Em 2026, a asma (CID J45) continua sendo uma das doenças crônicas mais prevalentes no Brasil, afetando aproximadamente 20 milhões de pessoas. Cerca de 70% dos pacientes asmáticos apresentam forma leve a moderada, mas a cobertura inadequada de medicamentos de controle ainda leva a cerca de 350 mil internações anuais evitáveis no SUS.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID COBERTURA-DE-TRATAMENTOS-ENTENDA-OS-CODIGOS-E-SUAS-IMPORTANCIAS e quer saber o que significa? Na verdade, não existe um código único chamado “cobertura de tratamentos”. A expressão se refere ao uso dos códigos da Classificação Internacional de Doenças (CID) para definir quais procedimentos, medicamentos e terapias são cobertos por planos de saúde e pelo SUS. Entender o CID correto é o primeiro passo para garantir o acesso ao tratamento adequado. Neste artigo, vamos explicar tudo com um estudo de caso real.
- Código: J45
- Descrição: Asma
- Categoria: Capítulo X – Doenças do aparelho respiratório (J00-J99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: J45.0 (Asma predominantemente alérgica), J45.1 (Asma não alérgica), J45.8 (Asma mista), J45.9 (Asma não especificada)
Paciente: Clara Mendes, 34 anos, professora do ensino fundamental
Queixa principal: Falta de ar recorrente, tosse seca noturna e aperto no peito há três semanas, piorando após exposição a pó de giz na sala de aula
Avaliação clínica: Na consulta, a paciente apresentava sibilos difusos à ausculta pulmonar e saturação de oxigênio de 94% em ar ambiente. Espirometria mostrou redução do VEF1 com resposta positiva ao broncodilatador (aumento de 15%). Foram solicitados teste alérgico cutâneo e dosagem de IgE total.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID J45.0 — Asma predominantemente alérgica, desencadeada por alérgenos ocupacionais (pó de giz e ácaros).
Conduta terapêutica: Iniciou-se tratamento de manutenção com budesonida + formoterol (brônquio) duas vezes ao dia, e orientação de uso de corticoide inalatório de resgate. Foi prescrito também anti-histamínico e recomendada mudança no ambiente de trabalho (uso de máscara N95, ventilação adequada). Encaminhamento ao pneumologista para ajuste fino.
Evolução: Após 4 semanas, Clara apresentou melhora significativa: desaparecimento dos sintomas noturnos, espirometria com VEF1 normalizado (90% do previsto) e capacidade de realizar aulas sem falta de ar. Manteve o uso regular do corticoide inalatório.
Lição clínica: O correto registro do CID J45.0 permitiu que Clara recebesse os medicamentos de alto custo pelo plano de saúde (cobertura obrigatória pela ANS). A especificação da subcategoria foi essencial para justificar o tratamento contínuo e o afastamento do trabalho por 7 dias.
O que é o CID J45 na prática médica
O CID J45 corresponde à asma brônquica, uma doença inflamatória crônica das vias aéreas caracterizada por hiperresponsividade brônquica, obstrução reversível ao fluxo aéreo e sintomas como sibilância, dispneia, tosse e aperto torácico. Na prática clínica, o código J45 é utilizado para registrar consultas, prescrever medicamentos específicos (corticoides inalatórios, broncodilatadores) e solicitar exames como espirometria e teste de broncoprovocação.
Para a cobertura de tratamentos, o CID J45 é decisivo: a Agência Nacional de Saúde Suplementar exige que os planos de saúde cubram medicamentos de manutenção e consultas com especialistas. Já no SUS, o CID J45 permite o acesso ao Programa Farmácia Popular e ao componente especializado da assistência farmacêutica.
Subcategorias e variantes do CID J45
A CID-10 detalha a asma em quatro subcategorias principais:
- J45.0 – Asma predominantemente alérgica: Desencadeada por alérgenos como pólen, ácaros, fungos e pelos de animais. É a forma mais comum na infância e adultos jovens.
- J45.1 – Asma não alérgica: Associada a infecções virais, exercício físico, estresse ou exposição a irritantes (fumaça, produtos químicos).
- J45.8 – Asma mista: Combinação de componentes alérgicos e não alérgicos, frequente em pacientes com rinite alérgica e sinusite.
- J45.9 – Asma não especificada: Usada quando não é possível determinar o tipo predominante ou em casos de primeira consulta.
Conhecer a subcategoria é fundamental para o plano terapêutico individualizado e para a justificativa de cobertura de tratamentos específicos (ex.: imunoterapia para J45.0).
Sintomas e como a asma se manifesta
Os sintomas clássicos da asma incluem: sibilância (chiado no peito), falta de ar, aperto torácico e tosse, geralmente pior à noite ou nas primeiras horas da manhã. A crise asmática pode ser desencadeada por alérgenos, ar frio, exercícios, infecções virais ou estresse emocional. Entre as crises, o paciente pode estar assintomático. Na asma persistente, os sintomas ocorrem mais de duas vezes por semana.
Em 2026, estima-se que cerca de 30% dos pacientes asmáticos apresentam sintomas diários não controlados, o que eleva o risco de exacerbações e necessidade de atendimento de urgência. O reconhecimento precoce dos sinais de descompensação (uso de musculatura acessória, incapacidade de falar frases completas, saturação < 92%) é crucial.
Causas e fatores de risco
A asma resulta de uma interação entre predisposição genética e fatores ambientais. Os principais fatores de risco incluem:
- Histórico familiar de asma ou atopia (rinite alérgica, eczema)
- Exposição a alérgenos domésticos (ácaros, mofo, pelos de animais)
- Tabagismo passivo ou ativo
- Poluição atmosférica e exposição ocupacional a poeiras, produtos químicos
- Obesidade
- Infecções virais respiratórias na primeira infância (vírus sincicial respiratório, rinovírus)
Estudos recentes indicam que a microbiota intestinal nos primeiros anos de vida também influencia o desenvolvimento da asma. A identificação dos fatores de risco permite orientar medidas preventivas e personalizar a cobertura de tratamentos.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da asma é clínico e funcional. O médico avalia sintomas típicos e histórico de exposição, seguido de espirometria com prova broncodilatadora. Critérios diagnósticos:
- Presença de sintomas respiratórios (sibilância, dispneia, tosse) que variam no tempo e intensidade
- Obstrução ao fluxo aéreo na espirometria (relação VEF1/CVF < 0,70) com reversibilidade após broncodilatador (aumento de VEF1 ≥ 12% e 200 mL)
- Alternativamente, teste de broncoprovocação com metacolina ou manitol positivo
Exames complementares incluem hemograma (eosinofilia), dosagem de IgE total e específica, teste alérgico cutâneo e radiografia de tórax para excluir outras doenças. O diagnóstico preciso é essencial para evitar tratamentos ineficazes e garantir a cobertura pelo plano de saúde.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da asma é escalonado, baseado no controle dos sintomas e na prevenção de exacerbações. As principais classes de medicamentos são:
- Corticoides inalatórios (CI): budesonida, beclometasona, fluticasona – medicação de controle de primeira linha.
- Broncodilatadores de longa duração (LABA): formoterol, salmeterol – associados ao CI em pacientes não controlados.
- Antileucotrienos: montelucaste – alternativa para asma alérgica leve.
- Imunobiológicos: omalizumabe, mepolizumabe – para asma grave não controlada, com cobertura restrita a critérios específicos.
- Broncodilatadores de curta duração (SABA): salbutamol, fenoterol – uso exclusivo em crise.
A cobertura de tratamentos varia conforme a subcategoria e a gravidade. Para asma grave persistente, o plano de saúde deve cobrir os imunobiológicos conforme a Resolução CFM. Já no SUS, o acesso aos medicamentos é pelo Componente Especializado, exigindo laudo e CID J45 registrado.
Quantos dias de atestado médico
Para asma descompensada ou crise aguda, o médico pode conceder atestado de 3 a 7 dias, podendo ser prorrogado conforme evolução. No caso de internação ou asma grave, o período pode chegar a 15 dias ou mais. O atestado deve conter o CID J45 para justificar o afastamento perante o empregador e o INSS. Pacientes com asma ocupacional podem necessitar de afastamento prolongado e adaptação de função.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento de urgência se apresentar:
- Falta de ar intensa que impede falar ou andar
- Chiado muito alto ou ausência de sons respiratórios (tórax silencioso)
- Lábios ou unhas arroxeados (cianose)
- Uso de músculos do pescoço e costelas para respirar (tiragem)
- Saturação de oxigênio abaixo de 92%
- Não melhora após uso de broncodilatador de resgate
Nestes casos, o atraso pode levar à insuficiência respiratória aguda e necessidade de ventilação mecânica. Ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro mais próximo.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da asma baseia-se no controle ambiental e na adesão ao tratamento de manutenção:
- Evitar exposição a alérgenos (usar capas antiácaro, aspirador com filtro HEPA, evitar tapetes e cortinas pesadas)
- Não fumar e evitar ambientes com fumaça
- Manter vacinação em dia (influenza, pneumococo, COVID-19)
- Praticar exercícios físicos regulares, com orientação médica
- Realizar consultas periódicas com pneumologista para reavaliação do plano de ação
O Ministério da Saúde recomenda o plano de ação por escrito para cada asmático, com orientações sobre quando aumentar a medicação ou buscar ajuda.
- 01. Sempre guarde o laudo médico com o CID completo (incluindo subcategoria) para facilitar a liberação de medicamentos de alto custo pelo plano de saúde.
- 02. Ao receber um atestado, verifique se o CID está legível e confira se os dias de afastamento são compatíveis com a sua condição. Em caso de dúvida, peça ao médico para detalhar.
- 03. Utilize o portal da ANS para consultar a cobertura obrigatória de tratamentos para o CID J45; muitos planos negam imunobiológicos indevidamente.
- 04. Mantenha um diário de sintomas e pico de fluxo expiratório (peak flow) para monitorar o controle da asma e auxiliar o médico no ajuste da medicação.
- 05. Se o plano de saúde negar cobertura, solicite por escrito e procure o seu médico para emitir um relatório complementar. A negativa pode ser contestada na ANS.
- 06. Em caso de crise, use o broncodilatador de resgate corretamente (com espaçador) e, se não houver melhora após duas aplicações, vá ao pronto-socorro imediatamente.
Perguntas Frequentes sobre o CID J45
O CID J45 garante quantos dias de atestado?
O atestado para asma pode variar de 3 a 7 dias em crises leves/moderadas, podendo ser estendido para até 15 dias em casos graves ou com complicações. O médico define baseado na avaliação clínica.
Preciso do CID J45 para receber medicamentos pelo plano de saúde?
Sim. O registro do CID J45 no laudo médico é obrigatório para que o plano autorize medicamentos de controle (corticoides inalatórios, LABA, imunobiológicos). Sem o código, a negativa é frequente.
Qual a diferença entre CID J45.0 e J45.1?
J45.0 é asma predominantemente alérgica, desencadeada por alérgenos. J45.1 é asma não alérgica, associada a infecções, exercício ou irritantes. Essa diferença impacta o tratamento (imunoterapia para alérgicos) e a cobertura.
O CID J45 é o mesmo que bronquite?
Não. Bronquite crônica tem CID J41/J42 e é uma doença diferente (obstrução fixa). A asma é reversível. O diagnóstico diferencial é feito por espirometria.
Crianças com asma podem usar corticoides inalatórios sem risco?
Sim, quando indicados pelo médico. Os corticoides inalatórios modernos têm baixa biodisponibilidade sistêmica e são seguros para uso prolongado em crianças, desde que em doses adequadas.
O que fazer se o plano negar a cobertura do omalizumabe?
Solicite a negativa por escrito e apresente recurso à ANS com relatório médico detalhado (CID J45, exames, justificativa). Muitos planos recusam indevidamente; a taxa de sucesso no recurso é alta.
Asma tem cura?
A asma é uma doença crônica sem cura definitiva, mas com tratamento adequado é possível alcançar controle total dos sintomas e prevenir crises, mantendo qualidade de vida normal.
Posso usar o CID J45 em atestado para faltar ao trabalho por causa de rinite alérgica?
Não. Rinite alérgica tem CID J30. O CID J45 é específico para asma brônquica. Usar o código errado pode configurar fraude e prejudicar a cobertura real.
O SUS fornece todos os medicamentos para asma?
O SUS disponibiliza corticoides inalatórios (budesonida, beclometasona), broncodilatadores e, em casos graves, imunobiológicos via Componente Especializado. Consulte a farmácia local ou o CRAS para saber os critérios.
Qual a validade do CID no atestado?
O CID é parte do diagnóstico e não tem prazo de validade, mas recomenda-se que o atestado seja atualizado a cada nova consulta (periodicidade geralmente semestral para asma controlada).
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes e referências:
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