Em 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou um aumento de 12% nos casos de febre hemorrágica viral classificada como CID A92 em regiões endêmicas da África Subsaariana, com destaque para o vírus Ebola (A92.0) e o vírus de Marburg (A92.1). No Brasil, não há transmissão autóctone, mas surtos importados exigem vigilância constante.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID A92 e quer saber o que significa? Este código refere-se a um grupo de doenças graves chamadas febres hemorrágicas virais, causadas por vírus altamente patogênicos. Neste artigo, vamos explicar detalhadamente o significado, os sintomas, o tratamento e os cuidados necessários, com base nas diretrizes da CID-10 e nas recomendações do Ministério da Saúde.
- Código: A92
- Descrição: Outras febres hemorrágicas virais, não classificadas em outra parte
- Categoria: Capítulo I – Algumas doenças infecciosas e parasitárias (A00-B99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: A92.0 (Doença pelo vírus Ebola), A92.1 (Febre hemorrágica de Marburg), A92.2 (Febre de Lassa), A92.3 (Febre hemorrágica por hantavírus), A92.4 (Febre hemorrágica por arenavírus), A92.8 (Outras febres hemorrágicas virais especificadas), A92.9 (Febre hemorrágica viral não especificada)
Paciente: João S., 34 anos, técnico de laboratório, sem comorbidades, sem histórico de viagens recentes.
Queixa principal: Início súbito de febre alta (39,5°C), dor de cabeça intensa, mialgias difusas, náuseas e dor abdominal, há 3 dias. No segundo dia, surgiram petéquias nos membros inferiores e epistaxe (sangramento nasal).
Avaliação clínica: Paxiente em regular estado geral, desidratado, taquicárdico (FC 112 bpm), PA 90/60 mmHg. Exames laboratoriais: leucopenia (2.800/mm³), plaquetopenia (45.000/mm³), AST 245 U/L, ALT 210 U/L, creatinina 1,8 mg/dL. Teste rápido para dengue negativo. Coletado sangue para PCR de filovírus.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID A92.0 — Doença pelo vírus Ebola (confirmado por RT-PCR positivo para vírus Ebola). O paciente havia manipulado amostras de sangue de um viajante procedente da Guiné-Bissau sem uso adequado de EPI.
Conduta terapêutica: Internação imediata em isolamento de alta contenção. Hidratação intravenosa agressiva, suporte hemodinâmico com norepinefrina, transfusão de plaquetas (dois pools), reposição de fatores de coagulação (plasma fresco congelado) e administração de anticorpos monoclonais (Inmazeb, conforme protocolo da OMS). Monitorização diária de PCR e função hepática/renal.
Evolução: Após 10 dias de tratamento intensivo, o paciente apresentou melhora progressiva: febre cedeu no 7º dia, plaquetas subiram para 120.000/mm³ no 12º dia, função renal normalizou. Recebeu alta hospitalar após 18 dias com orientação de isolamento domiciliar por mais 14 dias e acompanhamento ambulatorial semanal.
Lição clínica: Febres hemorrágicas virais exigem suspeição precoce em pacientes com febre + sangramento + fatores de risco (viagem a áreas endêmicas, exposição laboratorial). O isolamento imediato e o suporte intensivo são cruciais para reduzir a letalidade.
O que é o CID A92 na prática médica
O código CID A92 é utilizado para classificar um conjunto de doenças infecciosas graves causadas por diferentes famílias de vírus (filovírus, arenavírus, hantavírus, etc.) que têm em comum a capacidade de provocar febre alta, manifestações hemorrágicas e disfunção orgânica múltipla. Na rotina médica, o CID A92 é mais frequentemente empregado para registrar casos de Ebola, febre de Marburg e febre de Lassa, mas também inclui outras febres hemorrágicas virais menos comuns. O diagnóstico é etiológico, baseado em testes moleculares ou sorológicos, e o manejo exige isolamento estrito e suporte intensivo.
Subcategorias e variantes do CID A92
O CID A92 se desdobra em sete subcategorias principais:
- A92.0 – Doença pelo vírus Ebola (febre hemorrágica Ebola)
- A92.1 – Febre hemorrágica de Marburg
- A92.2 – Febre de Lassa
- A92.3 – Febre hemorrágica por hantavírus (ex: Síndrome Pulmonar por Hantavírus)
- A92.4 – Febre hemorrágica por arenavírus (inclui vírus Junín, Machupo, etc.)
- A92.8 – Outras febres hemorrágicas virais especificadas (ex: febre hemorrágica por vírus Kyasanur, Omsk)
- A92.9 – Febre hemorrágica viral não especificada
Cada subcategoria possui características epidemiológicas, clínicas e terapêuticas específicas, mas todas compartilham a necessidade de isolamento e notificação obrigatória.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas iniciais do CID A92 são inespecíficos, o que dificulta o diagnóstico precoce. As principais manifestações incluem:
- Febre alta (≥38,5°C) de início abrupto
- Dor de cabeça intensa e prostração
- Mialgias e artralgias
- Náuseas, vômitos e diarreia
- Dor abdominal e falta de apetite
- Sinais hemorrágicos: petéquias, equimoses, sangramento de mucosas (epistaxe, gengivorragia), hematúria, melena
- Em casos graves: choque hipovolêmico, insuficiência renal, hepática e respiratória, encefalopatia
O período de incubação varia de 2 a 21 dias, dependendo do vírus. A letalidade global do Ebola é de 50% a 90% sem suporte intensivo, enquanto a febre de Lassa tem letalidade em torno de 1% a 15%.
Causas e fatores de risco
As febres hemorrágicas virais são zoonoses, transmitidas por contato direto com sangue, secreções, órgãos ou fluidos corporais de animais infectados (morcegos frugívoros, roedores) ou de humanos doentes. Os principais fatores de risco incluem:
- Residir ou viajar para áreas endêmicas (África Central e Ocidental para Ebola/Marburg, América do Sul para arenavírus, Ásia para hantavírus)
- Exposição ocupacional: profissionais de saúde, trabalhadores de laboratórios, agentes funerários, caçadores de carne de caça
- Contato próximo com pacientes infectados sem uso de equipamentos de proteção individual (EPI)
- Manipulação de cadáveres de vítimas de febre hemorrágica
- Deficiência de infraestrutura sanitária e baixa cobertura vacinal (vacina contra Ebola disponível desde 2019)
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do CID A92 é laboratorial e deve ser realizado em laboratórios de biossegurança nível 4 (NB-4) ou 3 (NB-3). Os exames indicados são:
- RT-PCR em tempo real: detecta RNA viral no sangue, urina ou saliva, com alta sensibilidade nos primeiros dias de sintomas.
- Teste rápido antigênico: utilizado em campo para triagem, mas com sensibilidade inferior ao PCR.
- Sorologia IgM/IgG: útil após a primeira semana, mas sujeita a reações cruzadas.
- Isolamento viral: padrão-ouro, mas restrito a laboratórios de alta contenção.
- Exames complementares: hemograma (leucopenia, plaquetopenia), coagulograma (alargamento de TP e TTPA), função hepática (elevação de transaminases), função renal (creatinina e ureia elevadas).
Todo caso suspeito deve ser notificado imediatamente ao serviço de vigilância epidemiológica local.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
Não há tratamento antiviral específico aprovado para todas as subcategorias, com exceção do Ebola, para o qual existem anticorpos monoclonais (Inmazeb, Ebanga, REGN-EB3) e o antiviral remdesivir (uso compasional). O manejo baseia-se em suporte intensivo:
- Isolamento de contato e gotículas (precauções estendidas)
- Hidratação intravenosa e correção de distúrbios hidroeletrolíticos
- Suporte hemodinâmico com vasopressores (norepinefrina)
- Transfusão de hemocomponentes (concentrado de hemácias, plaquetas, plasma fresco congelado)
- Reposição de fatores de coagulação
- Diálise renal em casos de insuficiência renal aguda
- Ventilação mecânica se necessário
- Controle da dor, febre e agitação (evitar AINEs pelo risco de sangramento)
Para febre de Lassa, o antiviral ribavirina pode ser benéfico se administrado precocemente. Ensaios clínicos com favipiravir e outros agentes estão em andamento.
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento do trabalho depende da gravidade e da evolução clínica. Para casos leves a moderados (febre de Lassa, hantavírus sem complicações), o atestado costuma variar de 14 a 30 dias. Para casos graves (Ebola, Marburg), o período de internação é de 3 a 6 semanas, seguido de isolamento domiciliar de 14 a 21 dias após a alta, totalizando de 30 a 60 dias de afastamento. A decisão final cabe ao médico assistente, baseada em critérios clínicos e laboratoriais, e deve seguir as orientações do Ministério da Saúde para doenças de notificação compulsória.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento médico imediato se você ou alguém próximo apresentar:
- Febre alta (>38°C) associada a sangramento espontâneo (nariz, gengivas, urina, fezes)
- História de viagem a área endêmica (África, América do Sul, Ásia) nos últimos 21 dias
- Contato com caso confirmado de febre hemorrágica viral
- Exposição ocupacional a sangue ou fluidos corporais sem EPI
- Sinais de choque: tontura, confusão, pulso fraco, pressão baixa
- Dificuldade para respirar, dor torácica ou diminuição do volume urinário
Não espere os sintomas se agravarem. Ligue para o SAMU (192) e informe a suspeita para que a equipe use os equipamentos de proteção adequados.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção das febres hemorrágicas virais baseia-se em medidas rigorosas:
- Vacinação: a vacina rVSV-ZEBOV-GP é eficaz contra Ebola (Zaire) e é recomendada para profissionais de saúde e contatos de casos
- Uso de EPI (luvas, máscara N95, avental impermeável, óculos de proteção) em áreas de risco
- Higiene das mãos frequente com água e sabão ou álcool 70%
- Evitar contato com animais silvestres, especialmente morcegos e roedores
- Não manipular cadáveres de pacientes suspeitos sem treinamento e proteção
- Isolamento imediato de casos suspeitos e rastreamento de contatos
- Educação comunitária sobre sinais de alerta e formas de transmissão
Após a recuperação, o paciente pode eliminar o vírus por até 3 meses em fluidos corporais (sêmen, leite materno), sendo necessárias orientações para evitar transmissão sexual e amamentação durante esse período.
- 01. Em caso de suspeita de febre hemorrágica, nunca colete sangue ou realize procedimentos sem EPI completo – o risco de contaminação é altíssimo.
- 02. Anote o histórico de viagem e exposição de todos os pacientes com febre + sangramento; isso acelera o diagnóstico e a contenção.
- 03. Mantenha o paciente isolado em quarto privativo com pressão negativa, se possível, e restrinja visitas.
- 04. A hidratação intravenosa precoce e a reposição de plaquetas reduzem significativamente a mortalidade.
- 05. Após a alta, oriente o paciente a usar preservativo por 3 meses e evitar amamentar se houver risco de eliminação viral.
- 06. Notifique todo caso suspeito imediatamente ao Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS).
Perguntas Frequentes sobre o CID A92
O CID A92 garante quantos dias de atestado?
O tempo de atestado varia conforme a gravidade e a subcategoria. Em média, para casos confirmados de Ebola ou Marburg, o afastamento é de 30 a 60 dias, incluindo internação e isolamento domiciliar pós-alta. Para febre de Lassa, o período é de 14 a 30 dias. O médico assistente define o prazo com base na evolução clínica e nas normas do Ministério da Saúde.
O CID A92 é contagioso?
Sim, as febres hemorrágicas virais são altamente contagiosas por contato direto com sangue, secreções e fluidos corporais de pessoas infectadas. O risco de transmissão é maior durante a fase sintomática e no manuseio de cadáveres. A transmissão aérea não é comprovada, exceto para hantavírus (via aerossol de excrementos de roedores).
Qual a diferença entre CID A92 e CID A91?
O CID A91 é específico para febre hemorrágica devida ao vírus do dengue (dengue hemorrágico). Já o CID A92 engloba outras febres hemorrágicas virais, como Ebola, Marburg e Lassa. Ambos são de notificação compulsória, mas as medidas de controle e tratamento diferem.
Existe vacina para o CID A92?
Sim, existe vacina licenciada apenas para a subcategoria A92.0 (Ebola, vírus Zaire). A vacina rVSV-ZEBOV-GP (Ervebo) é recomendada pela OMS para uso em surtos e para profissionais de risco. Para as demais subcategorias, não há vacina disponível comercialmente.
O CID A92 tem cura?
Com suporte intensivo precoce, a taxa de sobrevida pode chegar a 90% para febre de Lassa e cerca de 40-60% para Ebola, dependendo da cepa e da qualidade do cuidado. Não existe cura específica, mas o tratamento de suporte reduz a letalidade.
Como é feito o isolamento de um paciente com CID A92?
O paciente deve ser mantido em quarto individual com pressão negativa, banheiro privativo, e toda a equipe deve usar EPI completo: luvas, avental impermeável, máscara N95 ou PFF2, protetor facial e óculos de proteção. Os resíduos são tratados como infectantes e incinerados.
Quais exames são necessários para confirmar CID A92?
O padrão-ouro é o RT-PCR para RNA viral. Também são usados testes antigênicos rápidos (triagem) e sorologia (IgM/IgG). Exames laboratoriais de rotina (hemograma, coagulograma, função hepática/renal) auxiliam na avaliação da gravidade.
Posso pegar CID A92 de outra pessoa?
Sim, a transmissão ocorre de pessoa a pessoa por contato direto com sangue, vômito, fezes, urina, sêmen, leite materno e outros fluidos corporais. O risco é maior em ambientes hospitalares sem controle de infecção e durante rituais fúnebres.
Quanto tempo o vírus sobrevive no ambiente?
Os filovírus (Ebola, Marburg) podem sobreviver por até 6 dias em superfícies secas à temperatura ambiente, e por mais tempo em fluidos corporais (até 7 dias no sangue). A desinfecção com hipoclorito de sódio 0,5% ou álcool 70% é eficaz.
O CID A92 é comum no Brasil?
Não. O Brasil não tem transmissão autóctone de Ebola, Marburg ou Lassa. Casos raros são importados de viajantes ou profissionais que atuaram em áreas endêmicas. A vigilância é mantida para detecção precoce e contenção.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Links de referência:
CID10.com.br – CID A92
MedlinePlus – Febres Hemorrágicas
CFM – Conselho Federal de Medicina
BVS – Biblioteca Virtual em Saúde
Hospital Israelita Albert Einstein
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