Estima-se que até 2026, o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) atinja cerca de 5-7% das crianças em idade escolar no Brasil, e o CID 10 F90.0 (TDAH subtipo combinado) é o mais frequentemente diagnosticado nessa faixa etária, com crescente reconhecimento também em adultos. A conscientização sobre o diagnóstico precoce e o manejo adequado tem reduzido o impacto social e acadêmico do transtorno.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID 10 F90.0 e quer saber o que significa? Este código representa o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) do subtipo combinado, que envolve tanto desatenção quanto hiperatividade-impulsividade. Neste artigo, você encontrará uma explicação completa baseada na prática clínica, incluindo um estudo de caso real, orientações sobre tratamento, afastamento do trabalho e respostas para as principais dúvidas.
- Código: CID 10 F90.0
- Descrição: Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) – subtipo combinado
- Categoria: Capítulo V – Transtornos mentais e comportamentais (F00-F99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: O CID 10 F90 inclui: F90.0 (combinado), F90.1 (predominante desatenção), F90.2 (predominante hiperatividade), F90.8 (outros) e F90.9 (sem especificação)
Paciente: Lucas S., 9 anos, estudante do 3º ano do ensino fundamental
Queixa principal: Dificuldade de concentração nas aulas, agitação constante, interrupção dos colegas e baixo rendimento escolar, conforme relato da escola e dos pais.
Avaliação clínica: Exame físico normal, sem alterações neurológicas focais. Aplicou-se a Escala SNAP-IV e entrevista com pais e professores, evidenciando 8 de 9 critérios para desatenção e 7 de 9 para hiperatividade/impulsividade, com início antes dos 7 anos e prejuízo em dois ou mais ambientes (casa e escola).
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID 10 F90.0 — Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade subtipo combinado.
Conduta terapêutica: Iniciou-se metilfenidato (Ritalina LA) 20 mg/dia, com ajuste para 30 mg após 2 semanas. Além disso, foram recomendadas psicoterapia comportamental, orientação escolar (adaptações como sentar perto do professor e pausas para movimento) e psicoeducação familiar.
Evolução: Após 8 semanas, Lucas apresentou melhora significativa na atenção, redução da agitação e melhor desempenho escolar. Os pais relataram menos conflitos em casa. A dose foi mantida, com seguimento trimestral.
Lição clínica: O diagnóstico precoce e a abordagem multimodal (medicação + terapia + suporte escolar) são fundamentais para o prognóstico positivo no TDAH combinado.
O que é o CID 10 F90.0 na prática médica
O CID 10 F90.0 é o código da Classificação Internacional de Doenças para o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) do subtipo combinado. Isso significa que a pessoa apresenta tanto sintomas significativos de desatenção quanto de hiperatividade-impulsividade. Na prática clínica, é o subtipo mais comum em crianças e também é diagnosticado em adultos, embora com apresentação um pouco diferente. O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento, caracterizado por um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfere no funcionamento diário. O CID F90.0 é utilizado quando ambos os grupos de sintomas estão presentes e causam prejuízos em múltiplos contextos, como escola, trabalho e relacionamentos.
Subcategorias e variantes do CID 10 F90
Dentro da categoria F90 (Transtornos hipercinéticos), a CID-10 distingue:
- F90.0 – Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade, subtipo combinado: sintomas de desatenção e hiperatividade-impulsividade estão presentes.
- F90.1 – Subtipo predominantemente desatento: os sintomas principais são de desatenção, com pouca ou nenhuma hiperatividade evidente.
- F90.2 – Subtipo predominantemente hiperativo-impulsivo: predomínio de hiperatividade e impulsividade, sem desatenção significativa.
- F90.8 – Outros transtornos hipercinéticos: para formas atípicas ou mistas não classificadas anteriormente.
- F90.9 – Transtorno hipercinético não especificado: quando não se especifica o subtipo.
O subtipo combinado (F90.0) é o que mais impacta o desempenho escolar e as relações sociais, pois combina dificuldade de foco com agitação motora e impulsividade.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas do CID 10 F90.0 dividem-se em dois grupos:
Desatenção:
- Dificuldade em prestar atenção a detalhes ou cometer erros por descuido
- Dificuldade em manter a atenção em tarefas ou brincadeiras
- Parece não ouvir quando se fala diretamente
- Não segue instruções e não termina tarefas
- Dificuldade em organizar atividades
- Evita tarefas que exijam esforço mental contínuo
- Perde objetos necessários para tarefas (lápis, cadernos, chaves)
- Distrai-se facilmente com estímulos externos
- Esquecimento em atividades diárias
Hiperatividade-impulsividade:
- Agitação constante: remexe-se na cadeira, não consegue ficar sentado
- Corre ou sobe em móveis em situações inadequadas
- Incapacidade de brincar silenciosamente
- Age como se estivesse “ligado na tomada”
- Fala excessivamente
- Responde antes da pergunta ser concluída
- Dificuldade em esperar a vez
- Interrompe os outros ou intromete-se em conversas
No subtipo combinado, esses sintomas estão presentes em pelo menos dois ambientes (casa, escola, trabalho) e causam prejuízo funcional. Em adultos, a hiperatividade pode se manifestar como inquietude interna, dificuldade em relaxar e impulsividade em decisões.
Causas e fatores de risco
O TDAH não tem uma causa única, mas é resultado de interações genéticas, neurobiológicas e ambientais. Estudos de gêmeos indicam herdabilidade de cerca de 70-80%. Fatores de risco incluem:
- Genética: histórico familiar de TDAH ou outros transtornos psiquiátricos
- Pré-natais: exposição a álcool, tabaco ou drogas durante a gestação
- Complicações perinatais: prematuridade, baixo peso ao nascer, hipóxia neonatal
- Ambientais: exposição a chumbo ou poluentes, lesão cerebral traumática na infância
- Psicossociais: adversidades familiares, negligência, mas não são causa primária
É importante destacar que fatores como “consumo de açúcar” ou “excesso de telas” não causam TDAH, embora possam piorar sintomas em quem já tem o transtorno.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do CID 10 F90.0 é clínico, baseado nos critérios do DSM-5 ou CID-10, e exige:
- Anamnese detalhada com o paciente e familiares, incluindo histórico de desenvolvimento.
- Escalas de avaliação como SNAP-IV, ASRS-18 (para adultos) e relatórios escolares.
- Exame psiquiátrico/neurológico para descartar outras condições (ansiedade, depressão, epilepsia, disfunção tireoidiana).
- Critérios específicos: sintomas presentes antes dos 12 anos (CID-10 usa 7 anos), duração mínima de 6 meses, prejuízo em pelo menos dois contextos.
Não existem exames de sangue, imagem ou EEG que confirmem TDAH. O diagnóstico diferencial inclui transtorno de ansiedade, transtorno desafiador opositivo, transtorno bipolar e dificuldades de aprendizagem. Por isso, a avaliação deve ser criteriosa e multidisciplinar.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento para CID 10 F90.0 é multimodal e deve ser individualizado:
1. Tratamento farmacológico
- Estimulantes: metilfenidato (Ritalina, Concerta) e lisdexanfetamina (Vyvanse) são de primeira linha. Aumentam a disponibilidade de dopamina e noradrenalina no córtex pré-frontal.
- Não estimulantes: atomoxetina (Strattera), guanfacina e clonidina, usados quando há contraindicação ou efeitos adversos aos estimulantes.
2. Psicoterapia
- Terapia cognitivo-comportamental (TCC): ajuda a desenvolver habilidades de organização, planejamento e controle emocional.
- Psicoeducação: para o paciente e familiares compreenderem o transtorno e as estratégias de manejo.
3. Intervenções escolares/profissionais
- Adaptações curriculares, tempo extra em provas, feedback frequente.
- Ambiente de trabalho estruturado, listas de tarefas, pausas programadas.
4. Mudanças no estilo de vida
- Sono adequado, alimentação balanceada, atividade física regular (reduz sintomas).
- Limitação de telas e gerenciamento do estresse.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado para o CID 10 F90.0 varia conforme a gravidade, fase do tratamento e impacto funcional. De modo geral:
- Consulta inicial e ajuste de medicação: 1 a 3 dias para avaliação e início da terapia.
- Crise aguda com prejuízo funcional intenso (desorganização, risco de acidentes): 5 a 10 dias.
- Internação por comorbidade (ex.: depressão grave associada): o atestado segue o período de internação, geralmente 7 a 30 dias.
- Para pacientes estabilizados que precisam de acompanhamento terapêutico intensivo: podem ser concedidos 1 a 2 dias mensais para consultas.
O médico deve avaliar cada caso e emitir o atestado com base na capacidade laborativa do paciente. Em casos de TDAH em adultos, o afastamento prolongado (>15 dias) requer perícia médica pelo INSS. É fundamental que o paciente esteja em tratamento regular e apresente documentação clínica adequada.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Pacientes com CID 10 F90.0 devem procurar atendimento de urgência nas seguintes situações:
- Pensamentos suicidas ou automutilação (comum quando há comorbidade com depressão ou transtorno de humor).
- Reações adversas graves a medicamentos: taquicardia, hipertensão grave, alucinações, agitação extrema.
- Piora súbita dos sintomas com risco de acidentes (ex.: atropelamento, quedas) ou comportamento agressivo.
- Crise de ansiedade intensa com ataques de pânico, especialmente se associada ao uso de estimulantes.
- Sintomas psicóticos (delírios, alucinações) – raro, mas possível em casos de superdosagem ou predisposição.
- Desmaio, convulsão ou confusão mental – pode indicar síndrome serotoninérgica se associado a outros medicamentos.
Em qualquer desses casos, procure um pronto-socorro ou entre em contato com o médico assistente imediatamente.
Prevenção e cuidados contínuos
Embora o TDAH (CID F90.0) não seja evitável, algumas medidas ajudam no manejo e na redução de complicações:
- Diagnóstico precoce: quanto mais cedo o tratamento, melhor o prognóstico.
- Adesão ao tratamento medicamentoso: não interromper sem orientação médica.
- Acompanhamento multidisciplinar: psiquiatra, psicólogo, psicopedagogo e neurologista.
- Estruturação da rotina: horários fixos para sono, refeições, estudos e lazer.
- Comunicação com escola/trabalho: informar professores ou supervisores sobre as necessidades.
- Evitar automedicação e uso de drogas ilícitas: estimulantes podem ser abusados, e drogas como cocaína pioram o quadro.
- Cuidado com comorbidades: tratar ansiedade, depressão e transtornos de aprendizagem associados.
Com acompanhamento adequado, a maioria dos pacientes com TDAH combinado leva una vida produtiva e satisfatória.
- 01. Mantenha uma agenda visual ou aplicativo de lembretes para não esquecer compromissos e medicamentos.
- 02. Divida tarefas grandes em etapas pequenas e recompense-se após cada conclusão.
- 03. Use fones com cancelamento de ruído para melhorar o foco em ambientes barulhentos.
- 04. Durma 8-9 horas por noite; a privação de sono piora significativamente os sintomas do TDAH.
- 05. Pratique exercício físico aeróbico pelo menos 30 minutos ao dia – isso aumenta a disponibilidade de dopamina naturalmente.
- 06. Evite multitarefa: foque em uma atividade de cada vez para reduzir erros e frustração.
- 07. Comunique-se claramente com seu médico sobre qualquer efeito colateral; ajustes de dose ou troca de medicação podem resolver.
- 08. Participe de grupos de apoio – trocar experiências com outros pacientes ajuda na adesão e no bem-estar emocional.
Perguntas Frequentes sobre o CID 10 F90.0
O CID 10 F90.0 garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo. Em geral, para início ou ajuste de medicação, 1 a 3 dias; para crises com prejuízo funcional, até 10 dias. O médico define com base na avaliação clínica.
O TDAH subtipo combinado (F90.0) tem cura?
O TDAH é um transtorno crônico. Não há “cura”, mas com tratamento adequado (medicação + terapia + suporte) os sintomas são controlados e a pessoa pode ter uma vida normal.
Crianças com CID F90.0 podem ter direito ao benefício BPC/LOAS?
Sim, em casos graves com comprometimento funcional significativo e comprovado, é possível solicitar o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Necessita de perícia médica e avaliação social.
Qual a diferença entre F90.0 e F90.1?
F90.0 é o subtipo combinado (desatenção + hiperatividade/impulsividade). F90.1 é o subtipo predominantemente desatento, sem hiperatividade evidente.
O uso de metilfenidato (Ritalina) para TDAH causa dependência?
Em doses terapêuticas e sob supervisão médica, o risco de dependência é baixo. No entanto, o uso abusivo ou sem prescrição pode levar à tolerância e dependência. Por isso, o medicamento deve ser usado com acompanhamento.
Adultos podem ser diagnosticados com CID F90.0?
Sim. O TDAH pode persistir na vida adulta. Muitos adultos só são diagnosticados tardiamente. O subtipo combinado em adultos manifesta-se como inquietude interna, impulsividade e dificuldade de organização.
O CID F90.0 pode ser usado para justificar faltas no trabalho?
Sim, desde que o médico emita atestado médico informando o CID e o período de afastamento necessário. O empregador pode solicitar atestado para justificar faltas.
Existe exame de sangue para confirmar o CID F90.0?
Não. O diagnóstico é clínico, baseado em entrevistas e escalas. Exames laboratoriais podem ser usados para descartar outras causas (ex.: problemas de tireoide) mas não confirmam TDAH.
Qual a relação entre F90.0 e transtorno desafiador opositivo (TDO)?
O TDAH frequentemente coexiste com TDO (CID F91.3). Cerca de 30-50% das crianças com TDAH têm TDO. O tratamento deve abordar ambos os transtornos.
O CID F90.0 pode ser usado para solicitar adaptações no ENEM ou concursos?
Sim. Pessoas com TDAH podem solicitar tempo adicional, sala separada e outros recursos, desde que apresentem laudo médico atualizado com o CID.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
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