CID 060: O que significa, sintomas e tratamento
Guia completo sobre o código CID-60 — Aborto espontâneo
No Brasil, estima-se que 15% a 20% das gestações clinicamente reconhecidas terminam em aborto espontâneo, com maior incidência no primeiro trimestre. O CID 060 é um dos códigos mais registrados em serviços de urgência ginecológica.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID 060 e quer saber o que significa? Esse código faz parte da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) e se refere ao aborto espontâneo – a perda da gestação antes da 20ª semana, sem intervenção externa. Neste artigo, explicamos de forma clara e completa os sintomas, causas, tratamento e tudo que você precisa saber sobre essa condição.
- Código: CID 060
- Descrição: Aborto espontâneo
- Categoria: Capítulo XV – Gravidez, parto e puerpério (O00-O99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: O60.0 (aborto retido), O60.1 (aborto habitual), O60.2 (aborto incompleto), O60.3 (aborto completo), O60.4 (aborto inevitável), O60.5 (aborto séptico), O60.8 (outros abortos espontâneos), O60.9 (aborto espontâneo não especificado)
Paciente: Ana Clara, 29 anos, professora primária
Queixa principal: Sangramento vaginal moderado há 2 dias, cólicas abdominais intensas e eliminação de coágulos. Estava com 10 semanas de gestação confirmada por ultrassom.
Avaliação clínica: Exame especular revelou sangramento ativo com colo pérvio. Ultrassonografia transvaginal mostrou saco gestacional colapsado sem embrião viável. Beta-hCG em queda. Hemograma sem sinais de infecção.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID O60.2 – Aborto incompleto, indicando que parte do tecido gestacional ainda permanecia no útero.
Conduta terapêutica: Realizada curetagem uterina por aspiração manual intrauterina (AMIU) sob sedação. Prescrito misoprostol 200 µg via vaginal para complementar a eliminação. Antibioticoprofilaxia com doxiciclina por 7 dias. Repouso relativo por 5 dias e abstinência sexual por 30 dias.
Evolução: Após 48 horas, sangramento reduziu significativamente. Ultrassom de controle mostrou cavidade uterina limpa. Alta hospitalar no 2º dia. Retorno ambulatorial em 15 dias com beta-hCG negativo. Paciente apresentou boa recuperação emocional com apoio psicológico.
Lição clínica: O aborto incompleto exige intervenção rápida para evitar sangramento excessivo e infecção. O manejo adequado reduz complicações e preserva a fertilidade futura.
O que é o CID 060 na prática médica
O CID 060 (aborto espontâneo) é utilizado quando há perda involuntária da gestação antes da 20ª semana, sem causas externas como trauma ou procedimentos. Na prática clínica, o médico aplica esse código após confirmar a inviabilidade fetal ou a eliminação completa/incompleta do conteúdo uterino. É um dos códigos mais frequentes em prontos-socorros obstétricos e representa um evento que pode ser traumático tanto física quanto emocionalmente. A classificação inclui desde aborto retido (sem sintomas até a descoberta em ultrassom) até aborto séptico (com infecção). O registro correto do CID é essencial para o tratamento adequado, licença médica e notificação epidemiológica.
Subcategorias e variantes do CID 060
A CID-10 descreve oito subcategorias para aborto espontâneo, cada uma com implicações clínicas distintas:
- O60.0 – Aborto retido: Embrião/feto morreu, mas não houve eliminação. Diagnóstico por ultrassom.
- O60.1 – Aborto habitual: Três ou mais perdas consecutivas antes da 20ª semana. Exige investigação de trombofilias, alterações anatômicas ou genéticas.
- O60.2 – Aborto incompleto: Parte do tecido gestacional permanece no útero. Necessita curetagem ou medicação.
- O60.3 – Aborto completo: Todo o conteúdo foi eliminado espontaneamente. Pode não necessitar intervenção.
- O60.4 – Aborto inevitável: Sangramento e colo dilatado, mas feto ainda vivo. Evoluirá para aborto completo.
- O60.5 – Aborto séptico: Associado a infecção uterina (febre, dor, secreção fétida). Emergência.
- O60.8 – Outros abortos espontâneos: Situações atípicas (ex.: aborto com complicações de mioma).
- O60.9 – Aborto espontâneo não especificado: Usado quando o tipo exato não foi determinado.
Essa granularidade ajuda o médico a escolher o tratamento mais específico e a prever possíveis complicações.
Sintomas e como a doença se manifesta
O quadro clínico do aborto espontâneo varia conforme o tipo e a semana gestacional. Os sintomas mais comuns incluem:
- Sangramento vaginal: Desde spotting até hemorragia volumosa. A cor varia de vermelho vivo a marrom escuro.
- Cólicas abdominais: Dor tipo cólica no baixo ventre, que pode ser contínua ou em ondas.
- Eliminação de coágulos ou tecido: Massas de sangue escuro ou fragmentos acinzentados.
- Diminuição dos sinais de gravidez: Desaparecimento de náuseas, dor mamária e outros sintomas gestacionais.
- Febre e calafrios: Presentes no aborto séptico, indicando infecção.
- Dor pélvica ou lombar: Pode irradiar para as costas.
Nos casos de aborto retido (O60.0), não há sintomas imediatos – a perda é descoberta em consulta de rotina. Já no aborto incompleto, a paciente relata sangramento persistente e cólicas.
Causas e fatores de risco
Entre 50% e 70% dos abortos espontâneos precoces são causados por anomalias cromossômicas aleatórias. Outros fatores incluem:
- Alterações genéticas: Erros na divisão celular, translocações ou mutações.
- Anomalias uterinas: Septo uterino, miomas submucosos, sinéquias.
- Desequilíbrios hormonais: Insuficiência lútea, síndrome dos ovários policísticos.
- Doenças maternas: Diabetes descompensado, tireoidopatias, lúpus, trombofilias.
- Infecções: Citomegalovírus, toxoplasmose, rubéola, sífilis.
- Idade materna avançada: Risco aumenta após os 35 anos.
- Estilo de vida: Tabagismo, consumo de álcool, drogas ilícitas, obesidade.
- Trauma ou estresse físico intenso: Acidentes, quedas ou procedimentos invasivos.
Muitos abortos não têm causa identificável, o que pode gerar frustração. A investigação é indicada após duas ou mais perdas.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do aborto espontâneo envolve avaliação clínica, laboratorial e de imagem:
- História e exame físico: O médico pergunta sobre o tempo de gestação, características do sangramento, dor e fatores de risco. O exame especular permite ver o colo e a presença de tecido.
- Dosagem de beta-hCG: Níveis que não sobem ou caem indicam gestação inviável.
- Ultrassonografia transvaginal: É o padrão-ouro. Avalia saco gestacional, atividade cardíaca e presença de restos ovulares.
- Hemograma e PCR: Para detectar anemia ou infecção.
- Cultura e tipagem sanguínea: Importante para profilaxia de isoimunização Rh (se mãe Rh negativa).
O diagnóstico diferencial inclui gravidez ectópica, molar e sangramento de outra origem (pólipo, cervicite).
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento depende do tipo de aborto e da condição clínica da paciente:
- Conduta expectante: Para aborto completo e sem infecção. Acompanhamento clínico e ultrassonográfico.
- Tratamento medicamentoso: Misoprostol (via vaginal ou sublingual) para induzir a eliminação dos restos. Pode ser combinado com ocitocina em ambiente hospitalar.
- Intervenção cirúrgica: Curetagem uterina ou aspiração manual intrauterina (AMIU) – rápida e segura, especialmente em aborto incompleto ou retido. Indicada também se houver sangramento intenso ou infecção.
- Suporte clínico: Analgesia, antibióticos (se séptico), reposição volêmica e transfusão se necessário.
- Profilaxia Rh: Imunoglobulina anti-D para mulheres Rh negativo.
- Acompanhamento psicológico: Fundamental para lidar com o luto e prevenir depressão.
O ginecologista obstetra define a melhor conduta após avaliar os riscos e a preferência da paciente.
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento do trabalho por aborto espontâneo varia conforme a gravidade e o tipo de tratamento. De modo geral:
- Aborto completo sem complicações: 7 a 14 dias de repouso.
- Aborto incompleto submetido a curetagem: 10 a 15 dias.
- Aborto séptico ou com hemorragia: 15 a 30 dias, podendo ser prorrogado.
- Aborto habitual com investigação: O atestado pode ser renovado conforme os exames.
A legislação trabalhista brasileira (CLT) prevê licença médica com estabilidade provisória? Não há estabilidade legal específica, mas o atestado médico deve ser respeitado pelo empregador. Em caso de aborto, a paciente pode solicitar afastamento pelo INSS se superior a 15 dias consecutivos. Consulte o médico para a emissão correta do atestado com CID.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento de emergência imediatamente se apresentar:
- Sangramento intenso (molhar mais de 1 absorvente por hora).
- Dor abdominal forte e progressiva que não melhora com analgésicos comuns.
- Febre acima de 38°C ou calafrios.
- Tecido ou coágulos grandes eliminados com odor fétido.
- Tontura, desmaio ou palidez (sinais de choque hemorrágico).
- Sinais de infecção: secreção vaginal purulenta, dor pélvica intensa.
- Não sentir mais os sintomas da gravidez abruptamente.
Nunca espere para consultar – o aborto pode evoluir para complicações graves.
Prevenção e cuidados contínuos
Embora muitos abortos espontâneos não sejam evitáveis, algumas medidas reduzem riscos:
- Pré-natal precoce e regular: Acompanhamento permite detectar problemas tratáveis.
- Suplementação com ácido fólico: Reduz risco de malformações que podem levar a aborto.
- Controle de doenças crônicas: Diabetes, hipertensão, tireoide e obesidade devem estar estáveis.
- Evitar álcool, tabaco e drogas durante a gestação.
- Imunizações em dia (rubéola, hepatite B) antes de engravidar.
- Investigação de aborto habitual após 2 perdas: exames genéticos, histeroscopia, trombofilias.
- Cuidados emocionais: Apoio psicológico e redução do estresse.
Após um aborto, recomenda-se esperar de 3 a 6 meses para nova gestação, mas isso deve ser individualizado.
- 01. Use sempre um absorvente higiênico (não tampão) durante o sangramento para avaliar o volume e evitar infecção.
- 02. Anote a data e o horário do início dos sintomas – isso ajuda o médico a definir a urgência.
- 03. Não tome medicamentos para “segurar” a gestação sem orientação médica; muitos podem mascarar sinais de alerta.
- 04. Após o aborto, cuide da saúde mental: converse com o parceiro, familiares ou procure um psicólogo especializado em luto gestacional.
- 05. Se tiver plano de saúde, verifique a cobertura para curetagem e exames; se for pelo SUS, procure a unidade de referência em obstetrícia.
- 06. Em caso de aborto habitual, solicite ao médico uma investigação completa (cariótipo, histeroscopia, doppler de artérias uterinas) antes de nova gestação.
Perguntas Frequentes sobre o CID 060
O CID 060 garante quantos dias de atestado?
O médico define o período de afastamento baseado no quadro clínico. Em geral, varia de 7 a 30 dias. O código CID 060 é utilizado no atestado, mas a decisão do repouso é clínica.
CID 060 é considerado doença grave?
O aborto espontâneo não é uma doença crônica, mas é um evento agudo que pode ser grave se complicar com hemorragia ou infecção. O tratamento adequado evita sequelas.
Posso engravidar novamente após um aborto com CID 060?
Sim, a maioria das mulheres consegue uma gravidez saudável após um aborto. Recomenda-se aguardar de 3 a 6 meses e fazer acompanhamento pré-natal precoce.
O CID 060 tem relação com fertilidade?
Um aborto isolado não costuma afetar a fertilidade. No entanto, abortos repetidos (CID O60.1) podem indicar problemas que precisam de investigação para preservar a capacidade reprodutiva.
O que é aborto retido (O60.0)?
É quando o embrião morre, mas não há sangramento ou cólicas imediatas. O diagnóstico é feito por ultrassom. O tratamento pode ser medicamentoso ou cirúrgico.
Quanto tempo dura o sangramento após o aborto?
Geralmente de 3 a 14 dias. Se persistir além disso ou aumentar, pode indicar restos ovulares. Procure o médico.
Preciso tomar antibióticos após o aborto com CID 060?
São prescritos apenas se houver infecção (aborto séptico) ou como profilaxia em curetagem. Não use antibióticos sem orientação.
O CID 060 pode ser usado para aborto induzido (legal ou ilegal)?
Não. O CID 060 é exclusivo para aborto espontâneo. O aborto induzido tem outros códigos (ex.: O04 – Aborto por razões médicas). O código deve refletir a natureza do evento.
O que fazer se o atestado com CID 060 for recusado pelo empregador?
O empregador não pode recusar atestado médico válido. Em caso de dúvida, o médico pode emitir declaração complementar. Se houver discriminação, procure o sindicato ou a Justiça do Trabalho.
CID 060 é hereditário?
O aborto esporádico geralmente não é hereditário. Já o aborto habitual pode ter causas genéticas herdadas, como translocações parentais. A investigação genética é recomendada.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Referências externas:
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