Em 2025, estima-se que 20% dos adultos brasileiros apresentem algum tipo de cálculo biliar, com maior prevalência em mulheres acima dos 40 anos. Até 2026, o número de internações por complicações da doença litiásica biliar deve crescer 12% em relação à década anterior, segundo dados do DATASUS e da Sociedade Brasileira de Hepatologia.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID CÁLCULO-BILIAR-E-DIETA e quer saber o que significa? Este artigo completo explica o CID K80 (cálculo biliar), suas implicações clínicas e a importância da dieta no manejo da condição. Apresentamos um estudo de caso real, sintomas, tratamentos e respostas para as dúvidas mais comuns sobre a doença litiásica da vesícula biliar.
- Código: K80
- Descrição: Colelitíase (cálculo biliar)
- Categoria: Capítulo XI – Doenças do aparelho digestivo (K00-K93)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: K80.0 – Cálculo da vesícula biliar com colecistite aguda; K80.1 – Cálculo da vesícula biliar com colecistite crônica; K80.2 – Cálculo da vesícula biliar sem colecistite; K80.3 – Cálculo do ducto biliar com colangite; K80.4 – Cálculo do ducto biliar com colecistite; K80.5 – Cálculo do ducto biliar sem colangite ou colecistite; K80.8 – Outras formas de colelitíase; K80.9 – Colelitíase não especificada.
Paciente: Sra. Lucimar A., 44 anos, professora do ensino fundamental, sem comorbidades prévias, índice de massa corporal 29,5 (sobrepeso).
Queixa principal: Dor intensa no quadrante superior direito do abdome, irradiando para o ombro direito, associada a náuseas e vômitos, desencadeada após ingestão de feijoada no almoço.
Avaliação clínica: Ao exame físico, sinal de Murphy positivo (interrupção da inspiração à palpação da vesícula), abdome tenso e doloroso à palpação profunda. Foi solicitada ultrassonografia abdominal, que evidenciou vesícula biliar distendida, paredes espessadas (>4 mm) e múltiplos cálculos biliares de até 1,2 cm, um deles impactado no colo vesicular. Exames laboratoriais mostraram leucocitose (14.500/mm³) e bilirrubina total discretamente elevada (1,8 mg/dL).
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID K80.1 — cálculo da vesícula biliar com colecistite crônica agudizada.
Conduta terapêutica: A paciente foi internada para antibioticoterapia endovenosa (ceftriaxona + metronidazol) e analgesia. Após 48 horas de estabilização, foi submetida à colecistectomia videolaparoscópica (retirada da vesícula por vídeo). Recebeu alta no segundo dia pós-operatório, com orientação dietética: dieta pobre em gorduras, fracionada (6 refeições/dia) e introdução gradual de alimentos sólidos. Prescrição de suplemento de ácido ursodesoxicólico 300 mg/dia por 3 meses para dissolver eventuais microcálculos residuais.
Evolução: Após 4 semanas, a paciente retornou assintomática, tolerando dieta normal com restrição de frituras e gorduras saturadas. Perdeu 3 kg com mudança alimentar. O anatomopatológico confirmou colecistite crônica com múltiplos cálculos de colesterol.
Lição clínica: A dieta hiperlipídica é um fator desencadeante de crise em portadores de cálculos biliares. O manejo inicial inclui hidratação, analgesia e antibioticoterapia, seguido de colecistectomia precoce. Após a cirurgia, a reeducação alimentar é fundamental para evitar complicações como síndrome pós-colecistectomia.
O que é o CID K80 na prática médica
O CID K80 corresponde à colelitíase, popularmente conhecida como “pedra na vesícula”. Trata-se da presença de cálculos (concreções) no interior da vesícula biliar ou nos ductos biliares. Esses cálculos são formados principalmente por colesterol, bilirrubina ou sais de cálcio. Na prática clínica, o CID K80 é utilizado para registrar o diagnóstico de pacientes com sintomas de cólica biliar, colecistite, colangite ou pancreatite biliar. A classificação inclui subcategorias que especificam a localização do cálculo e a presença de processo inflamatório associado. Segundo a OMS, a colelitíase é uma das doenças digestivas mais prevalentes no mundo, afetando cerca de 10-15% da população adulta ocidental.
Subcategorias e variantes do CID K80
O CID K80 desdobra-se em oito subcategorias principais:
- K80.0 – Cálculo da vesícula biliar com colecistite aguda: quando há inflamação aguda da vesícula, geralmente com dor intensa, febre e leucocitose.
- K80.1 – Cálculo da vesícula biliar com colecistite crônica: inflamação de longa duração, frequentemente assintomática ou com sintomas leves.
- K80.2 – Cálculo da vesícula biliar sem colecistite: cálculos presentes sem sinais inflamatórios; pode ser achado incidental em exames de imagem.
- K80.3 – Cálculo do ducto biliar (coledocolitíase) com colangite: cálculo impactado no ducto biliar comum, causando infecção e icterícia.
- K80.4 – Cálculo do ducto biliar com colecistite: associação de coledocolitíase e colecistite.
- K80.5 – Cálculo do ducto biliar sem colangite ou colecistite: cálculo em ducto sem inflamação aparente.
- K80.8 – Outras formas de colelitíase (ex.: cálculos intra-hepáticos).
- K80.9 – Colelitíase não especificada: usado quando não é possível determinar a localização ou presença de inflamação.
Essa classificação auxilia o médico na escolha da conduta terapêutica e no prognóstico.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os cálculos biliares podem ser assintomáticos (cerca de 80% dos casos) ou causar sintomas típicos. A manifestação clássica é a cólica biliar: dor súbita, intensa, localizada no hipocôndrio direito ou epigástrio, com irradiação para o ombro direito ou dorso, geralmente após refeições ricas em gordura. A dor pode durar de 30 minutos a várias horas e é acompanhada de náuseas, vômitos e sudorese. Nos casos de colecistite aguda, somam-se febre, calafrios, sinal de Murphy positivo e defesa abdominal. Se houver obstrução do ducto biliar, aparecem icterícia (coloração amarelada da pele e olhos), colúria (urina escura) e acolia fecal (fezes claras). A colangite (infecção dos ductos) cursa com a tríade de Charcot: febre, icterícia e dor abdominal. Em situações graves, pode evoluir para pancreatite biliar, sepse e choque.
Causas e fatores de risco
A formação de cálculos biliares é multifatorial. Os principais fatores de risco incluem:
- Sexo feminino: maior prevalência devido ao estrogênio, que aumenta a saturação de colesterol na bile.
- Idade acima de 40 anos: a incidência aumenta progressivamente.
- Obesidade e síndrome metabólica: elevam a secreção de colesterol biliar.
- Dieta hiperlipídica e pobre em fibras: refeições ricas em gorduras saturadas e carboidratos refinados favorecem a nucleação dos cristais de colesterol.
- Perda rápida de peso: dietas restritivas e cirurgia bariátrica podem aumentar a litogenicidade da bile.
- Diabetes mellitus tipo 2: associação com dismotilidade vesicular e alterações na composição biliar.
- Cirrose hepática e doenças hemolíticas: predispõem a cálculos de bilirrubina.
- Uso de medicamentos: terapia hormonal (anticoncepcionais orais, reposição hormonal), ceftriaxona, fibratos.
- Gestação: alterações hormonais e compressão mecânica favorecem a estase biliar.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da colelitíase baseia-se na história clínica, exame físico e exames complementares. A ultrassonografia abdominal é o método de escolha por ser não invasivo, de baixo custo e com alta sensibilidade (acima de 95%) para detectar cálculos vesiculares. Sinais ultrassonográficos como espessamento parietal (>4 mm), líquido perivesicular e sinal de Murphy ultrassonográfico indicam colecistite. Para avaliar coledocolitíase, são utilizadas colangiorressonância magnética, ecoendoscopia ou colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE). Exames laboratoriais (hemograma, bilirrubinas, fosfatase alcalina, GGT, amilase) ajudam a identificar complicações como colangite ou pancreatite.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento varia conforme a presença de sintomas e complicações:
- Colelitíase assintomática: conduta expectante, sem indicação cirúrgica de rotina. Recomenda-se acompanhamento clínico e orientação dietética.
- Cólica biliar não complicada: analgesia (anti-inflamatórios não esteroides, dipirona, opióides leves), antiespasmódicos e hidratação. Programação eletiva de colecistectomia.
- Colecistite aguda: internação, antibioticoterapia endovenosa, jejum, hidratação e colecistectomia de urgência (preferencialmente videolaparoscópica) dentro de 72 horas.
- Coledocolitíase: CPRE com extração do cálculo, seguida de colecistectomia.
- Colangite ou pancreatite biliar: suporte intensivo, antibióticos e intervenção endoscópica ou cirúrgica.
- Terapia de dissolução oral: ácido ursodesoxicólico (10-15 mg/kg/dia) indicado apenas para cálculos de colesterol pequenos (<1 cm) e vesícula funcionante, mas com altas taxas de recorrência.
A colecistectomia videolaparoscópica é o padrão ouro, com baixa morbidade e rápida recuperação.
Quantos dias de atestado médico (CID K80)
O tempo de afastamento pelo trabalho depende da gravidade e do tipo de tratamento:
- Cólica biliar sem internação: 1 a 3 dias de repouso.
- Colecistite aguda com internação clínica (sem cirurgia): 5 a 10 dias.
- Colecistectomia videolaparoscópica sem intercorrências: 7 a 14 dias de atestado (dependendo da atividade laboral).
- Colecistectomia aberta: 14 a 30 dias.
- Colangite ou pancreatite biliar: 15 a 30 dias ou mais, conforme evolução.
O médico assistente define o prazo com base na avaliação individual. Em geral, o paciente pode retornar ao trabalho sedentário após 7-10 dias da laparoscopia. Atividades físicas intensas devem ser evitadas por 4 a 6 semanas.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento de emergência se apresentar:
- Dor abdominal intensa e persistente, que não melhora com analgésicos comuns.
- Febre alta (acima de 38,5°C) com calafrios.
- Icterícia (olhos ou pele amarelados).
- Urina escura (cor de coca-cola) e fezes claras (acólicas).
- Vômitos repetidos que impedem a hidratação oral.
- Distensão abdominal ou rigidez da parede abdominal (sinal de peritonite).
- Taquicardia, hipotensão ou confusão mental (sinais de sepse).
Dor epigástrica que irradia para as costas, com elevação de amilase, pode indicar pancreatite aguda, emergência que requer hospitalização imediata.
Prevenção e cuidados contínuos
Embora nem sempre seja possível prevenir a formação de cálculos, algumas medidas reduzem o risco:
- Manter peso corporal saudável; evitar obesidade e dietas muito restritivas.
- Alimentação equilibrada, rica em fibras (frutas, vegetais, cereais integrais) e pobre em gorduras saturadas e açúcares refinados.
- Fracionar as refeições (5-6 ao dia) para evitar sobrecarga da vesícula.
- Ingerir gorduras boas com moderação (azeite de oliva, abacate, castanhas).
- Praticar atividade física regular, pelo menos 150 minutos/semana.
- Controlar diabetes, dislipidemia e síndrome metabólica.
- Evitar uso prolongado de medicamentos que aumentam a litiase (anticoncepcionais orais, fibratos) sem supervisão médica.
- Para quem já teve cálculo biliar, o acompanhamento clínico periódico é essencial.
Dieta para cálculo biliar: o que comer e evitar
A dieta desempenha papel crucial no manejo da colelitíase, tanto na prevenção de crises quanto após a cirurgia. Recomenda-se:
- Alimentos permitidos: carnes magras (frango sem pele, peixe, cortes bovinos magros), leite e iogurtes desnatados, queijos brancos, clara de ovo, arroz integral, pães integrais, legumes cozidos, frutas frescas (exceto as muito ácidas em jejum), azeite de oliva extravirgem (1-2 colheres/dia), chás claros, água abundante.
- Alimentos a evitar: frituras, carnes gordurosas (porco, cordeiro, embutidos), manteiga, creme de leite, queijos amarelos, ovos fritos, maionese, fast-food, chocolates, bolos, biscoitos recheados, refrigerantes, bebidas alcoólicas, pimentas e condimentos fortes.
- Modo de preparo: preferir preparações cozidas, grelhadas, assadas ou no vapor. Evitar molhos gordurosos e temperos prontos.
- Fracionamento: comer pequenas porções a cada 3-4 horas para estimular o esvaziamento vesicular gradual.
Relação entre alimentação e formação de cálculos
Estudos atuais (2025-2026) reforçam que dietas com alto teor de colesterol, baixo teor de fibras e excesso de carboidratos refinados aumentam a saturação de colesterol na bile, favorecendo a nucleação e o crescimento dos cálculos. Além disso, o jejum prolongado e a perda rápida de peso reduzem a motilidade vesicular e concentram a bile. A ingestão adequada de gordura insaturada (como o azeite de oliva) estimula a contração da vesícula e ajuda a eliminar pequenos cristais. O consumo de fibras solúveis (aveia, psyllium, leguminosas) reduz a reabsorção de ácidos biliares e diminui a litogenicidade. Vitamina C e cálcio também parecem ter efeito protetor. Portanto, a reeducação alimentar é uma ferramenta terapêutica de primeira linha.
- 01. Após o diagnóstico de cálculo biliar, evite refeições volumosas e ricas em gordura – elas são o principal gatilho para cólicas.
- 02. Prefira carnes magras, peixes grelhados e laticínios desnatados; inclua fibras solúveis como aveia e linhaça.
- 03. Mantenha-se hidratado: beba no mínimo 2 litros de água por dia para manter a bile fluida.
- 04. Não faça dietas radicais para emagrecimento rápido; a perda de peso deve ser gradual (0,5 a 1 kg por semana) sob orientação.
- 05. Se for submetido à colecistectomia, reinicie a alimentação com líquidos claros e evolua conforme tolerância; evite gordura nos primeiros 15 dias.
Perguntas Frequentes sobre o CID K80
O CID K80 garante quantos dias de atestado?
O número de dias varia conforme a gravidade e o tratamento. Em casos de colecistectomia videolaparoscópica sem complicações, o atestado costuma ser de 7 a 14 dias. Para procedimentos abertos, pode chegar a 30 dias. Consulte sempre o médico assistente.
É possível ter cálculo biliar e não sentir nada?
Sim, cerca de 80% dos portadores de cálculos biliares são assintomáticos. Os cálculos são descobertos incidentalmente em exames de imagem. Nesses casos, a conduta é geralmente expectante, com orientação dietética.
Dieta pode eliminar cálculos biliares?
Não, a dieta não dissolve cálculos formados, mas pode prevenir a progressão e reduzir os sintomas. A dissolução medicamentosa com ácido ursodesoxicólico é possível apenas para cálculos de colesterol pequenos e em vesícula funcionante, com eficácia limitada.
Preciso operar se tiver cálculo biliar?
Nem sempre. A cirurgia é indicada na presença de sintomas (cólica biliar, colecistite), cálculos grandes (>2 cm), vesícula escleroatrófica ou complicações. Cálculos assintomáticos geralmente não requerem cirurgia imediata.
Após a retirada da vesícula, a dieta continua restrita?
Inicialmente sim, mas a maioria dos pacientes tolera uma dieta normal após algumas semanas. Alguns podem apresentar síndrome pós-colecistectomia (diarreia, má digestão de gorduras), necessitando de adaptação alimentar.
Cálculo biliar pode voltar após a cirurgia?
Não, porque a vesícula foi retirada. No entanto, podem formar-se cálculos nos ductos biliares (coledocolitíase residual ou recidivada), especialmente se houver fatores predisponentes. O acompanhamento é importante.
Quais exames confirmam o diagnóstico?
O padrão-ouro é a ultrassonografia abdominal. Em casos de suspeita de coledocolitíase, a colangiorressonância magnética ou a ecoendoscopia são indicadas. A CPRE é terapêutica e diagnóstica.
É seguro tomar anticoncepcional tendo cálculo biliar?
O uso de estrogênio pode aumentar o risco de formação de cálculos. Mulheres com história de colelitíase devem discutir com seu médico alternativas contraceptivas não hormonais.
O que fazer durante uma crise de cólica biliar?
Pare de comer, procure posição confortável, tome analgésico prescrito (como dipirona ou ibuprofeno) e busque atendimento médico se a dor for intensa ou acompanhada de febre.
O CID K80 tem relação com câncer de vesícula?
A presença de cálculos biliares de longa data, especialmente em vesícula escleroatrófica, é fator de risco para carcinoma de vesícula biliar. A colecistectomia profilática reduz esse risco.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
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