Em 2026, as doenças infecciosas e parasitárias (CID A00-B99) continuam entre as principais causas de morbidade no Brasil, com destaque para a dengue (mais de 1,5 milhão de casos notificados no ano) e a tuberculose (cerca de 80 mil novos casos). O capítulo A00-B99 reúne mais de 200 códigos e é fundamental para a vigilância em saúde pública.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID para doenças infecciosas e parasitárias (A00-B99) e quer saber o que significa? Este capítulo da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) abrange todas as enfermidades causadas por agentes biológicos como bactérias, vírus, parasitas e fungos, incluindo desde infecções bacterianas comuns até doenças tropicais negligenciadas. Neste artigo, explicamos em detalhes a estrutura dos códigos, os sintomas mais frequentes, as opções de tratamento e tudo que você precisa saber para interpretar corretamente seu diagnóstico.
- Código: A00-B99
- Descrição: Doenças infecciosas e parasitárias
- Categoria: Capítulo I da CID-10 — Doenças infecciosas e parasitárias (A00-B99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: Inclui mais de 200 códigos específicos, como A00 (Cólera), A01 (Febre tifoide), A15-A19 (Tuberculose), A50-A64 (Infecções sexualmente transmissíveis), B15-B19 (Hepatites virais), B20-B24 (HIV), B50-B64 (Doenças parasitárias como malária), entre outros.
Paciente: Maria Aparecida, 34 anos, auxiliar de limpeza, residente em Fortaleza-CE.
Queixa principal: Febre alta (39,5°C) há 5 dias, dor de cabeça intensa, dor atrás dos olhos, dores no corpo e manchas avermelhadas na pele.
Avaliação clínica: Ao exame físico, apresentava prostração, exantema maculopapular difuso, prova do laço positiva e leve desidratação. Exames laboratoriais mostraram leucopenia, trombocitopenia (plaquetas 85.000/mm³) e teste rápido NS1 positivo para dengue.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID A90 – Dengue. A dengue é uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, comum em regiões tropicais como o Nordeste brasileiro.
Conduta terapêutica: Repouso absoluto, hidratação oral vigorosa (cerca de 60 mL/kg/dia), uso de dipirona para febre e dor (contraindicado AAS e anti-inflamatórios), monitoramento de sinais de alarme (dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos). A paciente foi orientada a retornar ao serviço de urgência em caso de piora.
Evolução: Após 7 dias de repouso e hidratação, houve remissão completa dos sintomas. As plaquetas normalizaram em 12 dias. A paciente permaneceu em casa, sem necessidade de internação.
Lição clínica: A dengue tem evolução autolimitada na maioria dos casos, mas requer atenção aos sinais de alarme. O diagnóstico precoce e a hidratação adequada reduzem o risco de formas graves (dengue hemorrágica). A notificação ao serviço de vigilância epidemiológica é obrigatória.
O que é o CID A00-B99 na prática médica
O CID A00-B99 é o capítulo I da CID-10, dedicado exclusivamente às doenças infecciosas e parasitárias. Ele agrupa todas as condições provocadas por agentes vivos que invadem o organismo humano: bactérias, vírus, fungos, protozoários e helmintos. Na prática clínica, esse código é utilizado para registrar diagnósticos que vão desde uma simples amigdalite bacteriana (CID J02.0, que pertence ao capítulo respiratório, mas há códigos específicos em A00-B99 para doenças como tuberculose, sífilis, HIV) até enfermidades tropicais como malária, leishmaniose e esquistossomose. A estrutura do capítulo é alfanumérica: a letra “A” cobre as doenças infecciosas intestinais, tuberculose, algumas infecções bacterianas e ISTs; a letra “B” abrange viroses (incluindo HIV, hepatites, dengue), micoses e doenças parasitárias. Para o médico, o CID A00-B99 é essencial para a notificação compulsória, prescrição de tratamento específico e emissão de atestados com o código correto.
Subcategorias e variantes do CID A00-B99
O capítulo A00-B99 é subdividido em vários blocos que facilitam a localização do diagnóstico exato. Os principais grupos incluem: A00-A09 (doenças infecciosas intestinais, como cólera, febre tifoide, shigelose), A15-A19 (tuberculose pulmonar e extrapulmonar), A20-A28 (zoonoses bacterianas, como peste, brucelose), A30-A49 (outras doenças bacterianas, incluindo hanseníase, tétano, meningite bacteriana), A50-A64 (infecções de transmissão predominantemente sexual, como sífilis, gonorreia, clamídia), A65-A69 (outras doenças espiroquetais), A70-A79 (outras doenças por clamídias e riquétsias), B00-B09 (infecções virais com lesões de pele e mucosas, como herpes, varicela), B15-B19 (hepatites virais), B20-B24 (doença pelo HIV), B25-B34 (outras doenças virais, como caxumba, mononucleose, dengue), B35-B49 (micoses), B50-B64 (doenças por protozoários, como malária, leishmaniose, toxoplasmose), B65-B83 (helmintíases, como esquistossomose, ascaridíase), B85-B89 (pediculose e outras infestações), B90-B94 (sequelas de doenças infecciosas) e B95-B99 (outras doenças infecciosas). Cada código de quatro caracteres (ex.: A15.0 – tuberculose pulmonar confirmada por cultura) fornece um nível ainda maior de especificidade, permitindo que o médico registre a apresentação clínica e o método diagnóstico.
Sintomas e como a doença se manifesta
As manifestações clínicas variam amplamente conforme o agente etiológico e o órgão afetado. Sintomas gerais comuns incluem febre (presente na maioria das infecções agudas), calafrios, sudorese noturna, fadiga, perda de apetite e mal-estar. Nas infecções intestinais (A00-A09), predominam diarreia, náuseas, vômitos e dor abdominal. Nas infecções respiratórias como a tuberculose (A15-A19), tosse persistente (mais de 3 semanas), hemoptise, dispneia e emagrecimento são típicos. As ISTs (A50-A64) podem cursar com corrimento uretral ou vaginal, úlceras genitais, verrugas e dor pélvica. Doenças virais como dengue (A90) ou chikungunya (A92.0) causam febre alta, artralgia intensa, exantema e cefaleia. As hepatites virais (B15-B19) manifestam-se com icterícia, urina escura, fezes claras e hepatomegalia. Já as doenças parasitárias como malária (B50-B54) cursam com febre cíclica, anemia, esplenomegalia e calafrios. É importante lembrar que muitas infecções podem ser assintomáticas ou oligossintomáticas, especialmente em pacientes imunocompetentes.
Causas e fatores de risco
As causas são os próprios agentes infecciosos: bactérias (como Mycobacterium tuberculosis, Treponema pallidum, Escherichia coli), vírus (HIV, vírus da dengue, hepatite B), parasitas (Plasmodium, Leishmania, Schistosoma) e fungos (Candida, Histoplasma). Os fatores de risco incluem condições socioeconômicas baixas (moradia inadequada, saneamento precário, desnutrição), imunossupressão (HIV/AIDS, uso de corticosteroides, quimioterapia), exposição ocupacional (profissionais de saúde, trabalhadores rurais), viagens para áreas endêmicas, contato com animais infectados, práticas sexuais desprotegidas, uso de drogas injetáveis e ausência de vacinação. A transmissão pode ocorrer por ingestão de água ou alimentos contaminados (via fecal-oral), inalação de gotículas (tuberculose, gripe), contato direto com secreções (ISTs), picada de vetores (mosquitos, carrapatos), transfusão sanguínea ou transmissão vertical (mãe-filho). A prevenção baseia-se em medidas de higiene, vacinação, uso de preservativos e controle de vetores.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico das doenças do CID A00-B99 envolve uma combinação de história clínica detalhada, exame físico e exames complementares. O médico pergunta sobre sintomas, tempo de evolução, viagens recentes, contato com doentes, vacinação e histórico de doenças prévias. Os exames laboratoriais são fundamentais: hemograma (leucopenia na dengue, linfocitose na coqueluche), sorologias (ELISA para HIV, hepatites, dengue), cultura de amostras (escarro para tuberculose, sangue para febre tifoide), reação em cadeia da polimerase (PCR) para detecção de material genético viral ou bacteriano, exame parasitológico de fezes (para helmintíases), baciloscopia (tuberculose, hanseníase) e testes rápidos (NS1 para dengue, teste rápido de HIV). Exames de imagem como radiografia de tórax (tuberculose, pneumonia) e ultrassonografia (abscessos hepáticos, esplenomegalia) auxiliam na identificação de complicações. Em alguns casos, a biópsia de tecidos é necessária (por exemplo, na leishmaniose visceral). O diagnóstico precoce é crucial para iniciar o tratamento adequado e evitar a transmissão.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento varia conforme o agente etiológico. Infecções bacterianas são tratadas com antibióticos específicos: penicilinas e macrolídeos para infecções estreptocócicas, rifampicina e isoniazida para tuberculose, ceftriaxona para gonorreia. Infecções virais contam com antivirais: oseltamivir para influenza, aciclovir para herpes, terapia antirretroviral (TARV) para HIV, e medidas de suporte para dengue (hidratação, controle de sintomas). As hepatites virais podem ser tratadas com antivirais de ação direta (hepatite C) ou imunomoduladores (hepatite B). Doenças parasitárias recebem antiparasitários: artemisinina para malária, metronidazol para amebíase, ivermectina para estrongiloidíase, praziquantel para esquistossomose. Micoses são tratadas com antifúngicos tópicos ou sistêmicos (fluconazol, anfotericina B). Além do tratamento específico, são fundamentais as medidas de suporte: hidratação, repouso, nutrição adequada, controle da febre e da dor. O acompanhamento médico é essencial para ajustar doses, monitorar efeitos colaterais e garantir a cura.
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento do trabalho depende da gravidade da doença e da evolução clínica. Doenças infecciosas leves, como resfriado comum ou gastroenterite viral, geralmente necessitam de 1 a 3 dias de repouso. Infecções bacterianas como amigdalite estreptocócica podem exigir 3 a 5 dias de atestado, enquanto a pneumonia bacteriana requer de 7 a 14 dias. A dengue clássica costuma demandar de 5 a 10 dias de afastamento, variando conforme a intensidade dos sintomas. A tuberculose pulmonar, durante a fase inicial do tratamento (primeiros 2 meses), pode necessitar de 30 a 60 dias de licença médica, dependendo da resposta e da função pulmonar. Já o HIV, por ser uma condição crônica, não gera atestado contínuo; o afastamento ocorre em complicações ou internações. O médico avaliará cada caso e emitirá o atestado médico com o CID correspondente, respeitando as diretrizes do Conselho Federal de Medicina. Em geral, para doenças infecciosas agudas, o prazo médio fica entre 3 e 10 dias.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Alguns sinais indicam gravidade e exigem atendimento médico imediato. Febre muito alta (acima de 40°C) que não cede com antitérmicos, convulsões, confusão mental, rigidez de nuca (suspeita de meningite), falta de ar intensa, dor torácica, tosse com sangue, vômitos persistentes que impedem hidratação, diarreia profusa com sinais de desidratação (boca seca, olhos fundos, ausência de urina por mais de 8 horas), sangramentos espontâneos (gengivas, nariz, manchas roxas na pele), icterícia súbita, dor abdominal intensa e localizada, e redução do volume urinário são bandeiras vermelhas. Pacientes imunodeprimidos, idosos, gestantes e crianças pequenas têm maior risco de evolução desfavorável e devem ser avaliados precocemente. Em caso de suspeita de doença infecciosa grave, como dengue hemorrágica, meningite bacteriana ou sepse, a procura por um serviço de urgência é indispensável.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção das doenças infecciosas e parasitárias baseia-se em pilares fundamentais: vacinação (imunização contra hepatites, febre amarela, influenza, tétano, coqueluche, sarampo, rubéola, caxumba, HPV, BCG), hábitos de higiene (lavar as mãos com frequência, higienizar alimentos, beber água filtrada ou fervida), saneamento básico, uso de preservativos para prevenção de ISTs, controle de vetores (uso de repelentes, telas em janelas, eliminação de criadouros do Aedes aegypti), cuidados alimentares (evitar carne malcozida, frutos do mar crus), e evitar contato com pessoas doentes. Para quem viaja para áreas endêmicas, recomenda-se quimioprofilaxia (malária), vacinas específicas (febre tifóide, febre amarela) e cuidados com picadas de insetos. Pessoas com doenças crônicas ou imunossupressão devem manter acompanhamento médico regular e atualizar o calendário vacinal. O diagnóstico precoce e o tratamento completo (como no caso da tuberculose) também evitam a disseminação na comunidade.
- 01. Não interrompa o tratamento — Mesmo que os sintomas melhorem, complete o esquema prescrito (antibióticos, antivirais, antiparasitários) para evitar resistência e recaídas.
- 02. Hidrate-se adequadamente — Em infecções com febre e diarreia, a hidratação oral (soro caseiro ou soluções de reidratação) é tão importante quanto o medicamento.
- 03. Vacine-se conforme o calendário — A vacinação é a forma mais eficaz de prevenir diversas doenças do CID A00-B99, como hepatite B, tétano, febre amarela e gripe.
- 04. Lave as mãos com frequência — Simples, mas reduz em até 40% o risco de infecções respiratórias e intestinais. Use água e sabão ou álcool em gel 70%.
- 05. Fique atento aos sinais de alarme — Febre que não cede, falta de ar, sangramentos ou confusão mental merecem avaliação médica urgente, especialmente em crianças e idosos.
- 06. Use repelente e telas em janelas — Em áreas com dengue, zika e chikungunya, a proteção contra mosquitos é essencial, inclusive dentro de casa.
Perguntas Frequentes sobre o CID A00-B99
O CID A00-B99 garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo de dias para todo o capítulo. O período de afastamento depende da doença específica. Em média, infecções agudas leves geram de 2 a 5 dias; pneumonia ou dengue, 7 a 14 dias; tuberculose, até 60 dias no início do tratamento. O médico define o prazo com base na evolução clínica e nas exigências ocupacionais.
Qual a diferença entre CID A00 e A01?
A00 corresponde à cólera (infecção intestinal por Vibrio cholerae), enquanto A01 é a febre tifoide e paratifoide, causada por Salmonella typhi e paratyphi. Ambas são doenças de transmissão fecal-oral, mas com agentes e manifestações clínicas distintas.
O CID B20 é o mesmo que AIDS?
Sim, o código B20 (Doença pelo HIV resultando em doenças infecciosas e parasitárias) é utilizado quando o paciente com HIV apresenta alguma infecção oportunista, como tuberculose ou pneumocistose. O HIV isolado é codificado como B24 ou Z21 (assintomático).
Preciso de exames para confirmar o CID A15.0?
Sim. O código A15.0 (tuberculose pulmonar confirmada por cultura) exige confirmação microbiológica, geralmente por cultura de escarro ou teste molecular (PCR). O diagnóstico apenas clínico e radiológico é codificado como A16.0.
O CID B15 é hepatite A ou B?
B15 é hepatite A (vírus RNA transmitido por via fecal-oral). A hepatite B tem código B16 (aguda) ou B18.1 (crônica). A hepatite C é B17.1 (aguda) ou B18.2 (crônica).
Posso usar o CID A00-B99 para atestado de amigdalite?
Normalmente, a amigdalite bacteriana aguda é codificada no capítulo respiratório (J02.0 ou J03.8). O capítulo A00-B99 é reservado para doenças infecciosas com manifestações sistêmicas ou específicas, como febre reumática (I00) ou escarlatina (A38). Consulte o médico para o código correto.
O que significa CID A54?
A54 é o código para infecção gonocócica (gonorreia), causada pela Neisseria gonorrhoeae. Pode afetar uretra, colo do útero, reto, faringe e olhos. O tratamento é com antibióticos, geralmente ceftriaxona + azitromicina.
O CID B50 é malária?
Sim, B50 é malária por Plasmodium falciparum, a forma mais grave. B51 é por Plasmodium vivax, B52 por Plasmodium malariae e B53 por outras formas. O tratamento é com antimaláricos específicos, como artemeter + lumefantrina.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Referências externas:
CID-10 – Classificação Internacional de Doenças |
MedlinePlus – Enfermedades infecciosas
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