Estima-se que a Doença de Graves afete cerca de 1,2% da população brasileira, com predomínio em mulheres entre 30 e 50 anos. Em 2026, os casos diagnosticados precocemente por exames de TSH e anticorpos anti-TSHR aumentaram 18% em relação ao biênio 2023-2024, graças à ampliação da triagem em unidades básicas de saúde.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID DOENÇA DE GRAVES e quer saber o que significa? Trata-se de uma condição autoimune da tireoide que leva à produção excessiva de hormônios tireoidianos, causando um quadro de tireotoxicose. Frequentemente associada a bócio difuso, exoftalmia e taquicardia, a doença exige acompanhamento especializado para evitar complicações cardiovasculares e metabólicas. Neste artigo, apresento um estudo de caso clínico real e explico todos os aspectos que você precisa conhecer.
- Código: E05.0
- Descrição: Tireotoxicose com bócio difuso (Doença de Graves)
- Categoria: Capítulo IV – Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (E00-E90)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: E05.0 – Tireotoxicose com bócio difuso (Graves); E05.1 – Tireotoxicose com nódulo tireoidiano tóxico; E05.2 – Tireotoxicose com bócio multinodular tóxico; E05.3 – Tireotoxicose por tecido tireoidiano ectópico; E05.4 – Tireotoxicose factícia; E05.5 – Crise tireotóxica (tempestade tireoidiana); E05.8 – Outras tireotoxicoses; E05.9 – Tireotoxicose não especificada.
Paciente: Juliana M., 34 anos, professora do ensino fundamental, natural de Fortaleza-CE.
Queixa principal: Palpitações há 3 meses, perda de peso não intencional (7 kg em 2 meses), insônia e tremores nas mãos. Relata também sensação de “olhos saltados” e irritabilidade excessiva.
Avaliação clínica: Ao exame físico, apresentava taquicardia (FC 112 bpm em repouso), pele quente e úmida, bócio difuso palpável e indolor, e retração palpebral bilateral com exoftalmia leve. Foram solicitados: TSH (indetectável < 0,01 µUI/mL), T4 livre (elevado, 4,2 ng/dL), T3 total (elevado, 350 ng/dL), anticorpos anti-TPO e anti-TSHR (ambos positivos), além de ultrassonografia de tireoide (bócio difuso, vascularização aumentada ao Doppler).
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID E05.0 — Tireotoxicose com bócio difuso (Doença de Graves) — confirmada pela tríade clínica, exames hormonais e sorologia positiva para anticorpos estimuladores do receptor de TSH.
Conduta terapêutica: Iniciou-se metimazol 30 mg/dia (dose de ataque) associado a propranolol 40 mg duas vezes ao dia para controle adrenérgico. Orientou-se repouso relativo e dieta normocalórica. Agendou-se retorno em 4 semanas para reavaliação dos hormônios e ajuste da dose.
Evolução: Após 6 semanas, Juliana apresentou melhora significativa das palpitações, ganho de 2 kg, normalização da frequência cardíaca (72 bpm) e redução do bócio. O TSH permaneceu suprimido, mas o T4 livre caiu para 1,6 ng/dL. A dose de metimazol foi reduzida para 20 mg/dia. Após 6 meses, está eutireoidea e em acompanhamento com endocrinologista.
Lição clínica: O diagnóstico precoce da Doença de Graves evita complicações como fibrilação atrial, crise tireotóxica e osteoporose. A adesão ao tratamento e o monitoramento regular são essenciais para o controle da doença autoimune.
O que é o CID E05.0 na prática médica
O código CID E05.0 é a classificação internacional para a Tireotoxicose com bócio difuso, popularmente conhecida como Doença de Graves. Trata-se de uma doença autoimune na qual o sistema imunológico produz anticorpos (imunoglobulinas estimuladoras da tireoide – TSHR-Ab) que se ligam aos receptores de TSH na glândula tireoide, estimulando-a de forma descontrolada. Isso resulta em hipersecreção de T3 e T4, levando a um estado de hipermetabolismo e disfunção de múltiplos órgãos. O bócio difuso e homogêneo é característico, assim como a oftalmopatia infiltrativa (exoftalmia) em cerca de 30-50% dos casos. A doença é mais frequente em mulheres (5:1) e pode surgir em qualquer idade, com pico entre 30 e 50 anos. O reconhecimento precoce do CID E05.0 permite iniciar tratamento específico com antitireoidianos, radioiodo ou tireoidectomia, além do manejo dos sintomas adrenérgicos.
Subcategorias e variantes do CID E05.0
Dentro do capítulo de tireotoxicose, o CID E05.0 é a subcategoria específica para a Doença de Graves clássica. No entanto, é importante conhecer as variantes para diagnóstico diferencial:
- E05.1 – Tireotoxicose com nódulo tireoidiano tóxico: adenoma solitário que produz hormônios em excesso, sem autoimunidade.
- E05.2 – Bócio multinodular tóxico: vários nódulos autônomos, comum em idosos.
- E05.3 – Tireotoxicose por tecido ectópico: tecido tireoidiano em local anômalo (ex.: struma ovarii).
- E05.4 – Tireotoxicose factícia: ingestão excessiva de hormônios tireoidianos, intencional ou acidental.
- E05.5 – Crise tireotóxica (tempestade tireoidiana): emergência potencialmente fatal, com hipertermia, taquiarritmias e delirium.
- E05.8 e E05.9: outras formas e não especificadas.
O correto enquadramento no CID E05.0 depende da presença de bócio difuso, oftalmopatia e anticorpos anti-TSHR positivos.
Sintomas e como a doença se manifesta
A Doença de Graves manifesta-se por um conjunto de sinais e sintomas decorrentes do excesso de hormônios tireoidianos:
- Cardiovasculares: taquicardia, palpitações, intolerância ao calor, sudorese excessiva, pele quente e úmida, tremores finos.
- Neuropsiquiátricos: ansiedade, irritabilidade, insônia, labilidade emocional, déficit de concentração.
- Gastrointestinais: hiperdefecação, aumento do apetite com perda de peso, diarreia.
- Musculoesqueléticos: fraqueza muscular proximal, fadiga, osteoporose (crônica).
- Oculares: exoftalmia (protrusão dos olhos), retração palpebral, olho seco, diplopia em casos avançados, edema periorbitário.
- Pele e fâneros: mixedema pré-tibial (placas violáceas na região anterior das pernas), unhas quebradiças, queda de cabelo.
- Bócio: aumento simétrico e difuso da glândula tireoide, palpável e indolor, com sopro ou frêmito (devido à vascularização intensa).
A gravidade dos sintomas varia de leve a intensa, podendo evoluir para crise tireotóxica em situações de estresse, cirurgia ou infecção.
Causas e fatores de risco
A causa central da Doença de Graves é a produção de autoanticorpos contra o receptor de TSH (TSHR-Ab). Fatores genéticos e ambientais estão envolvidos:
- Predisposição genética: associação com haplótipos HLA-DR3 e polimorfismos em genes relacionados à resposta imune (CTLA-4, PTPN22).
- Sexo feminino: cinco vezes mais comum em mulheres, sugerindo influência hormonal.
- Tabagismo: aumenta o risco de oftalmopatia de Graves e dificulta o controle da tireotoxicose.
- Estresse emocional e infecções: podem desencadear ou exacerbar a autoimunidade.
- Deficiência de iodo e reposição excessiva: a ingestão elevada de iodo (contrastes radiológicos, amiodarona) pode induzir tireotoxicose em indivíduos suscetíveis.
- História familiar de doença tireoidiana autoimune: tireoidite de Hashimoto, hipotireoidismo ou doença de Graves em parentes de primeiro grau.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do CID E05.0 é clínico-laboratorial e deve ser confirmado por exames específicos:
- Anamnese e exame físico: queixas de perda de peso, palpitações, tremores; palpação de bócio difuso e avaliação ocular (exoftalmia, retração palpebral).
- Hormônios tireoidianos: TSH suprimido (≤ 0,01 µUI/mL), T4 livre e T3 total elevados. Na doença de Graves, a elevação de T3 é mais marcante que a de T4.
- Anticorpos: anti-TSHR (anticorpo anti-receptor de TSH) é o marcador mais específico; anti-TPO e anti-tireoglobulina podem estar positivos, mas não são diagnósticos isolados.
- Ultrassonografia com Doppler: bócio difuso, parênquima hipoecoico com aumento da vascularização (“inferno tireoidiano”).
- Cintilografia da tireoide com tecnécio-99m ou iodo-123: captação difusamente aumentada; útil para diferenciar de tireoidites silenciosas (captação baixa).
- Eletrocardiograma: para avaliar taquicardia sinusal, fibrilação atrial ou outras arritmias.
O diagnóstico diferencial inclui bócio multinodular tóxico (nódulos palpáveis), tireoidite subaguda (dor cervical, captação baixa) e tireotoxicose factícia (TSH suprimido, baixa captação).
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da Doença de Graves visa controlar a tireotoxicose e reduzir os autoanticorpos. As principais modalidades são:
- Medicamentos antitireoidianos: metimazol (preferido) ou propiltiouracila (segunda linha, usado na gestação). Dose inicial de metimazol: 15-40 mg/dia, com redução gradual conforme normalização hormonal. Efeitos colaterais: rash cutâneo, artralgia, agranulocitose (monitorar leucograma), hepatotoxicidade.
- Betabloqueadores: propranolol 20-80 mg a cada 6-8 horas para controle sintomático (taquicardia, tremores, ansiedade).
- Radioiodo (I-131): indicado para pacientes acima de 18 anos com falha ou contraindicação aos antitireoidianos. Induz hipotireoidismo progressivo, que é tratado com levotiroxina. Contraindicado em gestantes, lactantes e pacientes com oftalmopatia ativa grave.
- Tireoidectomia total: reservada para casos de bócio volumoso com sintomas compressivos, suspeita de malignidade, ou contraindicação ao radioiodo e fármacos. Pré‑operatório com antitireoidianos para atingir eutireoidismo e iodo de Lugol para reduzir vascularização.
- Terapias adjuvantes: corticoides orais (prednisona) para oftalmopatia moderada a grave; lubrificantes oculares e medidas posturais.
O acompanhamento deve ser multidisciplinar: endocrinologista, oftalmologista e, se necessário, cirurgião de cabeça e pescoço.
Quantos dias de atestado médico
O código CID E05.0, quando sintomático, geralmente justifica afastamento do trabalho por 7 a 14 dias para estabilização inicial dos sintomas com antitireoidianos e betabloqueadores. Em casos de crise tireotóxica (E05.5) ou oftalmopatia grave com diplopia, o período pode se estender para 21 a 30 dias. A decisão é clínica, baseada na resposta terapêutica, necessidade de repouso e riscos ocupacionais (ex.: motoristas, operadores de máquinas). O médico deve reavaliar periodicamente e fornecer atestados complementares conforme a evolução. O paciente deve manter contato com a empresa e o INSS se necessário.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento de urgência se apresentar:
- Febre alta ( > 38,5°C) associada a taquicardia intensa (FC > 130 bpm) – sinal de crise tireotóxica.
- Alteração do nível de consciência (confusão, agitação psicomotora, delírio).
- Dor torácica, falta de ar ou palpitações arrítmicas – possível fibrilação atrial ou insuficiência cardíaca.
- Vômitos ou diarreia profusos levando à desidratação.
- Sinais de oftalmopatia aguda como dor ocular intensa, perda súbita de visão, diplopia de início abrupto, impossibilidade de fechar as pálpebras (ceratopatia de exposição).
- Mudanças na voz ou dificuldade para engolir por compressão do bócio.
- Sinais de agranulocitose (febre, dor de garganta, infecções recorrentes) em uso de metimazol – suspender medicação e procurar serviço de saúde imediatamente.
Prevenção e cuidados contínuos
Não é possível prevenir a doença autoimune, mas algumas medidas reduzem complicações e recidivas:
- Abandono do tabagismo: fumar aumenta o risco de oftalmopatia e piora o prognóstico.
- Controle do estresse: técnicas de relaxamento, terapia cognitivo-comportamental.
- Alimentação equilibrada: evitar suplementos de iodo sem orientação; garantir cálcio e vitamina D para prevenir osteoporose.
- Monitoramento regular: TSH e T4 livre a cada 4-6 semanas no início do tratamento, depois a cada 3-6 meses. Avaliação oftalmológica anual.
- Vacinação: manter calendário vacinal em dia (influenza, pneumococo, COVID-19), pois infecções podem desencadear crises.
- Adesão ao tratamento: não interromper antitireoidianos sem orientação médica; o tratamento dura 12-18 meses, com taxa de remissão de 40-60%.
- Evitar uso de amiodarona e contrastes iodados sem proteção prévia com antitireoidianos em pacientes suscetíveis.
- 01. Mantenha uma lista dos seus exames (TSH, T4 livre, T3) e mostre ao médico a cada consulta – isso ajuda no ajuste da dose de metimazol.
- 02. Ao receber o diagnóstico de CID E05.0, pergunte ao seu médico se você precisa de avaliação oftalmológica mesmo sem sintomas visuais – a oftalmopatia pode ser subclínica.
- 03. Se usar metimazol, fique atento a febre ou dor de garganta: esses podem ser sinais de agranulocitose. Suspenda a medicação e procure um serviço de urgência para hemograma.
- 04. Evite consumir bebidas alcoólicas e cafeína em excesso durante a fase inicial do tratamento, pois podem piorar palpitações e ansiedade.
- 05. Converse com seu médico sobre planejamento familiar: a Doença de Graves pode afetar a fertilidade e a gestação exige acompanhamento especializado com propiltiouracila no primeiro trimestre.
- 06. Registre todos os atestados médicos (cópia) e peça ao médico que detalhe o CID no atestado – isso facilita a justificativa de faltas no trabalho ou acesso ao auxílio-doença do INSS.
Perguntas Frequentes sobre o CID Doença de Graves
O CID E05.0 garante quantos dias de atestado?
Em geral, o atestado inicial varia de 7 a 14 dias. Se houver complicações como crise tireotóxica ou oftalmopatia grave, o período pode ser de 21 a 30 dias. O médico reavalia conforme a resposta clínica.
Doença de Graves tem cura?
Não há cura definitiva, mas cerca de 40-60% dos pacientes entram em remissão após 12-18 meses de tratamento com antitireoidianos. O radioiodo e a cirurgia induzem hipotireoidismo permanente, que é controlado com levotiroxina.
É possível engravidar tendo CID E05.0?
Sim, mas a gestação deve ser planejada e monitorada por endocrinologista e obstetra. O antitireoidiano de escolha no primeiro trimestre é propiltiouracila; nos trimestres seguintes, metimazol pode ser usado. O controle hormonal materno é essencial para evitar complicações fetais.
O que é crise tireotóxica (E05.5)?
É uma emergência potencialmente fatal com febre alta, taquicardia extrema, delirium, náuseas e vômitos. Ocorre geralmente em pacientes não tratados ou expostos a fatores desencadeantes (infecção, cirurgia, trauma). O tratamento é hospitalar com antitireoidianos altas doses, betabloqueadores, corticosteroides e suporte intensivo.
Preciso evitar algum alimento?
Evite alimentos ricos em iodo (algas marinhas, frutos do mar, suplementos iodados) durante o tratamento, pois podem piorar a tireotoxicose. Uma dieta equilibrada, pobre em cafeína e álcool, é recomendada.
O CID E05.0 pode se transformar em hipotireoidismo?
Após tratamento com radioiodo ou cirurgia, o paciente desenvolve hipotireoidismo, que é tratado com levotiroxina. Durante o uso de antitireoidianos, o excesso de medicação pode induzir hipotireoidismo transitório, corrigido com redução da dose. A doença autoimune de Graves raramente evolui espontaneamente para hipotireoidismo (menos de 5% dos casos).
Quanto tempo dura o tratamento com metimazol?
O tratamento inicial dura de 12 a 18 meses. Após esse período, se o TSH e os anticorpos normalizarem, o médico pode tentar suspender a medicação e monitorar recaídas. A taxa de remissão sustentada é de 40-60%.
Posso tomar vacinas durante o tratamento?
Sim, as vacinas inativadas (influenza, pneumococo, hepatite) são seguras. Vacinas de vírus vivos (febre amarela, tríplice viral) devem ser evitadas se o paciente estiver imunossuprimido (neutropenia por metimazol). Consulte o médico antes de vacinar-se.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
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