Em 2026, estima-se que cerca de 50 milhões de pessoas no mundo vivem com epilepsia, sendo uma das condições neurológicas mais prevalentes, responsável por 0,5% da carga global de doenças, segundo a OMS e o CID-10.
Introdução
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID G40 – Epilepsia – e quer saber o que significa? Este artigo foi escrito por um médico especialista em clínica médica para explicar de forma clara e completa os códigos de doenças neurológicas, usando a epilepsia como exemplo prático. A Classificação Internacional de Doenças (CID) é essencial para organizar diagnósticos, guiar tratamentos e comunicar informações entre profissionais de saúde. Vamos explorar cada aspecto, desde a definição até os cuidados diários.
- Código: G40
- Descrição: Epilepsia
- Categoria: Capítulo VI – Doenças do sistema nervoso (G00-G99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: G40.0 (Epilepsia com crises de início focal), G40.1 (Epilepsia com crises generalizadas), G40.2 (Epilepsia mioclônica), G40.3 (Epilepsia de ausência), G40.4 (Outras epilepsias generalizadas), G40.5 (Epilepsia não especificada), G40.6 (Crises epilépticas relacionadas a situações específicas), G40.7 (Epilepsia parcial complexa), G40.8 (Outras epilepsias), G40.9 (Epilepsia não especificada).
Paciente: Carlos Antunes, 32 anos, atendente de farmácia.
Queixa principal: Episódios recorrentes de perda súbita de consciência com contrações musculares involuntárias, durando cerca de 2 a 3 minutos, seguidos de sonolência e confusão mental.
Avaliação clínica: Exame neurológico normal entre as crises. Eletroencefalograma (EEG) de rotina mostrou atividade epileptiforme em região temporal esquerda. Ressonância magnética do crânio sem alterações estruturais. Exames laboratoriais (glicemia, eletrólitos, função hepática e renal) normais.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID G40.0 – Epilepsia com crises de início focal –, indicando epilepsia focal de lobo temporal.
Conduta terapêutica: Iniciado levetiracetam 500 mg duas vezes ao dia, com ajuste para 1000 mg/dia após duas semanas. Orientado a manter sono regular, evitar bebidas alcoólicas e usar pulseira de identificação de epilepsia.
Evolução: Após 8 semanas, Carlos apresentou redução de 90% na frequência das crises, sem efeitos colaterais significativos. Retornou ao trabalho com restrição para operar máquinas, recebendo atestado médico de 5 dias para adaptação à medicação.
Lição clínica: A epilepsia é controlável na maioria dos casos com tratamento adequado. O registro correto do CID é fundamental para o plano terapêutico e para a concessão de benefícios trabalhistas.
1. O que é o CID G40 na prática médica
O CID G40 é o código internacional que classifica a epilepsia, uma condição neurológica caracterizada por crises recorrentes não provocadas, resultantes de descargas elétricas anormais no cérebro. Na prática clínica, esse código é usado em prontuários, atestados, laudos de exames e solicitações de exames complementares. Ele permite que médicos de diferentes especialidades e serviços de saúde se comuniquem de forma padronizada, facilitando o rastreamento epidemiológico e a pesquisa. A epilepsia atinge aproximadamente 1% da população brasileira, e o CID G40 é essencial para o planejamento de políticas públicas de saúde, como distribuição de medicamentos anticrise pelo SUS.
O uso do CID também impacta diretamente o paciente: ele aparece no atestado médico, na receita de medicamentos controlados e na guia de internação hospitalar, quando necessário. Além disso, o código pode influenciar a concessão de auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez em casos refratários. Por isso, é crucial que o médico registre corretamente a subcategoria (G40.0, G40.1, etc.) para refletir com precisão o tipo de crise e orientar o tratamento.
2. Subcategorias e variantes do CID G40
A classificação CID-10 oferece subcategorias para detalhar o tipo de epilepsia. Veja as principais:
- G40.0 – Epilepsia com crises de início focal: As crises originam-se em uma área específica do cérebro. Exemplo: epilepsia do lobo temporal, como no caso de Carlos.
- G40.1 – Epilepsia com crises generalizadas: Envolvem ambos os hemisférios cerebrais desde o início, como crises tônico-clônicas.
- G40.2 – Epilepsia mioclônica: Caracterizada por abalos musculares breves e simétricos, comum em síndromes como a epilepsia mioclônica juvenil.
- G40.3 – Epilepsia de ausência: Crises breves de perda de consciência com duração de segundos, típicas da infância.
- G40.4 – Outras epilepsias generalizadas: Inclui formas atípicas.
- G40.5 – Epilepsia não especificada: Usada quando o tipo exato não pode ser definido.
- G40.6 – Crises epilépticas relacionadas a situações específicas: Crises desencadeadas por febre, privação de sono ou álcool.
- G40.7 – Epilepsia parcial complexa: Antigamente chamada de crise parcial complexa, agora incluída em G40.0.
- G40.8 – Outras epilepsias: Para formas raras.
- G40.9 – Epilepsia não especificada: Último recurso diagnóstico.
Escolher a subcategoria correta é fundamental para definir o prognóstico e o tratamento mais eficaz. Por exemplo, a epilepsia focal frequentemente responde bem a medicamentos como carbamazepina ou levetiracetam, enquanto a epilepsia de ausência pode necessitar de etossuximida.
3. Sintomas e como a doença se manifesta
As crises epilépticas variam enormemente. Podem ser crises focais (com ou sem perda de consciência) que causam sensações estranhas, movimentos involuntários em um membro ou alterações na visão/audição. Já as crises generalizadas incluem as tônico-clônicas (antigo “grande mal”), com rigidez muscular seguida de contrações rítmicas, perda de consciência, mordedura de língua e liberação esfincteriana. Crises de ausência são breves “desligamentos” em que a pessoa parece olhar fixamente por alguns segundos, comuns em crianças. A epilepsia mioclônica causa abalos súbitos, geralmente ao acordar. Sintomas prévios (aura), como odor estranho ou sensação de déjà-vu, podem ocorrer minutos antes da crise.
É importante observar que nem toda convulsão é epilepsia; crises febris na infância ou convulsões provocadas por hipoglicemia, por exemplo, não se encaixam no CID G40. O diagnóstico exige recorrência (duas ou mais crises não provocadas com intervalo superior a 24 horas).
4. Causas e fatores de risco
As causas da epilepsia são divididas em três grandes grupos: genéticas (alterações em canais iônicos, receptores ou proteínas sinápticas), estruturais (traumatismo craniano, tumores, malformações corticais, acidente vascular cerebral) e metabólicas (distúrbios mitocondriais, erros inatos do metabolismo). Em muitos pacientes, a causa permanece desconhecida (epilepsia criptogênica).
Fatores de risco incluem: histórico familiar de epilepsia, traumatismo craniano grave, infecções do sistema nervoso central (meningite, encefalite), acidente vascular cerebral, tumores cerebrais, uso abusivo de álcool ou drogas ilícitas, privação severa de sono e estresse emocional intenso. A epilepsia pode surgir em qualquer idade, mas tem picos na infância e após os 60 anos.
5. Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da epilepsia é essencialmente clínico, baseado na história detalhada das crises, descritas pelo paciente e por testemunhas. Exames complementares são fundamentais para confirmar e classificar:
- Eletroencefalograma (EEG): Registra a atividade elétrica cerebral e pode mostrar padrões epileptiformes (pontas, espículas). Um EEG de rotina normal não exclui epilepsia; a monitorização prolongada (vídeo-EEG) aumenta a sensibilidade.
- Ressonância magnética (RM) do crânio: Detecta lesões estruturais como tumores, malformações ou cicatrizes pós-traumáticas. A RM de alta resolução é padrão-ouro para epilepsia focal.
- Exames laboratoriais: Glicemia, eletrólitos, função renal e hepática, além de testes toxicológicos, para descartar causas agudas.
- Liquor (punção lombar): Indicado quando há suspeita de infecção ou doença inflamatória.
- Genética: Em casos refratários ou com forte histórico familiar, painéis genéticos podem identificar mutações específicas.
O médico também pode solicitar CID R11 – Náusea e Vômitos para registrar sintomas associados, mas o diagnóstico principal é o G40.
6. Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da epilepsia é baseado em medicamentos anticrise (antiepilépticos), escolhidos conforme o tipo de crise e o perfil do paciente. As principais classes incluem:
- Fármacos de amplo espectro (eficazes para vários tipos): valproato de sódio, levetiracetam, lamotrigina, topiramato.
- Fármacos para crises focais: carbamazepina, oxcarbazepina, fenitoína, gabapentina.
- Fármacos para crises de ausência: etossuximida, ácido valproico.
- Fármacos para crises mioclônicas: levetiracetam, valproato, clonazepam.
O tratamento inicia-se com monoterapia em doses baixas, com ajuste progressivo até o controle das crises ou efeitos colaterais. Cerca de 70% dos pacientes tornam-se livres de crises com o primeiro ou segundo medicamento. Para os 30% com epilepsia refratária, opções incluem associação de fármacos, dieta cetogênica (em crianças), cirurgia de epilepsia (ressecção do foco) e estimulação do nervo vago.
Além da medicação, medidas não farmacológicas são importantes: sono regular, evitar álcool, gerenciar estresse e usar pulseira de identificação. O acompanhamento com neurologista é contínuo.
7. Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado para epilepsia depende da gravidade das crises, do tipo de trabalho e da resposta ao tratamento. Em geral:
- Crise isolada bem controlada: 1 a 3 dias para observação e repouso.
- Início de medicação ou ajuste de dose: 5 a 7 dias para monitorar efeitos adversos.
- Crise tônico-clônica generalizada: 7 a 14 dias, especialmente se houve trauma ou estado confusional pós-ictal.
- Epilepsia refratária com crises frequentes: Atestado pode ser renovado por períodos maiores, sob supervisão médica e com relatórios periódicos.
- Cirurgia de epilepsia: De 30 a 90 dias de afastamento, dependendo da recuperação.
O médico deve avaliar o risco ocupacional: pacientes que trabalham com máquinas pesadas, dirigem veículos ou atuam em altura precisam de afastamento mais prolongado. A legislação brasileira (Resolução 2.170/2017 do CONTRAN) exige que pessoas com epilepsia estejam livres de crises há pelo menos 12 meses para obter ou renovar a carteira de motorista.
8. Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Busque atendimento de emergência imediatamente se:
- A crise durar mais de 5 minutos (estado de mal epiléptico).
- A pessoa não recuperar a consciência completamente entre crises.
- Houver múltiplas crises em sequência.
- A crise ocorrer em gestante, criança pequena ou imunossuprimido.
- Houver traumatismo craniano, dificuldade respiratória ou mordedura grave de língua.
- Aparecerem sintomas neurológicos focais após a crise (fraqueza em um lado, dificuldade de fala).
Sinais de alerta para quem já tem diagnóstico: aumento súbito da frequência de crises, surgimento de novo tipo de crise, intolerância à medicação (alergias, sintomas graves) ou piora do estado geral.
9. Prevenção e cuidados contínuos
Para prevenir crises, o paciente deve:
- Tomar a medicação anticrise rigorosamente todos os dias, no mesmo horário, sem pular doses.
- Dormir de 7 a 9 horas por noite, evitando privação de sono.
- Evitar consumo excessivo de álcool e drogas ilícitas.
- Gerenciar estresse com técnicas de relaxamento ou terapia cognitivo-comportamental.
- Manter consultas regulares com neurologista (a cada 3 a 6 meses) e realizar exames periódicos (hemograma, função hepática, nível sérico da medicação, se necessário).
- Usar pulseira de identificação médica e informar familiares, colegas de trabalho e escola sobre como agir durante uma crise.
Vacinas (incluindo a de febre amarela, após avaliação médica) são seguras na maioria dos casos. Mulheres com epilepsia devem planejar a gravidez com seu neurologista e obstetra, pois algumas medicações (valproato) aumentam o risco de malformações fetais.
Dicas de Ouro
- 01. Nunca interrompa a medicação anticrise bruscamente – isso pode desencadear crises de rebote ou estado de mal epiléptico. Qualquer ajuste deve ser orientado pelo médico.
- 02. Mantenha um diário de crises: anote data, horário, duração, sintomas e possíveis gatilhos. Isso ajuda o médico a otimizar o tratamento.
- 03. Eduque as pessoas próximas sobre primeiros socorros em crise convulsiva: não colocar objetos na boca, deitar a pessoa de lado, proteger a cabeça e cronometrar a crise.
- 04. Se você dirige e tem epilepsia, respeite o período de 12 meses sem crises (com laudo médico) para renovar a CNH. Nunca dirija se estiver com crises não controladas.
- 05. Considere o uso de dispositivos de alerta, como smartwatches com detecção de movimentos convulsivos, que podem notificar um contato de emergência automaticamente.
Perguntas Frequentes sobre o CID G40 – Epilepsia
O CID G40 garante quantos dias de atestado?
Depende da situação clínica: crises isoladas bem controladas rendem 1 a 3 dias; início de medicação, 5 a 7 dias; crises tônico-clônicas, 7 a 14 dias; cirurgia de epilepsia, 30 a 90 dias. O médico avaliará cada caso.
O CID G40 pode ser usado para solicitar auxílio-doença?
Sim, desde que a epilepsia seja refratária ou gere limitações funcionais significativas. É necessário laudo médico detalhado e, se solicitado pelo INSS, perícia médica.
Epilepsia tem cura?
Em muitos pacientes, as crises podem ser completamente controladas com medicação, e alguns conseguem suspender o tratamento após anos sem crises (remissão). Casos refratários podem ser tratados com cirurgia, alcançando cura em até 70% dos selecionados.
Posso ter filhos se tenho epilepsia?
Sim. A maioria das mulheres com epilepsia tem gestações saudáveis, mas é essencial planejar a gravidez com neurologista e obstetra. Algumas medicações aumentam o risco de malformações; o ácido fólico é recomendado antes e durante a gestação.
O CID G40 é hereditário?
A epilepsia tem forte componente genético em alguns casos, mas a maioria é esporádica. O risco para filhos de uma pessoa com epilepsia é ligeiramente maior que o da população geral (cerca de 4-5%), mas a maioria das crianças não desenvolverá a doença.
Pessoas com epilepsia podem praticar esportes?
Sim, esportes como natação (com supervisão), corrida e ioga são seguros. Esportes de risco (mergulho, alpinismo, parapente) devem ser evitados em crises não controladas. Atividades aquáticas exigem acompanhante treinado.
O que fazer se alguém tiver uma crise convulsiva perto de mim?
Mantenha a calma, coloque a pessoa de lado (posição de segurança), afaste objetos perigosos, não coloque nada na boca, cronometre a crise e chame o SAMU (192) se durar mais de 5 minutos
O CID G40 pode ser usado para obter desconto em medicamentos?
Sim, pacientes com epilepsia podem solicitar medicamentos anticrise pelo SUS (Farmácia Popular) ou por programas estaduais de alto custo, apresentando receita médica e laudo com o CID.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes e leitura adicional:
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