Estima‑se que 20% da população brasileira adulta sofra de constipação funcional (CID K59.0), com maior prevalência em mulheres (2:1) e idosos. Em 2025, o número de consultas ambulatoriais por esse motivo cresceu 12% em relação ao ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira de Coloproctologia.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID CAUSAS‑CONSTIPAÇÃO e quer saber o que significa? Esse código – oficialmente K59.0 (Constipação) – indica um distúrbio funcional do intestino caracterizado por evacuações infrequentes, dificuldade para evacuar ou sensação de esvaziamento incompleto. Neste artigo, apresentamos um estudo de caso clínico real e esclarecemos todos os aspectos dessa condição tão comum, desde as causas até o tratamento e os dias de atestado.
- Código: K59.0
- Descrição: Constipação (obstipação)
- Categoria: Capítulo XI – Doenças do aparelho digestivo (K00‑K93)
- Versão: CID‑10 (OMS)
- Subcategorias: Não há subcategorias oficiais; a classificação distingue constipação funcional (primária) e constipação secundária a outras doenças (ex.: neurológicas, endócrinas, medicamentosas). A CID‑11 (vigente a partir de 2027) utilizará o código ME05.0.
Paciente: Maria Aparecida, 52 anos, professora aposentada
Queixa principal: Dificuldade para evacuar há 6 meses, com esforço intenso, necessidade de uso de laxantes semanais e sensação de “fezes presas” mesmo após a evacuação.
Avaliação clínica: Exame físico abdominal sem massas palpáveis, toque retal com ampola vazia e tônus normal. Solicitados: hemograma, glicemia, TSH, cálcio sérico, colonoscopia (resultado normal). A paciente relatava ingestão hídrica inferior a 1 litro/dia e baixo consumo de fibras.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID K59.0 (Constipação funcional) – ou seja, trata-se de uma condição primária, sem causa orgânica identificada.
Conduta terapêutica: Aumento gradual da ingestão de fibras (20‑30 g/dia), pelo menos 2 litros de água/dia, programa de treino intestinal (sentar no vaso 15 minutos após o café da manhã) e laxante osmótico (polietilenoglicol 17 g/dia) por 30 dias. Suspenso o uso de laxantes estimulantes.
Evolução: Após 8 semanas, a paciente evacuava com regularidade a cada 1‑2 dias, sem esforço, e conseguiu interromper o laxante osmótico.
Lição clínica: A constipação funcional frequentemente responde a medidas não farmacológicas. O uso prolongado de laxantes estimulantes deve ser evitado; a reeducação intestinal e a hidratação são pilares do tratamento.
1. O que é o CID K59.0 na prática médica
O código CID K59.0 – Constipação – é utilizado para classificar todos os casos de obstipação intestinal, aguda ou crônica, de causa primária (funcional) ou secundária. Na prática clínica, o médico aplica esse código quando o paciente preenche os critérios de Roma IV (evacuações <3 por semana, esforço, fezes endurecidas, sensação de obstrução por pelo menos 3 meses). O diagnóstico é eminentemente clínico, mas exames complementares podem ser necessários para excluir lesões orgânicas, especialmente após os 45 anos de idade.
2. Subcategorias e variantes do CID K59.0
Embora o CID‑10 não subdivida oficialmente o código K59.0, os especialistas reconhecem variantes clínicas importantes, cada uma com abordagem terapêutica distinta:
- Constipação de trânsito lento: Diminuição da motilidade colônica. Frequentemente associada ao uso de opioides, hipotireoidismo ou diabetes.
- Disfunção do assoalho pélvico (dissinergia): Contrações paradoxais dos músculos puborretais durante a evacuação. Diagnóstico por manometria anorretal.
- Constipação por síndrome do intestino irritável (SII‑C): Associada a dor abdominal recorrente, alternando com diarreia.
- Constipação induzida por medicamentos: Opiáceos, anticolinérgicos, anti‑hipertensivos, suplementos de ferro.
Cada subgrupo requer estratégias direcionadas – desde biofeedback até laxantes específicos.
3. Sintomas e como a constipação se manifesta
Os sintomas clássicos são:
- Menos de 3 evacuações por semana
- Fezes ressecadas, duras ou em cíbalos (tipo 1‑2 na escala de Bristol)
- Esforço excessivo para evacuar
- Sensação de evacuação incompleta
- Necessidade de manobras digitais
- Distensão abdominal, flatulência e desconforto
Nos casos crônicos, podem ocorrer fissura anal, hemorroidas e impactação fecal com incontinência por transbordamento.
4. Causas e fatores de risco
As causas da constipação são multifatoriais. Os principais fatores de risco incluem:
- Fisiológicos: Baixa ingestão de fibras (<20 g/dia), ingestão hídrica insuficiente, sedentarismo, imobilidade.
- Medicamentosos: Opióides, anti‑inflamatórios, antidepressivos tricíclicos, anticonvulsivantes, diuréticos, anti‑histamínicos, suplementos de ferro e cálcio.
- Endócrinos e metabólicos: Hipotireoidismo, diabetes mellitus, hipercalcemia, hipocalemia.
- Neurológicos: Doença de Parkinson, lesões medulares, esclerose múltipla.
- Funcionais: Síndrome do intestino irritável, dissinergia do assoalho pélvico.
- Comportamentais: Ignorar o reflexo evacuatório, estresse, ansiedade, depressão.
5. Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da constipação é baseado na história clínica detalhada e exame físico. O médico pergunta sobre frequência, consistência, esforço, uso de laxantes e sintomas associados. O exame inclui palpação abdominal, toque retal e, na suspeita de alarme, solicita‑se:
- Exames laboratoriais: Hemograma, TSH, cálcio, glicemia, função renal.
- Colonoscopia (indicada para pacientes ≥45 anos ou com sinais de alarme).
- Manometria anorretal e teste de expulsão de balão em casos de suspeita de dissinergia do assoalho pélvico.
- Trânsito colônico com marcadores radiopacos para avaliar constipação de trânsito lento.
6. Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento é escolhido de acordo com a gravidade e a causa:
- Medidas gerais (primeira linha): Aumento de fibras (farelo de trigo, psyllium, metilcelulose), hidratação adequada, prática regular de exercícios, treino intestinal (evacuar no mesmo horário todos os dias).
- Laxantes osmóticos: Polietilenoglicol (PEG 3350), lactulose. São seguros para uso prolongado.
- Laxantes estimulantes: Bissacodil, sene. Uso reservado para situações agudas ou como resgate; não devem ser usados continuamente.
- Agentes pró‑cinéticos: Lubiprostona, linaclotide (aprovados para constipação crônica refratária).
- Biofeedback: Para dissinergia do assoalho pélvico, com resultados de até 70% de melhora.
- Cirurgia (rara): Colectomia subtotal para constipação grave de trânsito lento refratária.
7. Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento depende da intensidade dos sintomas e da necessidade de exames. Na maioria dos casos ambulatoriais, o médico concede 1 a 3 dias de atestado para repouso e início das medidas terapêuticas. Se a constipação estiver associada a dor intensa, impactação fecal que requer desimpactação manual ou procedimento endoscópico, o atestado pode chegar a 7 dias. Casos crônicos que necessitam de investigação (colonoscopia, manometria) podem gerar licenças de 1 a 2 dias por exame. Para pacientes com comorbidades graves (ex.: pós‑operatório, doença neurológica), o afastamento é individualizado.
8. Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento de urgência se houver:
- Sangramento retal (vermelho vivo ou borra de café)
- Perda de peso inexplicada (em 3 meses)
- Anemia (fraqueza, palidez)
- Massa abdominal palpável
- Obstrução intestinal (distensão, vômitos, ausência de eliminação de gases)
- Constipação de início súbito em paciente com mais de 45 anos
- Sinais de perfuração (dor súbita, rigidez abdominal)
Esses sintomas podem indicar câncer colorretal, volvo, doença diverticular complicada ou outras emergências.
9. Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção baseia‑se em hábitos saudáveis:
- Consumir 25‑30 g de fibras/dia (frutas, verduras, cereais integrais)
- Beber pelo menos 1,5‑2 L de água/dia
- Praticar atividade física moderada (30 min/dia, 5×/semana)
- Respeitar o reflexo evacuatório (não adiar a evacuação)
- Evitar laxantes sem orientação médica
- Controlar estresse e tratar distúrbios psiquiátricos
Pacientes com doenças crônicas (hipotireoidismo, diabetes, Parkinson) devem manter acompanhamento regular para prevenir a constipação iatrogênica.
- 01. Hidrate‑se ao acordar: Tome 1 copo de água morna em jejum. Estimula o reflexo gastrocólico.
- 02. Inclua ameixa preta e mamão: Ricos em sorbitol e fibras solúveis; ingerir 1 porção ao dia.
- 03. Treino intestinal: Sente‑se no vaso 15‑20 minutos após o café da manhã, mesmo sem vontade.
- 04. Evite laxantes estimulantes: Uso contínuo leva à dependência e piora a constipação a longo prazo.
- 05. Movimente‑se: Caminhada de 30 minutos melhora o trânsito intestinal e reduz o tempo de trânsito colônico.
- 06. Suplemente fibras com cautela: Psyllium (fibra solúvel) é bem tolerado; deve ser introduzido gradualmente para evitar gases.
- 07. Não ignore os sinais de alarme: Sangue nas fezes, perda de peso ou anemia exigem colonoscopia.
Perguntas Frequentes sobre o CID K59.0
O CID K59.0 garante quantos dias de atestado?
Em geral, 1 a 3 dias. Em casos agudos com impactação, até 7 dias, conforme avaliação médica.
Constipação é a mesma coisa que intestino preso?
Sim. “Intestino preso” é a expressão popular para constipação, ou seja, dificuldade para evacuar e/ou evacuações infrequentes.
O CID K59.0 pode ser usado para constipação crônica?
Sim. O código K59.0 abrange tanto a constipação aguda quanto a crônica (duração ≥3 meses).
Preciso de exame para confirmar o diagnóstico?
Na maioria das vezes, o diagnóstico é clínico. Exames (colonoscopia, manometria) são indicados quando há sinais de alarme ou suspeita de causa secundária.
O que diferencia constipação funcional de orgânica?
A funcional não tem lesão estrutural identificável; a orgânica decorre de doenças como tumor, estenose, hipotireoidismo ou medicamentos.
Constipação pode causar câncer colorretal?
Não há evidência de que a constipação crônica cause câncer diretamente, mas o retardo no trânsito pode expor a mucosa a toxinas. O principal fator é a idade e o rastreamento com colonoscopia.
Gestantes podem usar laxantes para constipação?
Alguns laxantes osmóticos (PEG, lactulose) são seguros na gestação. Laxantes estimulantes e óleo mineral devem ser evitados. Consulte sempre o obstetra.
Crianças com constipação devem ser tratadas com o mesmo CID?
Sim. O CID K59.0 é utilizado para crianças, mas as causas e condutas diferem (ex.: exclusão de doença de Hirschsprung). Procure um pediatra.
Idosos com múltiplos medicamentos têm maior risco?
Sim. O risco é alto devido a polifarmácia, imobilidade, diabetes e hipotireoidismo. Ajuste de medicamentos e uso de laxantes osmóticos são medidas comuns.
O CID K59.0 aparece em atestados e receitas?
Sim. Médicos podem registrar o código no atestado para justificar o afastamento, bem como na receita para renovação de laxantes controlados.
Existe cura definitiva para constipação?
Na maioria dos casos funcionais, sim, com adoção de hábitos saudáveis. Constipações secundárias melhoram com o tratamento da causa base (ex.: reposição de hormônio tireoidiano).
O que é constipação refratária?
É a constipação que não responde a laxantes osmóticos e medidas gerais, exigindo investigação especializada (manometria, trânsito colônico).
Na Clinica Popular Fortaleza você encontra consultas acessíveis com médicos que explicam seu diagnóstico e orientam o melhor tratamento.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Saiba mais (fontes confiáveis):
Leia também em nosso glossário:
- CID R11 – Náusea e Vômitos
- CID Z000 – Exame Médico Geral
- CID 010 – Tuberculose Pulmonar
- CID 083 – Significado e Cuidados
- CID 200 – O que significa
- CID F41 – Ansiedade
- CID M54 – Dorsalgia
- CID J06 – Infecção Respiratória
- CID J30 – Rinite Alérgica
- CID K21 – Refluxo
- CID N39 – Infecção Urinária
- CID G43 – Enxaqueca
- CID J45 – Asma
- Omeprazol para que serve
- Dipirona para que serve
- Ibuprofeno para que serve
- Amoxicilina para que serve
- Azitromicina para que serve
- Nimesulida para que serve
- Paracetamol para que serve


