Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, as doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no Brasil, responsáveis por aproximadamente 30% de todos os óbitos registrados em 2025. Estima-se que, em 2026, mais de 500 mil brasileiros sofrerão infarto agudo do miocárdio, e cerca de 80% desses casos poderiam ser evitados com prevenção primária adequada.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID DOENÇAS-CARDIOVASCULARES e quer saber o que significa? Na Classificação Internacional de Doenças, as doenças do coração e dos vasos sanguíneos são agrupadas sob o capítulo IX (I00-I99). Este artigo aborda especificamente o CID I20-I25, que corresponde às doenças isquêmicas do coração, incluindo angina pectoris e infarto agudo do miocárdio. Entenda os detalhes clínicos, o manejo terapêutico e os direitos relacionados ao afastamento do trabalho.
- Código: I20-I25 (Doenças isquêmicas do coração)
- Descrição: Doenças isquêmicas do coração – angina pectoris, infarto agudo do miocárdio e complicações isquêmicas crônicas
- Categoria: Capítulo IX – Doenças do aparelho circulatório (CID-10)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: I20 (Angina pectoris), I21 (Infarto agudo do miocárdio), I22 (Infarto do miocárdio recorrente), I23 (Certas complicações atuais do IAM), I24 (Outras doenças isquêmicas agudas), I25 (Doença isquêmica crônica do coração)
Paciente: Carlos Alberto M., 58 anos, motorista de aplicativo, casado, hipertenso e dislipidêmico em tratamento irregular.
Queixa principal: “Dor no peito que irradia para o braço esquerdo há duas horas, junto com suor frio e falta de ar.”
Avaliação clínica: Ao exame, paciente com pressão arterial de 160/100 mmHg, frequência cardíaca 110 bpm, ausculta pulmonar com estertores finos em bases. ECG de 12 derivações mostrou supradesnivelamento do segmento ST em parede anterior. Exames laboratoriais: troponina ultrassensível de 5,8 ng/mL (valor de referência <0,04).
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o medico registrou o CID I21 (Infarto agudo do miocárdio transmural de parede anterior) – condição de alta letalidade que exige intervenção coronariana emergencial.
Conduta terapêutica: Realizada angioplastia primária com implante de um stent farmacológico na artéria descendente anterior. Prescrito dual antiagregação plaquetária (AAS 100 mg + clopidogrel 75 mg por 12 meses), estatina em alta dose, beta-bloqueador, inibidor da enzima de conversão e programa de reabilitação cardíaca supervisionado.
Evolução: Após 5 dias de internação, paciente recebeu alta com fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 52% (preservada). Retornou às atividades laborais leves após 45 dias, com acompanhamento trimestral em cardiologia.
Lição clínica: A dor torácica típica associada a fatores de risco cardiovascular deve ser tratada como emergência. O tempo porta-balão (tempo entre chegada ao hospital e angioplastia) foi de 58 minutos, dentro da meta recomendada de 90 minutos.
O que é o CID I20-I25 na prática médica
O CID I20-I25 abrange a doença isquêmica do coração, causada pela redução do fluxo sanguíneo nas artérias coronárias, geralmente por aterosclerose. A angina pectoris (I20) é a forma estável ou instável, enquanto o infarto agudo do miocárdio (I21) representa a necrose do músculo cardíaco. Na prática clínica, esses códigos são utilizados para faturamento de procedimentos, registro de óbitos, planejamento de saúde pública e justificativa de afastamento do trabalho. O médico deve especificar o tipo e a localização da isquemia para codificar corretamente.
Subcategorias e variantes do CID I20-I25
As principais subcategorias incluem:
- I20 – Angina pectoris: I20.0 (angina instável), I20.1 (angina com espasmo documentado), I20.8 (outras formas), I20.9 (não especificada).
- I21 – Infarto agudo do miocárdio (IAM): I21.0 (parede anterior), I21.1 (parede inferior), I21.2 (outras localizações), I21.3 (transmural não especificado), I21.4 (subendocárdico), I21.9 (IAM não especificado).
- I22 – Infarto do miocárdio recorrente: utilizado quando há um novo evento isquêmico após 28 dias do primeiro IAM.
- I23 – Complicações atuais do IAM: ruptura de parede, aneurisma, choque cardiogênico, etc.
- I24 – Outras doenças isquêmicas agudas: trombose coronária sem infarto, síndrome de Dressler, etc.
- I25 – Doença isquêmica crônica: I25.1 (cardiopatia aterosclerótica), I25.2 (IAM prévio sem sintomas atuais), I25.5 (miocardiopatia isquêmica), etc.
Sintomas e como a doença se manifesta
A doença isquêmica pode se apresentar de diversas formas:
- Angina estável: dor ou desconforto no peito (aperto, queimação) desencadeada por esforço, estresse ou frio, que melhora com repouso ou nitrato.
- Angina instável: dor em repouso, de início recente ou com piora progressiva – sinal de risco iminente de infarto.
- Infarto agudo do miocárdio: dor torácica intensa e prolongada (>20 minutos), irradiação para braço esquerdo, mandíbula ou costas, acompanhada de sudorese, náuseas, falta de ar e sensação de morte iminente. Pode ocorrer com sintomas atípicos (epigastralgia, dor nas costas) em mulheres, idosos e diabéticos.
- Isquemia silenciosa: ausência de sintomas detectada em exames como teste ergométrico ou Holter, comum em diabéticos.
Causas e fatores de risco
A principal causa é a aterosclerose coronariana, um processo inflamatório crônico que leva à formação de placas de gordura, cálcio e fibrina. Os fatores de risco modificáveis incluem tabagismo, hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemia (colesterol LDL elevado, HDL baixo), obesidade, sedentarismo e dieta rica em gorduras saturadas e ultraprocessados. Fatores não modificáveis são idade avançada, sexo masculino (embora o risco aumente na pós-menopausa), história familiar precoce de doença coronariana (homem <55 anos, mulher <65 anos) e etnia (maior incidência em negros e sul-asiáticos). O estresse crônico e a apneia obstrutiva do sono também contribuem significativamente.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico baseia-se na combinação de história clínica, exame físico, eletrocardiograma (ECG), biomarcadores cardíacos (troponina, CK-MB) e exames de imagem. Na emergência, um ECG com supradesnivelamento do segmento ST indica IAM com supra (STEMI). A troponina ultrassensível é o padrão ouro para detectar necrose miocárdica. Para angina estável, o teste ergométrico ou cintilografia miocárdica são utilizados; a angiografia coronária (cateterismo) confirma as lesões obstrutivas. Em casos indeterminados, a tomografia de coronárias com contraste é alternativa não invasiva.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento agudo do IAM visa restaurar o fluxo coronário o mais rápido possível: angioplastia primária com stent (padrão ouro nos países desenvolvidos) ou trombolítico quando o cateterismo não está disponível em até 120 minutos. Medicações essenciais incluem antiagregantes plaquetários (AAS + inibidor P2Y12), estatinas em alta dose, beta-bloqueadores, IECA/BRA e nitratos para alívio sintomático. Na angina estável, o tratamento clínico otimiza o controle dos fatores de risco e inclui betabloqueador, bloqueador de canal de cálcio e nitrato de longa duração, além de revascularização (stent ou ponte de safena) se indicado. A reabilitação cardíaca supervisionada reduz a mortalidade e melhora a qualidade de vida.
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento do trabalho depende da gravidade, do tipo de procedimento e da função ocupacional. Para um IAM sem complicações tratado com angioplastia, o repouso domiciliar recomendado é de 7 a 14 dias; atividades leves podem ser retomadas após 30–45 dias, e funções que exigem esforço físico intenso (como motorista profissional, operário da construção civil) podem necessitar de 60 a 90 dias. Pacientes submetidos a cirurgia de revascularização miocárdica (ponte de safena) ficam afastados em média 3 a 6 meses. O atestado deve ser emitido pelo médico assistente com CID específico e justificativa. A empresa pode solicitar perícia médica do INSS para afastamentos superiores a 15 dias.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento de emergência imediatamente se apresentar:
- Dor no peito intensa, com aperto ou queimação, que dura mais de 20 minutos e não melhora com repouso.
- Irradiação para o braço esquerdo, pescoço, mandíbula ou costas.
- Falta de ar repentina, mesmo sem dor torácica.
- Suor frio, náuseas, vômitos ou desmaio.
- Palpitações ou sensação de batimento cardíaco irregular e descompensado.
- Qualquer sintoma suspeito em portadores de fatores de risco (diabetes, hipertensão, tabagismo).
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção primária baseia-se em dieta equilibrada (padrão mediterrâneo), prática regular de exercícios aeróbicos (150 min/semana), cessação do tabagismo, controle rigoroso da pressão arterial (<130/80 mmHg), colesterol LDL (<100 mg/dL ou <70 mg/dL em risco alto), glicemia (HbA1c <7%) e peso corporal (IMC <25 kg/m²). A prevenção secundária após um evento cardiovascular inclui medicação crônica (estatina, antiagregante, beta-bloqueador, IECA), acompanhamento periódico com cardiologista e reabilitação cardíaca. A vacinação contra gripe e pneumococo reduz complicações infecciosas que podem descompensar o coração.
Complicações e prognóstico
As complicações do IAM incluem choque cardiogênico, insuficiência cardíaca congestiva, arritmias malignas (fibrilação ventricular, taquicardia ventricular), ruptura de parede livre ou septo interventricular, aneurisma ventricular e pericardite pós-infarto. O prognóstico é diretamente proporcional à rapidez do tratamento: o tempo porta‑balão <90 minutos reduz mortalidade hospitalar para menos de 5% nos centros de referência. A longo prazo, a taxa de reinfarto pode chegar a 20% em 5 anos se a prevenção secundária não for rigorosa. Pacientes com fração de ejeção <40% devem ser considerados para implante de cardiodesfibrilador (CDI) por risco de morte súbita.
- 01. Ao primeiro sinal de dor no peito, não hesite: ligue 192. Cada minuto perdido significa mais músculo cardíaco necrosado.
- 02. Mantenha a medicação de prevenção secundária sem interrupção, mesmo que se sinta bem. A adesão reduz o risco de novo infarto.
- 03. Adote a dieta DASH ou mediterrânea: reduza o sal para menos de 5 g/dia e priorize azeite de oliva, peixes gordurosos e vegetais.
- 04. Controle o estresse com técnicas de mindfulness ou ioga; o cortisol elevado acelera a aterosclerose.
- 05. Realize check-up anual com cardiologista a partir dos 40 anos, ou mais cedo se houver histórico familiar de infarto precoce.
Perguntas Frequentes sobre o CID Doenças Cardiovasculares
O CID I21 (infarto) garante quantos dias de atestado?
O período varia de 7 a 14 dias de repouso absoluto, podendo se estender por 30 a 90 dias conforme a necessidade de reabilitação e o tipo de trabalho. O médico assistente definirá a duração com base na evolução clínica.
Qual a diferença entre CID I20 e I21?
I20 refere-se à angina pectoris (isquemia transitória sem necrose), enquanto I21 indica infarto agudo do miocárdio (necrose celular confirmada por biomarcadores ou ECG).
O CID I25 pode ser usado para plano de saúde?
Sim. O código I25 (doença isquêmica crônica) é utilizado para consultas, exames de rotina e acompanhamento ambulatorial. Ele não caracteriza um evento agudo, mas autoriza cobertura de medicamentos e procedimentos eletivos.
Preciso de cirurgia se tiver CID I20.0?
I20.0 (angina instável) geralmente requer hospitalização e cateterismo urgente. Cerca de 60% dos casos necessitam de angioplastia ou cirurgia de revascularização; o restante pode ser tratado clinicamente.
Como saber se meu infarto foi silencioso?
Infartos silenciosos são diagnosticados por alterações no ECG (ondas Q) ou em exames de imagem (ecocardiograma com hipocinesia) em pacientes sem história de dor. O CID I25.2 (IAM prévio sem sintomas atuais) é o código apropriado.
O CID I24 inclui trombose coronária?
Sim, I24.0 inclui trombose coronária que não resulta em infarto (por exemplo, oclusão transitória com reperfusão espontânea).
Posso dirigir com diagnóstico de angina estável (CID I20)?
Se os sintomas forem bem controlados com medicação e sem limitação funcional, a restrição é relativa. Contudo, motoristas profissionais devem passar por avaliação cardiológica periódica. Em caso de dor desencadeada por esforço, a direção deve ser evitada até reavaliação.
O CID de doenças cardiovasculares dá direito à aposentadoria?
Sim. Sequelas graves como insuficiência cardíaca classe III/IV, fração de ejeção <35% ou arritmias refratárias podem levar a incapacidade permanente. O INSS concede aposentadoria por invalidez após perícia medica e cumprimento da carência.
Qual a chance de outro infarto após o primeiro?
Sem prevenção secundária, o risco de reinfarto em 5 anos é de aproximadamente 20%. Com tratamento adequado (estatina, dupla antiagregação e controle de fatores de risco), o risco cai para 5-8%.
O CID I21.1 (infarto inferior) é menos grave que o anterior?
O infarto inferior (I21.1) frequentemente envolve a artéria coronária direita e pode cursar com bradicardia ou hipotensão. Embora a mortalidade aguda seja menor que o infarto anterior extenso, ambos requerem tratamento emergencial e têm riscos semelhantes a longo prazo.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
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