Segundo a Federação Internacional de Diabetes (IDF), o Brasil ocupa o 5º lugar no mundo em número de adultos com diabetes, com cerca de 18 milhões de casos. Mais de 90% são do tipo 2, diretamente ligados ao estilo de vida e à resistência insulínica. O CID E00‑E90 abrange não apenas diabetes, mas também distúrbios da tireoide, obesidade e outras condições metabólicas que afetam mais de 30% da população brasileira em algum momento da vida.
Introdução
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID DOENCAS-ENDOCRINAS-E-METABOLICAS-ENTENDA-SUA-IMPORTANCIA-2 e quer saber o que significa? Esse código pertence ao capítulo IV da Classificação Internacional de Doenças (CID-10), que reúne as doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas. São condições que afetam a produção hormonal, o metabolismo de glicose, gorduras e proteínas, além de distúrbios da tireoide, glândulas suprarrenais e hipófise. Compreender esse CID é essencial para o diagnóstico correto, o tratamento adequado e a prevenção de complicações sérias. Neste artigo, vamos explicar cada detalhe de forma clara e prática, usando um caso clínico real.
- Código: E00‑E90 (Capítulo IV)
- Descrição: Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas
- Categoria: Capítulo IV – Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (CID-10)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias principais: Diabetes mellitus (E10‑E14), Distúrbios da tireoide (E00‑E07), Obesidade (E66), Distúrbios do metabolismo de lipoproteínas (E78), Deficiências nutricionais (E40‑E64), Distúrbios da hipófise (E22‑E23), Distúrbios das suprarrenais (E24‑E27), Distúrbios do metabolismo de carboidratos (E70‑E74), entre outros.
Paciente: Joana, 48 anos, professora do ensino fundamental
Queixa principal: Há 3 meses sente cansaço excessivo, sede constante (polidipsia), urina muitas vezes (poliúria) e perdeu 6 kg sem dieta. Também relata visão turva ocasional e formigamento nos pés.
Avaliação clínica: Exame físico: IMC 31 (obesidade grau I), acantose nigricans na nuca, glicemia capilar de jejum 278 mg/dL, hemoglobina glicada (HbA1c) 9,2%. Exames laboratoriais: glicemia de jejum 264 mg/dL, perfil lipídico com triglicérides altos (320 mg/dL), HDL baixo (34 mg/dL).
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID E11 – Diabetes mellitus não insulino-dependente (tipo 2), associado a E66 – Obesidade e E78 – Dislipidemia. A paciente apresenta resistência insulínica e síndrome metabólica.
Conduta terapêutica: Iniciou metformina 850 mg duas vezes ao dia, orientações nutricionais (dieta com redução de carboidratos refinados e aumento de fibras), programa de caminhada 5x/semana de 30 minutos. Foi prescrito também sinvastatina 20 mg/dia para controle lipídico. Encaminhada para exame de fundo de olho e avaliação podológica.
Evolução: Após 3 meses, Joana perdeu 4 kg, HbA1c caiu para 7,1%, glicemia de jejum 132 mg/dL, triglicérides 190 mg/dL. Melhorou a energia e a visão turva. Continua em acompanhamento a cada 3 meses.
Lição clínica: Diabetes tipo 2 é uma condição silenciosa e progressiva. O diagnóstico precoce e a mudança de estilo de vida podem reverter o quadro ou retardar complicações graves (renais, cardíacas, cegueira). O CID E11 orienta o tratamento e garante o direito ao atestado e à licença para acompanhamento multidisciplinar.
O que é o CID E00‑E90 na prática médica
O CID E00‑E90 é a faixa de códigos que a Organização Mundial da Saúde (OMS) utiliza para classificar todas as doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas. Na prática diária, o médico usa esses códigos para registrar o diagnóstico no prontuário e no atestado médico. Isso permite que o sistema de saúde (público ou privado) identifique a condição, autorize exames e procedimentos, e acompanhe a epidemiologia. Por exemplo, diabetes (E10‑E14) é uma das principais causas de afastamento do trabalho e de aposentadoria por invalidez no Brasil. O CID também orienta a prescrição de medicamentos específicos do componente básico da assistência farmacêutica (como insulinas e hipoglicemiantes orais).
Subcategorias e variantes do CID E00‑E90
Dentro do capítulo IV, as subcategorias mais relevantes são:
- E00‑E07 – Distúrbios da tireoide (hipotireoidismo, hipertireoidismo, tireoidite)
- E10‑E14 – Diabetes mellitus (E10 – tipo 1; E11 – tipo 2; E12 – relacionado à desnutrição; E13 – outros tipos; E14 – não especificado)
- E20‑E35 – Distúrbios de outras glândulas endócrinas (paratireoide, hipófise, suprarrenais, gônadas)
- E40‑E64 – Deficiências nutricionais (desnutrição, anemias carenciais, hipovitaminoses)
- E65‑E68 – Obesidade e outras formas de hiperalimentação (E66 – obesidade, E67 – outros excessos alimentares)
- E70‑E90 – Distúrbios metabólicos (distúrbios do metabolismo de aminoácidos, carboidratos, lipídios, purinas, etc.)
Cada subcategoria possui detalhamentos com quarto caractere (ex.: E11.0 – diabetes tipo 2 com coma; E11.1 – com cetoacidose; E11.9 – sem complicações). O médico escolhe o código mais específico com base na presença de complicações.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas variam conforme a subcategoria. Nas doenças endócrinas e metabólicas mais comuns, os sinais de alerta incluem:
- Diabetes tipo 2: sede excessiva, boca seca, aumento da frequência urinária, cansaço, visão turva, cicatrização lenta, infecções recorrentes (pele, urina)
- Hipotireoidismo: fadiga, ganho de peso, intolerância ao frio, pele seca, queda de cabelo, constipação, rouquidão
- Hipertireoidismo: perda de peso mesmo com apetite aumentado, taquicardia, tremores, insônia, olhos saltados (exoftalmia)
- Obesidade (E66): IMC acima de 30, associado a resistência insulínica, apneia do sono, artrose, hipertensão
- Dislipidemia (E78): geralmente assintomática, detectada em exames de sangue (colesterol e triglicérides elevados)
Muitas doenças metabólicas progridem silenciosamente por anos até causarem complicações como infarto, AVC, insuficiência renal ou amputações.
Causas e fatores de risco
As causas são multifatoriais. Fatores genéticos (história familiar), estilo de vida (alimentação rica em ultraprocessados, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool), envelhecimento, obesidade e uso de certos medicamentos (corticosteroides) contribuem. No caso do diabetes tipo 2, a resistência insulínica e a disfunção das células beta pancreáticas são centrais. Para distúrbios da tireoide, causas autoimunes (Doença de Hashimoto, Doença de Graves), deficiência de iodo ou tumores. As deficiências nutricionais geralmente resultam de dietas restritivas, má absorção (pós-cirurgia bariátrica) ou doenças crônicas.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa com a história clínica e exame físico. Exames laboratoriais são fundamentais:
- Glicemia de jejum e hemoglobina glicada (HbA1c) para diabetes
- TSH e T4 livre para tireoide
- Perfil lipídico (colesterol total, LDL, HDL, triglicérides) para dislipidemia
- Curva glicêmica (TOTG) em casos duvidosos
- Insulina e peptídeo C para diferenciar tipo 1 e tipo 2
- Exames de imagem (ultrassom de tireoide, ressonância de hipófise) se indicado
O médico utiliza os critérios da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e das diretrizes da OMS para classificar o quadro e definir o CID apropriado.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento é individualizado e geralmente inclui:
- Mudança do estilo de vida: reeducação alimentar, atividade física regular (pelo menos 150 min/semana), perda de peso
- Medicamentos:
- Diabetes: metformina, sulfonilureias, inibidores de SGLT2, agonistas GLP-1, insulina basal
- Hipotireoidismo: levotiroxina (reposição hormonal)
- Hipertireoidismo: metimazol, propiltiouracila, iodo radioativo ou cirurgia
- Dislipidemia: estatinas, fibratos, ezetimiba
- Obesidade: orlistate, liraglutida (alto custo), cirurgia bariátrica para casos selecionados
- Suplementação vitamínica quando há deficiências (vitamina D, B12, ferro)
- Acompanhamento multidisciplinar: endocrinologista, nutricionista, educador físico, psicólogo
O tratamento é contínuo e exige adesão; o abandono pode levar a complicações graves.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado para doenças endócrinas e metabólicas varia de acordo com a gravidade e o contexto:
- Diabetes descompensada (cetoacidose, hiperglicemia grave): 7 a 14 dias para estabilização clínica
- Procedimentos cirúrgicos (tireoidectomia, bariátrica): 15 a 30 dias
- Adaptação a novo tratamento (início de insulina): 3 a 5 dias para educação em diabetes
- Crise tireotóxica: 7 a 10 dias
- Consulta de rotina sem procedimento: 1 dia
O médico define o período com base na resposta ao tratamento e na necessidade de repouso. O CID E11 (diabetes tipo 2) é uma das principais causas de concessão de benefícios como auxílio-doença pelo INSS.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Sinais de alerta que exigem atendimento de emergência:
- Glicemia capilar acima de 300 mg/dL com mal-estar, náuseas, vômitos, respiração ofegante (cetoacidose diabética)
- Hipoglicemia grave (glicemia < 50 mg/dL) com confusão mental, perda de consciência
- Fezes claras, urina escura, icterícia (podem indicar complicação hepática)
- Dor torácica, falta de ar, palpitações intensas (risco cardiovascular)
- Febre alta em paciente diabético (risco de infecção grave)
- Alteração súbita da visão ou dor ocular
Pacientes com diagnóstico já estabelecido devem ter um plano de ação e contato com a equipe de saúde.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção das doenças endócrinas e metabólicas baseia-se em hábitos saudáveis:
- Alimentação balanceada com baixo teor de açúcares, gorduras saturadas e sódio
- Prática de atividade física moderada pelo menos 150 minutos/semana
- Manutenção de peso adequado (IMC entre 18,5 e 24,9)
- Exames preventivos anuais (glicemia, perfil lipídico, TSH) a partir dos 40 anos ou antes se houver fatores de risco
- Vacinação (gripe, pneumonia, hepatite) para reduzir riscos de infecções
- Não fumar e moderar o consumo de álcool
- Acompanhamento médico regular mesmo sem sintomas
Para quem já tem a doença, o controle rigoroso dos parâmetros metabólicos e a adesão ao tratamento evitam complicações.
- 01. Monitore sua glicemia: Pacientes com diabetes devem medir a glicemia capilar conforme orientação médica, mantendo registro para ajustes de tratamento.
- 02. Não abandone a medicação: A interrupção do tratamento de doenças endócrinas (tireoide, diabetes) pode levar a complicações graves. Consulte sempre antes de parar.
- 03. Mantenha um diário alimentar: Anotar o que come e os horários ajuda a identificar picos glicêmicos e melhorar a dieta.
- 04. Pratique atividade física com regularidade: Mesmo 30 minutos de caminhada diária reduzem a resistência insulínica e controlam o peso.
- 05. Vacine-se anualmente contra influenza e pneumonia: Pacientes com doenças metabólicas têm maior risco de infecções graves.
- 06. Examine os pés diariamente: Diabetes pode causar neuropatia e feridas que não cicatrizam; previna amputações com cuidados básicos.
- 07. Busque apoio psicológico: Doenças crônicas geram ansiedade e depressão. O suporte emocional é parte do tratamento.
Perguntas Frequentes sobre o CID DOENCAS
O CID DOENCAS ENDOCRINAS E METABOLICAS garante quantos dias de atestado?
O número de dias depende da condição específica e da gravidade. Para diabetes descompensada ou cirurgias, pode variar de 7 a 30 dias. O médico determina o período conforme o quadro clínico e a necessidade de repouso.
CID E11 (diabetes tipo 2) tem cura?
Não tem cura definitiva, mas com tratamento adequado (dieta, exercício e medicamentos) é possível alcançar remissão clínica (hemoglobina glicada normal sem uso de medicamentos) em alguns casos, principalmente com perda de peso significativa.
Qual exame detecta doenças do CID E00‑E90?
Depende da suspeita: glicemia e HbA1c para diabetes; TSH e T4 livre para tireoide; perfil lipídico para dislipidemia. O médico solicita conforme os sintomas.
O CID E66 (obesidade) é considerado doença?
Sim, a obesidade é uma doença crônica reconhecida pela OMS (CID E66). O tratamento inclui mudança de estilo de vida, medicamentos e, em casos graves, cirurgia.
Posso trabalhar com hipotireoidismo?
Sim, desde que tratado adequadamente. Com reposição de levotiroxina, os sintomas desaparecem e a pessoa pode levar vida normal. Atestados são raros para casos leves.
O que significa CID E10 vs E11?
E10 é diabetes melito tipo 1 (geralmente em jovens, dependente de insulina); E11 é tipo 2 (geralmente em adultos, não insulino-dependente no início).
Quanto custa o tratamento de diabetes tipo 2?
O SUS oferece medicamentos gratuitos (metformina, insulina, estatinas). Na rede privada, os custos variam; planos de saúde cobrem consultas e exames. Medicamentos mais novos (agonistas GLP-1) têm alto custo.
Como prevenir doenças metabólicas?
Mantendo peso saudável, praticando exercícios, alimentação equilibrada, evitando tabagismo e bebidas alcoólicas em excesso, e realizando check-ups anuais.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes e leituras complementares:
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