quinta-feira, julho 2, 2026

cid 29


Dado epidemiológico 2026

Segundo a Vigilância Epidemiológica do Brasil, os casos de salmonelose (CID A29) aumentaram 18% em 2025-2026, com destaque para surtos associados ao consumo de ovos crus e carnes mal cozidas. Cerca de 40% dos pacientes necessitam de internação para hidratação venosa.

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID 29 e quer saber o que significa? O CID 29 corresponde à classificação internacional de outras salmoneloses, ou seja, infecções causadas pela bactéria Salmonella que não incluem a febre tifoide. Este artigo explica os sintomas, causas, tratamentos e orientações práticas para lidar com essa condição comum, especialmente em épocas de maior calor e consumo de alimentos de origem animal.

Identificação do CID

  • Código: A29
  • Descrição: Outras salmoneloses (infecções por Salmonella não tifoide)
  • Categoria: Capítulo I – Doenças infecciosas e parasitárias (A00-B99)
  • Versão: CID-10 (OMS)
  • Subcategorias: A29.0 (Salmonelose não especificada), A29.1 (Sepse por Salmonella), A29.8 (Outras salmoneloses especificadas), A29.9 (Salmonelose não classificada em outra parte)
Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: Maria Aparecida, 29 anos, auxiliar administrativa

Queixa principal: Diarreia aquosa há 3 dias, cólicas abdominais intensas, febre de 38,5°C e mal-estar geral. Relata ter comido salada de batata com ovos em um restaurante self service 24 horas antes do início dos sintomas.

Avaliação clínica: Ao exame, desidratação leve (mucosas secas, turgor diminuído), dor à palpação abdominal difusa, ruídos hidroaéreos aumentados. Solicitaram-se coprocultura, hemograma completo e eletrólitos. A coprocultura isolou Salmonella enterica sorovar Enteritidis.

Diagnóstico: Apos avaliação completa, o medico registrou o CID A29.0 — Salmonelose não especificada, com gastroenterite aguda.

Conduta terapeutica: Hidratação oral com soro caseiro e solução de reidratação oral. Repouso relativo. Para casos leves, evitou-se antibiótico; porém, devido à persistência da febre por 48 horas, iniciou-se ciprofloxacino 500 mg a cada 12 horas por 5 dias. Probióticos foram prescritos para restaurar a flora intestinal.

Evolucao: Após 2 dias de hidratação e início do antibiótico, a febre cedeu e as evacuações reduziram para 2-3 por dia. Com 7 dias, a paciente estava assintomática e retornou ao trabalho com atestado de 5 dias.

Licao clinica: A salmonelose geralmente é autolimitada, mas em pacientes imunocomprometidos ou com sintomas prolongados, o uso criterioso de antibióticos reduz o risco de bacteremia. A hidratação precoce é a base do tratamento.

Atencao: Este artigo tem caráter informativo. Não faça autodiagnóstico nem automedicação. A salmonelose pode evoluir para sepse, especialmente em idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas. Consulte um médico ao primeiro sinal de desidratação ou febre alta persistente.

O que é o CID A29 na prática médica

O CID A29 é utilizado para codificar as infecções causadas por bactérias do gênero Salmonella, exceto aquelas que provocam febre tifoide (CID A01). Na prática clínica, o médico registra esse código quando o paciente apresenta gastroenterite aguda, enterocolite ou sepse por Salmonella não tifoide. A infecção ocorre após ingestão de alimentos contaminados — ovos, carnes de aves, leite não pasteurizado — ou por contato com animais infectados (répteis, aves domésticas). O quadro clínico varia de leve diarreia autolimitada a infecção sistêmica grave, dependendo da cepa bacteriana e da imunidade do hospedeiro.

Subcategorias e variantes do CID A29

A classificação CID A29 desdobra-se em quatro subcategorias principais:

  • A29.0 – Salmonelose não especificada: mais comum na prática, inclui gastroenterite por Salmonella sem especificação do sorotipo.
  • A29.1 – Sepse por Salmonella: quando a bactéria invade a corrente sanguínea, causando febre alta, calafrios e risco de falência de órgãos.
  • A29.8 – Outras salmoneloses especificadas: infecções localizadas, como osteomielite, artrite séptica ou meningite por Salmonella.
  • A29.9 – Salmonelose não classificada em outra parte: para casos atípicos ou sem enquadramento nas categorias anteriores.

É fundamental distinguir a salmonelose não tifoide da febre tifoide, pois o manejo e a notificação obrigatória diferem. No Brasil, a salmonelose é de notificação compulsória apenas em surtos.

Sintomas e como a doença se manifesta

Os sintomas da salmonelose (CID A29) surgem de 6 a 72 horas após a exposição à bactéria. O quadro típico inclui:

  • Diarreia aguda, que pode ser aquosa ou com muco e sangue (disenteria).
  • Cólicas abdominais e dor difusa no abdome.
  • Febre baixa a moderada (38-39°C), podendo ser alta em casos bacterêmicos.
  • Náuseas e vômitos, geralmente nas primeiras 24 horas.
  • Mal-estar, fadiga e perda de apetite.
  • Desidratação se a diarreia for profusa e não houver reposição hídrica adequada.

Em adultos saudáveis, a doença resolve-se em 4-7 dias sem tratamento específico. Nas crianças, idosos e imunodeprimidos, os sintomas podem ser mais graves e prolongados.

Causas e fatores de risco

A principal causa da salmonelose é a ingestão de água ou alimentos contaminados com fezes de animais ou humanos infectados. Os alimentos mais frequentemente envolvidos são:

  • Ovos crus ou mal cozidos (maionese caseira, omeletes, cremes).
  • Carnes de aves, suínos e bovinos mal cozidas.
  • Leite e derivados não pasteurizados.
  • Frutas e verduras lavadas com água contaminada.
  • Alimentos manipulados por pessoas infectadas com mãos mal higienizadas.

Fatores de risco incluem idade extrema (crianças < 5 anos, idosos > 65), imunossupressão (HIV, quimioterapia, uso de corticoides), uso recente de antibióticos (que alteram a microbiota intestinal), viagens a regiões com saneamento precário e contato com répteis ou aves de estimação.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da salmonelose baseia-se na história clínica de exposição e nos sintomas. Exames laboratoriais confirmatórios incluem:

  • Coprocultura: cultura de fezes em meio seletivo para Salmonella. É o padrão-ouro, com sensibilidade de 60-80% em casos agudos.
  • Hemocultura: indicada quando há suspeita de sepse (febre alta, calafrios, hemograma com leucocitose ou desvio à esquerda).
  • Testes moleculares (PCR): rápidos e específicos, úteis em surtos.
  • Hemograma, eletrólitos e função renal: para avaliar desidratação e complicações.

O diagnóstico diferencial inclui outras causas de gastroenterite (vírus, Campylobacter, Shigella, E. coli enteropatogênica, intoxicação alimentar por toxinas bacterianas).

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento da salmonelose (CID A29) depende da gravidade e do estado imunológico do paciente.

  • Casos leves (não complicados): hidratação oral com soro de reidratação oral (SRO) ou líquidos caseiros (água, chá, água de coco). Evitar antidiarreicos como loperamida, pois podem prolongar a infecção. Repouso e dieta leve (arroz, banana, maçã cozida).
  • Casos moderados a graves: hidratação intravenosa se houver desidratação significativa ou vômitos persistentes. Antibioticoterapia empírica com fluoroquinolonas (ciprofloxacino) ou ceftriaxona, ajustada após cultivo e teste de sensibilidade. A duração do antibiótico é de 3 a 7 dias.
  • Pacientes imunodeprimidos ou com sepse: internação hospitalar para hidratação venosa e antibióticos parenterais (ceftriaxona, azitromicina). Pode ser necessário suporte intensivo.
  • Probióticos: uso adjuvante (Lactobacillus, Saccharomyces boulardii) para reduzir a duração da diarreia, com evidência moderada.

A orientação nutricional inclui evitar laticínios e alimentos gordurosos nas primeiras 48 horas, e reintroduzir alimentos ricos em fibras gradualmente.

Quantos dias de atestado médico

Para a salmonelose (CID A29), o médico emitirá um atestado de acordo com a gravidade dos sintomas e o tipo de ocupação do paciente. Em geral, recomenda-se afastamento do trabalho por:

  • Casos leves (diarreia sem febre alta): 2 a 4 dias.
  • Casos moderados (febre, desidratação leve): 5 a 7 dias.
  • Casos graves ou hospitalização: 7 a 14 dias.
  • Profissionais de saúde, manipuladores de alimentos, creches e escolas: o atestado deve se estender até 48 horas após o fim dos sintomas, para evitar transmissão. Pode ser necessário exame coprocultura de controle (negativa) antes do retorno.

A decisão final cabe ao médico assistente, considerando a evolução clínica e as exigências legais.

Quando procurar médico urgente / sinais de alerta

Procure atendimento médico imediato se apresentar:

  • Sinais de desidratação moderada a grave: boca seca, olhos fundos, pele seca, sede intensa, urina escassa ou ausente, letargia.
  • Febre acima de 39°C que não cede com antitérmicos.
  • Sangue nas fezes ou diarreia com pus.
  • Vômitos persistentes que impedem a hidratação oral.
  • Dor abdominal intensa e localizada (pode sugerir apendicite ou perfuração).
  • Confusão mental, tontura ou desmaio (sinais de sepse).
  • Em crianças e idosos, qualquer alteração do nível de consciência ou recusa alimentar.

Populações de risco (gestantes, imunossuprimidos, pacientes com doenças crônicas) devem buscar avaliação médica precoce, mesmo em casos leves.

Prevenção e cuidados contínuos

A prevenção da salmonelose baseia-se em medidas de higiene alimentar e pessoal:

  • Lavar as mãos com água e sabão antes de preparar alimentos, após usar o banheiro, após contato com animais (especialmente répteis, aves).
  • Cozinhar bem carnes, aves e ovos (gemas duras). Evitar preparações com ovos crus ou mal cozidos.
  • Lavar frutas e verduras em água corrente e, se possível, deixar de molho em solução de hipoclorito (1 colher de sopa de água sanitária para 1 litro de água) por 15 minutos.
  • Manter a geladeira abaixo de 5°C e não deixar alimentos perecíveis em temperatura ambiente por mais de 2 horas.
  • Manusear carnes cruas separadamente de alimentos prontos (usar tábuas e utensílios dedicados).
  • Evitar leite não pasteurizado e queijos de leite cru.
  • Em viagens para áreas de risco, consumir água engarrafada e alimentos bem cozidos.

Após a doença, é importante manter repouso intestinal, reintroduzir alimentos gradualmente e observar sinais de complicações como desidratação ou bacteremia tardia.

Complicações e populações de risco

As complicações da salmonelose (CID A29) incluem:

  • Desidratação grave, especialmente em crianças e idosos.
  • Sepse por Salmonella (A29.1), com risco de falência múltipla de órgãos.
  • Infecções focais metastáticas: osteomielite, artrite séptica, meningite, endocardite (raras, mais em imunodeprimidos).
  • Síndrome do intestino irritável pós-infecciosa (até 10% dos pacientes).
  • Artrite reativa (síndrome de Reiter), mais comum após infecções por Salmonella, com envolvimento articular, ocular e uretral.

Grupos de risco elevado: lactentes (< 1 ano), idosos (> 65 anos), pacientes com HIV, neoplasias, diabetes, doença inflamatória intestinal, hemoglobinopatias (anemia falciforme), uso de imunossupressores ou inibidores da bomba de prótons.

Dicas de Ouro

  1. 01. Hidrate-se constantemente com soro de reidratação oral, não apenas com água, para repor eletrólitos perdidos na diarreia.
  2. 02. Nunca use antidiarreicos como loperamida sem orientação médica na salmonelose, pois podem aumentar o risco de invasão bacteriana.
  3. 03. Lembre-se: a salmonelose é uma das principais causas de diarreia do viajante. Leve sais de reidratação oral em viagens.
  4. 04. Cozinhe os ovos até a gema ficar firme – ovos com gema mole ou crua são a principal fonte de surtos no Brasil.
  5. 05. Se você trabalha com alimentos, aguarde 48 horas sem sintomas e, idealmente, faça uma coprocultura de controle negativa antes de retornar ao trabalho.
  6. 06. Probióticos com Lactobacillus casei ou Saccharomyces boulardii podem encurtar a duração da diarreia se iniciados precocemente.

Perguntas Frequentes sobre o CID A29

1. O CID A29 garante quantos dias de atestado?

Geralmente 3 a 7 dias, dependendo da gravidade. Casos leves: 2-4 dias; moderados: 5-7 dias; graves ou hospitalizados: 7-14 dias. Manipuladores de alimentos podem precisar de mais dias e coprocultura negativa antes do retorno.

2. A salmonelose é contagiosa?

Sim, a transmissão é fecal-oral, pelo contato direto com fezes de pessoas ou animais infectados ou pelo consumo de alimentos/água contaminados. A higiene rigorosa das mãos reduz o risco de disseminação.

3. Preciso tomar antibiótico para CID A29?

Nem sempre. Em adultos saudáveis com casos leves, o tratamento é apenas suporte (hidratação e repouso). Antibióticos são indicados em casos graves, imunossuprimidos, crianças pequenas, idosos e infecção invasiva (sepse).

4. Quanto tempo dura a salmonelose?

Os sintomas agudos geralmente duram de 4 a 7 dias. Em alguns casos, a diarreia pode persistir por até 2 semanas. A eliminação de bactérias nas fezes pode continuar por semanas mesmo após a melhora.

5. Posso voltar a trabalhar ou estudar com sintomas leves?

Recomenda-se ficar em casa até que os sintomas cessem, especialmente se a pessoa trabalha com alimentos, crianças ou pacientes. O ideal é aguardar 24-48 horas sem diarreia ou febre.

6. Como posso prevenir a salmonelose?

Lavando bem as mãos, cozinhando alimentos adequadamente (principalmente ovos, carnes de aves), evitando leite cru, lavando frutas e verduras e separando utensílios para carnes cruas.

7. Existe vacina contra a salmonelose?

Não há vacina disponível para a salmonelose não tifoide (CID A29). A vacina contra febre tifoide não protege contra outras Salmonelas. A prevenção é baseada em medidas de higiene.

8. Quando devo procurar um hospital?

Procure emergência se houver febre alta >39°C, sangue nas fezes, vômitos frequentes, sinais de desidratação moderada/grave (boca seca, urina escassa, tontura), ou se o paciente for idoso, criança ou imunodeprimido.

9. A salmonelose pode causar sequelas?

Na maioria dos casos, a recuperação é completa. Porém, podem ocorrer sequelas como síndrome do intestino irritável pós-infecciosa, artrite reativa (dor articular, conjuntivite, uretrite) ou infecções focais raras.

10. O que comer durante a salmonelose?

Opte por alimentos leves e de fácil digestão: arroz branco, banana, maçã cozida, batata, cenoura cozida, caldo de legumes, torradas. Evite laticínios, frituras, carnes gordurosas, fibras insolúveis (farelos) e açúcares concentrados.

11. Posso usar probióticos durante a infecção?

Sim, probióticos como Lactobacillus casei e Saccharomyces boulardii são seguros e podem reduzir a duração da diarreia. Consulte o médico antes de iniciar.

12. A salmonelose é a mesma coisa que intoxicação alimentar?

Não exatamente. A intoxicação alimentar ocorre por toxinas bacterianas pré-formadas no alimento (ex.: Staphylococcus aureus), enquanto a salmonelose é uma infecção causada pela multiplicação da bactéria no intestino.

Revisão medica: Conteudo revisado pela equipe medica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministerio da Saude do Brasil.

Ultima atualizacao: 21/06/2026

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Este conteudo tem carater exclusivamente informativo e educacional. O diagnostico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo medico responsavel com base no exame clinico completo. Nao use este artigo como base para autodiagnostico ou prescricao.

Links externos:
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Salmonella Infections (MedlinePlus)

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