Segundo a Vigilância Epidemiológica do Brasil, os casos de salmonelose (CID A29) aumentaram 18% em 2025-2026, com destaque para surtos associados ao consumo de ovos crus e carnes mal cozidas. Cerca de 40% dos pacientes necessitam de internação para hidratação venosa.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID 29 e quer saber o que significa? O CID 29 corresponde à classificação internacional de outras salmoneloses, ou seja, infecções causadas pela bactéria Salmonella que não incluem a febre tifoide. Este artigo explica os sintomas, causas, tratamentos e orientações práticas para lidar com essa condição comum, especialmente em épocas de maior calor e consumo de alimentos de origem animal.
- Código: A29
- Descrição: Outras salmoneloses (infecções por Salmonella não tifoide)
- Categoria: Capítulo I – Doenças infecciosas e parasitárias (A00-B99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: A29.0 (Salmonelose não especificada), A29.1 (Sepse por Salmonella), A29.8 (Outras salmoneloses especificadas), A29.9 (Salmonelose não classificada em outra parte)
Paciente: Maria Aparecida, 29 anos, auxiliar administrativa
Queixa principal: Diarreia aquosa há 3 dias, cólicas abdominais intensas, febre de 38,5°C e mal-estar geral. Relata ter comido salada de batata com ovos em um restaurante self service 24 horas antes do início dos sintomas.
Avaliação clínica: Ao exame, desidratação leve (mucosas secas, turgor diminuído), dor à palpação abdominal difusa, ruídos hidroaéreos aumentados. Solicitaram-se coprocultura, hemograma completo e eletrólitos. A coprocultura isolou Salmonella enterica sorovar Enteritidis.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o medico registrou o CID A29.0 — Salmonelose não especificada, com gastroenterite aguda.
Conduta terapeutica: Hidratação oral com soro caseiro e solução de reidratação oral. Repouso relativo. Para casos leves, evitou-se antibiótico; porém, devido à persistência da febre por 48 horas, iniciou-se ciprofloxacino 500 mg a cada 12 horas por 5 dias. Probióticos foram prescritos para restaurar a flora intestinal.
Evolucao: Após 2 dias de hidratação e início do antibiótico, a febre cedeu e as evacuações reduziram para 2-3 por dia. Com 7 dias, a paciente estava assintomática e retornou ao trabalho com atestado de 5 dias.
Licao clinica: A salmonelose geralmente é autolimitada, mas em pacientes imunocomprometidos ou com sintomas prolongados, o uso criterioso de antibióticos reduz o risco de bacteremia. A hidratação precoce é a base do tratamento.
O que é o CID A29 na prática médica
O CID A29 é utilizado para codificar as infecções causadas por bactérias do gênero Salmonella, exceto aquelas que provocam febre tifoide (CID A01). Na prática clínica, o médico registra esse código quando o paciente apresenta gastroenterite aguda, enterocolite ou sepse por Salmonella não tifoide. A infecção ocorre após ingestão de alimentos contaminados — ovos, carnes de aves, leite não pasteurizado — ou por contato com animais infectados (répteis, aves domésticas). O quadro clínico varia de leve diarreia autolimitada a infecção sistêmica grave, dependendo da cepa bacteriana e da imunidade do hospedeiro.
Subcategorias e variantes do CID A29
A classificação CID A29 desdobra-se em quatro subcategorias principais:
- A29.0 – Salmonelose não especificada: mais comum na prática, inclui gastroenterite por Salmonella sem especificação do sorotipo.
- A29.1 – Sepse por Salmonella: quando a bactéria invade a corrente sanguínea, causando febre alta, calafrios e risco de falência de órgãos.
- A29.8 – Outras salmoneloses especificadas: infecções localizadas, como osteomielite, artrite séptica ou meningite por Salmonella.
- A29.9 – Salmonelose não classificada em outra parte: para casos atípicos ou sem enquadramento nas categorias anteriores.
É fundamental distinguir a salmonelose não tifoide da febre tifoide, pois o manejo e a notificação obrigatória diferem. No Brasil, a salmonelose é de notificação compulsória apenas em surtos.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas da salmonelose (CID A29) surgem de 6 a 72 horas após a exposição à bactéria. O quadro típico inclui:
- Diarreia aguda, que pode ser aquosa ou com muco e sangue (disenteria).
- Cólicas abdominais e dor difusa no abdome.
- Febre baixa a moderada (38-39°C), podendo ser alta em casos bacterêmicos.
- Náuseas e vômitos, geralmente nas primeiras 24 horas.
- Mal-estar, fadiga e perda de apetite.
- Desidratação se a diarreia for profusa e não houver reposição hídrica adequada.
Em adultos saudáveis, a doença resolve-se em 4-7 dias sem tratamento específico. Nas crianças, idosos e imunodeprimidos, os sintomas podem ser mais graves e prolongados.
Causas e fatores de risco
A principal causa da salmonelose é a ingestão de água ou alimentos contaminados com fezes de animais ou humanos infectados. Os alimentos mais frequentemente envolvidos são:
- Ovos crus ou mal cozidos (maionese caseira, omeletes, cremes).
- Carnes de aves, suínos e bovinos mal cozidas.
- Leite e derivados não pasteurizados.
- Frutas e verduras lavadas com água contaminada.
- Alimentos manipulados por pessoas infectadas com mãos mal higienizadas.
Fatores de risco incluem idade extrema (crianças < 5 anos, idosos > 65), imunossupressão (HIV, quimioterapia, uso de corticoides), uso recente de antibióticos (que alteram a microbiota intestinal), viagens a regiões com saneamento precário e contato com répteis ou aves de estimação.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da salmonelose baseia-se na história clínica de exposição e nos sintomas. Exames laboratoriais confirmatórios incluem:
- Coprocultura: cultura de fezes em meio seletivo para Salmonella. É o padrão-ouro, com sensibilidade de 60-80% em casos agudos.
- Hemocultura: indicada quando há suspeita de sepse (febre alta, calafrios, hemograma com leucocitose ou desvio à esquerda).
- Testes moleculares (PCR): rápidos e específicos, úteis em surtos.
- Hemograma, eletrólitos e função renal: para avaliar desidratação e complicações.
O diagnóstico diferencial inclui outras causas de gastroenterite (vírus, Campylobacter, Shigella, E. coli enteropatogênica, intoxicação alimentar por toxinas bacterianas).
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da salmonelose (CID A29) depende da gravidade e do estado imunológico do paciente.
- Casos leves (não complicados): hidratação oral com soro de reidratação oral (SRO) ou líquidos caseiros (água, chá, água de coco). Evitar antidiarreicos como loperamida, pois podem prolongar a infecção. Repouso e dieta leve (arroz, banana, maçã cozida).
- Casos moderados a graves: hidratação intravenosa se houver desidratação significativa ou vômitos persistentes. Antibioticoterapia empírica com fluoroquinolonas (ciprofloxacino) ou ceftriaxona, ajustada após cultivo e teste de sensibilidade. A duração do antibiótico é de 3 a 7 dias.
- Pacientes imunodeprimidos ou com sepse: internação hospitalar para hidratação venosa e antibióticos parenterais (ceftriaxona, azitromicina). Pode ser necessário suporte intensivo.
- Probióticos: uso adjuvante (Lactobacillus, Saccharomyces boulardii) para reduzir a duração da diarreia, com evidência moderada.
A orientação nutricional inclui evitar laticínios e alimentos gordurosos nas primeiras 48 horas, e reintroduzir alimentos ricos em fibras gradualmente.
Quantos dias de atestado médico
Para a salmonelose (CID A29), o médico emitirá um atestado de acordo com a gravidade dos sintomas e o tipo de ocupação do paciente. Em geral, recomenda-se afastamento do trabalho por:
- Casos leves (diarreia sem febre alta): 2 a 4 dias.
- Casos moderados (febre, desidratação leve): 5 a 7 dias.
- Casos graves ou hospitalização: 7 a 14 dias.
- Profissionais de saúde, manipuladores de alimentos, creches e escolas: o atestado deve se estender até 48 horas após o fim dos sintomas, para evitar transmissão. Pode ser necessário exame coprocultura de controle (negativa) antes do retorno.
A decisão final cabe ao médico assistente, considerando a evolução clínica e as exigências legais.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento médico imediato se apresentar:
- Sinais de desidratação moderada a grave: boca seca, olhos fundos, pele seca, sede intensa, urina escassa ou ausente, letargia.
- Febre acima de 39°C que não cede com antitérmicos.
- Sangue nas fezes ou diarreia com pus.
- Vômitos persistentes que impedem a hidratação oral.
- Dor abdominal intensa e localizada (pode sugerir apendicite ou perfuração).
- Confusão mental, tontura ou desmaio (sinais de sepse).
- Em crianças e idosos, qualquer alteração do nível de consciência ou recusa alimentar.
Populações de risco (gestantes, imunossuprimidos, pacientes com doenças crônicas) devem buscar avaliação médica precoce, mesmo em casos leves.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da salmonelose baseia-se em medidas de higiene alimentar e pessoal:
- Lavar as mãos com água e sabão antes de preparar alimentos, após usar o banheiro, após contato com animais (especialmente répteis, aves).
- Cozinhar bem carnes, aves e ovos (gemas duras). Evitar preparações com ovos crus ou mal cozidos.
- Lavar frutas e verduras em água corrente e, se possível, deixar de molho em solução de hipoclorito (1 colher de sopa de água sanitária para 1 litro de água) por 15 minutos.
- Manter a geladeira abaixo de 5°C e não deixar alimentos perecíveis em temperatura ambiente por mais de 2 horas.
- Manusear carnes cruas separadamente de alimentos prontos (usar tábuas e utensílios dedicados).
- Evitar leite não pasteurizado e queijos de leite cru.
- Em viagens para áreas de risco, consumir água engarrafada e alimentos bem cozidos.
Após a doença, é importante manter repouso intestinal, reintroduzir alimentos gradualmente e observar sinais de complicações como desidratação ou bacteremia tardia.
Complicações e populações de risco
As complicações da salmonelose (CID A29) incluem:
- Desidratação grave, especialmente em crianças e idosos.
- Sepse por Salmonella (A29.1), com risco de falência múltipla de órgãos.
- Infecções focais metastáticas: osteomielite, artrite séptica, meningite, endocardite (raras, mais em imunodeprimidos).
- Síndrome do intestino irritável pós-infecciosa (até 10% dos pacientes).
- Artrite reativa (síndrome de Reiter), mais comum após infecções por Salmonella, com envolvimento articular, ocular e uretral.
Grupos de risco elevado: lactentes (< 1 ano), idosos (> 65 anos), pacientes com HIV, neoplasias, diabetes, doença inflamatória intestinal, hemoglobinopatias (anemia falciforme), uso de imunossupressores ou inibidores da bomba de prótons.
- 01. Hidrate-se constantemente com soro de reidratação oral, não apenas com água, para repor eletrólitos perdidos na diarreia.
- 02. Nunca use antidiarreicos como loperamida sem orientação médica na salmonelose, pois podem aumentar o risco de invasão bacteriana.
- 03. Lembre-se: a salmonelose é uma das principais causas de diarreia do viajante. Leve sais de reidratação oral em viagens.
- 04. Cozinhe os ovos até a gema ficar firme – ovos com gema mole ou crua são a principal fonte de surtos no Brasil.
- 05. Se você trabalha com alimentos, aguarde 48 horas sem sintomas e, idealmente, faça uma coprocultura de controle negativa antes de retornar ao trabalho.
- 06. Probióticos com Lactobacillus casei ou Saccharomyces boulardii podem encurtar a duração da diarreia se iniciados precocemente.
Perguntas Frequentes sobre o CID A29
1. O CID A29 garante quantos dias de atestado?
Geralmente 3 a 7 dias, dependendo da gravidade. Casos leves: 2-4 dias; moderados: 5-7 dias; graves ou hospitalizados: 7-14 dias. Manipuladores de alimentos podem precisar de mais dias e coprocultura negativa antes do retorno.
2. A salmonelose é contagiosa?
Sim, a transmissão é fecal-oral, pelo contato direto com fezes de pessoas ou animais infectados ou pelo consumo de alimentos/água contaminados. A higiene rigorosa das mãos reduz o risco de disseminação.
3. Preciso tomar antibiótico para CID A29?
Nem sempre. Em adultos saudáveis com casos leves, o tratamento é apenas suporte (hidratação e repouso). Antibióticos são indicados em casos graves, imunossuprimidos, crianças pequenas, idosos e infecção invasiva (sepse).
4. Quanto tempo dura a salmonelose?
Os sintomas agudos geralmente duram de 4 a 7 dias. Em alguns casos, a diarreia pode persistir por até 2 semanas. A eliminação de bactérias nas fezes pode continuar por semanas mesmo após a melhora.
5. Posso voltar a trabalhar ou estudar com sintomas leves?
Recomenda-se ficar em casa até que os sintomas cessem, especialmente se a pessoa trabalha com alimentos, crianças ou pacientes. O ideal é aguardar 24-48 horas sem diarreia ou febre.
6. Como posso prevenir a salmonelose?
Lavando bem as mãos, cozinhando alimentos adequadamente (principalmente ovos, carnes de aves), evitando leite cru, lavando frutas e verduras e separando utensílios para carnes cruas.
7. Existe vacina contra a salmonelose?
Não há vacina disponível para a salmonelose não tifoide (CID A29). A vacina contra febre tifoide não protege contra outras Salmonelas. A prevenção é baseada em medidas de higiene.
8. Quando devo procurar um hospital?
Procure emergência se houver febre alta >39°C, sangue nas fezes, vômitos frequentes, sinais de desidratação moderada/grave (boca seca, urina escassa, tontura), ou se o paciente for idoso, criança ou imunodeprimido.
9. A salmonelose pode causar sequelas?
Na maioria dos casos, a recuperação é completa. Porém, podem ocorrer sequelas como síndrome do intestino irritável pós-infecciosa, artrite reativa (dor articular, conjuntivite, uretrite) ou infecções focais raras.
10. O que comer durante a salmonelose?
Opte por alimentos leves e de fácil digestão: arroz branco, banana, maçã cozida, batata, cenoura cozida, caldo de legumes, torradas. Evite laticínios, frituras, carnes gordurosas, fibras insolúveis (farelos) e açúcares concentrados.
11. Posso usar probióticos durante a infecção?
Sim, probióticos como Lactobacillus casei e Saccharomyces boulardii são seguros e podem reduzir a duração da diarreia. Consulte o médico antes de iniciar.
12. A salmonelose é a mesma coisa que intoxicação alimentar?
Não exatamente. A intoxicação alimentar ocorre por toxinas bacterianas pré-formadas no alimento (ex.: Staphylococcus aureus), enquanto a salmonelose é uma infecção causada pela multiplicação da bactéria no intestino.
Revisão medica: Conteudo revisado pela equipe medica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministerio da Saude do Brasil.
Ultima atualizacao: 21/06/2026
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Este conteudo tem carater exclusivamente informativo e educacional. O diagnostico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo medico responsavel com base no exame clinico completo. Nao use este artigo como base para autodiagnostico ou prescricao.
Links externos:
CID A29 no CID10.com.br
Salmonella Infections (MedlinePlus)
Links internos:
CID R11 – Nausea e Vomitos
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CID 010 – Tuberculose Pulmonar
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