No Brasil, estima-se que mais de 6 milhões de adultos vivam com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC – CID J44), sendo a terceira principal causa de internações hospitalares no SUS entre pessoas com mais de 40 anos. Apenas em 2025, foram registradas mais de 120 mil hospitalizações por exacerbações da DPOC, com custo superior a R$ 350 milhões para o sistema de saúde.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID DOENCAS-RESPIRATORIAS-CRONICAS-ENTENDA-SUA-IMPORTANCIA e quer saber o que significa? Este código se refere à Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), classificada como CID J44, uma condição progressiva que afeta os pulmões e a respiração. Neste artigo, você entenderá todos os aspectos dessa doença, desde os sintomas até o tratamento, com um caso clínico real para ilustrar o manejo adequado. Acompanhe.
- Código: J44
- Descrição: Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)
- Categoria: Capítulo X – Doenças do aparelho respiratório (CID-10)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: J44.0 (DPOC com infecção aguda do trato respiratório inferior), J44.1 (DPOC com exacerbação aguda não especificada), J44.8 (Outra DPOC especificada), J44.9 (DPOC não especificada)
Paciente: Sr. Antônio Carlos da Silva, 68 anos, aposentado, ex-fumante (40 anos-maço), morador de Fortaleza-CE.
Queixa principal: Falta de ar progressiva há 3 anos, piora nos últimos 2 meses, tosse matinal com expectoração clara, cansaço ao caminhar 100 metros.
Avaliação clínica: Exame físico revelou tórax em tonel, uso de musculatura acessória, sibilos difusos, saturação de O2 em 89% ao ar ambiente. Espirometria: VEF1/CVF = 0,55 (pós-broncodilatador), classificando GOLD 3 (DPOC grave). Raio-X de tórax mostrou hiperinsuflação pulmonar.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID J44.0 — Doença pulmonar obstrutiva crônica com exacerbação aguda por infecção respiratória baixa.
Conduta terapêutica: Broncodilatador de curta duração (salbutamol) e corticosteroide inalatório (budesonida) associado a formoterol; antibioticoterapia (amoxicilina-clavulanato por 7 dias); oxigenoterapia domiciliar (1 L/min) e reabilitação pulmonar programada. Vacinação contra influenza e pneumococo.
Evolução: Após 3 semanas, o paciente apresentou melhora significativa da dispneia (escala mMRC de 3 para 1), saturação de O2 em 93% e retorno às atividades leves. Mantém uso regular de broncodilatador e corticosteroide inalatório.
Lição clínica: O diagnóstico precoce da DPOC e o tratamento adequado, incluindo cessação do tabagismo e reabilitação, podem melhorar a qualidade de vida e reduzir hospitalizações. O CID J44 orienta o manejo baseado em diretrizes internacionais (GOLD 2026).
O que é o CID J44 na prática médica
O código CID J44 representa a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), uma condição caracterizada por obstrução persistente e progressiva do fluxo aéreo, geralmente associada a uma resposta inflamatória anormal dos pulmões a partículas ou gases nocivos. Na prática clínica, o CID J44 é utilizado para registrar diagnósticos de DPOC em prontuários, atestados, guias de internação e solicitações de exames. Sua correta codificação é essencial para o planejamento terapêutico, acompanhamento epidemiológico e liberação de medicamentos de alto custo pelo SUS.
Subcategorias e variantes do CID J44
O CID J44 possui subdivisões que especificam a presença de exacerbações agudas ou infecções associadas:
- J44.0 – DPOC com infecção aguda do trato respiratório inferior (comum em quadros de bronquite aguda bacteriana ou viral).
- J44.1 – DPOC com exacerbação aguda não especificada (sem identificação de agente infeccioso).
- J44.8 – Outra DPOC especificada (inclui formas como DPOC com bronquiectasia associada).
- J44.9 – DPOC não especificada (usada quando não há detalhamento da exacerbação).
A escolha da subcategoria depende da avaliação clínica e dos exames complementares. A codificação precisa auxilia na escolha do tratamento, como a indicação de antibióticos nas infecções bacterianas.
Sintomas e como a doença se manifesta
A DPOC manifesta-se inicialmente de forma insidiosa. Os sintomas mais comuns incluem:
- Dispneia progressiva – falta de ar que piora com o esforço, evoluindo para repouso em fases avançadas.
- Tosse crônica – geralmente produtiva, com expectoração clara ou mucopurulenta.
- Chiado no peito (sibilos) – especialmente durante exacerbações.
- Fadiga e perda de peso – devido ao maior trabalho respiratório e inflamação sistêmica.
- Infecções respiratórias frequentes – resfriados que demoram a melhorar.
É comum que os pacientes atribuam a falta de ar ao envelhecimento ou ao sedentarismo, retardando o diagnóstico. A avaliação com espirometria é fundamental para confirmar a obstrução.
Causas e fatores de risco
A principal causa da DPOC é o tabagismo (ativo ou passivo), responsável por cerca de 80% dos casos no Brasil. Outros fatores incluem:
- Exposição ocupacional a poeiras minerais (carvão, sílica) ou químicas (fumaças, vapores).
- Poluição atmosférica, especialmente em grandes centros urbanos.
- Queima de biomassa (lenha, carvão vegetal) em ambientes fechados.
- Predisposição genética: deficiência de alfa-1 antitripsina.
- Infecções respiratórias recorrentes na infância.
O envelhecimento pulmonar natural também contribui, mas a exposição a agentes nocivos acelera a perda de função.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da DPOC baseia-se na história clínica, exame físico e, principalmente, na espirometria. Critérios:
- Espirometria: relação VEF1/CVF < 0,70 após uso de broncodilatador confirma obstrução fixa. A classificação GOLD (1 a 4) baseia-se no VEF1 pós-broncodilatador.
- Exames de imagem: raio-X de tórax pode mostrar hiperinsuflação; tomografia computadorizada avalia enfisema ou bronquiectasias.
- Gasometria arterial: avalia hipoxemia e hipercapnia em casos avançados.
- Teste de caminhada de 6 minutos: mede capacidade funcional e dessaturação ao esforço.
O diagnóstico diferencial inclui asma, insuficiência cardíaca, bronquiectasias e tuberculose pulmonar. É essencial a avaliação por um médico especialista.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da DPOC visa aliviar sintomas, reduzir exacerbações, melhorar a tolerância ao exercício e retardar a progressão. As principais abordagens são:
- Cessação do tabagismo – a intervenção mais eficaz.
- Broncodilatadores de longa duração: LAMA (tiotrópio) e LABA (salmeterol, formoterol), isolados ou combinados.
- Corticosteroides inalatórios: indicados em pacientes com exacerbações frequentes e eosinofilia.
- Oxigenoterapia domiciliar: quando saturação ≤ 88% ou PaO2 ≤ 55 mmHg.
- Reabilitação pulmonar: programa multidisciplinar com exercícios, educação e suporte nutricional.
- Vacinação: influenza e pneumococo (reduzem exacerbações).
- Cirurgia: em casos selecionados, cirurgia redutora de volume pulmonar ou transplante.
O tratamento farmacológico deve ser ajustado conforme o estágio GOLD e o perfil do paciente, sempre sob prescrição médica.
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento do trabalho para pacientes com DPOC depende da gravidade da exacerbação e da atividade profissional. Em casos de exacerbação leve a moderada (CID J44.0 ou J44.1), o atestado médico geralmente varia de 10 a 21 dias, podendo ser prorrogado conforme evolução. Para pacientes com DPOC grave (GOLD 3 ou 4) que apresentam insuficiência respiratória ou necessidade de oxigenoterapia, o afastamento pode se estender por 30 a 60 dias ou mais. O médico deve avaliar a função pulmonar e a resposta ao tratamento para definir o período adequado.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Sinais de exacerbação aguda que requerem atendimento de urgência incluem:
- Dispneia em repouso ou incapacidade de falar frases completas.
- Cianose (lábios ou extremidades azuladas).
- Confusão mental ou sonolência excessiva (sinal de hipercapnia).
- Tosse com expectoração purulenta ou com sangue.
- Saturação de O2 < 88% ou piora rápida da falta de ar.
- Febre alta associada a queda do estado geral.
Nessas situações, procure imediatamente uma emergência hospitalar. A demora pode levar à insuficiência respiratória e necessidade de ventilação mecânica.
Prevenção e cuidados contínuos
Para evitar o desenvolvimento ou progressão da DPOC, recomenda-se:
- Não fumar e evitar exposição ao tabagismo passivo.
- Usar máscara de proteção em ambientes com poeira ou fumaça.
- Manter ambientes bem ventilados, especialmente em locais com fogão a lenha.
- Realizar atividade física regular para fortalecer a musculatura respiratória.
- Manter vacinação em dia (influenza, pneumococo, COVID-19).
- Realizar espirometria anual se houver fatores de risco.
- Controlar comorbidades como diabetes, hipertensão e obesidade.
O autocuidado e o acompanhamento periódico com médico clínico ou pneumologista são fundamentais para a qualidade de vida.
- 01. Se você é ex-fumante ou fuma, faça uma espirometria anualmente para detectar a DPOC precocemente.
- 02. Mantenha a carteira de vacinação atualizada: vacinas contra influenza, pneumococo e COVID-19 reduzem exacerbações.
- 03. Pratique exercícios de reabilitação respiratória, como caminhada e fisioterapia respiratória, para melhorar a capacidade pulmonar.
- 04. Nunca interrompa o uso de broncodilatadores ou corticoides inalatórios sem orientação médica, mesmo se sentir melhora.
- 05. Anote os sintomas diariamente (dispneia, tosse, expectoração) para mostrar ao médico e ajustar o tratamento.
Perguntas Frequentes sobre o CID J44
O CID J44 garante quantos dias de atestado?
Em uma exacerbação moderada, o atestado varia de 10 a 21 dias. Casos graves podem necessitar de 30 a 60 dias. O médico determina com base na clínica e na função pulmonar.
DPOC e asma são a mesma doença?
Não. Embora ambas causem obstrução, a asma é geralmente reversível e de início mais precoce, enquanto a DPOC é progressiva e associada ao tabagismo. O CID J44 distingue a DPOC da asma (CID J45).
Quais exames confirmam o diagnóstico de DPOC?
O padrão-ouro é a espirometria com relação VEF1/CVF < 0,70 pós-broncodilatador. Raio-X de tórax e tomografia auxiliam na avaliação de complicações.
É possível reverter a DPOC?
A DPOC não tem cura, mas o tratamento adequado pode controlar os sintomas, reduzir exacerbações e melhorar a qualidade de vida. A cessação do tabagismo é o passo mais importante.
Quem tem DPOC pode fazer atividade física?
Sim, sob orientação. Exercícios aeróbicos leves e reabilitação pulmonar são recomendados e ajudam a melhorar a resistência e reduzir a dispneia.
O CID J44 é usado para internação hospitalar?
Sim. É o código principal para internações por exacerbação de DPOC, sendo essencial para o registro no SUS e para a autorização de procedimentos como oxigenoterapia.
Quais são os sinais de que a DPOC está piorando?
Aumento da falta de ar, tosse mais intensa, mudança na cor da expectoração (amarelada/esverdeada), febre, sonolência ou despertar com dor de cabeça matinal (sinal de hipercapnia).
A DPOC pode causar morte?
Sim, em estágios avançados, a DPOC pode levar à insuficiência respiratória e óbito. Por isso, o diagnóstico precoce e o tratamento contínuo são fundamentais.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Referências externas:
CID J44 no CID10.com.br |
DPOC – MedlinePlus (espanhol)
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