A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que em 2026 cerca de 40% da população mundial conviva com pelo menos uma condição alérgica. No Brasil, a rinite alérgica afeta aproximadamente 30% dos adultos e 40% das crianças, com tendência de aumento devido a mudanças climáticas e exposição a poluentes.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID ALERGIAS e quer saber o que significa? As alergias são reações exageradas do sistema imunológico a substâncias geralmente inofensivas, como pólen, ácaros, alimentos ou medicamentos. O código mais genérico para alergias não especificadas é o T78.4 da CID-10, mas existem dezenas de subcategorias que abrangem desde rinite alérgica até anafilaxia. Neste artigo, explicamos todos os aspectos clínicos, desde o diagnóstico até o tratamento, com base nas melhores evidências médicas atuais.
- Código: T78.4
- Descrição: Alergia não especificada
- Categoria: Capítulo XIX – Lesões, envenenamento e algumas outras consequências de causas externas (bloco T78 – Efeitos adversos não classificados em outra parte)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: T78.0 – Choque anafilático devido a alimento; T78.1 – Outras reações adversas a alimentos; T78.2 – Angioedema; T78.3 – Edema de laringe; T78.4 – Alergia não especificada; T78.8 – Outras alergias; T78.9 – Alergia não especificada de sítio não especificado.
Paciente: Maria Santos, 32 anos, professora.
Queixa principal: Crises frequentes de espirros, coriza clara, coceira nos olhos e nariz, além de sensação de garganta arranhando, principalmente durante a primavera e ao limpar a casa.
Avaliação clínica: Ao exame físico, apresentava mucosa nasal pálida e edemaciada, congestão conjuntival bilateral e discreta sibilância à ausculta pulmonar. Foram solicitados hemograma (sem eosinofilia significativa) e teste cutâneo de hipersensibilidade imediata (prick test), que demonstrou reação positiva para ácaros da poeira doméstica (Dermatophagoides pteronyssinus) e pólen de gramíneas.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o medico registrou o CID T78.4 (Alergia não especificada) — na prática, tratava-se de rinite alérgica sazonal e perene, mas o código genérico foi utilizado para cobrir as manifestações respiratórias e oculares.
Conduta terapêutica: Prescrição de loratadina 10 mg/dia via oral, corticóide nasal (budesonida spray) por 4 semanas, e lavagem nasal com soro fisiológico 0,9% duas vezes ao dia. Orientação de evitar carpetes e usar capas antiácaros no colchão e travesseiro.
Evolução: Após 15 dias, a paciente relatou melhora de 80% dos sintomas, com redução dos espirros e coriza. A lavagem nasal foi mantida como hábito diário. Não houve necessidade de afastamento do trabalho.
Lição clínica: O diagnóstico de alergia exige anamnese detalhada e testes específicos. O código CID genérico (T78.4) é útil quando a manifestação alérgica não se enquadra perfeitamente em uma subcategoria, mas a conduta deve sempre ser individualizada e baseada no alérgeno identificado.
O que é o CID T78.4 na prática médica
O CID T78.4 (Alergia não especificada) é um código da Classificação Internacional de Doenças utilizado quando o paciente apresenta uma reação alérgica clara, mas o médico não consegue ou não precisa especificar o tipo exato (como rinite, urticária, asma alérgica, etc.). Na prática clínica, ele serve para registrar a condição de forma genérica em prontuários, atestados e autorizações de exames. Apesar de ser um código “guarda-chuva”, o médico deve sempre buscar a causa desencadeante e orientar o tratamento específico. No Brasil, o T78.4 é frequentemente usado em unidades básicas de saúde quando há suspeita de alergia, mas faltam recursos para testes de confirmação imediata.
Subcategorias e variantes do CID T78.4
O capítulo CID-10 reserva o bloco T78 para efeitos adversos não classificados em outra parte. As principais subcategorias relacionadas a alergias incluem:
- T78.0 – Choque anafilático devido a alimento (emergência grave, risco de morte).
- T78.1 – Outras reações adversas a alimentos (inclui alergia alimentar não anafilática).
- T78.2 – Angioedema (inchaço da derme e submucosa, geralmente após exposição a alérgenos ou medicamentos).
- T78.3 – Edema de laringe (inchaço na garganta que pode obstruir vias aéreas).
- T78.4 – Alergia não especificada (código genérico).
- T78.8 – Outras alergias (ex.: alergia ao látex, à picada de insetos sem choque).
- T78.9 – Alergia não especificada de sítio não especificado (usado quando não se sabe a localização nem o alérgeno).
Para condições alérgicas específicas, existem outros códigos, como CID J30 (Rinite alérgica), CID J45 (Asma), e L23 (Dermatite alérgica de contato).
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas alérgicos variam conforme o órgão afetado e a intensidade da reação. Podem ser leves, como espirros e coceira, ou graves, como anafilaxia. Os principais padrões são:
- Respiratórios: espirros, coriza clara, obstrução nasal, tosse seca, chiado no peito (asma), falta de ar.
- Oculares: coceira, vermelhidão, lacrimejamento, sensação de areia nos olhos (conjuntivite alérgica).
- Cutâneos: urticária (placas vermelhas e coceira), eczema, inchaço localizado (angioedema).
- Gastrointestinais: náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal (comuns em alergias alimentares).
- Anafilaxia: queda de pressão, dificuldade respiratória, inchaço na língua ou garganta, perda de consciência – emergência médica.
Causas e fatores de risco
As alergias são desencadeadas por alérgenos – substâncias que o sistema imunológico reconhece erroneamente como ameaças. Os mais comuns são:
- Inalantes: ácaros da poeira, pólen de plantas, fungos (mofo), pelos de animais, baratas.
- Alimentares: leite, ovos, amendoim, frutos do mar, soja, trigo.
- Medicamentosos: penicilina, aspirina, anti-inflamatórios não esteroides.
- Picadas de insetos: abelhas, vespas, formigas.
- Látex e substâncias químicas (cosméticos, produtos de limpeza).
Fatores de risco incluem histórico familiar de alergias (atopia), exposição precoce a alérgenos, tabagismo passivo, poluição ambiental e alterações na microbiota intestinal. Crianças com pais alérgicos têm 50-70% de chance de desenvolver alguma condição alérgica.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa pela anamnese detalhada, investigando a relação temporal entre exposição a possíveis alérgenos e aparecimento dos sintomas. Exames complementares incluem:
- Teste cutâneo de hipersensibilidade imediata (prick test): aplica-se uma gota do extrato alérgeno na pele do antebraço e faz-se uma pequena puntura. A leitura é feita após 15-20 minutos.
- Dosagem de IgE específica (RAST): exame de sangue que mede anticorpos contra alérgenos específicos.
- Hemograma: pode mostrar eosinofilia (aumento de eosinófilos) em quadros alérgicos crônicos.
- Teste de provocação nasal, brônquica ou oral (em ambiente hospitalar, para confirmação em casos selecionados).
O diagnóstico diferencial inclui infecções respiratórias, rinite não alérgica (vasomotora), intolerâncias alimentares e doenças autoimunes.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento baseia-se em três pilares: afastamento do alérgeno, farmacoterapia e imunoterapia. As principais classes de medicamentos são:
- Anti-histamínicos orais: loratadina, desloratadina, fexofenadina – eficazes para rinite, urticária e prurido.
- Corticoides intranasais: budesonida, fluticasona – primeira linha para rinite alérgica moderada a grave.
- Corticoides tópicos (cremes) ou orais para dermatite alérgica.
- Broncodilatadores e corticoides inalados para asma alérgica.
- Epinefrina autoinjetável (adrenalina) para pacientes com risco de anafilaxia.
- Imunoterapia alérgeno-específica (vacinas antialérgicas): administração subcutânea ou sublingual de doses crescentes do alérgeno para induzir tolerância.
No caso do estudo, a paciente respondeu bem ao anti-histamínico e corticóide nasal, sem necessidade de imunoterapia. Tratamentos complementares incluem lavagem nasal com soro fisiológico e probióticos (ainda em estudo).
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento por alergia depende da gravidade e do impacto na capacidade laboral. Para crises leves a moderadas de rinite ou urticária, o atestado médico costuma variar de 1 a 3 dias. Em casos de asma aguda ou reação alérgica grave que exija internação, o afastamento pode ser de 5 a 15 dias. Para alergias ocupacionais (ex.: rinite por exposição a produtos químicos), o médico pode recomendar afastamento prolongado ou readaptação de função. O CID T78.4, por si só, não define um número fixo de dias – cabe ao médico avaliar a evolução clínica e as exigências da atividade profissional.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento de emergência imediatamente se você ou alguém apresentar:
- Dificuldade para respirar, chiado intenso ou sensação de sufocamento.
- Inchaço repentino dos lábios, língua, garganta ou pálpebras.
- Urticária generalizada (manchas vermelhas em grande parte do corpo) associada a tontura.
- Queda de pressão, desmaio ou palidez extrema.
- Náuseas, vômitos ou diarreia logo após exposição a um alérgeno conhecido (ex.: amendoim, picada de abelha).
- Chiado no peito que não melhora com medicação habitual.
Mesmo sintomas leves, se recorrentes ou que atrapalham o sono e o trabalho, merecem consulta com clínico geral ou alergologista.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção das alergias envolve evitar os alérgenos desencadeantes e fortalecer o sistema imunológico. Medidas práticas:
- Use capas antiácaros em colchões e travesseiros; lave roupas de cama semanalmente em água quente (60°C).
- Mantenha a casa arejada, evite carpetes e bichos de pelúcia no quarto.
- Controle a umidade (abaixo de 50%) para evitar mofo.
- Evite perfumes, produtos de limpeza com cheiro forte e fumaça de cigarro.
- Se tiver alergia alimentar, leia rótulos com atenção e informe restaurantes.
- Mantenha a vacinação em dia (ex.: vacina antigripal reduz crises de asma alérgica).
- Considere a imunoterapia para casos persistentes.
O acompanhamento regular com médico permite ajustar a medicação e identificar novos alérgenos.
- 01. Mantenha um diário de sintomas: anote o que comeu, onde esteve e os medicamentos usados. Isso ajuda a identificar padrões e alérgenos.
- 02. Nunca interrompa o tratamento prescrito sem orientação médica, mesmo que os sintomas desapareçam – a inflamação alérgica pode ser subclínica.
- 03. Em caso de alergia grave (anafilaxia), tenha sempre consigo a epinefrina autoinjetável e saiba como usar.
- 04. Lave o nariz com soro fisiológico diariamente durante crises alérgicas – reduz a carga de alérgenos e melhora os sintomas.
- 05. Informe seu médico sobre qualquer medicação que esteja tomando, inclusive fitoterápicos, para evitar interações.
- 06. Se você tem asma alérgica, faça o acompanhamento regular com pneumologista e mantenha a vacina contra gripe e pneumonia em dia.
Perguntas Frequentes sobre o CID ALERGIAS
O CID ALERGIAS garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo. O médico define o afastamento com base na gravidade: geralmente 1 a 3 dias para crises leves; em casos graves (asma, anafilaxia), pode chegar a 15 dias ou mais. O código T78.4 não determina o período.
Qual a diferença entre o CID T78.4 e o CID J30 (Rinite alérgica)?
O J30 é específico para rinite alérgica, enquanto o T78.4 é um código genérico para qualquer alergia não especificada. O médico pode usar T78.4 quando a manifestação alérgica não se encaixa exatamente ou quando faltam exames para especificar.
O CID ALERGIAS é hereditário?
A predisposição a alergias (atopia) tem forte componente genético. Se os pais têm alergias, o risco para os filhos chega a 70%. Porém, a expressão clínica depende da exposição ambiental.
Posso usar o atestado com CID ALERGIAS para faltar ao trabalho?
Sim, desde que o médico considere que o paciente está incapacitado para o trabalho devido aos sintomas. O atestado deve conter o CID e o período de afastamento.
Existe cura para alergias?
Não há cura definitiva, mas o tratamento permite controle eficaz. A imunoterapia (vacinas) pode reduzir ou eliminar os sintomas por anos, especialmente em rinite e asma alérgica.
O que significa T78.4 na linguagem leiga?
Significa que a pessoa teve uma reação alérgica, mas o médico não especificou o tipo exato (ex.: se é rinite, urticária, etc.). É um código genérico útil para registro e encaminhamento.
Quais exames são necessários para diagnosticar alergia?
Os principais são o teste cutâneo (prick test) e a dosagem de IgE específica no sangue. O médico decide conforme a suspeita clínica. Em alguns casos, também podem ser solicitados hemograma e teste de provocação.
É perigoso ignorar uma alergia leve?
Sim, porque alergias podem piorar com o tempo e desencadear reações mais graves, como asma ou anafilaxia. Além disso, sintomas crônicos prejudicam a qualidade do sono, concentração e produtividade.
O CID T78.4 pode ser usado para alergia a medicamentos?
Sim. O T78.4 é um código genérico que pode ser aplicado a reações adversas a medicamentos não classificadas em outra parte. No entanto, se houver um código mais específico (ex.: L27 para dermatite medicamentosa), este deve ser preferido.
Qual especialista trata alergias?
O alergologista (imunologista clínico) é o especialista. Mas clínicos gerais e pediatras também tratam casos comuns. Em emergências, o médico de pronto-socorro atende.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
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Fontes externas:
CID10.com.br – classificação oficial |
MedlinePlus – Alergias (em espanhol)


