Em 2026, estima-se que a asma afete mais de 300 milhões de pessoas no mundo, sendo a doença crônica respiratória mais comum em crianças e adolescentes. No Brasil, o CID J45 representa cerca de 20 milhões de pacientes, com aumento de 12% nos diagnósticos nos últimos 5 anos.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID J45 – Asma – e quer saber o que significa? Este código da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) é usado para identificar a asma brônquica, uma condição inflamatória crônica das vias aéreas que causa episódios recorrentes de falta de ar, chiado no peito e tosse. Neste artigo, desvendamos todos os aspectos clínicos, desde o diagnóstico até o tratamento, com um estudo de caso real e respostas práticas para o seu dia a dia.
- Código: J45
- Descrição: Asma
- Categoria: Capítulo X – Doenças do aparelho respiratório (J00-J99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: J45.0 (asma predominantemente alérgica), J45.1 (asma não alérgica), J45.8 (asma mista), J45.9 (asma não especificada)
Paciente: Maria Clara, 29 anos, professora do ensino fundamental
Queixa principal: Falta de ar e chiado no peito há 4 dias, piora à noite e ao subir escadas. Relata crises semelhantes nos últimos 2 anos, sempre associadas a gripes e mudanças de tempo.
Avaliação clínica: Exame físico revelou sibilos expiratórios difusos, frequência respiratória de 26 irpm, saturação de oxigênio de 94% em ar ambiente. Espirometria mostrou VEF1/CVF < 70% com reversibilidade após broncodilatador (aumento de 14% no VEF1).
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID J45.0 — Asma predominantemente alérgica (forma persistente moderada).
Conduta terapêutica: Iniciou corticosteroide inalatório (budesonida 400 mcg/dia) associado a beta-agonista de longa duração (formoterol) em dispositivo único. Para crises, prescrito salbutamol spray de alívio. Orientação ambiental: evitar ácaros, mofo e fumaça de cigarro.
Evolução: Após 8 semanas de tratamento regular, paciente apresenta controle completo dos sintomas, sem crises noturnas e com espirometria normalizada (VEF1 92% do previsto).
Lição clínica: Asma bem controlada permite vida normal. O uso correto dos medicamentos de manutenção e o plano de ação individualizado são fundamentais para prevenir exacerbações.
O que é o CID J45 na prática médica
O CID J45 classifica a asma brônquica, uma doença inflamatória crônica das vias aéreas caracterizada por hiper-reatividade brônquica, obstrução reversível ao fluxo aéreo e sintomas episódicos como dispneia, sibilos, aperto no peito e tosse. Na prática clínica, este código é utilizado para registrar diagnósticos em prontuários, atestados, relatórios de exames e autorizações de tratamentos. A precisão do CID é essencial para a epidemiologia, planejamento de saúde pública e para garantir que o paciente receba o acompanhamento adequado, incluindo acesso a medicamentos do componente especializado da assistência farmacêutica.
O médico utiliza o CID J45 com subcategorias para especificar o tipo de asma, orientando a conduta terapêutica. Por exemplo, no caso de asma alérgica (J45.0), medidas ambientais e imunoterapia podem ser consideradas. Já na asma não alérgica (J45.1), fatores como infecções virais e exercício físico ganham destaque. O correto registro também influencia na emissão de atestados, afastamentos e na elegibilidade para programas de saúde.
Subcategorias e variantes do CID J45
O CID J45 é dividido em subcategorias que refinam o diagnóstico. A principal delas são:
- J45.0 – Asma predominantemente alérgica: associada a alérgenos como ácaros, pólen, pelos de animais e fungos. Geralmente inicia na infância e apresenta história familiar de atopia.
- J45.1 – Asma não alérgica: desencadeada por infecções virais, ar frio, exercício, estresse, fármacos (como AINEs) ou irritantes ocupacionais. Mais comum em adultos.
- J45.8 – Asma mista: combinação de componentes alérgicos e não alérgicos. Frequente em pacientes com rinite alérgica e sensibilização a múltiplos alérgenos.
- J45.9 – Asma não especificada: utilizada quando não é possível identificar o fator desencadeante predominante no momento do diagnóstico.
Essas subcategorias ajudam o clínico a direcionar a investigação e o tratamento. Além disso, existem variantes como asma induzida por aspirina, asma ocupacional e tosse variante da asma, que podem ser codificadas com J45.1 ou J45.8.
Sintomas e como a asma se manifesta
Os sintomas clássicos da asma incluem:
- Dispneia (falta de ar) – que pode ser desencadeada ou piorar à noite, de madrugada ou após esforço físico.
- Sibilância (chiado no peito) – um som agudo ao respirar, especialmente na expiração.
- Aperto ou dor no peito – sensação de pressão que pode ser confundida com ansiedade.
- Tosse seca ou produtiva – frequentemente pior à noite, ao acordar ou durante exercícios.
As crises podem variar de leves a graves. Em quadros graves, o paciente pode apresentar taquipneia, uso de musculatura acessória, incapacidade de falar frases completas e cianose. Entre as crises, muitas pessoas ficam assintomáticas, mas a inflamação persiste, exigindo tratamento de manutenção. Fatores desencadeantes comuns incluem alérgenos, infecções respiratórias, ar frio, fumaça, odores fortes, exercício e emoções intensas.
É importante lembrar que nem todo chiado é asma – outras condições como DPOC, fibrose cística e infecções podem causar sintomas semelhantes. Por isso, o diagnóstico diferencial é essencial.
Causas e fatores de risco
A asma é uma doença multifatorial. Entre os principais fatores de risco estão:
- Genéticos: histórico familiar de asma ou atopia (alergia, rinite, eczema).
- Ambientais: exposição a alérgenos (ácaros, baratas, mofo, pólen, pelos de animais) e irritantes (fumaça de tabaco, poluição, produtos químicos).
- Infecciosos: infecções virais na primeira infância (vírus sincicial respiratório, rinovírus) podem predispor ao desenvolvimento de asma.
- Ocupacionais: exposição a substâncias como isocianatos, farinha, poeira de madeira e produtos de limpeza.
- Medicamentosos: ácido acetilsalicílico e outros anti-inflamatórios não esteroides podem precipitar crises em pacientes suscetíveis.
O tabagismo passivo e ativo, a obesidade e a alimentação não balanceada também contribuem para o risco. Estudos recentes mostram que a microbiota intestinal e a exposição precoce à biodiversidade podem influenciar a resposta imune.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da asma baseia-se na combinação de história clínica, exame físico e testes de função pulmonar. O médico geralmente questiona sobre sintomas típicos, desencadeantes, história pessoal e familiar de atopia. O exame físico pode revelar sibilos, mas durante os períodos assintomáticos pode ser normal.
O padrão-ouro é a espirometria com teste de broncodilatador. Critérios de reversibilidade: aumento do VEF1 em ≥12% e ≥200 mL após inalação de broncodilatador de curta duração. Outros exames complementares incluem:
- Teste de provocação brônquica (com metacolina ou histamina) – indicado quando a espirometria é normal mas há suspeita clínica.
- Pico de fluxo expiratório (PEF) – monitorização domiciliar da variabilidade diurna.
- Dosagem de IgE total e específica – para identificar sensibilização alérgica.
- Testes cutâneos de hipersensibilidade imediata – para alérgenos comuns.
Radiografia de tórax pode ser solicitada para excluir diagnósticos diferenciais (pneumotórax, tumor, fibrose). O diagnóstico precoce é crucial para instituir o tratamento e evitar danos permanentes das vias aéreas.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da asma é baseado em uma abordagem em degraus, conforme a diretriz GINA (Global Initiative for Asthma). Os pilares são:
- Medicamentos de controle (manutenção): corticoides inalatórios (budesonida, beclometasona, fluticasona) são a base. Associados a beta-agonistas de longa duração (formoterol, salmeterol) ou antagonistas de leucotrienos (montelucaste) quando necessário.
- Medicamentos de alívio (resgate): beta-agonistas de curta duração (salbutamol, fenoterol) para crises agudas.
- Imunoterapia alérgeno-específica: indicada em asma alérgica não controlada com medidas ambientais e medicação.
- Anticorpos monoclonais: omalizumabe (anti-IgE), mepolizumabe, benralizumabe para asma grave não controlada.
Além da farmacoterapia, são fundamentais: plano de ação por escrito, educação do paciente, controle ambiental (evitar alérgenos, umidificadores, filtros HEPA), vacinação contra gripe e pneumococo, atividade física regular com pré-medicação e cessação do tabagismo.
No Brasil, o Ministério da Saúde disponibiliza medicamentos pelo Programa Farmácia Popular e pelo Componente Especializado da Assistência Farmacêutica. O paciente deve ter o CID J45 registrado para acesso.
Quantos dias de atestado médico
A duração do atestado médico para asma varia conforme a gravidade da crise e a resposta ao tratamento. Em uma exacerbação leve a moderada, geralmente são concedidos de 3 a 5 dias de afastamento. Em crises graves, especialmente com necessidade de internação ou uso de corticoides sistêmicos, o período pode se estender de 7 a 14 dias, dependendo da evolução clínica.
Para pacientes em fase de ajuste de medicação de manutenção ou com asma não controlada, o médico pode recomendar períodos menores de 2 a 3 dias, mas com retorno ambulatorial precoce. Importante: o atestado deve conter o CID J45 e a data de retorno prevista. O paciente deve ser orientado a repousar e evitar desencadeantes. Caso os sintomas persistam além do prazo estipulado, nova avaliação médica é necessária.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Existem sinais de alarme que indicam a necessidade de atendimento de emergência imediato:
- Falta de ar intensa que impede falar frases completas ou que piora rapidamente.
- Chiado muito alto ou, paradoxalmente, ausência de chiado (“silent chest”) – sinal de obstrução grave.
- Lábios ou unhas arroxeadas (cianose).
- Uso de musculatura acessória (retrações intercostais, supraesternais, batimento de asas do nariz).
- Confusão mental, sonolência ou agitação.
- Frequência cardíaca acima de 120 bpm, frequência respiratória acima de 30 irpm em adultos.
- Baixa saturação de oxigênio (menor que 90% em ar ambiente).
- Resposta insuficiente ao broncodilatador de alívio (mais de 2 jatos a cada 20 minutos sem melhora).
Pacientes com asma devem ter um plano de ação escrito, incluindo quando aumentar a medicação, iniciar corticoide oral e procurar emergência. Nunca hesite em buscar ajuda se sentir que a crise foge do controle habitual.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção das exacerbações da asma envolve medidas farmacológicas e não farmacológicas. A adesão ao tratamento de manutenção (corticosteroides inalatórios) reduz a inflamação e a hiper-reatividade, diminuindo a frequência e a gravidade das crises. Medidas ambientais incluem:
- Reduzir exposição a ácaros: capas impermeáveis para colchão e travesseiro, lavar roupas de cama a 60°C, evitar carpetes e cortinas pesadas.
- Controlar umidade: usar desumidificadores, reparar infiltrações, evitar plantas dentro do quarto.
- Evitar fumaça de cigarro e poluentes internos (velas, incensos, produtos de limpeza fortes).
- Manter vacinação em dia (influenza e pneumococo).
- Praticar atividade física regular, com uso de beta-agonista antes do exercício se necessário.
O acompanhamento médico periódico é essencial para ajustar a medicação conforme o controle. A educação do paciente e da família sobre o reconhecimento precoce dos sintomas e o uso correto dos dispositivos inalatórios eleva a qualidade de vida e reduz visitas ao pronto-socorro.
- 01. Sempre use o inalador com espaçador para otimizar a chegada do medicamento aos pulmões e reduzir efeitos colaterais na boca e garganta.
- 02. Mantenha um diário dos sintomas e do pico de fluxo expiratório para identificar padrões e acionar o plano de ação precocemente.
- 03. Não interrompa o corticosteroide inalatório mesmo quando estiver se sentindo bem – é o que garante o controle da inflamação.
- 04. Conheça seus desencadeantes específicos: faça teste alérgico e evite o contato sempre que possível.
- 05. Tenha sempre um broncodilatador de alívio disponível, mas não o use mais que 2 vezes por semana – se isso ocorrer, seu tratamento de manutenção precisa ser ajustado.
- 06. Em crianças, a asma pode se manifestar apenas como tosse crônica – fique atento e procure avaliação especializada.
Perguntas Frequentes sobre o CID J45
O CID J45 garante quantos dias de atestado?
O número de dias de atestado para asma depende da gravidade da crise. Em exacerbações leves a moderadas, geralmente 3 a 5 dias. Em crises graves, pode chegar a 7 a 14 dias. A decisão é clínica, baseada na evolução dos sintomas e na avaliação médica.
CID J45 é a mesma coisa que asma brônquica?
Sim. O CID J45 corresponde à asma brônquica, a forma mais comum de asma. Outras variantes, como asma cardíaca ou DPOC, possuem códigos diferentes.
Como saber se meu CID é J45.0 ou J45.9?
Para definir a subcategoria, o médico utiliza a história clínica, testes alérgicos e exames complementares. A presença de sensibilização a alérgenos sugere J45.0; a ausência orienta para J45.1 ou J45.8. Se não houver dados, usa-se J45.9.
Posso receber medicamentos gratuitos com o CID J45?
Sim, através do Programa Farmácia Popular e do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica. É necessário ter o CID J45 registrado em receituário médico e apresentar documentos pessoais.
Crianças também podem ter CID J45?
Sim. A asma é a doença crônica mais comum na infância. O código J45 é utilizado para crianças, e o manejo deve ser adaptado à idade, com uso correto de espaçadores e doses ajustadas.
Qual a diferença entre CID J45 e CID J44?
J45 é asma brônquica. J44 é doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), que geralmente ocorre em adultos fumantes e tem obstrução irreversível. São doenças distintas, embora compartilhem sintomas.
O CID J45 pode ser usado para atestado de atividade física?
Em geral, a atividade física é benéfica para asmáticos controlados. Se houver necessidade de afastamento temporário por exacerbação, o atestado deve mencionar o CID e o período.
Como atualizo meu CID J45 no sistema do SUS?
O médico atualiza o CID no prontuário eletrônico ou na ficha de atendimento. Para acesso a medicamentos, o paciente deve levar a receita com o código ao posto de saúde ou farmácia credenciada.
O que é asma grave e qual CID é usado?
Asma grave é aquela que permanece não controlada apesar de tratamento otimizado. O CID utilizado é J45.0, J45.1 ou J45.8, dependendo do fenótipo. Frequentemente exigem uso de anticorpos monoclonais.
CID J45 é considerado doença crônica para auxílio-doença?
Sim, a asma é uma doença crônica. Caso a condição gere incapacidade laboral por mais de 15 dias consecutivos, o paciente pode requerer auxílio-doença no INSS, com perícia médica.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Consulte a classificação oficial do CID J45 no site do DATASUS
Informações sobre asma no MedlinePlus (NIH)
CID R11 – Náuseas e Vômitos
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CID 010 – Tuberculose Pulmonar
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