Estima-se que o hipertireoidismo (CID E05) afete cerca de 1,3% da população brasileira, com maior prevalência em mulheres entre 20 e 50 anos. A Doença de Graves (E05.0) é responsável por 70-80% dos casos, e o diagnóstico precoce reduz em 40% o risco de complicações cardiovasculares.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID CAUSAS-HIPERTIREOIDISMO e quer saber o que significa? Este artigo, baseado em um estudo de caso clínico real, explica de forma clara e completa o que é o hipertireoidismo, suas causas, sintomas, opções de tratamento e quanto tempo de atestado pode ser necessário. Tudo com linguagem acessível e embasamento médico atualizado.
- Código: E05
- Descrição: Tireotoxicose (hipertireoidismo) – produção excessiva de hormônios tireoidianos
- Categoria: Capítulo IV – Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (E00-E90)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: E05.0 (com bócio difuso – doença de Graves), E05.1 (com nódulo tóxico), E05.2 (com bócio multinodular tóxico), E05.3 (por tecido tireoidiano ectópico), E05.4 (tireotoxicose factícia), E05.5 (crise tireotóxica), E05.8 (outras formas), E05.9 (não especificada)
Paciente: Mariana S., 34 anos, professora, previamente hígida.
Queixa principal: Perda de peso inexplicada (8 kg em 3 meses), palpitações frequentes, tremores nas mãos e insônia. Relata também intolerância ao calor e sudorese excessiva.
Avaliação clínica: PA 130×70 mmHg, FC 108 bpm, tireoide aumentada e difusa à palpação (bócio), extremidades quentes, tremor fino de extremidades. Exames laboratoriais: TSH < 0,01 µUI/mL (suprimido), T4 livre = 3,8 ng/dL (elevado), T3 total = 280 ng/dL (elevado). Ultrassonografia de tireoide: parênquima heterogêneo com aumento difuso e vascularização aumentada ao Doppler.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID E05.0 — Tireotoxicose com bócio difuso (Doença de Graves), confirmada pela presença de anticorpos anti-TSHR (TRAb) positivos.
Conduta terapêutica: Iniciado metimazol 30 mg/dia (dose de ataque), propranolol 40 mg 2x/dia para controle adrenérgico, orientação dietética (dieta hipercalórica, evitar cafeína). Solicitadoiodo-131? (decidido após estabilização). Acompanhamento com função tireoidiana a cada 4 semanas.
Evolução: Após 6 semanas, paciente assintomática, ganho de 3 kg, FC 76 bpm, TSH ainda suprimido (0,02), T4 livre normalizando (1,2). Dose de metimazol reduzida para 20 mg/dia. Manteve-se em uso de propranolol por mais 4 semanas.
Lição clínica: O hipertireoidismo tem tratamento eficaz, mas exige adesão rigorosa, monitorização e, em muitos casos, terapia definitiva (radioiodo ou cirurgia) devido ao alto risco de recidiva. O diagnóstico precoce evita complicações como fibrilação atrial e crise tireotóxica.
O que é o CID E05 na prática médica
O código CID E05 engloba todas as formas de tireotoxicose, ou hipertireoidismo, caracterizadas pela produção excessiva de hormônios tireoidianos (T3 e T4) pela glândula tireoide. Na prática clínica, é um dos diagnósticos mais comuns na endocrinologia. A condição acelera o metabolismo basal, afetando múltiplos sistemas: cardiovascular, nervoso, gastrointestinal e musculoesquelético. O CID E05 é subdividido para especificar a etiologia, sendo o E05.0 (Doença de Graves) o mais frequente. O correto registro do CID orienta a conduta terapêutica e o prognóstico.
Subcategorias e variantes do CID E05
O CID E05 possui 8 subcategorias principais:
- E05.0: Tireotoxicose com bócio difuso – Doença de Graves (autoimune, anticorpos anti-TSHR).
- E05.1: Tireotoxicose com nódulo tóxico – adenoma tóxico único (funcionante).
- E05.2: Tireotoxicose com bócio multinodular tóxico – doença de Plummer (nódulos autônomos).
- E05.3: Tireotoxicose por tecido tireoidiano ectópico (ex.: struma ovarii).
- E05.4: Tireotoxicose factícia (autoadministração de hormônios tireoidianos).
- E05.5: Crise tireotóxica (tempestade tireoidiana) – emergência médica.
- E05.8: Outras formas (induzida por amiodarona, tireoidite subaguda, etc.).
- E05.9: Não especificada.
Além disso, outras causas de hipertireoidismo podem ser codificadas em outros capítulos (ex.: tireoidite de Hashimoto em fase inicial – E06.3; hipertireoidismo neonatal transitório – P72.1).
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas do hipertireoidismo refletem o aumento do metabolismo. Os mais comuns incluem:
- Perda de peso mesmo com apetite preservado ou aumentado;
- Palpitações, taquicardia, arritmias (fibrilação atrial);
- Intolerância ao calor, sudorese excessiva;
- Tremor fino de extremidades, ansiedade, irritabilidade;
- Insônia, fadiga muscular, fraqueza proximal;
- Bócio (aumento da tireoide) visível e palpável;
- Oligomenorreia ou amenorreia nas mulheres;
- Exoftalmia (proptose) na Doença de Graves.
Na crise tireotóxica (E05.5), surgem febre alta, taquicardia >140 bpm, confusão mental, vômitos, diarreia, podendo levar a coma e óbito se não tratada.
Causas e fatores de risco
As principais causas de hipertireoidismo são:
- Doença de Graves: autoimune, mais comum em mulheres jovens, com história familiar positiva, tabagismo e estresse como fatores desencadeantes.
- Nódulo tóxico ou bócio multinodular tóxico: mais em idosos, em regiões com deficiência de iodo (no passado) ou após suplementação excessiva de iodo.
- Tireoidites: subaguda (de Quervain), silenciosa, pós-parto — causam liberação de hormônios por destruição folicular.
- Iatrogênica: uso excessivo de levotiroxina (factícia) ou amiodarona (contém iodo).
- Neoplasia trofoblástica (mola hidatiforme, coriocarcinoma) – produção de hCG que estimula a tireoide.
Fatores de risco: sexo feminino, idade entre 20-50 anos, história familiar, doenças autoimunes concomitantes (diabetes tipo 1, vitiligo, artrite reumatoide), tabagismo (agrava doença de Graves e oftalmopatia).
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é clínico-laboratorial. A avaliação inclui:
- História e exame físico: perda de peso, taquicardia, bócio, tremor, exoftalmia.
- Exames laboratoriais: TSH (suprimido), T4 livre e T3 total ou livre (elevados). Na doença de Graves, anticorpos TRAb e anti-TPO podem estar positivos.
- Ultrassonografia com Doppler: avalia volume tireoidiano, presença de nódulos e vascularização.
- Cintilografia com iodo-123 ou tecnécio-99m: distingue doença de Graves (captação difusa aumentada) de nódulo tóxico (captação focal) e tireoidite (baixa captação).
- ECG: para rastreamento de fibrilação atrial.
Em casos selecionados, punção aspirativa de nódulo (PAAF) para excluir malignidade.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento visa normalizar os níveis hormonais, controlar os sintomas e tratar a causa. As opções incluem:
- Fármacos tireostáticos: metimazol (preferido) ou propiltiouracila. Bloqueiam a síntese de T3 e T4. Duração típica de 12-18 meses, com redução progressiva da dose.
- Betabloqueadores: propranolol (não seletivo) ou atenolol (cardioseletivo) para controle de sintomas adrenérgicos (palpitação, tremor).
- Radioiodoterapia (I-131): tratamento definitivo, destrói o tecido tireoidiano hiperfuncionante. Indicado em recidivas, nódulos tóxicos ou contraindicação a cirurgia. Leva a hipotireoidismo em cerca de 80% dos casos, exigindo reposição com levotiroxina.
- Tireoidectomia: indicada em bócios volumosos, suspeita de câncer, gestação (após 1º trimestre), intolerância a tireostáticos ou ausência de captação ao radioiodo.
A crise tireotóxica requer internação em UTI, hidratação, tireostáticos intravenosos, betabloqueadores, glicocorticoides e medidas de suporte.
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento depende da gravidade e da resposta ao tratamento. Para casos leves a moderados (paciente ambulatorial, sem complicações), recomenda-se afastamento inicial de 7 a 14 dias. Para casos moderados a graves (necessidade de ajuste de medicação, sintomas intensos), o atestado pode ser de 15 a 30 dias. Na crise tireotóxica (E05.5) com internação, o afastamento pode chegar a 30-60 dias ou mais, conforme evolução. O médico deve reavaliar periodicamente e emitir novos atestados conforme necessário. A decisão é individualizada, considerando a atividade profissional (trabalhadores com risco de acidentes, como motoristas, podem precisar de afastamento mais prolongado).
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Sinais que exigem atendimento imediato (emergência):
- Febre alta (≥38,5°C) sem foco infeccioso;
- Taquicardia persistente >120 bpm, palpitações intensas, dor torácica ou falta de ar;
- Confusão mental, agitação extrema, delírio;
- Vômitos e diarreia profusos, com desidratação;
- Perda de peso muito rápida ( >3 kg/semana);
- Instabilidade hemodinâmica (hipotensão, choque);
- Alterações visuais súbitas (diplopia, perda de visão) – urgência oftalmológica.
Também deve procurar o médico se houver efeitos colaterais de tireostáticos: febre, dor de garganta, úlceras orais (suspeita de agranulocitose), icterícia (hepatotoxicidade) ou rash cutâneo.
Prevenção e cuidados contínuos
O hipertireoidismo nem sempre é prevenível, mas algumas medidas reduzem riscos:
- Evitar tabagismo (principal fator de risco modificável para doença de Graves e oftalmopatia);
- Manter ingestão adequada de iodo (não exceder);
- Monitorizar função tireoidiana em pacientes em uso de amiodarona ou lítio;
- Após tratamento com radioiodo ou tireoidectomia, realizar reposição com levotiroxina e acompanhamento regular;
- Em gestantes com doença de Graves, controle rigoroso para evitar hipertireoidismo fetal e neonatal.
Cuidados contínuos incluem consultas a cada 6-12 meses, exames de TSH e T4 livre, e ultrassonografia se necessário. Pacientes com oftalmopatia de Graves devem ser referenciados ao oftalmologista.
- 01. Sempre carregue seu cartão com anotação do diagnóstico e medicamentos – em emergências, o conhecimento do CID E05 acelera o atendimento.
- 02. Nunca pare o metimazol de repente; a retirada deve ser gradual e sob supervisão médica para evitar recidiva.
- 03. Se estiver em uso de tireostáticos, fique atento a sintomas de agranulocitose (febre, dor de garganta, infecções) e faça hemograma periódico.
- 04. Em viagens, leve medicamentos extras e informe-se sobre a disponibilidade de atendimento endocrinológico no destino.
- 05. Mantenha uma alimentação rica em cálcio e vitamina D – o hipertireoidismo acelera a perda óssea e aumenta o risco de osteoporose.
- 06. Evite cafeína e estimulantes, pois podem piorar palpitações e ansiedade durante o tratamento.
- 07. Se você tem doença de Graves, faça acompanhamento oftalmológico anual mesmo sem sintomas – a oftalmopatia pode surgir ou piorar mesmo após controle hormonal.
- 08. Informe seu médico sobre qualquer outro medicamento que use (incluindo fitoterápicos) – alguns interferem com tireostáticos ou com a função tireoidiana.
Perguntas Frequentes sobre o CID CAUSAS
O CID CAUSAS garante quantos dias de atestado?
O CID E05 (hipertireoidismo) pode justificar atestados de 7 a 30 dias para casos comuns, podendo chegar a 60 dias em situações graves (crise tireotóxica). O período exato é definido pelo médico com base na resposta ao tratamento e nas exigências da atividade profissional.
O hipertireoidismo tem cura?
Sim, o hipertireoidismo pode ser curado com tratamento definitivo (radioiodoterapia ou tireoidectomia), mas geralmente resulta em hipotireoidismo, que exige reposição hormonal vitalícia. O tratamento medicamentoso pode induzir remissão duradoura em parte dos pacientes, mas há risco de recidiva.
Quais exames confirmam o hipertireoidismo?
Os exames essenciais são TSH, T4 livre e T3 total/livre. A ultrassonografia com Doppler, cintilografia e dosagem de anticorpos (TRAb, anti-TPO) ajudam a definir a etiologia.
Posso tomar café ou bebidas alcoólicas durante o tratamento?
Café e bebidas com cafeína devem ser evitados ou reduzidos, pois podem piorar palpitações. Álcool não é contraindicado, mas o consumo excessivo pode interferir no metabolismo dos medicamentos e no controle dos sintomas.
Hipertireoidismo pode causar problemas cardíacos?
Sim, pode levar a taquicardia, fibrilação atrial, insuficiência cardíaca e hipertensão. O controle precoce reduz significativamente esses riscos.
Grávida com hipertireoidismo pode amamentar?
Sim, desde que sob supervisão médica. O metimazol é compatível com a amamentação em doses baixas (até 20 mg/dia). A propiltiouracila é alternativa, mas é hepatotóxica. Avaliação individualizada é essencial.
O que é crise tireotóxica?
É a forma mais grave do hipertireoidismo, com exacerbação súbita dos sintomas: febre alta, taquicardia extrema, confusão mental, vômitos e desidratação. Requer hospitalização imediata em UTI.
Preciso evitar iodo na alimentação?
Sim, durante o hipertireoidismo ativo, evite alimentos ricos em iodo (algas, frutos do mar, sal iodado em excesso, medicamentos com iodo). Consulte seu médico para orientação dietética específica.
O estresse pode desencadear hipertireoidismo?
Sim, o estresse emocional intenso é um fator desencadeante conhecido para a Doença de Graves em pessoas geneticamente suscetíveis. Técnicas de manejo do estresse podem auxiliar no controle.
Posso fazer atividade física durante o tratamento?
Sim, mas com moderação. Inicialmente, prefira exercícios leves a moderados (caminhada, ioga). Atividades de alta intensidade podem sobrecarregar o coração. Aguarde a normalização da frequência cardíaca.
O CID E05 é igual ao CID de hipotireoidismo?
Não. O hipertireoidismo (E05) é o excesso de hormônios tireoidianos; o hipotireoidismo (E03) é a deficiência. São condições opostas, com tratamentos e codificações diferentes.
Qual a diferença entre CID E05.0 e E05.9?
E05.0 especifica Doença de Graves (com bócio difuso), enquanto E05.9 é usado quando a causa do hipertireoidismo não é determinada ou não está especificada no prontuário.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
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Hipertireoidismo – MedlinePlus (em inglês)
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