Estima-se que cerca de 2.500 novos casos de neoplasia maligna dos seios paranasais (CID C31) sejam diagnosticados anualmente no Brasil, com maior incidência em homens acima dos 50 anos. O diagnóstico precoce eleva significativamente as taxas de sobrevida em 5 anos.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID 31 e quer saber o que significa? Na prática médica, o CID 31 refere‑se às neoplasias malignas dos seios paranasais (código C31 da CID‑10). Este artigo explica de forma clara os sintomas, as causas, o tratamento e o impacto desse diagnóstico, com base em evidências atuais e no protocolo do Ministério da Saúde.
- Código: C31 (CID‑10)
- Descrição: Neoplasia maligna dos seios paranasais
- Categoria: Capítulo II – Neoplasias (tumores malignos)
- Versão: CID‑10 (OMS)
- Subcategorias: C31.0 (Seio maxilar), C31.1 (Seio etmoidal), C31.2 (Seio frontal), C31.3 (Seio esfenoidal), C31.8 (Lesão invasiva dos seios paranasais), C31.9 (Seio paranasal não especificado)
Paciente: João M., 58 anos, marceneiro aposentado
Queixa principal: Dor facial progressiva à direita, obstrução nasal unilateral e episódios de epistaxe há 3 meses.
Avaliação clínica: À rinoscopia anterior, observou‑se lesão vegetante na fossa nasal direita. A tomografia computadorizada de seios da face evidenciou massa heterogênea ocupando o seio maxilar direito com erosão óssea. Biópsia confirmou carcinoma de células escamosas moderadamente diferenciado.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID C31.0 — Neoplasia maligna do seio maxilar direito.
Conduta terapêutica: Ressecção cirúrgica ampla via maxilectomia medial, seguida de radioterapia adjuvante (66 Gy em 33 frações). O paciente também foi encaminhado para reabilitação protética e fonoterapia.
Evolução: Após 12 meses, o paciente apresenta boa adaptação à prótese obturadora e sem sinais de recidiva. Segue em seguimento oncológico trimestral com exames de imagem.
Lição clínica: A dor facial persistente e a obstrução nasal unilateral em pacientes com fatores de risco (tabagismo, exposição a poeiras de madeira) devem sempre levantar a suspeita de tumor de seios paranasais.
O que é o CID C31 na prática médica
O código C31 corresponde às neoplasias malignas que se originam nos seios paranasais: maxilar, etmoidal, frontal e esfenoidal. Esses tumores representam cerca de 3% de todos os cânceres de cabeça e pescoço e, por serem de crescimento silencioso em estágios iniciais, frequentemente são diagnosticados tardiamente. O tipo histológico mais comum é o carcinoma de células escamosas, seguido por adenocarcinoma e tumores de glândulas salivares menores. O conhecimento desse CID é essencial para o registro adequado em prontuários, atestados e autorizações de procedimentos no SUS e planos de saúde.
Subcategorias e variantes do CID C31
A classificação CID‑10 detalha seis subcategorias para C31, que especificam a localização anatômica exata do tumor:
- C31.0 – Seio maxilar: o mais frequente, responsável por cerca de 60% dos casos.
- C31.1 – Seio etmoidal: segundo em incidência, com maior risco de invasão orbitária.
- C31.2 – Seio frontal: raro, geralmente associado a sinusite crônica.
- C31.3 – Seio esfenoidal: menos comum, mas pode comprimir nervos cranianos.
- C31.8 – Lesão invasiva dos seios paranasais: quando o tumor ultrapassa os limites de um único seio.
- C31.9 – Seio paranasal não especificado: usado quando a localização exata não é determinada.
Essa subdivisão orienta a abordagem cirúrgica e a radioterapia, além de ter implicações prognósticas.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas do tumor maligno de seios paranasais são inespecíficos e muitas vezes confundidos com sinusite crônica. Os mais comuns incluem:
- Obstrução nasal unilateral progressiva.
- Epistaxe (sangramento nasal) recorrente ou persistente.
- Dor facial ou sensação de pressão profunda.
- Secreção nasal purulenta ou sanguinolenta.
- Perda de olfato (hiposmia ou anosmia).
- Protrusão ocular (exoftalmia) ou diplopia (visão dupla) se houver invasão orbitária.
- Dor dentária, abaulamento palatino ou prótese dentária mal adaptada.
- Linfadenopatia cervical (íngua no pescoço) em estágios avançados.
O quadro clínico geralmente evolui ao longo de semanas a meses, e o atraso diagnóstico é comum devido à semelhança com doenças benignas. Por isso, a persistência de sintomas unilaterais exige investigação com imagem.
Causas e fatores de risco
As causas exatas das neoplasias malignas dos seios paranasais não são completamente conhecidas, mas vários fatores de risco estão bem estabelecidos na literatura:
- Tabagismo: o consumo de cigarro aumenta em 2 a 3 vezes o risco de carcinoma de células escamosas nessa região.
- Exposição ocupacional: poeiras de madeira (marceneiros, carpinteiros), couro, têxteis, formaldeído, níquel e cromo são reconhecidamente carcinogênicos.
- Infecção pelo HPV: alguns subtipos do papilomavírus humano (especialmente HPV‑16) estão associados a carcinomas de células escamosas.
- Sinonasal papiloma invertido: lesão benigna que pode sofrer transformação maligna em até 10% dos casos.
- Imunossupressão: pacientes transplantados ou com HIV têm maior incidência.
A prevenção primária envolve cessação do tabagismo e uso de equipamentos de proteção individual (máscaras, exaustores) em ambientes com poeira orgânica ou química.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do CID C31 segue uma sequência padronizada:
- História clínica e exame físico: incluindo rinoscopia anterior e endoscopia nasal (nasofibroscopia) para visualizar a lesão.
- Exames de imagem: a tomografia computadorizada (TC) de seios da face com contraste é o exame padrão para avaliar extensão tumoral e erosão óssea. A ressonância magnética (RM) é útil para diferenciar o tumor de secreções e avaliar invasão de partes moles, como órbita e base do crânio.
- Biópsia: realizada por via endoscópica ou por punção aspirativa. O material é analisado por anatomopatologia e imuno‑histoquímica para definir o tipo histológico.
- Estadiamento: utiliza o sistema TNM (Tumor, Nódulo, Metástase) para determinar a extensão da doença e planejar o tratamento. Exames como PET‑CT podem ser solicitados para pesquisa de metástases à distância.
O diagnóstico precoce é um desafio, mas a suspeita clínica em pacientes com fatores de risco e sintomas unilaterais deve levar à solicitação imediata de imagem e biópsia.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento do câncer dos seios paranasais é multidisciplinar e depende do estágio, localização e tipo histológico. As principais modalidades são:
- Cirurgia: a ressecção cirúrgica com margens livres é a base do tratamento para tumores ressecáveis. Podem ser realizadas maxilectomia (parcial ou total), etmoidectomia, craniofacial ressecção e, em casos selecionados, cirurgia endoscópica transnasal.
- Radioterapia: indicada como adjuvante pós‑operatória (especialmente se margens comprometidas, invasão linfovascular ou estádios avançados) ou como tratamento radical em tumores irressecáveis. Técnicas modernas como IMRT (radioterapia de intensidade modulada) poupam tecidos nobres.
- Quimioterapia: usada principalmente em combinação com radioterapia (quimiorradiação) para tumores localmente avançados ou como paliação em doença metastática. Esquemas baseados em cisplatina e 5‑fluorouracil são comuns.
- Terapias alvo e imunoterapia: reservadas para recidivas ou casos com biomarcadores específicos (ex.: EGFR, PD‑L1).
O seguimento oncológico inclui consultas regulares com exames de imagem e endoscopia para detectar recidivas precocemente.
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento do trabalho por CID C31 varia conforme o estágio e o tipo de tratamento. Em geral:
- Pós‑operatório cirúrgico: de 15 a 30 dias para procedimentos menores (cirurgia endoscópica) e de 30 a 60 dias para ressecções amplas (maxilectomia, craniofacial).
- Radioterapia: durante o tratamento (que dura de 6 a 7 semanas) o paciente pode apresentar fadiga e mucosite, necessitando de afastamento total ou parcial. O atestado costuma ser emitido por todo o período da radioterapia (cerca de 45 dias).
- Quimioterapia ou quimiorradiação: os ciclos de quimioterapia geralmente exigem afastamento durante as infusões e nos dias de toxicidade (neutropenia, náuseas). O total pode chegar a 90‑120 dias, dependendo da resposta e dos efeitos colaterais.
Em todos os casos, o médico assistente define o período de repouso com base na evolução clínica e na função laboral. O paciente tem direito ao auxílio‑doença previdenciário se o afastamento ultrapassar 15 dias.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Diante do diagnóstico de CID C31 ou suspeita, alguns sinais exigem atendimento imediato:
- Epistaxe intensa e de difícil controle.
- Dor facial súbita e progressiva, com ou sem edema.
- Alteração visual como visão dupla, redução da acuidade ou proptose progressiva.
- Febre alta associada a secreção nasal fétida – pode indicar infecção secundária ou sinusite aguda.
- Dificuldade respiratória nasal bilateral ou obstrução completa.
- Presença de nódulo cervical endurecido, sugerindo metástase linfática.
Pacientes em tratamento oncológico devem contatar a equipe médica se apresentarem febre (neutropenia febril), sangramento, vômitos incoercíveis ou dor não controlada.
Prevenção e cuidados contínuos
Embora nem todos os fatores de risco sejam evitáveis, algumas medidas podem reduzir a incidência ou melhorar o prognóstico:
- Evitar tabagismo e exposição passiva ao fumo.
- Usar máscaras e sistemas de ventilação em ambientes com poeira de madeira, couro ou produtos químicos.
- Realizar exames periódicos de imagem (TC de seios da face) em pacientes de alto risco (marceneiros, exposição ocupacional crônica).
- Tratar adequadamente sinusites crônicas e papilomas invertidos, com seguimento otorrinolaringológico.
- Manter a vacinação em dia, incluindo HPV para meninos e meninas (previne alguns subtipos associados ao câncer de cabeça e pescoço).
Após o tratamento, o acompanhamento oncológico é vital: consultas a cada 3‑4 meses nos primeiros 2 anos, semestrais do 3º ao 5º ano e anuais após 5 anos, com exames de imagem e endoscopia.
- 01. Obstrução nasal unilateral que não melhora com tratamento clínico exige investigação com nasofibroscopia e TC.
- 02. Sangramento nasal recorrente (epistaxe) em maiores de 40 anos é sinal de alerta para tumor de seio paranasal.
- 03. A biópsia endoscópica é segura e definitiva; nunca atrase o diagnóstico por medo de complicações.
- 04. O atestado médico deve ser detalhado, especificando o CID C31 e o tempo estimado de afastamento com base no tratamento proposto.
- 05. Pacientes pós‑maxilectomia podem se beneficiar de próteses obturadoras e reabilitação fonoaudiológica precoce.
- 06. A cessação do tabagismo é a medida preventiva mais eficaz e também melhora a resposta à radioterapia.
- 07. Em caso de dúvida sobre sintomas, leve seu atestado ou exame a uma segunda opinião médica.
Perguntas Frequentes sobre o CID 31
O CID 31 garante quantos dias de atestado?
O tempo de afastamento varia conforme o tratamento: cirurgia (15 a 60 dias), radioterapia (cerca de 45 dias) ou quimioterapia (90 a 120 dias). O médico assistente define o período necessário.
CID 31 é câncer? É grave?
Sim, o CID C31 significa neoplasia maligna dos seios paranasais, ou seja, um câncer. A gravidade depende do estágio; quando diagnosticado precocemente, a taxa de sobrevida em 5 anos ultrapassa 70%.
Quais exames são necessários para confirmar o CID C31?
Os principais são: tomografia computadorizada de seios da face, ressonância magnética, nasofibroscopia com biópsia e, eventualmente, PET‑CT para estadiamento.
O CID 31 tem cura?
Sim, tumores localizados (estádios I e II) têm boas chances de cura com cirurgia e/ou radioterapia. Tumores avançados podem ser controlados com tratamento multimodal, mas com menor taxa de cura.
O que significa CID C31.0?
É a subcategoria que especifica neoplasia maligna do seio maxilar, a localização mais frequente dos tumores de seios paranasais.
CID 31 pode ser confundido com sinusite?
Sim, os sintomas iniciais são idênticos: obstrução nasal, dor facial e secreção. A diferença é a unilateralidade e a persistência. Toda sinusite unilateral que não responde a antibióticos deve ser investigada para tumor.
Quem tem mais risco de desenvolver CID C31?
Homens acima de 50 anos, tabagistas, trabalhadores expostos a poeira de madeira, couro, formaldeído e níquel, além de pacientes com papiloma invertido ou infecção por HPV.
O CID 31 dá direito a auxílio‑doença?
Sim, se o afastamento for superior a 15 dias. O médico deve fornecer o atestado com o CID C31 e o paciente solicitar o benefício no INSS.
A radioterapia para CID C31 dói?
O procedimento é indolor, mas pode causar efeitos colaterais como mucosite, xerostomia (boca seca), fadiga e irritação local. O uso de analgésicos e cuidados com a mucosa aliviam o desconforto.
Existe prevenção para o CID 31?
As principais medidas são: não fumar, usar EPIs em exposição ocupacional, tratar sinusites crônicas e realizar acompanhamento médico regular, especialmente se houver fatores de risco.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID‑10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
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