Segundo a Organização Mundial da Saúde, as doenças respiratórias crônicas afetam cerca de 545 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, a asma (CID J45) é responsável por aproximadamente 350 mil internações hospitalares por ano, com um custo estimado de R$ 1,2 bilhão ao sistema de saúde em 2025.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID DOENCAS-RESPIRATORIAS-ENTENDA-SUA-IMPORTANCIA-E-CODIGOS e quer saber o que significa? As doenças respiratórias estão entre as causas mais comuns de consultas médicas e afastamentos do trabalho. Neste artigo, explicamos de forma clara e completa o CID J45 (Asma), suas subcategorias, sintomas, tratamento e tudo que você precisa saber para entender o seu diagnóstico e cuidar da sua saúde respiratória.
- Código: J45
- Descrição: Asma
- Categoria: Capítulo X – Doenças do aparelho respiratório (J00-J99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: J45.0 (Asma predominantemente alérgica), J45.1 (Asma não alérgica), J45.8 (Asma mista), J45.9 (Asma não especificada)
Paciente: Maria Aparecida, 32 anos, professora do ensino fundamental
Queixa principal: Falta de ar e chiado no peito há três dias, piora à noite e ao realizar esforço físico. Relata episódios semelhantes nos últimos dois anos, especialmente na primavera.
Avaliação clínica: Ao exame físico, apresentava sibilos bilaterais à ausculta pulmonar, frequência respiratória de 24 incursões por minuto e saturação de oxigênio de 93% em ar ambiente. Foi solicitada espirometria, que evidenciou redução do VEF1/CVF com reversibilidade após broncodilatador (aumento de 15% no VEF1).
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID J45.0 – Asma predominantemente alérgica, com exacerbação moderada.
Conduta terapêutica: Foi prescrito corticoide inalatório (budesonida 400 mcg/dia) associado a broncodilatador de longa duração (formoterol 12 mcg a cada 12 horas) e broncodilatador de curta duração (salbutamol spray 100 mcg, até 4 vezes ao dia, conforme necessidade). Além disso, orientou-se evitar exposição a alérgenos (ácaros, pólen) e manter o ambiente domiciliar arejado.
Evolução: Após duas semanas de tratamento, a paciente apresentou melhora significativa dos sintomas, com redução do uso de salbutamol para menos de duas vezes por semana. A espirometria de controle mostrou VEF1 normalizado (92% do previsto). Retornou ao trabalho sem limitações.
Lição clínica: O diagnóstico precoce e o tratamento adequado da asma permitem controle da doença e melhora da qualidade de vida. O uso correto de corticoides inalatórios é a base do tratamento, e o paciente deve ser orientado sobre a técnica inalatória e a importância da adesão.
O que é o CID J45 na prática médica
O CID J45 é o código da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) para a asma, uma doença inflamatória crônica das vias aéreas. Na prática clínica, o uso desse código é essencial para registrar diagnósticos, solicitar exames, prescrever tratamentos e justificar afastamentos do trabalho. A asma caracteriza-se por hiperresponsividade brônquica e obstrução reversível do fluxo aéreo, manifestando-se por episódios de sibilos, dispneia, opressão torácica e tosse, principalmente à noite ou ao amanhecer.
O CID J45 abrange diferentes fenótipos da doença, desde a asma alérgica (mais comum em crianças e adultos jovens) até a asma não alérgica (relacionada a irritantes, exercício ou estresse). O conhecimento desse código permite que médicos, seguradoras e sistemas de saúde comuniquem-se de forma precisa sobre a condição do paciente.
Subcategorias e variantes do CID J45
O CID J45 é subdividido em quatro categorias principais, que ajudam a especificar o tipo de asma:
- J45.0 – Asma predominantemente alérgica: Associada a alérgenos como ácaros, pólen, mofo e pelos de animais. Geralmente tem início na infância e pode estar acompanhada de rinite alérgica ou eczema.
- J45.1 – Asma não alérgica: Desencadeada por fatores como infecções virais, exercício físico, ar frio, estresse emocional ou irritantes químicos. Mais comum em adultos.
- J45.8 – Asma mista: Combinação de componentes alérgicos e não alérgicos. É frequente em pacientes com história de atopia e exposição ocupacional.
- J45.9 – Asma não especificada: Utilizado quando o tipo de asma não é claramente definido ou quando faltam informações para classificação mais precisa.
Essas subcategorias orientam o tratamento, pois a asma alérgica pode se beneficiar de imunoterapia específica, enquanto a asma não alérgica responde melhor ao controle ambiental e ao uso de medicamentos anti-inflamatórios.
Sintomas e como a doença se manifesta
A asma pode se apresentar de forma variável, desde sintomas leves e esporádicos até crises graves que exigem atendimento de emergência. Os principais sintomas incluem:
- Falta de ar (dispneia) – sensação de aperto no peito e dificuldade para respirar.
- Chiado no peito (sibilos) – som agudo ao expirar, característico da obstrução brônquica.
- Tosse – frequentemente seca ou com pouco catarro, piora à noite ou após exercício.
- Opressão torácica – sensação de peso ou compressão no tórax.
Os sintomas costumam piorar à noite, nas primeiras horas da manhã, durante atividades físicas ou quando exposto a alérgenos/irritantes. Em crises moderadas a graves, a saturação de oxigênio pode cair, causando cianose (lábios e dedos arroxeados) e uso de musculatura acessória (retrações intercostais).
Causas e fatores de risco
A asma é uma doença multifatorial, resultante da interação entre predisposição genética e exposição a fatores ambientais. Os principais fatores de risco incluem:
- História familiar: Parentes de primeiro grau com asma ou alergias aumentam o risco.
- Atopia: Tendência a produzir IgE em resposta a alérgenos comuns, como ácaros, pólen, fungos e epitélios de animais.
- Infecções respiratórias na infância: Vírus sincicial respiratório (VSR) e rinovírus podem desencadear inflamação brônquica persistente.
- Exposição ocupacional: Substâncias como poeira de madeira, produtos químicos, farinha (padeiros) e animais de laboratório.
- Tabagismo: Fumo ativo ou passivo prejudica a função pulmonar e aumenta a gravidade da asma.
- Poluição do ar: Partículas finas (PM2.5), dióxido de enxofre e ozônio agravam a inflamação brônquica.
- Obesidade: O excesso de peso está associado a maior resistência das vias aéreas e pior controle da asma.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da asma é clínico e funcional, baseado na história de sintomas recorrentes e na demonstração de obstrução reversível das vias aéreas. Os passos incluem:
- Anamnese detalhada: Perguntas sobre sintomas, gatilhos, histórico pessoal e familiar de alergias, uso de medicamentos e tabagismo.
- Exame físico: Ausculta pulmonar para identificar sibilos, avaliação de sinais de esforço respiratório e busca de comorbidades (rinite, eczema).
- Prova de função pulmonar: A espirometria é o exame padrão-ouro. Mede o volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) e a capacidade vital forçada (CVF). O diagnóstico é confirmado quando há aumento do VEF1 ≥ 12% e ≥ 200 mL após inalação de broncodilatador (reversibilidade).
- Teste de provocação brônquica: Usado quando a espirometria está normal, mas há suspeita clínica. Consiste na inalação de metacolina ou histamina para medir a hiperresponsividade.
- Medida do pico de fluxo expiratório (PFE): Monitoramento domiciliar com peak flow pode mostrar variação diurna ≥ 20% (sugestivo de asma).
- Exames complementares: Hemograma (eosinofilia), IgE total e específica, teste cutâneo de alergia, radiografia de tórax (para excluir outras doenças).
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da asma é baseado em diretrizes internacionais (GINA – Global Initiative for Asthma) e consiste em duas estratégias principais: controle de longo prazo e alívio imediato das crises.
- Medicamentos de controle (uso contínuo):
- Corticoides inalatórios (budesonida, fluticasona, beclometasona) – reduzem a inflamação brônquica.
- Beta-agonistas de longa duração (formoterol, salmeterol) – promovem broncodilatação prolongada.
- Antileucotrienos (montelucaste) – bloqueiam a ação de mediadores inflamatórios.
- Imunoterapia específica (vacinas para alérgenos) – indicada para asma alérgica moderada a grave não controlada.
- Medicamentos de resgate (para crises):
- Beta-agonistas de curta duração (salbutamol, fenoterol) – broncodilatação rápida (agir em 5-15 minutos).
- Corticoides orais (prednisona) – usados em exacerbações moderadas a graves, por curto período.
- Terapias biológicas: Para asma grave não controlada, anticorpos monoclonais (omalizumabe, mepolizumabe, benralizumabe) bloqueiam vias inflamatórias específicas.
O tratamento deve ser ajustado periodicamente conforme o nível de controle (bem controlado, parcialmente controlado, não controlado). A adesão ao uso de corticoides inalatórios e a técnica inalatória adequada são fundamentais para o sucesso terapêutico.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado para asma (CID J45) varia conforme a gravidade da crise e a atividade profissional do paciente. Para uma exacerbação leve a moderada, o repouso domiciliar costuma ser de 3 a 7 dias. Em casos graves que exigem internação hospitalar, o afastamento pode se estender de 7 a 15 dias ou mais, dependendo da resposta ao tratamento e da necessidade de fisioterapia respiratória. O médico avaliará a função pulmonar e a presença de comorbidades para definir o período adequado. Pacientes com asma persistente bem controlada geralmente não necessitam de afastamento, exceto em situações de exposição ocupacional a irritantes.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Alguns sinais indicam que a asma está saindo de controle ou que uma crise grave se instalou. Procure atendimento de emergência imediatamente se:
- Dificuldade intensa para respirar, com fala entrecortada (não consegue completar frases).
- Sibilos muito altos ou, paradoxalmente, ausência de sibilos (pulmão silencioso – sinal de obstrução crítica).
- Uso de musculatura acessória (retrações no pescoço e nas costelas).
- Cianose (lábios ou unhas arroxeadas).
- Não melhora após uso do broncodilatador de resgate (salbutamol) após 15-20 minutos.
- Saturação de oxigênio abaixo de 92% medida em casa (se tiver oxímetro).
- Confusão mental ou sonolência excessiva.
Além das emergências, consulte seu médico se os sintomas piorarem progressivamente, se precisar usar o broncodilatador de resgate mais de duas vezes por semana, ou se tiver crises noturnas frequentes.
Prevenção e cuidados contínuos
O controle da asma vai além dos medicamentos. Medidas preventivas e de estilo de vida são essenciais para reduzir crises e melhorar a qualidade de vida:
- Identificar e evitar gatilhos: Use capas antiácaro nos colchões e travesseiros, evite tapetes e carpetes, mantenha a casa arejada, evite fumaça de cigarro e poluentes.
- Monitorar a função pulmonar: O peak flow diário ajuda a detectar queda antes dos sintomas. Registre os valores e mostre ao médico nas consultas.
- Manter a medicação de controle em dia: Não interrompa o corticoide inalatório sem orientação médica, mesmo que esteja sem sintomas.
- Vacinação: Tome vacinas contra influenza (gripe) e pneumococo anualmente, pois infecções respiratórias são gatilhos comuns de exacerbação.
- Plano de ação por escrito: Elabore com seu médico um plano de autocuidado que indique quando aumentar a medicação ou procurar ajuda.
- Exercício físico supervisionado: Atividades aeróbicas moderadas melhoram a capacidade pulmonar. Use broncodilatador antes do exercício se houver recomendação médica.
- 01. Nunca use o salbutamol (bombinha de resgate) mais de três vezes por semana como rotina – isso indica asma não controlada.
- 02. Lave sempre o espaçador após o uso e substitua o dispositivo a cada 3 meses para garantir a dose correta.
- 03. Mantenha um diário de sintomas: anote crises, gatilhos e medicamentos usados. Isso ajuda o médico a ajustar o tratamento.
- 04. Evite usar vaporizadores ou umidificadores sem higienização – eles podem proliferar fungos e piorar a asma.
- 05. Consulte um pneumologista pelo menos uma vez por ano, mesmo que esteja bem, para reavaliar o plano de controle.
Perguntas Frequentes sobre o CID J45 – Asma
O CID J45 garante quantos dias de atestado?
Para uma crise leve a moderada, o atestado varia de 3 a 7 dias. Crises graves podem exigir 7 a 15 dias ou mais, conforme avaliação médica.
Asma tem cura?
Não, a asma é uma doença crônica. No entanto, com tratamento adequado e controle dos gatilhos, a maioria dos pacientes consegue viver sem sintomas e com qualidade de vida normal.
Qual a diferença entre asma e bronquite?
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, enquanto bronquite refere-se à inflamação dos brônquios, geralmente associada a infecções (bronquite aguda) ou tabagismo (bronquite crônica – DPOC). Ambas podem causar tosse e chiado, mas os mecanismos e tratamentos diferem.
Posso fazer exercícios físicos tendo asma?
Sim, desde que a asma esteja controlada. Exercícios aeróbicos como caminhada, natação e ciclismo são benéficos. Recomenda-se usar broncodilatador de curta duração 15 minutos antes do exercício, se houver indicação médica.
Crianças com asma podem crescer sem a doença?
Muitas crianças melhoram dos sintomas com a idade, especialmente aquelas com asma leve. No entanto, a asma pode persistir na vida adulta, principalmente se houver fatores genéticos e ambientais.
O que é o peak flow e como usar?
O peak flow é um aparelho portátil que mede o pico de fluxo expiratório (PFE), indicando o grau de obstrução das vias aéreas. O paciente sopra com força máxima após inspirar profundamente. Os valores normais variam conforme sexo, idade e altura. Uma queda de 20% ou mais em relação ao melhor valor pessoal sugere exacerbação.
Asma pode matar?
Sim, crises graves de asma podem ser fatais se não tratadas rapidamente. Por isso, é crucial reconhecer os sinais de alerta e ter um plano de ação. Com o tratamento moderno, a mortalidade é baixa, mas ainda ocorre em casos de acesso tardio ao atendimento.
Posso tomar vacina contra gripe tendo asma?
Sim, a vacina contra influenza é recomendada para todos os pacientes com asma, pois a gripe é um gatilho comum de exacerbações graves. A vacina é segura e protege contra complicações respiratórias.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
Na Clinica Popular Fortaleza você encontra consultas acessíveis com médicos que explicam seu diagnóstico e orientam o melhor tratamento.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes e referências:
cid10.com.br – Classificação Internacional de Doenças
MedlinePlus (Espanhol) – Informações sobre asma
BVS – Biblioteca Virtual em Saúde – Artigos científicos e diretrizes
Hospital Israelita Albert Einstein – Guia de asma
Conteúdos relacionados no nosso site:
CID R11 – Náuseas e Vômitos |
CID Z000 – Exame Médico Geral |
CID 010 – Tuberculose Pulmonar |
CID 083 – Significado e Cuidados |
CID 200 – O que significa |
CID F41 – Ansiedade |
CID M54 – Dorsalgia |
CID J06 – Infecção Respiratória |
CID J30 – Rinite Alérgica |
CID K21 – Refluxo |
CID N39 – Infecção Urinária |
CID G43 – Enxaqueca |
CID J45 – Asma |
Omeprazol para que serve |
Dipirona para que serve |
Ibuprofeno para que serve |
Amoxicilina para que serve |
Azitromicina para que serve |
Nimesulida para que serve |
Paracetamol para que serve


