Estima-se que no Brasil o câncer de laringe (CID C32) seja responsável por cerca de 7.600 novos casos por ano, com predomínio em homens acima dos 50 anos e forte associação com tabagismo e etilismo. A sobrevida em 5 anos pode ultrapassar 80% quando diagnosticado em estágios iniciais.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID 32-1 e quer saber o que significa? Esse código se refere a uma neoplasia maligna localizada na supraglote, porção superior da laringe. Neste artigo completo, escrito por um médico especialista em clínica médica, você entenderá os sintomas, as causas, os métodos de diagnóstico, as opções de tratamento e as respostas para as principais dúvidas sobre essa condição. Abordaremos também um caso clínico real para ilustrar o manejo da doença.
- Código: C32.1
- Descrição: Neoplasia maligna da supraglote
- Categoria: Capítulo II – Neoplasias (tumores malignos) – C00 a C97
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: C32.0 (glote), C32.1 (supraglote), C32.2 (subglote), C32.3 (cartilagem da laringe), C32.8 (lesão invasiva), C32.9 (laringe, não especificada)
Paciente: Antônio Carlos, 59 anos, aposentado e ex-metalúrgico
Queixa principal: Rouquidão persistente há 3 meses, dor ao engolir e sensação de “nó na garganta”
Avaliação clínica: À laringoscopia, observou-se lesão vegetante em região supraglótica, com extensão à prega ariepiglótica. Biópsia revelou carcinoma de células escamosas bem moderadamente diferenciado. Exames de estadiamento (TC de pescoço e tórax) demonstraram linfonodo jugular direito de 2 cm, sem metástases à distância.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID C32.1 (neoplasia maligna da supraglote) – tumor primário da laringe com acometimento linfonodal regional (estádio III).
Conduta terapêutica: Laringectomia parcial supraglótica + esvaziamento cervical seletivo (níveis II-IV) + radioterapia adjuvante (66 Gy em 33 frações) devido à presença de invasão linfovascular. Prescrito também suporte fonoaudiológico e nutricional.
Evolução: Após 6 semanas de radioterapia, o paciente apresentou boa cicatrização, melhora gradual da deglutição e recuperação vocal parcial. Segue em acompanhamento oncológico trimestral com exames de imagem e laringoscopia.
Lição clínica: Rouquidão com duração superior a três semanas em pacientes tabagistas deve ser investigada com laringoscopia. O diagnóstico precoce muda o prognóstico e permite cirurgias conservadoras da voz.
O que é o CID 32 na prática médica
O código CID-10 C32 agrupa as neoplasias malignas da laringe, órgão responsável pela fonação e proteção das vias aéreas inferiores. Dentro desse grupo, o subcódigo C32.1 designa especificamente os tumores que se originam na supraglote, região que inclui a epiglote, as pregas ariepiglóticas e os ventrículos laríngeos. Na prática clínica, o CID C32.1 é utilizado para registro de diagnósticos oncológicos, planejamento terapêutico, autorizações de exames e procedimentos, além de ser essencial para estatísticas de saúde pública.
O médico especialista em clínica médica ou otorrinolaringologista utiliza esse código para documentar a localização exata do tumor, o que influencia diretamente a escolha do tratamento (cirurgia, radioterapia, quimioterapia) e o prognóstico. A supraglote possui rica drenagem linfática, o que torna o risco de metástases linfonodais maior do que em tumores glóticos, exigindo abordagem mais agressiva.
Subcategorias e variantes do CID 32
O CID 32 é subdividido para especificar a topografia exata dentro da laringe. As subcategorias mais relevantes são:
- C32.0 – Glote: tumores das cordas vocais propriamente ditas. Geralmente diagnosticados precocemente devido à rouquidão imediata.
- C32.1 – Supraglote: tumores da epiglote, pregas ariepiglóticas, bandas ventriculares. Tendem a ser diagnosticados em estádios mais avançados porque os sintomas iniciais são discretos.
- C32.2 – Subglote: região abaixo das cordas vocais. Raros, mas de crescimento silencioso até obstrução das vias aéreas.
- C32.3 – Cartilagem da laringe: condrossarcomas ou metástases.
- C32.8 – Lesão invasiva: quando o tumor ultrapassa os limites anatômicos.
- C32.9 – Laringe, não especificada: usado quando a localização exata não foi determinada.
Na prática, o código C32.1 representa cerca de 30% dos cânceres de laringe, sendo mais incidente em homens entre 50 e 70 anos.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas da neoplasia maligna da supraglote (CID C32.1) podem ser insidiosos e muitas vezes confundidos com infecções de garganta comuns. Os principais sinais de alerta incluem:
- Rouquidão ou alteração da voz – inicialmente intermitente, torna-se progressiva.
- Dor de garganta persistente (odinofagia) que não melhora com analgésicos comuns.
- Disfagia – dificuldade para engolir sólidos e, mais tarde, líquidos.
- Sensação de “nó” ou corpo estranho na garganta (globus faríngeo).
- Irradiação da dor para o ouvido (otalgia reflexa) – sinal de alerta importante.
- Tosse crônica ou pigarro constante.
- Perda de peso inexplicada – geralmente associada à disfagia e ao consumo de álcool/tabaco.
- Linfonodos aumentados no pescoço (metástases regionais).
Em estádios avançados, podem surgir estridor (ruído respiratório) e dispneia, indicando obstrução das vias aéreas superiores – emergência médica.
Causas e fatores de risco
A causa exata do câncer de supraglote é multifatorial, mas existem fatores de risco bem estabelecidos:
- Tabagismo – o principal fator; o risco é diretamente proporcional ao número de cigarros/dia e anos de exposição.
- Consumo excessivo de álcool – potencializa o efeito carcinogênico do tabaco.
- Infecção pelo HPV (especialmente HPV-16) – associado a tumores de orofaringe e, menos frequentemente, laringe.
- Exposição ocupacional – amianto, poeira de madeira, produtos químicos (níquel, cromo).
- Refluxo gastroesofágico crônico (DRGE) – a irritação constante da mucosa laríngea pode favorecer alterações celulares.
- Imunossupressão – pós-transplante, HIV, uso de corticoides prolongados.
- Dieta pobre em frutas e vegetais – baixa ingestão de antioxidantes.
A combinação de tabaco + álcool é responsável por mais de 80% dos casos de câncer de laringe no Brasil.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do CID C32.1 segue uma sequência padronizada:
- História clínica e exame físico – palpação de pescoço e avaliação da mobilidade laríngea.
- Laringoscopia direta ou indireta – exame essencial. Pode ser feita com fibra óptica flexível (nasofibroscopia) para visualizar a supraglote.
- Biopisia da lesão – realizada durante a laringoscopia, com análise anatomopatológica para confirmar o tipo histológico (carcinoma de células escamosas em 95% dos casos).
- Exames de estadiamento: Tomografia computadorizada (TC) de pescoço e tórax, ressonância magnética (RM) e, em alguns casos, PET-CT para avaliar metástases à distância.
- Avaliação funcional – videolaringoscopia de alta velocidade, análise vocal e deglutição.
O estadiamento baseia-se na classificação TNM (Tumor, Linfonodos, Metástases) e determina o prognóstico e a escolha terapêutica.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento do câncer de supraglote (C32.1) depende do estádio, das condições clínicas do paciente e das preferências da equipe multidisciplinar. As opções incluem:
- Cirurgia: laringectomia parcial supraglótica (para tumores iniciais) ou laringectomia total (para tumores avançados ou recidivantes). O esvaziamento cervical é frequentemente necessário.
- Radioterapia – pode ser curativa para tumores precoces ou adjuvante após cirurgia (em casos de margens comprometidas, invasão perineural ou linfonodos positivos).
- Quimioterapia – associada à radioterapia (quimiorradioterapia) para tumores localmente avançados inoperáveis ou como tratamento paliativo.
- Terapias-alvo e imunoterapia – opções para casos com biomarcadores específicos (ex.: EGFR, PD-L1) ou após falha de tratamento padrão.
- Reabilitação fonoaudiológica e nutricional – fundamental para recuperação da voz e deglutição.
Nos estádios iniciais (I e II), a taxa de controle local com cirurgia ou radioterapia isolada é superior a 85%. Em estádios III e IV, a abordagem multimodal é a regra.
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento do trabalho para pacientes com CID C32.1 varia conforme o tratamento realizado:
- Cirurgia parcial (laringectomia supraglótica): de 30 a 45 dias para recuperação inicial, podendo ser prorrogado para reabilitação fonoaudiológica.
- Laringectomia total: cerca de 60 a 90 dias, além de período adicional para adaptação à traqueostomia e reabilitação.
- Radioterapia (isolada ou adjuvante): o tratamento dura de 5 a 7 semanas, e o paciente pode precisar de afastamento por até 3 meses devido aos efeitos colaterais (mucosite, fadiga, disfagia).
- Quimiorradioterapia: geralmente leva a 4-6 meses de afastamento, dependendo da resposta clínica.
O médico assistente define o período de atestado com base na evolução individual. O paciente pode solicitar prorrogação se houver complicações ou necessidade de reabilitação intensiva.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Alguns sintomas indicam emergência ou necessidade de avaliação imediata:
- Dificuldade respiratória progressiva (dispneia, estridor).
- Sangramento pela boca ou traqueostomia.
- Febre alta (suspeita de infecção pós-operatória).
- Dor torácica súbita (risco de tromboembolismo ou pneumonia aspirativa).
- Impossibilidade de engolir saliva (sialorreia intensa).
- Aumento rápido de linfonodos cervicais ou aparecimento de novos nódulos.
Pacientes em tratamento oncológico devem ter acesso a um serviço de urgência 24 horas para manejo de complicações como mucosite grave, neutropenia febril ou desidratação.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção primária do câncer de laringe baseia-se em hábitos saudáveis:
- Cessar o tabagismo – é a medida mais eficaz. O risco diminui progressivamente após parar de fumar.
- Moderar ou abolir o consumo de álcool.
- Alimentação rica em frutas, legumes e verduras (fontes de vitaminas A, C, E e carotenoides).
- Vacinação contra HPV (para meninas e meninos) – previne infecções oncogênicas.
- Controle do refluxo gastroesofágico com mudanças dietéticas e medicação quando necessário.
- Uso de protetores respiratórios em ambientes com poeira ou produtos químicos.
Após o tratamento, o seguimento rigoroso com otorrinolaringologista e oncologista é fundamental para detectar recidivas precoces e manejar efeitos tardios (fibrose, disfagia, problemas vocais).
- 01. Rouquidão que persiste por mais de 3 semanas merece investigação com laringoscopia – não se automedique.
- 02. Se você fuma, saiba que o risco de câncer de laringe é 10 vezes maior. Busque apoio para parar de fumar.
- 03. A dor de ouvido sem infecção aparente pode ser sinal de tumor em supraglote – informe seu médico.
- 04. No tratamento oncológico, a reabilitação fonoaudiológica precoce melhora a deglutição e a qualidade de vida.
- 05. Mantenha um diário de sintomas e leve-o às consultas; isso ajuda o médico a ajustar o tratamento.
- 06. Exames de imagem de controle (TC, PET-CT) devem seguir o cronograma definido pelo oncologista – não falte.
- 07. Apoio psicológico e grupos de pacientes com câncer de laringe são fundamentais durante e após o tratamento.
Perguntas Frequentes sobre o CID 32
O CID 32 garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo, pois depende do tratamento. Em média, para cirurgia parcial são 30 a 45 dias; para radioterapia, de 2 a 3 meses; para quimiorradioterapia, até 6 meses. O médico define o período conforme a necessidade clínica.
O CID C32.1 tem cura?
Sim, quando diagnosticado em estádios iniciais (I e II), a taxa de cura ultrapassa 80%. Em estádios avançados, a abordagem multimodal pode proporcionar controle da doença por muitos anos, mas a cura é menos provável.
Quais são os primeiros sintomas do câncer de supraglote?
Os mais comuns são rouquidão persistente, dor de garganta que não passa, dificuldade para engolir e sensação de nó na garganta. Muitas vezes são confundidos com faringite crônica.
O tabagismo passivo também causa câncer de laringe?
Sim, a exposição ao fumo passivo aumenta o risco de neoplasias de cabeça e pescoço, embora em menor grau que o tabagismo ativo. Ambientes livres de fumo são recomendados.
É possível falar após a laringectomia total?
Sim, com reabilitação. O paciente pode usar a voz esofágica, prótese traqueoesofágica ou laringe eletrônica. O fonoaudiólogo é essencial nesse processo.
O CID 32 dá direito a auxílio-doença ou aposentadoria?
Sim. O paciente com câncer de laringe tem direito ao auxílio-doença (benefício por incapacidade temporária) e, em casos de incapacidade permanente, à aposentadoria por invalidez. É necessário perícia médica do INSS.
A radioterapia causa perda de paladar?
Pode causar alterações temporárias do paladar (disgeusia) e da mucosa oral. Geralmente os sintomas melhoram algumas semanas após o término do tratamento.
Existe relação entre HPV e câncer de supraglote?
Sim, o HPV oncogênico (principalmente o tipo 16) está associado a cerca de 20% dos cânceres de laringe, especialmente na orofaringe e supraglote. A vacinação é uma forma de prevenção.
Como é a alimentação durante o tratamento?
Muitas vezes é necessária dieta pastosa ou líquida, suplementos nutricionais e, em casos graves, sonda nasoenteral ou gastrostomia para manter o estado nutricional.
O que é o estadiamento TNM para C32.1?
É um sistema que classifica o tumor primário (T), os linfonodos regionais (N) e as metástases (M). Exemplo: T2N1M0 significa tumor limitado à supraglote com invalidade de um linfonodo ipsilateral, sem metástases a distância.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
CID10.com.br – Consulta oficial da CID-10 no Brasil
MedlinePlus (NIH) – Informações de saúde em inglês e espanhol
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