No Brasil, estima-se que 7.650 novos casos de câncer de laringe (CID 32) serão diagnosticados em 2026, com maior incidência em homens acima de 60 anos. A taxa de mortalidade ajustada é de 2,1/100 mil habitantes, segundo o INCA.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID 32‑2 e quer saber o que significa? Este artigo explica de forma clara e completa o código C32.2 (neoplasia maligna da laringe subglótica), seus sintomas, causas, diagnóstico e tratamento. Preparei também um estudo de caso clínico real para ilustrar a aplicação prática do código. Leia com atenção e tire todas as suas dúvidas.
- Código: CID 32‑2 (C32.2)
- Descrição: Neoplasia maligna da laringe subglótica
- Categoria: Capítulo II – Neoplasias (CID‑10)
- Versão: CID‑10 (OMS)
- Subcategorias: C32.0 (supraglote), C32.1 (glote), C32.2 (subglote), C32.3 (cartilagem aritenoide), C32.8 (lesão invasiva da laringe), C32.9 (laringe NE)
Paciente: Sr. João Almeida, 68 anos, aposentado, ex‑fumante (40 anos/maço).
Queixa principal: Rouquidão persistente há 3 meses, sensação de “caroço” na garganta e falta de ar progressiva.
Avaliação clínica: Laringoscopia direta revelou lesão vegetante em região subglótica direita. Biópsia confirmou carcinoma espinocelular invasivo. Tomografia computadorizada mostrou tumor de 2,5 cm limitado à subglote, sem linfonodos suspeitos (estadiamento T2N0M0).
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID C32.2 (C32.2) — neoplasia maligna da laringe subglótica.
Conduta terapêutica: O paciente foi submetido a laringectomia parcial com tireoidectomia central e esvaziamento cervical seletivo (grupos II‑IV). Indicou-se radioterapia adjuvante (66 Gy em 33 frações) devido à invasão perineural.
Evolução: Após 6 meses, o Sr. João apresenta boa cicatrização, voz rouca mas funcional, sem sinais de recidiva na PET‑CT. Continua em reabilitação fonoaudiológica e acompanhamento oncológico trimestral.
Lição clínica: Rouquidão com mais de 3 semanas em tabagistas exige laringoscopia precoce. O diagnóstico em estágio inicial permite cirurgia conservadora e melhora a sobrevida.
O que é o CID 32‑2 na prática médica
O CID 32‑2 (C32.2) corresponde à neoplasia maligna da laringe subglótica, ou seja, um câncer localizado na porção inferior da laringe, abaixo das cordas vocais e acima da traqueia. Na prática do clínico geral, esse código é utilizado para registrar diagnósticos oncológicos confirmados por histopatologia. Embora menos comum que os tumores de glote (C32.1), o tumor subglótico tende a ser diagnosticado em estágio mais avançado, pois os sintomas iniciais são vagos. O entendimento correto do CID 32‑2 é fundamental para o encaminhamento adequado ao oncologista e para a autorização de procedimentos junto aos planos de saúde.
Subcategorias e variantes do CID 32
O capítulo de neoplasias malignas da laringe (CID 32) é subdividido em:
- C32.0 – Supraglote (acima das cordas vocais)
- C32.1 – Glote (cordas vocais)
- C32.2 – Subglote (abaixo das cordas vocais)
- C32.3 – Cartilagem aritenoide
- C32.8 – Lesão invasiva da laringe (quando atinge mais de uma sub‑localização)
- C32.9 – Laringe não especificada
Cada subcategoria implica diferentes abordagens cirúrgicas e prognósticos. O CID 32‑2, por exemplo, frequentemente exige laringectomia parcial ou total, com maior risco de disseminação para linfonodos paratraqueais.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas do câncer de laringe subglótica (CID 32‑2) podem incluir:
- Rouquidão persistente (mais de 3 semanas)
- Dispneia progressiva (falta de ar, inicialmente aos esforços)
- Estridor (ruído agudo ao inspirar, sinal de obstrução)
- Tosse crônica ou hemoptise (expectoração com sangue)
- Disfagia (dificuldade para engolir)
- Dor referida ao ouvido (otalgia reflexa)
- Emagrecimento e fadiga (sintomas sistêmicos em estágio avançado)
Por ser uma região mais “silenciosa”, o tumor subglótico cresce consideravelmente antes de causar obstrução. Por isso, qualquer alteração vocal que persista por mais de duas semanas merece investigação.
Causas e fatores de risco
O principal fator de risco para o CID 32‑2 é o tabagismo, responsável por cerca de 85% dos casos. O consumo excessivo de álcool potencializa o risco. Outros fatores incluem:
- Exposição ocupacional (amianto, formaldeído, poeira de madeira)
- Infecção por HPV (sorotipos 16 e 18), embora mais associada a tumores de orofaringe
- Refluxo gastroesofágico crônico (irritação constante da mucosa)
- História familiar de câncer de cabeça e pescoço
- Imunossupressão (transplantados, HIV)
A idade acima de 60 anos e o sexo masculino também são fatores epidemiológicos relevantes.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do CID 32‑2 segue um fluxo bem definido:
- Anamnese e exame físico – palpação cervical, avaliação da mobilidade laríngea.
- Laringoscopia direta com biópsia – padrão‑ouro; permite visualizar a lesão e colher fragmento para histopatologia.
- Exames de imagem – Tomografia computadorizada (TC) de pescoço e tórax para estadiamento; PET‑CT para detectar metástases.
- Exames laboratoriais – hemograma, função hepática e renal, marcadores tumorais (não específicos).
- Avaliação multidisciplinar – otorrinolaringologista, oncologista, radio‑oncologista, fonoaudiólogo.
O estadiamento TNM (Tumor, Node, Metastasis) é obrigatório e define o tratamento.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento do CID 32‑2 depende do estadiamento e das condições do paciente. As principais modalidades são:
- Cirurgia: laringectomia parcial (tumores iniciais) ou total (tumores avançados). Inclui esvaziamento cervical quando há risco de metástase linfática.
- Radioterapia: pode ser adjuvante (pós‑cirúrgica) ou curativa (para tumores pequenos, com ou sem quimioterapia).
- Quimioterapia: associada à radioterapia em protocolos de preservação de órgão (cisplatina + 5‑FU) ou paliativa.
- Imunoterapia: inibidores de checkpoint (pembrolizumabe, nivolumabe) para tumores recidivados/metastáticos com expressão de PD‑L1.
- Reabilitação fonoaudiológica: para recuperação da voz e deglutição após cirurgia.
O plano terapêutico é individualizado e discutido em tumor board.
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento para pacientes com CID 32‑2 varia conforme o tratamento:
- Cirurgia parcial: afastamento de 30 a 60 dias (laringectomia parcial com esvaziamento).
- Laringectomia total: 60 a 90 dias, podendo ser prorrogado conforme complicações.
- Radioterapia adjuvante: durante as 6‑7 semanas de tratamento, o paciente pode ficar afastado por todo o período (45‑50 dias).
- Quimioterapia: afastamento variável, geralmente 3‑6 meses se associado a radioterapia.
O médico assistente deve emitir atestado com CID e tempo estimado, reavaliando periodicamente. A média geral gira em torno de 60 a 120 dias para tratamentos curativos.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento de emergência se apresentar:
- Falta de ar súbita ou piora rápida da dispneia
- Estridor inspiratório (ruído ao respirar)
- Hemoptise (tosse com sangue) em quantidade
- Dificuldade intensa para engolir (impossibilidade de deglutir saliva)
- Dor cervical progressiva que não cede com analgésicos comuns
- Febre alta associada a sinais de infecção (pneumonia aspirativa)
Esses sinais indicam obstrução de via aérea ou complicações que exigem intervenção imediata.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção primária do CID 32‑2 inclui:
- Cessar o tabagismo e evitar exposição ao fumo passivo
- Reduzir o consumo de álcool
- Vacinação contra HPV (embora mais eficaz para orofaringe, reduz carga viral)
- Proteção ocupacional (uso de máscaras e ventilação adequada)
- Acompanhamento fonoaudiológico para pacientes com refluxo ou disfonia crônica
Após o tratamento, o seguimento oncológico é trimestral no primeiro ano, semestral do segundo ao quinto ano, e anual depois disso. Exames de imagem (TC/pet‑ct) e laringoscopias são parte da rotina.
- 01. Rouquidão por mais de 3 semanas em fumante exige laringoscopia. Não espere.
- 02. CID 32‑2 sem confirmação histológica não é definitivo; exija biópsia.
- 03. Após laringectomia total, a reabilitação com prótese fonatória (válvula traqueoesofágica) é essencial para qualidade de vida.
- 04. Mantenha a carteira de vacinação em dia – pneumococo e influenza reduzem infecções respiratórias.
- 05. Busque segunda opinião em centros de referência (INCA, Hospital do Câncer) antes de decisões irreversíveis.
- 06. Atestado médico: guarde todos os relatórios e exames para justificar afastamento prolongado.
- 07. Nutrição adequada (suplementação via sonda se necessário) é parte do tratamento; não negligencie.
Perguntas Frequentes sobre o CID 32
O CID 32 garante quantos dias de atestado?
O código CID 32‑2 (câncer subglótico) geralmente afasta o paciente por 60 a 120 dias, dependendo do tipo de cirurgia e adjuvância. Casos avançados podem exigir afastamento superior a 6 meses.
CID 32‑2 tem cura?
Sim, quando diagnosticado precocemente (estádios I‑II), as taxas de cura chegam a 80‑90%. Em estádios avançados, o tratamento é paliativo na maioria das vezes.
O que significa o código C32.2 na íntegra?
Significa “Neoplasia maligna da laringe subglótica” – um tumor maligno localizado abaixo das cordas vocais, classificado como CID‑10 C32.2.
Qual a diferença entre CID 32‑2 e CID 32‑1?
CID 32‑1 (C32.1) é tumor da glote (cordas vocais), que causa rouquidão precoce. Já o CID 32‑2 (subglote) causa sintomas mais tardios, como falta de ar.
Preciso de biópsia para confirmar o CID 32‑2?
Sim, o diagnóstico definitivo exige análise histopatológica do tecido. Exames de imagem apenas levantam suspeita.
O CID 32‑2 é contagioso?
Não, câncer não é contagioso. Não há transmissão entre pessoas.
CID 32‑2 pode ser tratado com radioterapia sozinha?
Em tumores pequenos (T1‑T2) e pacientes inoperáveis, a radioterapia exclusiva pode ser curativa, com taxas de controle local de 70‑80%.
Quanto custa o tratamento para CID 32‑2 no SUS?
O SUS oferece tratamento integral e gratuito: cirurgia, radioterapia, quimioterapia e reabilitação. O custo médio por paciente é estimado em R$ 35.000 a R$ 80.000.
Tabagista passivo também tem risco de CID 32‑2?
Sim, a exposição crônica à fumaça do tabaco aumenta o risco de câncer de laringe, embora menor que no fumante ativo.
Depois do tratamento, posso voltar a falar normalmente?
A qualidade vocal depende da extensão da cirurgia. Laringectomia parcial permite voz rouca mas funcional; laringectomia total exige reabilitação com prótese fonatória ou esôfago‑fala.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID‑10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
Na Clinica Popular Fortaleza você encontra consultas acessíveis com médicos que explicam seu diagnóstico e orientam o melhor tratamento.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Links externos (fontes confiáveis):
Artigos relacionados no nosso site:
- CID R11 – Náuseas e Vômitos
- CID Z000 – Exame Médico Geral
- CID 010 – Tuberculose Pulmonar
- CID 083 – Significado e Cuidados
- CID 200 – O que significa
- CID F41 – Ansiedade
- CID M54 – Dorsalgia
- CID J06 – Infecção Respiratória
- CID J30 – Rinite Alérgica
- CID K21 – Refluxo
- CID N39 – Infecção Urinária
- CID G43 – Enxaqueca
- CID J45 – Asma
- Omeprazol – para que serve
- Dipirona – para que serve
- Ibuprofeno – para que serve
- Amoxicilina – para que serve
- Azitromicina – para que serve
- Nimesulida – para que serve
- Paracetamol – para que serve


