Em 2026, a cervicite (CID 72) foi responsável por cerca de 8% das consultas ginecológicas no Brasil, com maior prevalência entre mulheres jovens de 18 a 35 anos. A principal causa infecciosa continua sendo a Chlamydia trachomatis, seguida pelo Neisseria gonorrhoeae.
Introdução
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID 72 e quer saber o que significa? O CID 72 (N72 na CID-10) corresponde à doença inflamatória do colo do útero, conhecida como cervicite. Trata-se de uma condição ginecológica comum, geralmente causada por infecções sexualmente transmissíveis, mas que também pode ter causas não infecciosas. Neste artigo, explicaremos os sintomas, causas, tratamento e tudo que você precisa saber sobre esse diagnóstico.
Identificação do CID 72
- Código: N72 (CID 72) — Doença inflamatória do colo do útero
- Descrição: Cervicite (inflamação do colo do útero)
- Categoria: Capítulo XIV – Doenças do aparelho geniturinário
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: Não há subcategorias oficiais na CID-10. Na prática clínica, classifica-se em cervicite aguda (primeiro episódio) e cervicite crônica (recorrente ou persistente), ou conforme o agente etiológico (gonocócica, clamidial, tricomoniásica, etc.)
Estudo de Caso Clínico
Paciente: Juliana M., 27 anos, estudante universitária
Queixa principal: Corrimento vaginal amarelado, odor forte, dor pélvica leve e sangramento após relação sexual (spotting) há 10 dias.
Avaliação clínica: Ao exame especular, colo do útero edemaciado, hiperemiado, com secreção mucopurulenta. Toque vaginal revelou dor à mobilização cervical. Solicitado PCR para clamídia e gonococo, além de bacterioscopia e cultura de secreção.
Diagnóstico: A PCR foi positiva para Chlamydia trachomatis. Gestante negativa. O médico registrou o CID N72 (CID 72) — cervicite por clamídia.
Conduta terapêutica: Prescrito azitromicina 1g dose única + doxiciclina 100 mg 2x/dia por 7 dias, além de abstinência sexual até término do tratamento e tratamento do parceiro. Orientações sobre uso de preservativo.
Evolução: Após 4 semanas, paciente assintomática, colo normal ao exame. Repetido PCR (teste de cura) para clamídia — negativo. Alta médica.
Lição clínica: A cervicite por clamídia é frequentemente assintomática, mas pode levar a doença inflamatória pélvica e infertilidade se não tratada. O diagnóstico precoce e o tratamento do parceiro são essenciais.
O que é o CID 72 na prática médica
O CID 72 (código N72) se refere à cervicite, ou seja, a inflamação do colo do útero, a porção inferior do útero que se comunica com a vagina. Na prática clínica, é uma das causas mais comuns de corrimento vaginal anormal e sangramento pós-coito. A inflamação pode ser aguda (súbita, com sintomas intensos) ou crônica (persistente por semanas ou meses, muitas vezes com sintomas mais brandos). A cervicite é classificada como uma infecção do trato genital feminino inferior e pode ser causada por diversos agentes infecciosos, especialmente os transmitidos sexualmente, mas também por fatores não infecciosos como alergias, irritações químicas ou desequilíbrios da microbiota vaginal. O diagnóstico correto é fundamental para evitar complicações ascendentes, como endometrite, salpingite e doença inflamatória pélvica.
Subcategorias e variantes do CID 72
Embora a CID-10 não divida oficialmente o código N72 em subcategorias, a literatura médica e a prática clínica reconhecem variantes importantes:
- Cervicite aguda: Início súbito, com corrimento purulento, edema, hiperemia e sangramento fácil ao toque. Geralmente associada a infecções bacterianas recentes (clamídia, gonococo, tricomoníase).
- Cervicite crônica: Duração prolongada, muitas vezes assintomática ou com sintomas leves. Pode ser consequência de infecções não tratadas, irritação persistente (DIU, alergias) ou alterações hormonais.
- Cervicite mucopurulenta: Caracterizada por secreção amarelada/esverdeada, com predomínio de leucócitos; típica de clamídia e gonococo.
- Cervicite folicular (ou hiperplásica): Padrão crônico com formação de folículos linfoides visíveis à colposcopia, comum na infecção por clamídia.
- Cervicite por herpes simples: Causada pelo HSV, provoca úlceras e dor intensa; código adicional (B00.8) quando associada.
Na prática, o médico registra o CID 72 e, se necessário, um código adicional (ex: A56.0 para infecção por clamídia, A54.0 para gonococo, B37.3 para candidíase) para especificar a etiologia.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas da cervicite (CID 72) podem variar de leves a intensos, e muitas mulheres são assintomáticas. Os sinais mais comuns incluem:
- Corrimento vaginal anormal: amarelado, esverdeado, acinzentado ou com odor forte.
- Sangramento vaginal fora do período menstrual, especialmente após relação sexual (spotting).
- Dor ou desconforto durante a relação sexual (dispareunia).
- Dor pélvica leve a moderada, geralmente na parte inferior do abdômen.
- Ardência ou dor ao urinar (disúria), quando há envolvimento uretral.
- Coceira ou irritação vaginal.
- Ao exame especular: colo hiperemiado, edemaciado, com secreção purulenta e sangramento fácil ao toque.
Em casos crônicos, os sintomas podem ser mais sutis, com corrimento intermitente e apenas leve desconforto. A ausência de sintomas não exclui a infecção, especialmente nas infecções por clamídia, que podem permanecer silenciosas por muito tempo.
Causas e fatores de risco
Causas infecciosas (mais comuns):
- Chlamydia trachomatis (responsável por 30-50% dos casos)
- Neisseria gonorrhoeae (gonococo)
- Trichomonas vaginalis (tricomoníase)
- Herpes simplex vírus (HSV-2)
- Mycoplasma genitalium
- Gardnerella vaginalis (vaginose bacteriana, que pode causar cervicite associada)
- Candida albicans (menos comum)
Causas não infecciosas:
- Uso de dispositivos intrauterinos (DIU) — irritação crônica
- Alergia a espermicidas, látex ou produtos de higiene íntima
- Desequilíbrio hormonal (menopausa, anticoncepcionais orais)
- Trauma local (exame ginecológico, relação sexual vigorosa)
- Radioterapia pélvica ou quimioterapia
Fatores de risco:
- Múltiplos parceiros sexuais
- Início precoce da atividade sexual
- Não uso de preservativo
- Histórico de ISTs
- Imunossupressão (HIV, diabetes descompensado)
- Tabagismo
- Gestante (maior risco de complicações e transmissão vertical)
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da cervicite (CID 72) é clínico e laboratorial:
- Anamnese: Perguntas sobre corrimento, sangramento, dor, vida sexual, uso de métodos contraceptivos, histórico de ISTs.
- Exame especular: Visualização direta do colo do útero – avalia-se edema, hiperemia, presença de secreção, sangramento fácil (colpite por clamídia).
- Toque vaginal: Avalia dor à mobilização cervical, consistência do colo e presença de massas anexiais.
- Exames laboratoriais:
- Bacterioscopia e cultura de secreção cervical (identifica gonococo, tricomonas, Gardnerella, leveduras).
- PCR (reação em cadeia da polimerase) para clamídia e gonococo – alta sensibilidade e especificidade.
- Teste rápido para clamídia/gonococo (disponível em algumas unidades).
- Exame de urina (descartar cistite associada).
- Colposcopia com biópsia se houver dúvida sobre lesões precursoras ou neoplasias.
- Exames complementares: Testes de HIV, sífilis e hepatites virais se houver risco de ISTs.
O diagnóstico diferencial inclui vaginite (colpite), doença inflamatória pélvica, endometrite, ectopia cervical (erosão) e neoplasias intraepiteliais.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da cervicite (CID 72) depende do agente causador:
- Cervicite por clamídia: Azitromicina 1g dose única ou doxiciclina 100 mg 2x/dia por 7 dias. Para gestantes, prefere-se azitromicina 1g ou amoxicilina 500 mg 3x/dia por 7 dias.
- Cervicite por gonococo: Ceftriaxona 500 mg IM dose única + azitromicina 1g VO dose única (cobertura para clamídia).
- Cervicite por tricomoníase: Metronidazol 2g dose única ou tinidazol 2g dose única.
- Cervicite herpética: Aciclovir 400 mg 3x/dia por 7-10 dias, valaciclovir ou fanciclovir.
- Cervicite por vaginose bacteriana: Metronidazol 500 mg 2x/dia por 7 dias ou clindamicina creme vaginal.
- Cervicite não infecciosa: Remoção do fator irritante (troca de DIU, suspensão de produtos alérgenos), crioterapia ou cauterização nos casos crônicos de ectopia.
Observação importante: O parceiro sexual deve ser tratado simultaneamente para evitar reinfecção. Abstinência sexual até o término do tratamento e repetição dos exames (teste de cura) após 4 semanas são recomendados nas infecções por clamídia e gonococo.
Quantos dias de atestado médico
Para a cervicite (CID 72), o tempo de afastamento recomendado depende da intensidade dos sintomas e da necessidade de repouso. Em geral, para quadros agudos com dor pélvica significativa ou procedimento diagnóstico (colposcopia com biópsia), o atestado varia de 1 a 3 dias. Casos mais graves ou com doença inflamatória pélvica associada podem necessitar de 5 a 7 dias. O médico avaliará cada caso individualmente.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento imediato se apresentar:
- Dor pélvica intensa e súbita
- Febre alta (acima de 38,5°C)
- Corrimento com odor fétido e/ou sanguinolento abundante
- Sangramento vaginal intenso (similar a menstruação)
- Náuseas e vômitos associados à dor
- Suspeita de gravidez com dor pélvica
- Sintomas urinários graves (retenção, hematúria)
Esses sinais podem indicar complicações como doença inflamatória pélvica, apendicite, gravidez ectópica ou abscesso tubo-ovariano.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da cervicite (CID 72) envolve:
- Uso consistente de preservativos em todas as relações sexuais.
- Limitação do número de parceiros sexuais.
- Realização de exames ginecológicos de rotina (Papanicolau e testes para ISTs anualmente).
- Tratamento imediato de parceiros sexuais quando diagnosticada infecção.
- Vacinação contra HPV (não previne diretamente a cervicite, mas reduz risco de lesões associadas).
- Evitar duchas vaginais, produtos irritantes e uso excessivo de antibióticos.
- Manter boa higiene íntima com sabonete suave e água.
- Em casos de DIU, monitoramento regular e troca conforme orientação médica.
Cuidados contínuos incluem seguimento ginecológico anual, adesão ao tratamento prescrito e repetição de exames quando indicado para confirmar a cura.
- 01. Não interrompa o tratamento antes do término, mesmo que os sintomas melhorem – a bactéria pode resistir.
- 02. Informe seu parceiro sobre o diagnóstico para que ele também seja tratado, evitando reinfecção.
- 03. Use preservativo nas relações sexuais até que o teste de cura confirme ausência de infecção.
- 04. Mantenha exames ginecológicos anuais, mesmo sem sintomas – a cervicite pode ser silenciosa.
- 05. Prefira roupas íntimas de algodão e evite roupas justas que aumentem a umidade local.
Perguntas Frequentes sobre o CID 72
1. O CID 72 garante quantos dias de atestado?
Geralmente 1 a 3 dias para casos leves; até 7 dias se houver dor significativa ou complicações. O médico define conforme necessidade.
2. A cervicite (CID 72) é contagiosa?
Sim, quando causada por ISTs (clamídia, gonococo, tricomonas), é transmitida por via sexual. Pessoas infectadas devem evitar relações sexuais até o fim do tratamento.
3. Posso tratar cervicite em casa com remédios caseiros?
Não. O tratamento caseiro pode mascarar sintomas e retardar o tratamento adequado, aumentando o risco de complicações. Consulte um médico.
4. A cervicite pode causar infertilidade?
Sim, principalmente se não tratada, pois a infecção pode ascender para o útero e trompas, causando doença inflamatória pélvica e obstrução tubária.
5. O CID 72 aparece no exame de Papanicolau?
O Papanicolau pode detectar alterações inflamatórias sugestivas de cervicite, mas não identifica o agente específico. Exames complementares são necessários.
6. Mulheres grávidas com CID 72 podem ter complicações?
Sim, a cervicite durante a gestação aumenta o risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer e infecção neonatal (conjuntivite, pneumonia por clamídia). O tratamento é seguro e essencial.
7. A cervicite pode ser causada por alergia a absorventes ou lubrificantes?
Sim, irritantes químicos podem desencadear uma cervicite não infecciosa. A exclusão do agente causador resolve o quadro.
8. É necessário repetir exames após o tratamento do CID 72?
Sim, o teste de cura (PCR) é recomendado 4 semanas após o término do tratamento para infecções por clamídia e gonococo, para garantir a erradicação.
9. Homens podem ter CID 72?
Não. O código N72 é exclusivo para o colo do útero. Homens podem ter uretrite (CID N34) ou outras infecções genitais causadas pelos mesmos agentes.
10. A vacina contra HPV previne a cervicite?
Não previne diretamente a cervicite infecciosa, mas reduz o risco de lesões cervicais pré-cancerosas que podem causar inflamação crônica.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes e referências:
- CID 10 – N72 (Cervicite) – cid10.com.br
- MedlinePlus – Cervicitis (em espanhol)
- Biblioteca Virtual em Saúde (BVS)
- Hospital Israelita Albert Einstein – Cervicite
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