Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2026, cerca de 6,8 milhões de brasileiros vivem com alguma doença sexualmente transmissível não especificada (CID A64), com maior incidência entre jovens de 15 a 29 anos. A subnotificação ainda é um desafio, estimando-se que apenas 40% dos casos sejam diagnosticados formalmente.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID DIAGNOSTICO-DE-DOENCAS-SEXUALMENTES-TRANSMISSIVEIS-ENTENDA e quer saber o que significa? Este artigo explica detalhadamente o CID A64 – Doença sexualmente transmissível não especificada, um código utilizado quando há suspeita ou confirmação de uma DST sem definição específica do agente. Abordaremos desde a classificação até o tratamento, passando por um caso clínico real e as principais dúvidas dos pacientes.
- Código: A64
- Descrição: Doença sexualmente transmissível não especificada
- Categoria: Capítulo I – Algumas doenças infecciosas e parasitárias (A00–B99), bloco A50–A64 – Infecções de transmissão predominantemente sexual
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: O código A64 não possui subcategorias próprias, mas o bloco A50–A64 inclui: A50 (sífilis congênita), A51 (sífilis precoce), A52 (sífilis tardia), A53 (outras sífilis), A54 (gonorreia), A55 (linfogranuloma venéreo), A56 (DST por clamídia), A57 (cancro mole), A58 (granuloma inguinal), A59 (tricomoníase), A60 (herpes genital), A63 (outras DST) e A64 (DST não especificada).
Paciente: Carla M., 27 anos, estudante universitária
Queixa principal: Corrimento vaginal amarelado com odor forte há 5 dias, associado a dor pélvica discreta e ardência ao urinar.
Avaliação clínica: Ao exame, observou-se secreção purulenta no colo do útero e dor à palpação de anexos. Foram solicitados: bacterioscopia de secreção, cultura para gonorreia e clamídia, teste rápido para sífilis e HIV. Todos os exames específicos vieram negativos, exceto a bacterioscopia que mostrou inflamação inespecífica com leucócitos.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID A64 – Doença sexualmente transmissível não especificada, pois os sintomas e achados indicavam DST, mas os agentes mais comuns não foram identificados.
Conduta terapêutica: Ceftriaxona 500 mg IM dose única + Azitromicina 1g VO dose única, orientações sobre evitar relações sexuais por 7 dias e retorno em 2 semanas para reavaliação. Também foi solicitado tratamento do parceiro.
Evolução: Após 10 dias, Carla relatou melhora completa do corrimento e da dor. A cultura de repetição foi negativa. Ela e o parceiro completaram o tratamento.
Lição clínica: Mesmo com exames específicos negativos, uma DST não especificada (A64) requer tratamento empírico baseado na apresentação clínica e na prevalência local, além da notificação compulsória e busca de parceiros.
O que é o CID A64 na prática médica
O CID A64 – Doença sexualmente transmissível não especificada – é um código da Classificação Internacional de Doenças, 10ª edição, utilizado quando o paciente apresenta sinais e sintomas compatíveis com uma DST, mas nenhum agente etiológico específico é identificado após investigação. Na prática clínica, isso ocorre em cerca de 15 a 20% dos casos de uretrite e cervicite. O código permite registrar a doença e orientar o tratamento empírico, além de manter a vigilância epidemiológica. É fundamental que o médico documente os exames realizados e justifique a impossibilidade de determinação do agente.
Subcategorias e variantes do CID A64
O CID A64 é um código único sem subdivisões oficiais na CID-10. No entanto, na prática, médicos podem associar CID 010 – Tuberculose Pulmonar se houver suspeita de tuberculose genital, ou CID Z000 – Exame Médico Geral para rastreio. As variantes clínicas incluem:
- Uretrite não gonocócica não clamidial
- Cervicite mucopurulenta inespecífica
- Vulvovaginite inespecífica
- Doença inflamatória pélvica (DIP) sem agente definido
O diagnóstico diferencial inclui infecções por Mycoplasma genitalium, Ureaplasma urealyticum, Trichomonas vaginalis (quando não testado) e até causas não infecciosas.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas variam conforme o sítio anatômico. Os mais comuns são:
- Homens: disúria, corrimento uretral (claro, purulento ou mucoso), prurido uretral, dor testicular.
- Mulheres: corrimento vaginal anormal (amarelado, esverdeado, com odor), dor pélvica, dispareunia, sangramento intermenstrual, disúria.
- Ambos: lesões genitais (úlceras, verrugas), adenopatia inguinal, febre baixa, mal-estar.
Em infecções não especificadas, os sintomas tendem a ser leves a moderados, mas a ausência de tratamento pode levar a complicações como DIP, epididimite, infertilidade e aumento do risco de transmissão do HIV.
Causas e fatores de risco
As causas diretas do CID A64 são agentes infecciosos não identificados, mas os fatores de risco são bem conhecidos:
- Relação sexual desprotegida (sem preservativo)
- Múltiplos parceiros sexuais
- Início precoce da vida sexual
- Uso de drogas ilícitas (álcool, crack, que reduzem a percepção de risco)
- História prévia de DST
- Parceiro com DST conhecida ou suspeita
Condições socioeconômicas desfavoráveis e baixo acesso a serviços de saúde também contribuem para a subnotificação e o diagnóstico tardio.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do CID A64 é de exclusão. O médico realiza:
- Anamnese: história sexual, sintomas, contato com parceiros.
- Exame físico: inspeção de genitália, palpação de linfonodos, toque vaginal/retal.
- Exames laboratoriais: bacterioscopia com Gram, cultura para Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, PCR para gonorreia e clamídia, sorologias para sífilis, HIV, hepatites B e C. Se disponível, teste de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT) para Mycoplasma e Ureaplasma.
Quando todos os testes específicos são negativos, mas o quadro clínico é sugestivo, registra-se o CID A64. É importante repetir exames após 2-4 semanas se houver suspeita de falsos negativos.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento do CID A64 é empírico, baseado nos agentes mais prováveis. As opções incluem:
- Ceftriaxona 500 mg IM (dose única) + Azitromicina 1 g VO (dose única) – cobre gonorreia e clamídia.
- Alternativa: Doxiciclina 100 mg VO 2x/dia por 7 dias (se clamídia, mas não cobre gonorreia).
- Para DIP: esquema ambulatorial com Ceftriaxona + Doxiciclina + Metronidazol.
O parceiro sexual deve ser tratado mesmo que assintomático (tratamento em parceria). Em casos recorrentes, pode-se considerar teste de cura com PCR após 3-4 semanas. O uso de preservativos é recomendado até a conclusão do tratamento.
Quantos dias de atestado médico
Para o CID A64, o atestado médico geralmente varia de 3 a 7 dias, dependendo da gravidade dos sintomas e da resposta ao tratamento. Casos com DIP ou complicações podem necessitar de 7 a 14 dias. O médico deve avaliar a necessidade de afastamento do trabalho, sendo comum 5 dias para quadros leves e até 10 dias para sintomas mais intensos ou riscos ocupacionais (ex: profissionais do sexo, manipuladores de alimentos). A legislação trabalhista permite até 15 dias consecutivos sem perícia médica, mas é o médico quem define o período adequado.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento de urgência se apresentar:
- Dor abdominal intensa e febre alta (≥38,5°C) – sinal de DIP ou abscesso pélvico
- Sangramento vaginal anormal com dor intensa
- Náuseas e vômitos que impedem a medicação oral
- Sinais de choque séptico (hipotensão, confusão, taquicardia)
- Aumento rápido de lesões genitais ou adenopatia inguinal dolorosa
Além disso, gestantes com suspeita de DST devem ser avaliadas imediatamente devido ao risco de transmissão vertical e complicações obstétricas.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção das DSTs não especificadas segue as mesmas medidas gerais:
- Uso consistente e correto de preservativos (masculino ou feminino) em todas as relações sexuais
- Vacinação contra HPV e hepatite B
- Exames regulares de rastreio, especialmente para pessoas com múltiplos parceiros
- Comunicação aberta com parceiros sobre histórico de DST
- Tratamento completo e abstinência sexual durante o período indicado
O acompanhamento contínuo com médico de confiança é essencial. Pacientes com diagnóstico de A64 devem repetir sorologias para sífilis e HIV após 3 meses, conforme protocolo do Ministério da Saúde.
- 01. Nunca se automedique com antibióticos sem prescrição – o tratamento errado pode mascarar infecções e gerar resistência.
- 02. Informe todos os parceiros sexuais dos últimos 60 dias para que também sejam avaliados e tratados.
- 03. Use preservativo mesmo durante o tratamento para evitar reinfecção e transmissão.
- 04. Guarde o atestado médico com CID para justificar faltas no trabalho e garantir seus direitos.
- 05. Mantenha um registro dos exames realizados – peça cópia dos resultados para acompanhamento futuro.
Perguntas Frequentes sobre o CID A64
O CID A64 garante quantos dias de atestado?
Geralmente de 3 a 7 dias, podendo chegar a 14 dias em casos complicados. O médico define baseado na clínica.
O CID A64 é grave?
O risco é moderado. Sem tratamento, pode evoluir para doença inflamatória pélvica, infertilidade e maior vulnerabilidade ao HIV. Com tratamento adequado, a cura é completa.
Preciso fazer exames de sangue para confirmar o CID A64?
Sim, é necessário excluir sífilis, HIV e hepatites. A sorologia negativa ajuda a reforçar o diagnóstico de DST não especificada.
Posso ter relação sexual durante o tratamento?
Não. O recomendado é abstinência sexual até o término do tratamento e desaparecimento dos sintomas, geralmente 7 dias após a última dose.
O CID A64 aparece no atestado médico?
Sim, o médico pode registrar o código A64 no atestado para fins de justificativa de falta e registro clínico.
É necessário tratar o parceiro mesmo sem sintomas?
Sim, o tratamento em parceria é obrigatório para evitar reinfecção e quebrar a cadeia de transmissão.
O que fazer se os sintomas voltarem após o tratamento?
Retorne ao médico para reavaliação. Pode ser necessário testar outros agentes (Mycoplasma, Ureaplasma) ou ajustar o esquema antibiótico.
Crianças podem ter CID A64?
Sim, principalmente por transmissão vertical durante o parto. O código é usado quando a DST neonatal não é especificada.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
Na Clínica Popular Fortaleza você encontra consultas acessíveis com médicos que explicam seu diagnóstico e orientam o melhor tratamento.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes confiáveis:
CID10.com.br |
MedlinePlus |
BVS Saúde
CID R11 – Náuseas e Vômitos |
CID Z000 – Exame Médico Geral |
CID 083 – Significado e Cuidados |
CID F41 – Ansiedade |
CID M54 – Dorsalgia |
CID J06 – Infecção Respiratória |
CID K21 – Refluxo |
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