), geralmente inguinal, axilar ou cervical.
- 020.1 – Peste celulocutânea: infecção localizada da pele e tecido subcutâneo, com úlceras e abscessos.
- 020.2 – Peste pneumônica: forma pulmonar primária ou secundária, altamente contagiosa por via aérea.
- 020.3 – Peste meníngea: acometimento do sistema nervoso central com meningite.
- 020.8 – Outras formas de peste: inclui peste septicêmica (sem bubão), peste faríngea, entre outras.
- 020.9 – Peste não especificada: quando o diagnóstico clínico é de peste, mas a forma não foi determinada.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas variam conforme a forma clínica, mas todos compartilham início súbito de febre alta (acima de 38,5°C), calafrios, cefaleia intensa, dores musculares e prostração. Na peste bubônica, surge um linfonodo aumentado, doloroso e com sinais flogísticos (bubão), geralmente na virilha, axila ou pescoço, após 2 a 6 dias da picada de pulga infectada. Na peste pneumônica, há tosse produtiva com expectoração sanguinolenta, dispneia progressiva e insuficiência respiratória; o período de incubação é de 1 a 3 dias e a transmissão inter-humana é fácil. A peste septicêmica se manifesta com febre, hipotensão, coagulação intravascular disseminada e falência de múltiplos órgãos, muitas vezes sem bubão.
Causas e fatores de risco
A peste é causada pela bactéria Yersinia pestis, um bacilo gram-negativo que infecta roedores e é transmitido ao homem pela picada de pulgas infectadas (principalmente Xenopsylla cheopis). Fatores de risco incluem: viver ou visitar áreas rurais com focos naturais (como Madagascar, República Democrática do Congo, Peru, regiões semiáridas dos EUA, nordeste do Brasil – embora sem casos recentes), exposição a roedores ou suas pulgas, manipulação de carcaças de animais infectados (caçadores, veterinários), e contato próximo com paciente com peste pneumônica. A falta de saneamento e a aglomeração aumentam o risco de transmissão respiratória.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da peste é clínico-epidemiológico e laboratorial. A suspeita surge diante de febre alta aguda com bubão em pessoa procedente de área endêmica ou com exposição relevante. Exames laboratoriais incluem:
- Hemocultura e aspirado do bubão para isolamento da Yersinia pestis.
- Teste rápido de antígeno (imunocromatografia) disponível em centros de referência.
- PCR para detecção do DNA bacteriano (alta sensibilidade).
- Sorologia (teste de anticorpos) para confirmação retrospectiva.
- Exames de imagem (raios-X de tórax na suspeita de forma pneumônica).
No Brasil, as amostras devem ser enviadas ao Laboratório de Referência Nacional (Instituto Evandro Chagas – PA) e o diagnóstico é de notificação compulsória.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da peste deve ser iniciado tão logo haja suspeita clínica, sem aguardar confirmação laboratorial. O esquema antibiótico de primeira linha, segundo o Ministério da Saúde, é:
- Gentamicina (5 mg/kg/dia IV ou IM, em dose única diária) por 10 a 14 dias.
- Ou doxiciclina (200 mg/dia VO ou IV) por 10 a 14 dias.
- Alternativas: ciprofloxacino, levofloxacino ou cloranfenicol (em casos de meningite).
Pacientes com peste pneumônica requerem isolamento respiratório estrito até 48 horas após início do antibiótico e melhora clínica. Bubões flutuantes podem necessitar drenagem cirúrgica. Suporte intensivo com hidratação, vasopressores e ventilação mecânica pode ser necessário nas formas graves. A prevenção com quimioprofilaxia (doxiciclina 100 mg/dia) está indicada para contatos próximos de casos de peste pneumônica.
Quantos dias de atestado médico
O período de afastamento do trabalho ou escola depende da forma clínica e da evolução. Para casos de peste bubônica não complicada, o atestado médico geralmente varia de 14 a 21 dias, período necessário para completar o tratamento antibiótico e a recuperação clínica. Na forma pneumônica, o isolamento e a recuperação podem exigir 21 a 30 dias. O médico assistente deve avaliar a liberação para retorno com base na negativação de exames e melhora dos sintomas.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento médico de urgência imediatamente se você ou alguém próximo apresentar:
- Febre alta súbita (acima de 38,5°C) acompanhada de íngua dolorosa (bubão) após viagem a área endêmica ou exposição a roedores.
- Tosse com sangue, falta de ar intensa e febre (suspeita de peste pneumônica).
- Sinais de sepse: confusão mental, queda da pressão, extremidades frias, redução do volume urinário.
- História de contato próximo com caso confirmado de peste.
O diagnóstico precoce é crucial para reduzir a letalidade. Não espere o aparecimento de todos os sintomas.
Prevenção e cuidados contínuos
As medidas preventivas envolvem controle de roedores em áreas urbanas e rurais, uso de repelentes e roupas protetoras em regiões endêmicas, evitar contato com animais mortos ou doentes, e quimioprofilaxia para pessoas expostas. Viajantes para países com circulação ativa (Madagascar, Congo, Peru) devem ser orientados a evitar acampamentos próximos a habitações de roedores e a usar inseticidas. No Brasil, a vigilância entomológica e o monitoramento de focos naturais são realizados pelo Ministério da Saúde. A vacina contra peste não está disponível no calendário nacional e é indicada apenas para grupos de risco muito específicos (militares, pesquisadores).
- 01. Ao receber um diagnóstico de CID 020, não entre em pânico. A peste tem tratamento eficaz com antibióticos se iniciado precocemente.
- 02. Mantenha o cartão de vacinação contra febre amarela em dia se for viajar para áreas endêmicas de peste; a prevenção de outras doenças facilita o diagnóstico diferencial.
- 03. Em caso de atestado médico com CID 020, comunique imediatamente ao empregador ou escola; o afastamento mínimo é de 14 dias para evitar contágio.
- 04. Se você trabalha com animais ou em laboratório, use equipamentos de proteção individual (EPI) e siga as normas de biossegurança.
- 05. Guarde o laudo médico com o CID 020 para comprovação futura e para orientar a vigilância epidemiológica.
- 06. Jamais compartilhe antibióticos ou automedique-se; o tratamento é individualizado e deve ser supervisionado por infectologista.
Perguntas Frequentes sobre o CID 020
O CID 020 garante quantos dias de atestado?
Geralmente, o atestado médico para peste bubônica é de 14 a 21 dias, podendo se estender até 30 dias na forma pneumônica, dependendo da evolução clínica e da necessidade de isolamento.
O que significa exatamente CID 020?
CID 020 é o código da Classificação Internacional de Doenças para “Peste”, uma infecção bacteriana grave causada por Yersinia pestis.
Qual a diferença entre CID 020.0 e CID 020.2?
CID 020.0 é peste bubônica (com bubão), enquanto CID 020.2 é peste pneumônica (forma pulmonar, altamente contagiosa).
A peste é contagiosa?
A peste bubônica não é transmitida de pessoa a pessoa; a forma pneumônica sim, por gotículas respiratórias. Por isso o isolamento é necessário.
CID 020 tem cura?
Sim, com tratamento antibiótico adequado e precoce, a taxa de cura ultrapassa 95% na forma bubônica. A forma pneumônica tratada a tempo também tem bom prognóstico.
O CID 020 aparece em atestados médicos?
Sim, médicos podem registrar o código CID 020 no atestado para justificar o afastamento por doença, especialmente em casos confirmados ou suspeitos de peste.
Onde posso encontrar mais informações oficiais sobre o CID 020?
Consulte o site da CID-10 ou a página do Ministério da Saúde para protocolos atualizados.
Quais exames confirmam o CID 020?
Os exames confirmatórios incluem cultura de sangue ou aspirado de bubão, PCR, teste rápido de antígeno e sorologia. Todos devem ser realizados em laboratórios de referência.
Pessoas vacinadas contra peste podem pegar a doença?
A vacina contra peste não está amplamente disponível e sua eficácia é limitada; a prevenção principal é evitar exposição a pulgas e roedores.
O CID 020 pode ser usado para outras doenças?
Não. O CID 020 é exclusivo para peste. Outras doenças infecciosas com sintomas semelhantes (como tularemia, linfadenite bacteriana) têm códigos diferentes.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
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