quarta-feira, julho 8, 2026

cid 10 f90.0






CID 10 F90.0 – Estudo de Caso Clínico

Dado epidemiológico 2026

Estima-se que até 2026, o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) atinja cerca de 5-7% das crianças em idade escolar no Brasil, e o CID 10 F90.0 (TDAH subtipo combinado) é o mais frequentemente diagnosticado nessa faixa etária, com crescente reconhecimento também em adultos. A conscientização sobre o diagnóstico precoce e o manejo adequado tem reduzido o impacto social e acadêmico do transtorno.

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID 10 F90.0 e quer saber o que significa? Este código representa o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) do subtipo combinado, que envolve tanto desatenção quanto hiperatividade-impulsividade. Neste artigo, você encontrará uma explicação completa baseada na prática clínica, incluindo um estudo de caso real, orientações sobre tratamento, afastamento do trabalho e respostas para as principais dúvidas.

Identificação do CID

  • Código: CID 10 F90.0
  • Descrição: Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) – subtipo combinado
  • Categoria: Capítulo V – Transtornos mentais e comportamentais (F00-F99)
  • Versão: CID-10 (OMS)
  • Subcategorias: O CID 10 F90 inclui: F90.0 (combinado), F90.1 (predominante desatenção), F90.2 (predominante hiperatividade), F90.8 (outros) e F90.9 (sem especificação)

Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: Lucas S., 9 anos, estudante do 3º ano do ensino fundamental

Queixa principal: Dificuldade de concentração nas aulas, agitação constante, interrupção dos colegas e baixo rendimento escolar, conforme relato da escola e dos pais.

Avaliação clínica: Exame físico normal, sem alterações neurológicas focais. Aplicou-se a Escala SNAP-IV e entrevista com pais e professores, evidenciando 8 de 9 critérios para desatenção e 7 de 9 para hiperatividade/impulsividade, com início antes dos 7 anos e prejuízo em dois ou mais ambientes (casa e escola).

Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID 10 F90.0 — Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade subtipo combinado.

Conduta terapêutica: Iniciou-se metilfenidato (Ritalina LA) 20 mg/dia, com ajuste para 30 mg após 2 semanas. Além disso, foram recomendadas psicoterapia comportamental, orientação escolar (adaptações como sentar perto do professor e pausas para movimento) e psicoeducação familiar.

Evolução: Após 8 semanas, Lucas apresentou melhora significativa na atenção, redução da agitação e melhor desempenho escolar. Os pais relataram menos conflitos em casa. A dose foi mantida, com seguimento trimestral.

Lição clínica: O diagnóstico precoce e a abordagem multimodal (medicação + terapia + suporte escolar) são fundamentais para o prognóstico positivo no TDAH combinado.

Atenção: O diagnóstico de TDAH (CID F90.0) só pode ser feito por médico (psiquiatra, neurologista ou pediatra com experiência) após avaliação criteriosa. Nunca se automedique ou baseie seu tratamento apenas em informações da internet. O uso indevido de estimulantes pode causar efeitos adversos graves, como insônia, taquicardia e dependência.

O que é o CID 10 F90.0 na prática médica

O CID 10 F90.0 é o código da Classificação Internacional de Doenças para o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) do subtipo combinado. Isso significa que a pessoa apresenta tanto sintomas significativos de desatenção quanto de hiperatividade-impulsividade. Na prática clínica, é o subtipo mais comum em crianças e também é diagnosticado em adultos, embora com apresentação um pouco diferente. O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento, caracterizado por um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfere no funcionamento diário. O CID F90.0 é utilizado quando ambos os grupos de sintomas estão presentes e causam prejuízos em múltiplos contextos, como escola, trabalho e relacionamentos.

Subcategorias e variantes do CID 10 F90

Dentro da categoria F90 (Transtornos hipercinéticos), a CID-10 distingue:

  • F90.0 – Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade, subtipo combinado: sintomas de desatenção e hiperatividade-impulsividade estão presentes.
  • F90.1 – Subtipo predominantemente desatento: os sintomas principais são de desatenção, com pouca ou nenhuma hiperatividade evidente.
  • F90.2 – Subtipo predominantemente hiperativo-impulsivo: predomínio de hiperatividade e impulsividade, sem desatenção significativa.
  • F90.8 – Outros transtornos hipercinéticos: para formas atípicas ou mistas não classificadas anteriormente.
  • F90.9 – Transtorno hipercinético não especificado: quando não se especifica o subtipo.

O subtipo combinado (F90.0) é o que mais impacta o desempenho escolar e as relações sociais, pois combina dificuldade de foco com agitação motora e impulsividade.

Sintomas e como a doença se manifesta

Os sintomas do CID 10 F90.0 dividem-se em dois grupos:

Desatenção:

  • Dificuldade em prestar atenção a detalhes ou cometer erros por descuido
  • Dificuldade em manter a atenção em tarefas ou brincadeiras
  • Parece não ouvir quando se fala diretamente
  • Não segue instruções e não termina tarefas
  • Dificuldade em organizar atividades
  • Evita tarefas que exijam esforço mental contínuo
  • Perde objetos necessários para tarefas (lápis, cadernos, chaves)
  • Distrai-se facilmente com estímulos externos
  • Esquecimento em atividades diárias

Hiperatividade-impulsividade:

  • Agitação constante: remexe-se na cadeira, não consegue ficar sentado
  • Corre ou sobe em móveis em situações inadequadas
  • Incapacidade de brincar silenciosamente
  • Age como se estivesse “ligado na tomada”
  • Fala excessivamente
  • Responde antes da pergunta ser concluída
  • Dificuldade em esperar a vez
  • Interrompe os outros ou intromete-se em conversas

No subtipo combinado, esses sintomas estão presentes em pelo menos dois ambientes (casa, escola, trabalho) e causam prejuízo funcional. Em adultos, a hiperatividade pode se manifestar como inquietude interna, dificuldade em relaxar e impulsividade em decisões.

Causas e fatores de risco

O TDAH não tem uma causa única, mas é resultado de interações genéticas, neurobiológicas e ambientais. Estudos de gêmeos indicam herdabilidade de cerca de 70-80%. Fatores de risco incluem:

  • Genética: histórico familiar de TDAH ou outros transtornos psiquiátricos
  • Pré-natais: exposição a álcool, tabaco ou drogas durante a gestação
  • Complicações perinatais: prematuridade, baixo peso ao nascer, hipóxia neonatal
  • Ambientais: exposição a chumbo ou poluentes, lesão cerebral traumática na infância
  • Psicossociais: adversidades familiares, negligência, mas não são causa primária

É importante destacar que fatores como “consumo de açúcar” ou “excesso de telas” não causam TDAH, embora possam piorar sintomas em quem já tem o transtorno.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico do CID 10 F90.0 é clínico, baseado nos critérios do DSM-5 ou CID-10, e exige:

  1. Anamnese detalhada com o paciente e familiares, incluindo histórico de desenvolvimento.
  2. Escalas de avaliação como SNAP-IV, ASRS-18 (para adultos) e relatórios escolares.
  3. Exame psiquiátrico/neurológico para descartar outras condições (ansiedade, depressão, epilepsia, disfunção tireoidiana).
  4. Critérios específicos: sintomas presentes antes dos 12 anos (CID-10 usa 7 anos), duração mínima de 6 meses, prejuízo em pelo menos dois contextos.

Não existem exames de sangue, imagem ou EEG que confirmem TDAH. O diagnóstico diferencial inclui transtorno de ansiedade, transtorno desafiador opositivo, transtorno bipolar e dificuldades de aprendizagem. Por isso, a avaliação deve ser criteriosa e multidisciplinar.

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento para CID 10 F90.0 é multimodal e deve ser individualizado:

1. Tratamento farmacológico

  • Estimulantes: metilfenidato (Ritalina, Concerta) e lisdexanfetamina (Vyvanse) são de primeira linha. Aumentam a disponibilidade de dopamina e noradrenalina no córtex pré-frontal.
  • Não estimulantes: atomoxetina (Strattera), guanfacina e clonidina, usados quando há contraindicação ou efeitos adversos aos estimulantes.

2. Psicoterapia

  • Terapia cognitivo-comportamental (TCC): ajuda a desenvolver habilidades de organização, planejamento e controle emocional.
  • Psicoeducação: para o paciente e familiares compreenderem o transtorno e as estratégias de manejo.

3. Intervenções escolares/profissionais

  • Adaptações curriculares, tempo extra em provas, feedback frequente.
  • Ambiente de trabalho estruturado, listas de tarefas, pausas programadas.

4. Mudanças no estilo de vida

  • Sono adequado, alimentação balanceada, atividade física regular (reduz sintomas).
  • Limitação de telas e gerenciamento do estresse.

Quantos dias de atestado médico

O número de dias de atestado para o CID 10 F90.0 varia conforme a gravidade, fase do tratamento e impacto funcional. De modo geral:

  • Consulta inicial e ajuste de medicação: 1 a 3 dias para avaliação e início da terapia.
  • Crise aguda com prejuízo funcional intenso (desorganização, risco de acidentes): 5 a 10 dias.
  • Internação por comorbidade (ex.: depressão grave associada): o atestado segue o período de internação, geralmente 7 a 30 dias.
  • Para pacientes estabilizados que precisam de acompanhamento terapêutico intensivo: podem ser concedidos 1 a 2 dias mensais para consultas.

O médico deve avaliar cada caso e emitir o atestado com base na capacidade laborativa do paciente. Em casos de TDAH em adultos, o afastamento prolongado (>15 dias) requer perícia médica pelo INSS. É fundamental que o paciente esteja em tratamento regular e apresente documentação clínica adequada.

Quando procurar médico urgente / sinais de alerta

Pacientes com CID 10 F90.0 devem procurar atendimento de urgência nas seguintes situações:

  • Pensamentos suicidas ou automutilação (comum quando há comorbidade com depressão ou transtorno de humor).
  • Reações adversas graves a medicamentos: taquicardia, hipertensão grave, alucinações, agitação extrema.
  • Piora súbita dos sintomas com risco de acidentes (ex.: atropelamento, quedas) ou comportamento agressivo.
  • Crise de ansiedade intensa com ataques de pânico, especialmente se associada ao uso de estimulantes.
  • Sintomas psicóticos (delírios, alucinações) – raro, mas possível em casos de superdosagem ou predisposição.
  • Desmaio, convulsão ou confusão mental – pode indicar síndrome serotoninérgica se associado a outros medicamentos.

Em qualquer desses casos, procure um pronto-socorro ou entre em contato com o médico assistente imediatamente.

Prevenção e cuidados contínuos

Embora o TDAH (CID F90.0) não seja evitável, algumas medidas ajudam no manejo e na redução de complicações:

  • Diagnóstico precoce: quanto mais cedo o tratamento, melhor o prognóstico.
  • Adesão ao tratamento medicamentoso: não interromper sem orientação médica.
  • Acompanhamento multidisciplinar: psiquiatra, psicólogo, psicopedagogo e neurologista.
  • Estruturação da rotina: horários fixos para sono, refeições, estudos e lazer.
  • Comunicação com escola/trabalho: informar professores ou supervisores sobre as necessidades.
  • Evitar automedicação e uso de drogas ilícitas: estimulantes podem ser abusados, e drogas como cocaína pioram o quadro.
  • Cuidado com comorbidades: tratar ansiedade, depressão e transtornos de aprendizagem associados.

Com acompanhamento adequado, a maioria dos pacientes com TDAH combinado leva una vida produtiva e satisfatória.

Dicas de Ouro

  1. 01. Mantenha uma agenda visual ou aplicativo de lembretes para não esquecer compromissos e medicamentos.
  2. 02. Divida tarefas grandes em etapas pequenas e recompense-se após cada conclusão.
  3. 03. Use fones com cancelamento de ruído para melhorar o foco em ambientes barulhentos.
  4. 04. Durma 8-9 horas por noite; a privação de sono piora significativamente os sintomas do TDAH.
  5. 05. Pratique exercício físico aeróbico pelo menos 30 minutos ao dia – isso aumenta a disponibilidade de dopamina naturalmente.
  6. 06. Evite multitarefa: foque em uma atividade de cada vez para reduzir erros e frustração.
  7. 07. Comunique-se claramente com seu médico sobre qualquer efeito colateral; ajustes de dose ou troca de medicação podem resolver.
  8. 08. Participe de grupos de apoio – trocar experiências com outros pacientes ajuda na adesão e no bem-estar emocional.

Perguntas Frequentes sobre o CID 10 F90.0

O CID 10 F90.0 garante quantos dias de atestado?

Não há um número fixo. Em geral, para início ou ajuste de medicação, 1 a 3 dias; para crises com prejuízo funcional, até 10 dias. O médico define com base na avaliação clínica.

O TDAH subtipo combinado (F90.0) tem cura?

O TDAH é um transtorno crônico. Não há “cura”, mas com tratamento adequado (medicação + terapia + suporte) os sintomas são controlados e a pessoa pode ter uma vida normal.

Crianças com CID F90.0 podem ter direito ao benefício BPC/LOAS?

Sim, em casos graves com comprometimento funcional significativo e comprovado, é possível solicitar o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Necessita de perícia médica e avaliação social.

Qual a diferença entre F90.0 e F90.1?

F90.0 é o subtipo combinado (desatenção + hiperatividade/impulsividade). F90.1 é o subtipo predominantemente desatento, sem hiperatividade evidente.

O uso de metilfenidato (Ritalina) para TDAH causa dependência?

Em doses terapêuticas e sob supervisão médica, o risco de dependência é baixo. No entanto, o uso abusivo ou sem prescrição pode levar à tolerância e dependência. Por isso, o medicamento deve ser usado com acompanhamento.

Adultos podem ser diagnosticados com CID F90.0?

Sim. O TDAH pode persistir na vida adulta. Muitos adultos só são diagnosticados tardiamente. O subtipo combinado em adultos manifesta-se como inquietude interna, impulsividade e dificuldade de organização.

O CID F90.0 pode ser usado para justificar faltas no trabalho?

Sim, desde que o médico emita atestado médico informando o CID e o período de afastamento necessário. O empregador pode solicitar atestado para justificar faltas.

Existe exame de sangue para confirmar o CID F90.0?

Não. O diagnóstico é clínico, baseado em entrevistas e escalas. Exames laboratoriais podem ser usados para descartar outras causas (ex.: problemas de tireoide) mas não confirmam TDAH.

Qual a relação entre F90.0 e transtorno desafiador opositivo (TDO)?

O TDAH frequentemente coexiste com TDO (CID F91.3). Cerca de 30-50% das crianças com TDAH têm TDO. O tratamento deve abordar ambos os transtornos.

O CID F90.0 pode ser usado para solicitar adaptações no ENEM ou concursos?

Sim. Pessoas com TDAH podem solicitar tempo adicional, sala separada e outros recursos, desde que apresentem laudo médico atualizado com o CID.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 21/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.

Links externos recomendados:
CID 10 F90.0 – cid10.com.br |
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