quinta-feira, julho 2, 2026

CID câncer de pele: Entenda sua importância e códigos relacionados


Dado epidemiológico 2026

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que, para o biênio 2025-2026, o Brasil registre cerca de 180 mil novos casos de câncer de pele não melanoma (CID C44) por ano, sendo o tumor mais frequente no país. O melanoma (CID C43), embora menos comum, é responsável pela maioria das mortes por câncer de pele, com cerca de 8.400 novos casos esperados em 2026.

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID C44 – Neoplasia maligna da pele – e quer saber o que significa? Este artigo foi escrito por um médico especialista em clínica médica e redator de saúde sênior para esclarecer todos os aspectos desse código, desde sua classificação até as opções de tratamento, prevenção e os dias de atestado recomendados. Ao final, você encontrará um caso clínico real que ilustra a aplicação prática desse CID.

Identificação do CID

  • Código: C44 (e subcategorias C44.0 a C44.9)
  • Descrição: Outras neoplasias malignas da pele (exclui melanoma)
  • Categoria: Capítulo II – Neoplasias (CID-10)
  • Versão: CID-10 (OMS)
  • Subcategorias principais: C44.0 (pele do lábio), C44.1 (pálpebra), C44.2 (ouvido externo), C44.3 (outras partes da face), C44.4 (couro cabeludo e pescoço), C44.5 (tronco), C44.6 (membros superiores), C44.7 (membros inferiores), C44.8 (lesão com extensão a mais de uma região), C44.9 (neoplasia maligna da pele não especificada)
Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: Sr. Antônio Carlos da Silva, 62 anos, agricultor aposentado, natural de Sobral-CE, fototipo II (pele clara, olhos azuis).

Queixa principal: “Uma ferida no nariz que não cicatriza há mais de 3 meses, sangra de vez em quando e está crescendo.”

Avaliação clínica: Ao exame, observou-se lesão nodular de aproximadamente 1,8 cm, com bordas peroladas e telangiectasias na superfície, localizada na asa nasal direita. À dermatoscopia, apresentava padrão vascular arboriforme típico. Foi realizada biópsia incisional com punch de 4 mm.

Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID C44.3 – Neoplasia maligna da pele de outras partes da face – compatível com carcinoma basocelular nodular, confirmado pela histopatologia.

Conduta terapêutica: Exérese cirúrgica da lesão com margem de segurança de 5 mm, sob anestesia local, com reconstrução por retalho local. Prescrito curativo oclusivo com pomada antibiótica (ácido fusídico) por 7 dias e analgésico (paracetamol 750 mg a cada 8h se dor). Orientação de proteção solar total e retorno em 10 dias para retirada de pontos.

Evolução: Após 2 semanas, a ferida cirúrgica estava com boa cicatrização, sem sinais de infecção. O paciente recebeu alta com orientações de seguimento dermatológico semestral e fotoproteção rigorosa.

Lição clínica: O carcinoma basocelular é o tipo mais comum de câncer de pele não melanoma, altamente curável quando diagnosticado precocemente. A dermatoscopia e a biópsia são fundamentais para confirmar o diagnóstico e guiar o tratamento adequado.

Atenção: O câncer de pele pode ser curado na maioria dos casos se detectado precocemente. Nunca ignore uma lesão que não cicatriza, que muda de tamanho, cor ou formato, ou que sangra espontaneamente. Procure um dermatologista ou clínico para avaliação. O autodiagnóstico pode atrasar o tratamento e comprometer o prognóstico.

O que é o CID C44 na prática médica

O CID C44 classifica todas as neoplasias malignas da pele que não são melanomas. Isso inclui os carcinomas basocelular (CBC) e espinocelular (CEC), além de tumores mais raros como sarcoma de Kaposi, linfoma cutâneo, carcinoma de Merkel e outros. Na prática clínica, mais de 95% dos casos registrados sob esse código são CBC ou CEC, tumores de crescimento lento e alta taxa de cura quando tratados adequadamente. O código C44 é utilizado no prontuário, no atestado médico e nos sistemas de saúde para registrar o diagnóstico, guiar o tratamento e autorizar procedimentos cirúrgicos ou radioterápicos. É essencial que o médico especifique a subcategoria (C44.0 a C44.9) para identificar a localização exata da lesão, o que influencia a conduta cirúrgica e o prognóstico.

Subcategorias e variantes do CID C44

O CID-10 detalha nove subcategorias para C44, cada uma referente a uma região anatômica específica da pele:

  • C44.0 – Pele do lábio (incluindo lábio superior e inferior, excluindo mucosa labial – que é classificada em C00-C06)
  • C44.1 – Pálpebra (incluindo canto do olho)
  • C44.2 – Ouvido externo e conduto auditivo externo
  • C44.3 – Outras partes da face (testa, bochecha, nariz, mento, região periorbitária, exceto lábio e pálpebra)
  • C44.4 – Couro cabeludo e pescoço
  • C44.5 – Tronco (tórax, abdome, dorso, nádegas, ânus)
  • C44.6 – Membros superiores (ombro, braço, antebraço, mão, dedos)
  • C44.7 – Membros inferiores (quadril, coxa, perna, pé, dedos)
  • C44.8 – Lesão com extensão a mais de uma região da pele (quando o tumor invade áreas contíguas classificadas em subcategorias diferentes)
  • C44.9 – Neoplasia maligna da pele não especificada (usada quando a localização não foi determinada)

É importante destacar que o melanoma maligno possui código próprio (C43) e não deve ser registrado como C44. A diferenciação é crucial para o estadiamento e tratamento, pois o melanoma tem comportamento mais agressivo.

Sintomas e como a doença se manifesta

O câncer de pele não melanoma geralmente se apresenta como uma lesão cutânea de crescimento lento, muitas vezes assintomática. Os sinais de alerta mais comuns incluem:

  • Carcinoma basocelular: nódulo perolado ou ceráceo, com vasos sanguíneos visíveis (telangiectasias); pode ulcerar no centro e formar crosta; sangramento espontâneo ou ao menor trauma.
  • Carcinoma espinocelular: placa ou nódulo avermelhado, de superfície áspera ou verrucosa, que pode descamar, sangrar e ulcerar; pode ser doloroso.
  • Lesão pré-maligna (ceratose actínica): áreas ásperas e escamosas, geralmente em regiões fotoexpostas, que podem evoluir para CEC.
  • Sinais comuns a ambos: lesão que não cicatriza após 4 semanas; mudança de tamanho, cor ou forma; bordas irregulares; sangramento ou crosta persistente.

Lesões em áreas como face, orelhas, lábios e mãos são mais frequentes devido à exposição solar crônica. O diagnóstico precoce é fundamental, pois tumores pequenos têm tratamento mais simples e melhores resultados estéticos.

Causas e fatores de risco

O principal fator de risco para o câncer de pele não melanoma é a exposição cumulativa à radiação ultravioleta (UV) do sol ou de câmaras de bronzeamento artificial. Outros fatores incluem:

  • Pele clara, olhos claros, cabelos ruivos ou loiros (fototipos I e II)
  • Idade avançada (maior tempo de exposição solar)
  • Histórico pessoal ou familiar de câncer de pele
  • Imunossupressão (transplantados, HIV/AIDS, uso crônico de corticoides)
  • Exposição a arsênio, alcatrão e radiação ionizante
  • Queimaduras solares na infância e adolescência
  • Doenças genéticas como xeroderma pigmentoso e albinismo

No Brasil, a radiação solar é intensa durante todo o ano, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Trabalhadores rurais, agricultores, pescadores e profissionais que atuam ao ar livre têm risco aumentado. A proteção solar adequada (chapéu, roupas com proteção UV, filtro solar, evitar horários de pico) reduz significativamente a incidência.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico do câncer de pele inicia-se com o exame clínico e a dermatoscopia, que permite visualizar estruturas da pele não visíveis a olho nu. O médico avalia a lesão quanto aos critérios ABCDE (Assimetria, Bordas irregulares, Cor variada, Diâmetro >6 mm, Evolução). Lesões suspeitas são submetidas a biópsia (incisional, excisional ou por punch) para análise histopatológica. O laudo anatomopatológico confirma o tipo histológico (basocelular, espinocelular, etc.), o grau de diferenciação, a profundidade de invasão e a presença de invasão perineural ou vascular. Para tumores de alto risco (espessos, recidivados, com invasão perineural), podem ser solicitados exames de imagem como ultrassonografia, tomografia ou ressonância para avaliar extensão locorregional e metástases. O estadiamento segue a classificação TNM (Tumor, Nódulo, Metástase) e influencia a escolha do tratamento.

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento do câncer de pele não melanoma depende do tipo histológico, tamanho, localização, profundidade, presença de metástases e condições do paciente. As principais opções são:

  • Cirurgia excisional: remoção completa da lesão com margem de segurança (geralmente 4-6 mm para CBC, 6-10 mm para CEC). É o padrão-ouro para a maioria dos casos.
  • Cirurgia micrográfica de Mohs: técnica que remove o tumor por camadas e examina cada uma ao microscópio, garantindo remoção completa com máxima preservação de tecido saudável. Indicada para lesões em áreas estéticas ou de alto risco.
  • Curetagem e eletrodissecção: para tumores pequenos e superficiais, especialmente CBC nodular.
  • Radioterapia: alternativa para pacientes que não podem ser submetidos à cirurgia (idosos frágeis, lesões em áreas complexas) ou como adjuvante após cirurgia em casos de margens comprometidas.
  • Terapias tópicas: Imiquimode 5% ou 5-fluorouracil (5-FU) para ceratoses actínicas e CBC superficiais.
  • Terapia fotodinâmica: aplicação de fotossensibilizante seguida de exposição a luz visível, para lesões superficiais.
  • Medicamentos sistêmicos: em casos avançados ou metastáticos, podem ser usados inibidores da via Hedgehog (vismodegibe, sonidegibe) para CBC, e quimioterapia para CEC avançado.

A escolha do tratamento deve ser individualizada, considerando também as preferências do paciente e a experiência do centro médico. A taxa de cura para CBC é superior a 95% quando tratado adequadamente.

Quantos dias de atestado médico

O número de dias de atestado para câncer de pele varia conforme o tipo de tratamento realizado e a extensão da lesão. Para procedimentos cirúrgicos ambulatoriais pequenos (exérese de lesão < 2 cm), o atestado típico é de 7 a 10 dias para recuperação, cuidados com curativo e retirada de pontos. Já para cirurgias maiores, com reconstrução ou enxerto, o afastamento pode ser de 15 a 30 dias. Em casos de radioterapia, o paciente pode precisar de afastamento intermitente de 2 a 6 semanas, dependendo da dose e dos efeitos colaterais (dermatite actínica). Para tratamentos tópicos, geralmente não há necessidade de afastamento do trabalho, apenas orientações sobre cuidados locais. O médico assistente definirá o período com base na avaliação clínica e na atividade profissional do paciente. Lembre-se de que o atestado deve ser emitido de acordo com o CID específico (C44) e pode ser utilizado para justificar faltas ao trabalho e ao INSS, se necessário.

Quando procurar médico urgente / sinais de alerta

Embora o câncer de pele não melanoma seja geralmente de crescimento lento, algumas situações exigem atendimento médico imediato:

  • Sangramento ativo da lesão que não cessa com compressão local
  • Dor intensa e crescente na área da lesão
  • Sinais de infecção: vermelhidão, inchaço, calor local, febre
  • Dificuldade para movimentar a região afetada (se lesão próxima a articulações) ou sintomas neurológicos se houver invasão perineural
  • Aparecimento de novas lesões satélites ao redor da lesão original
  • Linfonodos palpáveis e dolorosos na região (pescoço, axila, virilha)
  • Lesão que ulcera rapidamente ou apresenta odor fétido

Além disso, qualquer lesão cutânea que mude de aspecto, não cicatrize em 4 semanas ou apresente sangramento recorrente deve ser avaliada por um dermatologista. O diagnóstico precoce é a chave para evitar tratamentos mutilantes e metástases.

Prevenção e cuidados contínuos

A prevenção do câncer de pele baseia-se na redução da exposição à radiação UV. Medidas eficazes incluem:

  • Usar protetor solar FPS 30 ou superior diariamente, reaplicando a cada 2 horas e após contato com água ou suor
  • Evitar exposição solar entre 10h e 16h
  • Usar chapéu de aba larga, óculos escuros com proteção UV e roupas com fator de proteção (UPF)
  • Não utilizar câmaras de bronzeamento artificial
  • Realizar autoexame da pele mensalmente, observando lesões novas ou mudanças em pintas existentes
  • Visitar o dermatologista anualmente para exame completo da pele
  • Proteger crianças e adolescentes, pois a exposição solar precoce é fator de risco importante

Para pacientes já diagnosticados e tratados, o acompanhamento regular com dermatologista é essencial para detectar recidivas ou novos tumores (o risco de segundo tumor primário é maior). A fotoproteção deve ser rigorosa, e lesões pré-malignas (ceratoses actínicas) devem ser tratadas para evitar progressão.

Dicas de Ouro

  1. 01. Nunca ignore uma ferida que não cicatriza em 4 semanas – pode ser o primeiro sinal de câncer de pele.
  2. 02. Use protetor solar mesmo em dias nublados; a radiação UV atravessa nuvens e janelas.
  3. 03. Faça o autoexame da pele mensalmente com espelho de mão e boa iluminação, incluindo couro cabeludo e costas.
  4. 04. Ao receber um diagnóstico com CID C44, mantenha uma cópia do atestado e do laudo histopatológico para acompanhamento.
  5. 05. Se você tem histórico familiar de câncer de pele, inicie o rastreamento dermatológico antes dos 40 anos.
  6. 06. Lesões na face, orelhas e mãos merecem atenção redobrada, pois são áreas de maior exposição solar.
  7. 07. Após o tratamento, siga as orientações de retorno ao dermatologista – o risco de novo tumor é real e contínuo.

Perguntas Frequentes sobre o CID C44 – Câncer de Pele Não Melanoma

O CID C44 garante quantos dias de atestado?

Geralmente, a cirurgia para câncer de pele não melanoma dá direito a 7 a 10 dias de atestado para lesões pequenas; para cirurgias mais extensas, o afastamento pode chegar a 30 dias. O médico responsável definirá o período com base na complexidade do procedimento e na recuperação do paciente.

Qual a diferença entre CID C43 e C44?

C43 é o código para melanoma maligno, um tipo mais agressivo de câncer de pele que se origina nos melanócitos. C44 abrange todos os outros cânceres de pele não melanoma, como carcinoma basocelular e espinocelular, que são mais frequentes e têm melhor prognóstico.

O CID C44 é grave?

A maioria dos cânceres classificados como C44 (carcinomas basocelular e espinocelular) tem alta taxa de cura quando tratados precocemente. No entanto, se diagnosticados em estágio avançado ou em áreas críticas, podem causar deformidades e, raramente, metástases. O acompanhamento médico é essencial.

Preciso de biópsia para confirmar o CID C44?

Sim. O diagnóstico definitivo de câncer de pele exige confirmação histopatológica por meio de biópsia. A dermatoscopia e o exame clínico são etapas importantes, mas o CID só é registrado após análise do tecido pelo patologista.

O CID C44 pode ser curado?

Sim, especialmente nos estágios iniciais. O tratamento cirúrgico adequado proporciona cura em mais de 95% dos casos de carcinoma basocelular e em mais de 90% dos carcinomas espinocelulares localizados. O seguimento regular previne recidivas.

Qual médico cuida do CID C44?

O dermatologista é o especialista responsável pelo diagnóstico e tratamento clínico e cirúrgico da maioria dos casos de câncer de pele. Casos complexos podem envolver cirurgião oncológico, radioterapeuta e oncologista clínico.

O CID C44 dá direito a auxílio-doença do INSS?

Sim, se o tratamento exigir afastamento superior a 15 dias consecutivos. O médico deve emitir o atestado com o CID C44 e o período estimado de incapacidade. O segurado deve solicitar o benefício pelo Meu INSS, com documentação médica completa.

O que significa C44.9 no atestado?

C44.9 é “neoplasia maligna da pele não especificada”, usado quando o médico não determinou a localização exata da lesão ou quando o laudo histopatológico não especifica a região. Idealmente, o código deve ser substituído pela subcategoria específica após a definição da localização.

O câncer de pele não melanoma pode voltar após o tratamento?

Sim, há risco de recidiva local (principalmente se as margens cirúrgicas não forem livres) e de desenvolvimento de novo tumor primário em outra área da pele. Por isso, o acompanhamento dermatológico periódico é fundamental para toda a vida.

Existem medicamentos tópicos para CID C44?

Sim. O imiquimode 5% e o 5-fluorouracil são aprovados para tratamento de carcinoma basocelular superficial e ceratoses actínicas. Devem ser prescritos pelo dermatologista após confirmação diagnóstica e avaliação da espessura da lesão.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 21/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.

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Fontes externas de referência: