No Brasil, cerca de 33% da população adulta (aproximadamente 50 milhões de pessoas) vive com hipertensão arterial, segundo dados do Ministério da Saúde em 2025. A pressão alta é responsável por mais de 40% das mortes por doenças cardiovasculares e é o principal fator de risco evitável para AVC e infarto.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID COMO-CONTROLAR-A-PRESSAO-ALTA e quer saber o que significa? Embora o termo “COMO-CONTROLAR-A-PRESSAO-ALTA” não seja um código CID oficial, ele remete diretamente ao código CID I10 – Hipertensão Essencial (Primária). Neste artigo, apresentamos um estudo de caso clínico completo e todas as informações atualizadas para que você entenda o diagnóstico, os sintomas, o tratamento e os cuidados necessários para controlar a pressão alta e evitar complicações graves.
- Código: I10
- Descrição: Hipertensão essencial (primária)
- Categoria: Capítulo IX – Doenças do aparelho circulatório
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: Não há subcategorias oficiais para I10. No entanto, a classificação clínica divide a hipertensão em estágios: estágio 1 (140-159/90-99 mmHg), estágio 2 (≥160/≥100 mmHg) e crise hipertensiva (>180/120 mmHg).
Paciente: Senhor Almir Santos, 52 anos, motorista de aplicativo
Queixa principal: Cansaço fácil, tonturas ocasionais e dores de cabeça na nuca pela manhã há cerca de 3 meses. Nega falta de ar ou dor no peito.
Avaliação clínica: PA aferida em três ocasiões: 158/98 mmHg, 162/100 mmHg e 155/96 mmHg. IMC 32 (obesidade grau I). Exames laboratoriais: creatinina 0,9 mg/dL, glicemia 98 mg/dL, colesterol total 228 mg/dL, LDL 150 mg/dL. Eletrocardiograma com sinais de sobrecarga ventricular esquerda.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID I10 — Hipertensão essencial (primária), estágio 2, associada a dislipidemia e obesidade.
Conduta terapêutica: Prescrição de Losartana 50 mg/dia + Hidroclorotiazida 12,5 mg/dia, orientação alimentar (dieta DASH), redução de sódio, prática de 30 minutos de caminhada 5x/semana e perda de 5 a 10% do peso corporal. Retorno em 30 dias para reavaliação.
Evolução: Após 12 semanas, o paciente perdeu 6 kg, a PA ambulatorial média foi de 134/86 mmHg. Relatou melhora significativa das tonturas e das cefaleias. Mantém medicação e segue em acompanhamento trimestral.
Lição clínica: A hipertensão essencial raramente apresenta sintomas iniciais. Medir a pressão regularmente e adotar mudanças no estilo de vida são tão importantes quanto o tratamento farmacológico para o controle efetivo da doença.
O que é o CID I10 na prática médica
O CID I10 é o código da Classificação Internacional de Doenças (10ª edição) para hipertensão essencial (primária). Isso significa que a pressão arterial elevada não tem uma causa secundária identificável (como doença renal, tumores ou estenose de artéria renal). Cerca de 90 a 95% dos casos de hipertensão são essenciais. Na prática clínica, o diagnóstico é feito quando a pressão arterial sistólica (máxima) está consistentemente igual ou superior a 140 mmHg e/ou a diastólica (mínima) igual ou superior a 90 mmHg, em medições repetidas e em condições adequadas. O CID I10 é um dos códigos mais frequentes nos consultórios e hospitais brasileiros, especialmente em pacientes acima de 40 anos.
Subcategorias e variantes do CID I10
O CID I10 não possui subdivisões oficiais na CID-10, mas a prática clínica utiliza classificações adicionais para orientar o tratamento:
- Hipertensão estágio 1: PAS 140-159 mmHg e/ou PAD 90-99 mmHg
- Hipertensão estágio 2: PAS ≥160 mmHg e/ou PAD ≥100 mmHg
- Crise hipertensiva: PAS >180 mmHg e/ou PAD >120 mmHg – requer atendimento de urgência
- Hipertensão resistente: pressão não controlada com 3 ou mais anti-hipertensivos, incluindo um diurético
- Hipertensão mascarada: pressão normal no consultório, mas elevada na monitorização ambulatorial de 24 horas
- Hipertensão do jaleco branco: pressão elevada no consultório, mas normal fora dele
Outros códigos relacionados incluem CID 010 (tuberculose pulmonar) e CID Z000 (exame médico geral), utilizados em contextos distintos.
Sintomas e como a doença se manifesta
A hipertensão essencial é conhecida como “assassina silenciosa” porque, na maioria dos casos, não causa sintomas por anos ou até décadas. Quando os sintomas aparecem, geralmente indicam que a pressão está muito alta ou já causou danos a órgãos-alvo:
- Cefaleia occipital (na nuca) – típica da manhã
- Tontura ou vertigem
- Zumbido no ouvido
- Palpitações
- Fadiga inexplicada
- Visão borrada ou manchas
- Epistaxe (sangramento nasal) – em casos graves
- Dor no peito, falta de ar ou edema (inchaço) – quando há comprometimento cardíaco
É fundamental lembrar que muitos pacientes permanecem assintomáticos até sofrerem um infarto ou AVC. Por isso, a medição regular da pressão é indispensável.
Causas e fatores de risco
A hipertensão primária tem origem multifatorial. Os principais fatores de risco incluem:
- Idade – risco aumenta com o envelhecimento
- História familiar – predisposição genética
- Obesidade e sobrepeso – IMC ≥25 kg/m²
- Sedentarismo
- Tabagismo
- Consumo excessivo de álcool
- Dieta rica em sódio e pobre em potássio
- Estresse crônico
- Diabetes mellitus e dislipidemia
- Apneia obstrutiva do sono
No caso do Senhor Almir, a obesidade, o sedentarismo (motorista) e a dieta inadequada contribuíram diretamente para o desenvolvimento da doença.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico de hipertensão é essencialmente clínico e baseia-se na medição da pressão arterial com aparelho calibrado e técnica correta. As diretrizes brasileiras (2025) recomendam:
- Medir a PA em ambos os braços na primeira consulta
- Realizar pelo menos duas medições em momentos diferentes
- Confirmar com Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) de 24 horas em casos de dúvida ou hipertensão do jaleco branco
- Investigar lesões em órgãos-alvo: eletrocardiograma, ecocardiograma, fundo de olho, creatinina, urina tipo I, e ultrassonografia renal se necessário
- Excluir causas secundárias: dosagem de renina, aldosterona, cortisol e catecolaminas urinárias em casos suspeitos
O diagnóstico diferencial inclui hipertensão secundária por CID 083 (parasitoses) ou CID 200 (neoplasias), mas essas são situações bem menos comuns.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da hipertensão essencial combina medidas não farmacológicas e farmacológicas. A meta pressórica geral é manter a PA abaixo de 130/80 mmHg para a maioria dos pacientes (diretrizes 2025-2026).
Tratamento não farmacológico:
- Redução do consumo de sódio (< 2 g/dia)
- Adoção da dieta DASH (rica em frutas, vegetais e laticínios magros)
- Perda de peso (5-10% do peso corporal)
- Exercício físico aeróbico ≥ 150 min/semana
- Moderação no álcool e cessação do tabagismo
- Controle do estresse (meditação, ioga, psicoterapia)
Tratamento farmacológico:
- Diuréticos tiazídicos (ex: Hidroclorotiazida)
- IECA (ex: Captopril, Enalapril)
- BRA (ex: Losartana, Valsartana)
- Bloqueadores dos canais de cálcio (ex: Anlodipino, Nifedipino)
- Betabloqueadores (ex: Atenolol, Metoprolol) – usados em associação
- Espironolactona – para hipertensão resistente
A escolha do medicamento depende do perfil do paciente, comorbidades e efeitos adversos. Geralmente inicia-se com monoterapia e, se necessário, associa-se um segundo ou terceiro fármaco.
Para informações sobre medicamentos comuns, veja Omeprazol para que serve e Dipirona para que serve.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado para o CID I10 depende da situação clínica:
- Crise hipertensiva sintomática: 1 a 3 dias de repouso, com retorno médico para reavaliação
- Ajuste de medicação sem sintomas graves: geralmente não há afastamento; o paciente é orientado a seguir com as atividades
- Hipertensão grave com lesão de órgão-alvo (ex: AVC, infarto): afastamento por 30 a 90 dias, conforme evolução e necessidade de reabilitação
- Exames diagnósticos (MAPA, ECG, etc.): 1 dia quando necessário
Na prática, a maioria dos pacientes com hipertensão controlada não precisa de atestado. Quando há sintomas como cefaleia intensa ou tontura, o médico pode recomendar 1 a 2 dias de repouso. O código CID I10 isolado não garante dias fixos de atestado; a decisão é individualizada.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento de emergência imediatamente se apresentar:
- Pressão arterial ≥ 180/120 mmHg medida em casa ou em farmácia
- Dor torácica, aperto ou desconforto no peito
- Falta de ar súbita
- Fraqueza ou dormência em um lado do corpo
- Dificuldade para falar ou entender
- Perda súbita de visão
- Dor de cabeça muito forte e repentina
- Náuseas e vômitos associados à pressão alta
- Desmaio ou tontura extrema
Esses sinais podem indicar crise hipertensiva, acidente vascular cerebral (AVC), infarto agudo do miocárdio ou edema pulmonar. Ligue para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro mais próximo.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da hipertensão essencial é baseada em hábitos saudáveis desde a infância:
- Manter peso adequado
- Praticar atividade física regularmente
- Alimentação balanceada, com baixo teor de sódio
- Evitar tabaco e excesso de álcool
- Controlar estresse
- Medir a pressão ao menos uma vez ao ano em adultos saudáveis
- Tratar comorbidades como diabetes e colesterol alto
Para quem já possui o diagnóstico, o acompanhamento contínuo é essencial: consultas regulares (a cada 3 a 6 meses), adesão à medicação, monitoramento domiciliar da PA e exames periódicos para detectar lesões precoces. O autocuidado é o pilar do controle.
- 01. Compre um monitor de pressão arterial automático validado e meça a pressão sempre no mesmo horário, em repouso e com o braço apoiado na altura do coração.
- 02. Reduza o sal de forma progressiva: evite alimentos ultraprocessados, temperos prontos e molhos industrializados. Use ervas e limão para temperar.
- 03. Se você fuma, procure ajuda para parar. O cigarro eleva a pressão em até 15 mmHg durante o ato e danifica as artérias.
- 04. Não interrompa o tratamento anti-hipertensivo por conta própria, mesmo que a pressão esteja normal. A interrupção pode causar efeito rebote e crise hipertensiva.
- 05. Associe exercícios aeróbicos (caminhada, corrida, natação) com treino resistido (pesos, pilates). Ambos são eficazes para reduzir a PA.
- 06. Mantenha um diário de pressão e leve-o às consultas médicas. Isso ajuda o profissional a ajustar a medicação de forma precisa.
- 07. Durma bem: a apneia obstrutiva do sono é uma causa frequente de hipertensão resistente. Se você ronca forte e tem sonolência diurna, procure um especialista.
Perguntas Frequentes sobre o CID I10
O CID I10 garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo. Em média, para crises hipertensivas leves, o médico concede 1 a 3 dias. Para casos com complicações (AVC, infarto), o afastamento pode ser de 30 a 90 dias. O CID I10 isolado não determina dias de atestado.
Qual é a diferença entre hipertensão primária e secundária?
A hipertensão primária (CID I10) não tem causa identificável; a secundária (códigos I11-I15) é decorrente de doenças renais, endócrinas ou vasculares. A abordagem e o tratamento diferem.
O CID I10 tem cura?
A hipertensão essencial não tem cura, mas é tratável. Com medicação contínua e mudanças no estilo de vida, a maioria dos pacientes atinge o controle pressórico e reduz significativamente o risco cardiovascular.
Posso usar o CID I10 para justificar faltas no trabalho?
Sim, desde que haja uma condição clínica que justifique o afastamento (como crise hipertensiva). O médico avaliará e fornecerá o atestado com o CID correspondente.
Quais exames são necessários para confirmar o CID I10?
Basicamente, aferições repetidas da PA. Exames complementares (ECG, ecocardiograma, exames de sangue) avaliam lesões em órgãos-alvo e descartam causas secundárias.
O que significa “essencial” no nome da doença?
“Essencial” é sinônimo de “primária” ou “de causa desconhecida”. Significa que a hipertensão não é secundária a outra doença identificável.
O CID I10 é usado para crianças?
Sim, embora menos comum. Quando uma criança apresenta hipertensão, deve-se sempre investigar causa secundária. Em adolescentes obesos, o quadro pode ser essencial.
Posso tomar medicamento para pressão só quando sinto sintomas?
Não. A hipertensão é uma doença crônica que requer tratamento contínuo. Tomar medicação apenas nos dias com sintomas deixa a pressão descontrolada e aumenta o risco de infarto e AVC.
O CID I10 pode ser usado em atestados de óbito?
Sim. Se a hipertensão for a causa básica da morte (por exemplo, por AVC ou infarto decorrente), o médico pode preencher com CID I10.
A pressão 140/90 já é considerada doença?
Sim. De acordo com as diretrizes brasileiras (2025), valores ≥140/90 mmHg em medições repetidas caracterizam hipertensão estágio 1 e indicam início de tratamento, inicialmente com medidas não farmacológicas.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
Na Clinica Popular Fortaleza você encontra consultas acessíveis com médicos que explicam seu diagnóstico e orientam o melhor tratamento.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Referências externas:
– CID10.com.br – Classificação Internacional de Doenças
– Ministério da Saúde – Hipertensão
– PubMed – Diretrizes de hipertensão 2025
Artigos relacionados:
– CID R11 – Náusea e Vômitos
– CID Z000 – Exame Médico Geral
– CID 010 – Tuberculose Pulmonar
– CID 083 – Significado e Cuidados
– CID 200 – O que significa
– CID F41 – Ansiedade
– CID M54 – Dorsalgia
– CID J06 – Infecção Respiratória
– CID J30 – Rinite Alérgica
– CID K21 – Refluxo
– CID N39 – Infecção Urinária
– CID G43 – Enxaqueca
– CID J45 – Asma
– Omeprazol para que serve
– Dipirona para que serve
– Ibuprofeno para que serve
– Amoxicilina para que serve
– Azitromicina para que serve
– Nimesulida para que serve
– Paracetamol para que serve


