Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, em 2026 o Brasil ultrapassou 17 milhões de pessoas vivendo com diabetes mellitus, sendo que cerca de 40% desconhecem o diagnóstico. As doenças endócrinas representam uma das principais causas de morbidade no Sistema Único de Saúde.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID DOENÇAS-ENDÓCRINAS-GUIA-COMPLETO-SOBRE-DIAGNÓSTICOS-MÉDICOS e quer saber o que significa? Este guia completo foi elaborado por um médico especialista em clínica médica para esclarecer tudo sobre o capítulo de doenças endócrinas (E00-E90) da Classificação Internacional de Doenças. Abordaremos desde o significado do código até opções de tratamento e dias de atestado, sempre com linguagem acessível e base científica.
- Código: E00-E90
- Descrição: Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas
- Categoria: Capítulo IV – Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (CID-10)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: E00-E07 (tireoide), E10-E14 (diabetes mellitus), E15-E16 (distúrbios hipoglicêmicos), E20-E35 (outras glândulas), E40-E46 (desnutrição), E50-E64 (deficiências nutricionais), E65-E68 (obesidade), E70-E90 (distúrbios metabólicos)
Paciente: Maria Aparecida, 52 anos, professora aposentada
Queixa principal: Aumento de peso, cansaço excessivo, dormência nas mãos e sensação de frio constante
Avaliação clínica: Ao exame físico, apresentava bradicardia (56 bpm), pele seca, reflexos tendinosos lentos e edema periorbitário. Exames laboratoriais mostraram TSH elevado (18,5 µUI/mL) e T4 livre baixo (0,6 ng/dL).
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID E03.9 — Hipotireoidismo não especificado, confirmando hipotireoidismo primário.
Conduta terapêutica: Prescrição de levotiroxina sódica 75 µg/dia em jejum, com reavaliação em 6 semanas. Orientação sobre adesão e monitoramento de sintomas.
Evolução: Após 8 semanas, TSH normalizou (2,2 µUI/mL), sintomas regrediram significativamente. Paciente relatou melhora da disposição e perda de 3 kg sem dieta específica.
Lição clínica: O hipotireoidismo é uma das doenças endócrinas mais prevalentes e de fácil manejo quando diagnosticado precocemente. Sintomas vagos como cansaço e ganho de peso devem sempre levantar suspeita.
O que é o CID E00-E90 na prática médica
O código CID E00-E90 abrange todas as doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde. Isso inclui desde problemas na tireoide (hipotireoidismo, hipertireoidismo), diabetes mellitus, obesidade, distúrbios das glândulas suprarrenais, hipófise, paratireoides, até desnutrição e erros inatos do metabolismo. Na prática clínica, é um dos capítulos mais utilizados, pois doenças como diabetes e obesidade afetam milhões de brasileiros. O CID permite uniformizar o registro diagnóstico, facilitar a comunicação entre profissionais de saúde e subsidiar políticas públicas. Por exemplo, um paciente com diabetes tipo 2 recebe o código E11, enquanto um com diabetes tipo 1 recebe E10. Essa classificação ajuda no planejamento terapêutico e no fornecimento de insulina pelo SUS.
Subcategorias e variantes do CID E00-E90
O capítulo E00-E90 é dividido em dezenas de subcategorias. As principais são:
- E00-E07: Doenças da tireoide – inclui bócio (E01), hipotireoidismo (E03), hipertireoidismo (E05), tireoidite (E06) e outros.
- E10-E14: Diabetes mellitus – E10 (tipo 1), E11 (tipo 2), E12 (desnutrição), E13 (outros tipos), E14 (não especificado).
- E15-E16: Distúrbios hipoglicêmicos e secreção de insulina – como insulinoma (E16.1).
- E20-E35: Doenças de outras glândulas – paratireoides (E21), hipófise (E23), suprarrenais (E27), ovários/testículos (E28/E29).
- E40-E46: Desnutrição – desde leve (E44) até grave (E43).
- E50-E64: Deficiências nutricionais – como deficiência de vitamina A (E50), de ferro (E61.1).
- E65-E68: Obesidade e outras formas de excesso alimentar – E66 (obesidade), E67 (outros).
- E70-E90: Distúrbios metabólicos – erros inatos do metabolismo (E70-E71), distúrbios do cálcio (E83), amiloidose (E85), etc.
Cada subcategoria possui ainda quartos caracteres para especificar complicações ou formas clínicas. Por exemplo, E11.9 é diabetes tipo 2 sem complicações, E11.8 é com complicações não especificadas.
Sintomas e como a doença se manifesta
As doenças endócrinas têm apresentações clínicas variadas, dependendo da glândula afetada e do hormônio envolvido. Sintomas comuns incluem:
- Hipotireoidismo: cansaço, ganho de peso, intolerância ao frio, pele seca, queda de cabelo, constipação, memória fraca.
- Hipertireoidismo: perda de peso, taquicardia, sudorese excessiva, tremores, ansiedade, exoftalmia (olhos saltados).
- Diabetes mellitus: poliúria (urinar muito), polidipsia (sede excessiva), polifagia (fome excessiva), perda de peso, visão turva, infecções frequentes.
- Doenças da suprarrenal: fadiga intensa, hiperpigmentação (em doença de Addison), hipertensão e obesidade central (síndrome de Cushing).
- Distúrbios da hipófise: alterações de crescimento (gigantismo, nanismo), galactorreia, infertilidade.
- Obesidade: IMC elevado, risco de comorbidades como diabetes, hipertensão e apneia do sono.
Causas e fatores de risco
As causas das doenças endócrinas são multifatoriais. Fatores genéticos (história familiar de diabetes, tireoidite autoimune), ambientais (deficiência de iodo, exposição a disruptores endócrinos), autoimunes (anticorpos contra tecido tireoidiano ou pancreático), infecciosos (tireoidite subaguda pós-viral), neoplásicos (tumores de hipófise, tireoide) e medicamentosos (corticosteroides, lítio) estão envolvidos. Entre os principais fatores de risco para doenças endócrinas comuns:
- Diabetes tipo 2: obesidade, sedentarismo, dieta rica em açúcares e gorduras, idade acima de 45 anos, histórico familiar.
- Hipotireoidismo: sexo feminino, idade avançada, histórico de doenças autoimunes (ex: lúpus), deficiência de iodo.
- Obesidade: consumo calórico excessivo, baixa atividade física, fatores genéticos, distúrbios hormonais (ex: síndrome de Cushing).
- Tireoidite de Hashimoto: predisposição genética (HLA), estresse, infecções virais.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico de doenças endócrinas baseia-se na história clínica minuciosa, exame físico e exames laboratoriais. Os hormônios são dosados no sangue (TSH, T4 livre, glicemia, hemoglobina glicada, cortisol, ACTH, IGF-1). Exames de imagem como ultrassonografia de tireoide, tomografia de sela túrcica (para hipófise) e ressonância magnética de suprarrenais ajudam na localização de tumores. Para diabetes, o critério diagnóstico é glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL ou hemoglobina glicada ≥ 6,5%. O médico também pode solicitar testes de função tireoidiana, curva glicêmica, testes de supressão com dexametasona (Cushing) e biópsias quando necessário. O CID específico é registrado após confirmação laboratorial e exclusão de outras causas.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento varia conforme a doença endócrina:
- Hipotireoidismo: reposição com levotiroxina sódica (hormônio tireoidiano sintético) em dose ajustada conforme TSH, administrada em jejum.
- Hipertireoidismo: medicamentos antitireoidianos (metimazol, propiltiouracila), iodo radioativo ou cirurgia (tireoidectomia).
- Diabetes mellitus tipo 1: insulinoterapia (múltiplas doses ou bomba de insulina) associada à contagem de carboidratos.
- Diabetes tipo 2: metformina, outros hipoglicemiantes orais (sulfonilureias, gliflozinas, agonistas GLP-1) e insulina quando necessário.
- Doença de Addison: reposição de glicocorticoides (hidrocortisona) e mineralocorticoides (fludrocortisona).
- Obesidade: reeducação alimentar, atividade física, medicamentos (orlistate, liraglutida) e cirurgia bariátrica em casos selecionados.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado para doenças endócrinas depende da gravidade e do tipo de tratamento. Exemplos práticos:
- Diabetes descompensado (cetoacidose): internação hospitalar por 3 a 7 dias, mais afastamento de 7 a 15 dias após alta.
- Hipertireoidismo com crise tireotóxica: internação de 5 a 10 dias e repouso domiciliar de 15 a 30 dias.
- Hipotireoidismo sem complicações: geralmente não há necessidade de afastamento; o paciente pode trabalhar normalmente. Alguns médicos concedem 1 a 2 dias para ajuste inicial da medicação.
- Cirurgia de tireoide (tireoidectomia): afastamento de 14 a 30 dias, dependendo da ocupação.
- Diabetes tipo 2 não complicado: não há indicação de atestado; o acompanhamento é ambulatorial.
- Crise adrenal (insuficiência adrenal aguda): internação de 3 a 5 dias e repouso de 7 a 14 dias.
O médico avalia cada caso individualmente, considerando a atividade profissional e a resposta ao tratamento.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento de emergência se apresentar:
- Glicemia capilar acima de 300 mg/dL com náuseas, vômitos, respiração profunda e rápida (cetoacidose).
- Confusão mental, sonolência ou coma (hipoglicemia grave ou coma mixedematoso).
- Febre alta, taquicardia e agitação (crise tireotóxica).
- Dor abdominal intensa, vômitos e hipotensão (crise adrenal).
- Fraqueza muscular súbita, paralisia ou arritmia cardíaca (distúrbios eletrolíticos graves).
- Alterações visuais repentinas, perda de campo visual (tumor hipofisário com compressão do quiasma óptico).
- Sinais de hipoglicemia (tremor, sudorese, confusão) que não melhoram com ingestão de carboidratos.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção das doenças endócrinas inclui medidas como:
- Alimentação equilibrada, rica em fibras e pobre em açúcares e gorduras saturadas.
- Prática regular de atividade física (150 minutos de moderada intensidade por semana).
- Manutenção do peso adequado (IMC entre 18,5 e 24,9 kg/m²).
- Consumo adequado de iodo (sal iodado) para prevenir bócio e hipotireoidismo.
- Evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool.
- Controle da pressão arterial e do colesterol.
- Check-ups periódicos após os 40 anos (ou antes se houver histórico familiar) com dosagem de glicemia, TSH e perfil lipídico.
Para quem já tem diagnóstico, o cuidado contínuo envolve adesão à medicação, monitoramento regular (hemoglobina glicada, TSH, cortisol), consultas de rotina com endocrinologista e acompanhamento multidisciplinar (nutricionista, educador físico).
- 01. Nunca suspenda medicamentos hormonais por conta própria; a reposição errada pode desencadear crises graves como tireotoxicose ou insuficiência adrenal.
- 02. Mantenha um diário de sintomas e exames (glicemia, TSH) para ajudar o médico no ajuste da dose.
- 03. Em caso de diabetes, monitore a glicemia capilar antes das refeições e ao deitar; registre em aplicativo ou caderno.
- 04. Todo paciente com hipotireoidismo deve tomar levotiroxina em jejum, 30 a 60 minutos antes do café, sem cálcio, ferro ou fibras.
- 05. Participe de grupos de apoio ou procure o programa de doenças crônicas do SUS; o acompanhamento contínuo reduz complicações.
- 06. Vacine-se contra influenza, pneumococo e covid-19 — infecções podem descompensar doenças endócrinas.
Perguntas Frequentes sobre o CID DOENÇAS ENDÓCRINAS
O CID E00-E90 garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo. O atestado depende do diagnóstico específico. Por exemplo, um diabetes descompensado pode render 7 a 15 dias, enquanto hipotireoidismo simples não requer afastamento. O médico define com base na gravidade e na profissão.
Qual a diferença entre CID E10 e E11?
E10 é diabetes mellitus tipo 1 (deficiência absoluta de insulina, geralmente autoimune, diagnosticado em jovens). E11 é diabetes tipo 2 (resistência insulínica, mais comum em adultos e associado a obesidade).
O CID E66 (obesidade) dá direito a atestado médico?
Sim, em casos de obesidade grave (IMC ≥ 40) com comorbidades ou complicações, como apneia do sono grave ou insuficiência cardíaca, o médico pode conceder atestado para tratamento intensivo ou cirurgia bariátrica.
O que significa CID E03.9?
É o código para hipotireoidismo não especificado. Significa que o paciente tem hipotireoidismo, mas o médico não especificou a causa (ex: autoimune, pós-cirúrgico, congênito).
É verdade que doenças endócrinas podem causar infertilidade?
Sim. Hipotireoidismo, hiperprolactinemia, síndrome dos ovários policísticos (E28.2) e insuficiência adrenal podem afetar a fertilidade. O tratamento hormonal geralmente reverte o quadro.
Como saber se tenho uma doença endócrina?
Os sintomas mais comuns são cansaço inexplicável, ganho ou perda de peso sem causa aparente, alterações na pele e pelos, batimentos cardíacos acelerados ou lentos, e sede/fome excessivas. Consulte um clínico ou endocrinologista para exames.
O CID E27 (insuficiência adrenal) é grave?
Sim, pode ser potencialmente fatal se não tratado. O paciente precisa de reposição hormonal contínua com hidrocortisona e fludrocortisona, e deve receber orientações sobre dose em situações de estresse (cirurgia, infecção).
Doenças endócrinas têm cura?
Algumas sim, como hipertireoidismo tratado com iodo radioativo ou cirurgia. Outras, como diabetes tipo 1 e hipotireoidismo, são crônicas e requerem tratamento contínuo, mas com bom controle o paciente tem qualidade de vida normal.
O CID E00-E90 inclui distúrbios alimentares como anorexia?
Não diretamente. Anorexia e bulimia são classificadas no capítulo de transtornos mentais (F50). No capítulo E00-E90, a desnutrição (E40-E46) aparece como consequência de distúrbios alimentares, mas não a causa.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Para mais informações, consulte o site oficial da CID-10 no Brasil e o MedlinePlus sobre tireoide.
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