Estima‑se que 30% dos brasileiros apresentem algum tipo de alergia ao longo da vida. A rinite alérgica isoladamente afeta cerca de 20% da população, e as alergias alimentares graves, como ao amendoim, cresceram 50% nos últimos dez anos, sendo o CID T78.4 (alergia não especificada) frequentemente utilizado em serviços de emergência quando o alérgeno não é identificado imediatamente.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID T78.4 (Alergia não especificada) e quer saber o que significa? Este artigo explica de forma clara e completa o que é esse código, sua aplicação clínica, os sintomas, as opções de tratamento e os cuidados necessários. Além disso, apresentamos um estudo de caso real para ilustrar o manejo adequado. Continue lendo para entender como esse CID pode impactar sua saúde e seu dia a dia.
- Código: T78.4
- Descrição: Alergia não especificada
- Categoria: Capítulo XIX – Lesões, envenenamento e algumas outras consequências de causas externas (S00–T98), grupo T78 – Efeitos adversos não classificados em outra parte
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: T78.0 (Choque anafilático devido a alimento), T78.1 (Outras reações adversas a alimentos), T78.2 (Choque anafilático não especificado), T78.3 (Edema angioneurótico), T78.4 (Alergia não especificada), T78.8 (Outros efeitos adversos não classificados em outra parte), T78.9 (Efeito adverso não especificado)
Paciente: Maria Clara, 32 anos, professora, sem comorbidades conhecidas.
Queixa principal: Urticária generalizada, edema nos lábios e sensação de “garganta fechando” 20 minutos após ingerir uma barra de cereal que continha amendoim (não declarado no rótulo).
Avaliação clínica: Na emergência, apresentava taquicardia (110 bpm), hipotensão (90/60 mmHg), sibilos à ausculta pulmonar e placas urticariformes difusas. Foi realizada dosagem de triptase sérica (elevada) e teste cutâneo de puntura para amendoim (fortemente positivo).
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID T78.4 – Alergia não especificada, associado a T78.0 (choque anafilático devido a alimento). A condição foi caracterizada como anafilaxia grau III.
Conduta terapêutica: Adrenalina intramuscular (0,3 mg, repetido após 10 minutos), hidratação venosa com Ringer Lactato, corticosteroide (metilprednisolona 125 mg IV) e anti-histamínico (dexclorfeniramina 5 mg IV). Após estabilização, prescrito epinefrina autoinjetável (para uso domiciliar) e orientação de evitar amendoim e derivados.
Evolução: Após 4 horas de observação, os sintomas regrediram completamente. Alta com prescrição de anti-histamínico oral por 5 dias e encaminhamento ao alergologista. Em 2 semanas, a paciente realizou teste de provocação oral controlado, confirmando alergia ao amendoim. Atualmente carrega consigo adrenalina autoinjetável e não apresenta novos episódios.
Lição clínica: Reações alérgicas graves podem ocorrer mesmo em pacientes sem história prévia. O uso do CID T78.4 é adequado quando o alérgeno não é imediatamente identificado, mas deve ser complementado com investigação subsequente para evitar novos episódios.
O que é o CID T78.4 na prática médica
O código T78.4 da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) é utilizado para designar uma reação alérgica cujo agente causal não foi especificado no momento do diagnóstico. Na prática clínica, esse código é empregado principalmente em prontos‑socorros e atendimentos de urgência, quando o paciente apresenta sintomas compatíveis com alergia (urticária, angioedema, broncoespasmo, anafilaxia) mas ainda não se sabe qual substância desencadeou a reação. Ele serve como um código provisório, permitindo o registro da condição enquanto a investigação etiológica é realizada. É importante destacar que, sempre que possível, o código específico (como T78.0 para choque anafilático por alimento ou L23 para dermatite de contato alérgica) deve ser preferido, pois fornece maior precisão epidemiológica e clínica.
Subcategorias e variantes do CID T78.4
O grupo T78 engloba diversos efeitos adversos relacionados a reações de hipersensibilidade. As principais subcategorias incluem:
- T78.0 – Choque anafilático devido a alimento.
- T78.1 – Outras reações adversas a alimentos.
- T78.2 – Choque anafilático não especificado.
- T78.3 – Edema angioneurótico (angioedema).
- T78.4 – Alergia não especificada.
- T78.8 – Outros efeitos adversos não classificados em outra parte.
- T78.9 – Efeito adverso não especificado.
Essas subcategorias ajudam o médico a graduar a gravidade da reação e a direcionar a conduta. Por exemplo, um paciente com urticária leve e sem comprometimento respiratório pode receber apenas T78.4, enquanto um quadro de anafilaxia com hipotensão recebe T78.0 ou T78.2, dependendo do desencadeante.
Sintomas e como a alergia se manifesta
As reações alérgicas codificadas como T78.4 podem variar de leves a potencialmente fatais. Os sintomas mais comuns incluem:
- Pele: urticária (placas vermelhas e coceira), angioedema (inchaço em lábios, pálpebras, língua ou garganta), eczema.
- Respiratórios: espirros, coriza, congestão nasal, tosse, sibilos, dispneia, sensação de “garganta fechando”.
- Gastrointestinais: náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal.
- Cardiovasculares: taquicardia, hipotensão, tontura, síncope (em casos de anafilaxia).
- Outros: prurido ocular, lacrimejamento, cefaleia, mal‑estar geral.
A manifestação clínica depende do tipo de alérgeno, da via de exposição (alimentar, inalatória, contato, medicamentosa) e da susceptibilidade individual. Reações mediadas por IgE costumam ser rápidas (minutos a 2 horas), enquanto reações tardias (como eczema de contato) podem surgir após 24‑48 horas.
Causas e fatores de risco
As causas mais frequentes de reações alérgicas agudas que recebem o código T78.4 incluem:
- Alimentos: amendoim, leite, ovo, soja, trigo, frutos do mar, castanhas.
- Medicamentos: antibióticos (penicilinas, sulfonamidas), anti‑inflamatórios não esteroidais (AINEs), contrastes radiológicos.
- Picadas de insetos: himenópteros (abelhas, vespas, formigas).
- Látex: luvas, preservativos, dispositivos médicos.
- Aeroalérgenos: pólen, ácaros, fungos, pelos de animais – embora estes mais comumente gerem rinite ou asma (CID J30, J45).
Os principais fatores de risco são história pessoal ou familiar de atopia (asma, rinite, eczema), exposição ocupacional a alérgenos, uso frequente de medicamentos e presença de outras doenças alérgicas.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da condição codificada como T78.4 é essencialmente clínico, baseado na história detalhada do episódio e no exame físico. O médico investiga:
- Tempo de início após exposição suspeita.
- Sintomas específicos (urticária? angioedema? dispneia?).
- História de reações anteriores.
- Uso de medicamentos ou ingestão de alimentos nas últimas horas.
Exames complementares podem incluir: dosagem de triptase sérica (elevada na anafilaxia), teste cutâneo de puntura (prick test) e/ou dosagem de IgE específica para alérgenos suspeitos. Em casos selecionados, o teste de provocação oral controlado é realizado em ambiente hospitalar. O diagnóstico diferencial inclui outras causas de urticária (física, infecciosa, autoimune) e angioedema hereditário.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da reação alérgica codificada como T78.4 depende da gravidade:
- Reações leves (urticária localizada, prurido): anti‑histamínicos orais (cetirizina, loratadina, dexclorfeniramina) e corticoides tópicos ou sistêmicos por curto período.
- Reações moderadas (angioedema, urticária extensa): anti‑histamínicos parenterais (prometazina, dexclorfeniramina) e corticoides sistêmicos (prednisona 40‑60 mg/dia por 3‑5 dias).
- Anafilaxia (queda de pressão, broncoespasmo, edema de laringe): adrenalina intramuscular (0,3‑0,5 mg, repetir a cada 5‑15 minutos se necessário), oxigênio, hidratação venosa, corticoides e anti‑histamínicos parenterais, broncodilatadores (salbutamol) se broncoespasmo. O paciente deve ser mantido em observação por pelo menos 4‑6 horas após a estabilização.
Após o manejo agudo, o encaminhamento ao alergologista é fundamental para identificação do alérgeno, prescrição de medicamentos de resgate (adrenalina autoinjetável) e orientação de medidas de evitação.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado para um paciente com diagnóstico de T78.4 (alergia não especificada) varia conforme a gravidade do quadro e a profissão do paciente. Para reações leves (urticária sem complicações), geralmente são concedidos de 1 a 3 dias de afastamento. Reações moderadas (angioedema, sintomas sistêmicos sem anafilaxia) podem justificar de 3 a 7 dias. Em casos de anafilaxia ou necessidade de internação, o atestado pode se estender por 7 a 14 dias ou mais, dependendo da evolução e da necessidade de acompanhamento especializado. É importante que o médico avalie cada caso individualmente, considerando também o risco de exposição ocupacional a alérgenos. Pacientes que precisam de investigação alergológica ambulatorial podem receber atestado para consultas e exames.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento médico imediato (emergência) se apresentar:
- Dificuldade para respirar, chiado no peito ou sensação de “fechamento da garganta”.
- Inchaço rápido dos lábios, língua, face ou pescoço.
- Roncos ou tosse persistente.
- Tontura, desmaio ou queda da pressão arterial.
- Dor abdominal intensa, vômitos repetidos.
- Urticária generalizada que piora rapidamente.
Esses sinais podem indicar anafilaxia, uma emergência médica que requer tratamento imediato com adrenalina. Mesmo que os sintomas melhorem espontaneamente, é essencial ser avaliado por um médico, pois pode ocorrer reação bifásica (recorrência dos sintomas horas depois).
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção de novas reações alérgicas envolve:
- Identificação do alérgeno desencadeante por meio de testes alérgicos (prick test, IgE específica).
- Eliminação rigorosa do alérgeno da dieta, do ambiente ou do contato.
- Leitura atenta de rótulos de alimentos e medicamentos.
- Uso de pulseira de identificação médica (alergia grave).
- Portar sempre kit de emergência com anti‑histamínico e adrenalina autoinjetável (se prescrito).
- Educação de familiares, colegas de trabalho e escola sobre como reconhecer e tratar uma reação alérgica.
- Consulta regular com alergologista para reavaliação e, em alguns casos, imunoterapia alérgeno‑específica (vacinas para alergia).
- 01. Nunca ignore sintomas alérgicos mesmo que pareçam leves – eles podem evoluir rapidamente para anafilaxia.
- 02. Mantenha sempre disponível um anti‑histamínico oral de ação rápida (cetirizina, loratadina) para reações iniciais.
- 03. Se você já teve uma reação grave, converse com seu médico sobre a prescrição de adrenalina autoinjetável e aprenda a usá‑la.
- 04. Registre no seu prontuário ou aplicativo de saúde o código CID T78.4 e os alérgenos suspeitos para facilitar atendimentos futuros.
- 05. Em viagens, leve um kit de emergência e informe as companhias aéreas ou hotéis sobre sua condição.
- 06. Ensine amigos e familiares a reconhecerem os sinais de anafilaxia e a administrarem adrenalina se necessário.
Perguntas Frequentes sobre o CID T78.4
O CID T78.4 garante quantos dias de atestado?
Geralmente, para uma reação alérgica sem complicações, o atestado médico costuma ser de 1 a 3 dias. Em casos moderados a graves (angioedema, anafilaxia), podem ser concedidos de 5 a 14 dias, dependendo da avaliação clínica e da necessidade de acompanhamento.
O que significa exatamente o código CID T78.4?
Significa “Alergia não especificada” – utilizado quando o paciente apresenta sintomas alérgicos, mas o agente causal não foi identificado no momento do diagnóstico.
Posso usar o CID T78.4 para solicitar exames de alergia?
Sim. O código pode ser usado para justificar a solicitação de exames como teste cutâneo de puntura e dosagem de IgE específica, desde que haja suspeita clínica fundamentada.
Qual a diferença entre T78.4 e T78.0?
T78.4 é alergia não especificada, enquanto T78.0 é choque anafilático devido a alimento – este último é mais específico e grave, exigindo conduta emergencial diferenciada.
O CID T78.4 pode ser usado para alergia a medicamentos?
Sim. É comum em reações adversas a medicamentos cujo princípio ativo ainda não foi identificado. Quando o medicamento é conhecido, utiliza‑se códigos mais específicos (ex.: T88.6 para choque anafilático devido a soro).
Crianças podem receber o diagnóstico CID T78.4?
Sim. Crianças com urticária aguda, angioedema ou anafilaxia de causa não esclarecida podem receber esse código provisório.
Preciso de receita médica para comprar anti‑histamínicos?
A maioria dos anti‑histamínicos orais (cetirizina, loratadina) é vendida sem receita, mas o ideal é usar sob orientação médica, especialmente em crianças e gestantes. Adrenalina autoinjetável exige prescrição.
O CID T78.4 é usado no atestado de óbito?
Em casos de morte por anafilaxia sem identificação do alérgeno, o código T78.4 pode ser utilizado como causa básica, sendo complementado pelo código do evento (ex.: exposição a alimento não especificado).
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
Na Clínica Popular Fortaleza você encontra consultas acessíveis com médicos que explicam seu diagnóstico e orientam o melhor tratamento.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes e leituras recomendadas:
CID10.com.br |
MedlinePlus – Alergias |
Biblioteca Virtual em Saúde
Veja também:
CID R11 – Náuseas e Vômitos |
CID Z000 – Exame Médico Geral |
CID J30 – Rinite Alérgica |
CID J45 – Asma |
Omeprazol para que serve |
Dipirona para que serve |
Ibuprofeno para que serve |
Amoxicilina para que serve |
Azitromicina para que serve |
Nimesulida para que serve |
Paracetamol para que serve |
CID F41 – Ansiedade |
CID M54 – Dorsalgia |
CID J06 – Infecção Respiratória |
CID K21 – Refluxo |
CID N39 – Infecção Urinária |
CID G43 – Enxaqueca


