No Brasil, cerca de 6,5% das internações hospitalares estão relacionadas a reações adversas a medicamentos (RAM), e aproximadamente 30% desses eventos poderiam ser evitados com monitoramento adequado. Em 2025, a ANVISA registrou mais de 180 mil notificações de suspeitas de efeitos colaterais.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID EFEITOS-COLATERAIS-DE-MEDICAMENTOS-ENTENDA-AQUI e quer saber o que significa? Este artigo descreve de forma clara e completa o CID T88.7 (Efeito adverso não especificado de droga ou medicamento), explicando causas, sintomas, diagnóstico, tratamento, dias de atestado e quando buscar ajuda urgente. Leia até o final para esclarecer todas as suas dúvidas.
- Código: T88.7
- Descrição: Efeito adverso não especificado de droga ou medicamento
- Categoria: Capítulo XIX – Lesões, envenenamentos e algumas outras consequências de causas externas (S00-T98)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: Não possui subcategorias oficiais; outros códigos T88.0 a T88.9 abrangem complicações específicas (ex.: T88.0 – Infecção associada a imunização; T88.1 – Outras complicações de imunização; T88.6 – Choque anafilático devido a soro). Para reações adversas a medicamentos específicos, utiliza-se o código do medicamento (ex.: Y40–Y59).
Paciente: Maria Aparecida, 58 anos, professora aposentada
Queixa principal: Náuseas intensas, tontura e erupção cutânea generalizada iniciadas 3 dias após início de amoxicilina para infecção urinária.
Avaliação clínica: Paciente apresenta urticária difusa, prurido, PA 110×70 mmHg, FC 98 bpm, sem sinais de angioedema. Exames laboratoriais mostram eosinofilia leve (8%) e PCR normal. Teste cutâneo para penicilina positivo.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o medico registrou o CID T88.7 — Efeito adverso não especificado de droga ou medicamento, reação de hipersensibilidade tipo I à amoxicilina.
Conduta terapêutica: Suspensão imediata da amoxicilina; prescrição de anti-histamínico (dexclorfeniramina 2 mg 8/8h) e corticoide oral (prednisona 40 mg/dia por 5 dias); orientação de não usar penicilinas ou cefalosporinas no futuro; notificação ao sistema de farmacovigilância.
Evolução: Após 48 horas, melhora significativa do prurido e regressão da urticária. Paciente recebeu atestado de 5 dias e foi encaminhada para alergologista para dessensibilização, se necessário.
Lição clínica: Reações adversas a medicamentos são comuns e podem variar de leves a graves; a identificação precoce e a suspensão do agente causal são fundamentais para evitar complicações.
O que é o CID T88.7 na prática médica
O CID T88.7 é o código da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) utilizado para registrar efeitos adversos não especificados de drogas ou medicamentos. Ele é usado quando um paciente apresenta uma reação indesejada a um medicamento, mas não se encaixa em uma categoria mais específica (como choque anafilático, intoxicação ou erro de medicação). Na prática clínica, esse código é frequentemente empregado em prontuários, atestados médicos e relatórios de farmacovigilância.
É importante diferenciar o T88.7 de outros códigos relacionados, como Y40–Y59 (reações adversas a medicamentos em uso terapêutico) ou T36–T50 (envenenamentos). O T88.7 é “guarda-chuva” para eventos adversos sem especificação precisa, mas sempre que possível o médico deve identificar o medicamento suspeito e registrar também o código correspondente (ex.: Y40.0 – penicilinas).
Subcategorias e variantes do CID T88.7
O CID T88.7 não possui subcategorias oficiais na CID-10. No entanto, existem códigos próximos que podem ser usados dependendo do tipo de reação adversa:
- T88.0 – Infecção associada a imunização (p. ex., abscesso pós-vacina)
- T88.1 – Outras complicações de imunização (p. ex., febre, reação local)
- T88.6 – Choque anafilático devido a soro
- T88.8 – Outras complicações especificadas de cuidados médicos e cirúrgicos
- T88.9 – Complicação não especificada de cuidados médicos e cirúrgicos
Para reações adversas a medicamentos específicos, a CID-10 recomenda o uso dos códigos Y40–Y59 (por exemplo, Y40.0 para penicilinas, Y41.0 para opioides). O médico pode combinar esses códigos para maior precisão diagnóstica.
Sintomas e como a reação adversa se manifesta
Os sintomas de um efeito colateral de medicamento variam amplamente conforme o fármaco, a dose, a via de administração e a suscetibilidade individual. As manifestações mais comuns incluem:
- Reações cutâneas: urticária, prurido, erupção maculopapular, fotossensibilidade
- Sintomas gastrointestinais: náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal, constipação
- Manifestações neurológicas: tontura, cefaleia, sonolência, insônia, tremor
- Alterações cardíacas: palpitações, taquicardia, hipotensão, arritmias
- Reações respiratórias: broncoespasmo, dispneia, tosse
- Manifestações sistêmicas: febre, mal-estar, fadiga, linfadenopatia
Reações graves como anafilaxia, síndrome de Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica, hepatite medicamentosa e discrasias sanguíneas requerem atendimento emergencial. O início dos sintomas pode ser imediato (minutos a horas) ou tardio (dias a semanas).
Causas e fatores de risco para efeitos colaterais
Os efeitos adversos a medicamentos podem ser classificados em dois grandes grupos:
- Reações tipo A (previsíveis): relacionadas à ação farmacológica do medicamento (ex.: hemorragia com anticoagulantes, boca seca com anticolinérgicos). Doses elevadas, interações medicamentosas e polifarmácia aumentam o risco.
- Reações tipo B (idiossincráticas): não relacionadas à dose, dependem da susceptibilidade individual (ex.: alergia a penicilina, hepatite por halotano). Fatores genéticos, idade (extremos), sexo feminino, doenças hepáticas ou renais prévias e uso concomitante de múltiplos medicamentos são fatores de risco reconhecidos.
Além disso, automedicação, descumprimento de horários, uso de medicamentos vencidos ou armazenados de forma inadequada, e interações com alimentos ou álcool podem desencadear reações adversas.
Como é feito o diagnóstico de efeito adverso
O diagnóstico de uma reação adversa a medicamento (RAM) é essencialmente clínico e baseia-se na história detalhada de exposição medicamentosa, cronologia dos sintomas e exclusão de outras causas. O médico deve:
- História farmacológica: Listar todos os medicamentos em uso (prescritos, isentos de prescrição, fitoterápicos), doses, início e término.
- Relação temporal: Verificar se os sintomas surgiram após o início do medicamento suspeito; se houve melhora com a suspensão (desafio positivo) e piora com a reintrodução (reprovocação – feita apenas em ambiente controlado).
- Exames complementares: Podem incluir hemograma com eosinófilos, testes de função hepática e renal, dosagem de IgE específica, teste cutâneo (para alergias), e em casos selecionados, biópsia de pele ou fígado.
- Escalas de probabilidade: A Escala de Naranjo (Algoritmo de Causalidade) é amplamente utilizada para classificar a RAM como definitiva, provável, possível ou duvidosa.
O registro correto do CID T88.7 no prontuário é fundamental para fins de notificação à ANVISA e para garantir o direito ao atestado médico.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O manejo de uma reação adversa a medicamento depende da gravidade e do tipo de reação:
- Suspensão do agente causal: Primeira e mais importante medida. Na maioria dos casos leves, os sintomas regridem espontaneamente em poucos dias.
- Tratamento sintomático: Anti-histamínicos (dexclorfeniramina, loratadina) para reações alérgicas leves; analgésicos/antitérmicos; antieméticos; hidratação.
- Corticoides: Indicados em reações cutâneas moderadas a graves (prednisona 0,5–1 mg/kg/dia por 5–7 dias) ou em manifestações sistêmicas.
- Adrenalina: Essencial em casos de anafilaxia (0,01 mg/kg IM, repetir se necessário).
- Suporte avançado: Internação para reações graves (necrólise epidérmica, hepatite fulminante, anemia aplástica).
- Notificação: O médico deve notificar a suspeita de RAM ao sistema de farmacovigilância (ANVISA) para contribuir com a segurança dos medicamentos.
Após a resolução, o paciente deve ser orientado a evitar o medicamento e seus análogos, e portar uma pulseira ou cartão de alerta. Em casos de alergia confirmada, o encaminhamento ao alergologista é recomendado.
Quantos dias de atestado médico para efeito colateral
O número de dias de atestado para um efeito colateral de medicamento depende da intensidade dos sintomas e da necessidade de afastamento laboral. Em geral:
- Reações leves (náuseas, tontura, rash cutâneo sem complicações): atestado de 1 a 3 dias para repouso e avaliação médica.
- Reações moderadas (urticária extensa, febre, vômitos, dor abdominal): atestado de 3 a 7 dias.
- Reações graves (anafilaxia, síndrome de Stevens-Johnson, hepatite medicamentosa): atestado de 10 a 30 dias ou mais, conforme evolução e necessidade de internação.
O médico responsável deve basear o período de afastamento na avaliação clínica individual, considerando a profissão e os riscos de retorno precoce. O CID T88.7 é o código adequado para justificar o afastamento por RAM.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Sinais de gravidade que exigem atendimento de urgência ou emergência:
- Dificuldade para respirar, chiado no peito, estridor
- Inchaço nos lábios, língua, rosto ou garganta (angioedema)
- Queda da pressão arterial, tontura intensa, desmaio
- Batimentos cardíacos acelerados ou irregulares
- Erupção cutânea com bolhas, descamação ou envolvimento de mucosas (olhos, boca, genitais)
- Febre alta persistente, icterícia (olhos amarelados)
- Confusão mental, convulsões, alterações visuais
- Vômitos ou diarreia intensos que impedem hidratação oral
Nesses casos, não espere: vá a um pronto-socorro ou ligue para o SAMU (192). Leve a lista de medicamentos em uso para facilitar o diagnóstico.
Prevenção e cuidados contínuos
Para minimizar o risco de efeitos colaterais, adote as seguintes práticas:
- Nunca se automedique; consulte um médico antes de usar qualquer medicamento.
- Informe ao médico sobre alergias, doenças prévias e uso de outros remédios (inclusive chás e suplementos).
- Siga rigorosamente a dose, horário e duração do tratamento prescrito.
- Não compartilhe medicamentos com outras pessoas.
- Mantenha uma lista atualizada de medicamentos em uso e apresente-a em todas as consultas.
- Em caso de reação leve já conhecida, comunique ao médico para que ele substitua o medicamento ou ajuste a dose.
- Guarde os medicamentos em local adequado (fresco, seco, fora do alcance de crianças e animais).
Pacientes que já tiveram reações adversas graves devem usar pulseira de alerta médico e informar todos os profissionais de saúde sobre a condição.
- 01. Anote todos os sintomas: registre o que sentiu, quando começou e qual medicamento estava usando. Isso ajuda o médico a fechar o diagnóstico.
- 02. Nunca ignore reações tardias: algumas reações aparecem dias ou semanas após o início do remédio – não atribua a outra causa sem avaliação.
- 03. Tenha um “passaporte de medicamentos”: mantenha uma lista escrita ou digital de todos os medicamentos que você usa ou já usou, incluindo os que provocaram reação.
- 04. Conheça os efeitos colaterais comuns do seu remédio: leia a bula, mas sempre com orientação médica – nem tudo que está na bula acontece com todo mundo.
- 05. Informe ao médico sobre reações anteriores: mesmo que tenha sido leve, isso pode evitar um problema maior no futuro.
Perguntas Frequentes sobre o CID Efeitos Colaterais de Medicamentos
O CID T88.7 garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo; o médico define com base na gravidade. Em média, reações leves dão 1–3 dias, moderadas 3–7 dias e graves 10–30 dias ou mais.
Posso usar o CID T88.7 para qualquer reação a remédio?
Ele é usado quando a reação adversa não é especificada. Se houver um código mais específico (ex.: T88.6 para choque anafilático), este deve ser preferido.
Qual a diferença entre efeito colateral e reação adversa?
Efeito colateral é qualquer efeito não intencional (pode ser benéfico ou nocivo); reação adversa é sempre prejudicial e indesejada. Na prática, ambas são registradas como RAM.
O que fazer se tiver uma reação alérgica a um medicamento?
Suspenda o uso imediatamente e procure atendimento médico. Se houver sinais de anafilaxia (falta de ar, inchaço), vá ao pronto-socorro ou chame o SAMU.
O CID T88.7 pode ser usado para reações a vacinas?
Para reações pós-vacinais, os códigos específicos são T88.0 (infecção) e T88.1 (outras complicações). O T88.7 pode ser usado se não houver especificação.
Quantos dias leva para os sintomas desaparecerem após suspender o medicamento?
Depende da meia-vida do remédio e do tipo de reação. Reações cutâneas leves podem melhorar em 2–5 dias; reações hepáticas podem levar semanas. O médico deve acompanhar.
O atestado com CID T88.7 é válido para justificar falta no trabalho?
Sim, o CID T88.7 é um código válido da CID-10 e aceito por empregadores e INSS para justificar afastamento por motivo de saúde, desde que emitido por médico.
Reação adversa a medicamento dá direito a auxílio-doença?
Se a reação for grave e incapacitar o paciente por mais de 15 dias, pode-se solicitar o auxílio-doença (agora chamado de benefício por incapacidade temporária) junto ao INSS, com perícia médica.
Como notificar uma reação adversa?
O médico ou o paciente podem notificar à ANVISA pelo sistema VigiMed (www.vigimed.com.br) ou pelo aplicativo Notifica ANVISA. Pacientes também podem relatar em postos de saúde.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes externas:
CID10.com.br – T88.7 |
MedlinePlus – Reações adversas |
BVS Biblioteca Virtual em Saúde |
Einstein – Reação adversa a medicamentos
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