Em 2025, o Brasil registrou cerca de 180 mil internações por erisipela (CID A46), com aumento de 12% em relação a 2023, segundo dados do DATASUS. A doença atinge principalmente adultos acima de 40 anos e pessoas com insuficiência venosa crônica.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID ERISIPELA e quer saber o que significa? A erisipela é uma infecção cutânea causada por bactérias, geralmente estreptococos, que atinge as camadas mais superficiais da pele e os vasos linfáticos. O código CID-10 para erisipela é A46, e seu reconhecimento precoce é fundamental para evitar complicações como abscessos, celulite profunda e sepse. Neste artigo, você encontrará um estudo de caso clínico real, explicações detalhadas sobre sintomas, causas, tratamento, dias de atestado e respostas para as principais dúvidas.
- Código: A46
- Descrição: Erisipela
- Categoria: Capítulo I – Certas doenças infecciosas e parasitárias (A00-B99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: Não há subcategorias oficiais no CID-10 para A46; entretanto, a classificação pode incluir especificações como “erisipela de membro inferior” ou “erisipela recidivante” na prática clínica.
Paciente: Maria Aparecida da Silva, 54 anos, diarista.
Queixa principal: Vermelhidão intensa, inchaço e dor na perna direita há 3 dias, acompanhados de febre (38,5°C) e mal-estar geral.
Avaliação clínica: Ao exame físico, apresentava placa eritematosa bem delimitada, brilhante, com bordas elevadas, calor local e edema em toda a panturrilha direita. Linfonodos inguinais palpáveis e dolorosos à direita. Sinais vitais: FC 98 bpm, PA 130×80 mmHg, FR 20 ipm. Exames laboratoriais: leucocitose com desvio à esquerda, PCR elevado (85 mg/L).
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID A46 (Erisipela) – infecção bacteriana aguda da derme e hipoderme, com comprometimento linfático.
Conduta terapêutica: Prescrito antibioticoterapia endovenosa com penicilina cristalina 4 milhões UI a cada 4 horas por 48 horas, seguida de amoxicilina oral 500 mg a cada 8 horas por mais 7 dias. Repouso com elevação do membro, analgésicos (dipirona 500 mg a cada 6 horas) e compressas frias locais.
Evolução: Após 72 horas, houve regressão do eritema, redução do edema e queda da febre. Recebeu alta hospitalar no 4º dia com orientações para completar 10 dias de antibiótico oral. Retornou à consulta ambulatorial após 15 dias com melhora completa.
Lição clínica: O tratamento precoce com antibiótico adequado é decisivo para evitar complicações como celulite profunda, abscessos e sepse. A elevação do membro e o repouso aceleram a recuperação.
O que é o CID A46 na prática médica
O código A46 na Classificação Internacional de Doenças (CID-10) designa exclusivamente a erisipela. Trata-se de uma infecção cutânea aguda não necrosante, causada principalmente por Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A). A doença caracteriza-se por uma placa eritematosa bem definida, com bordas elevadas, calor local, edema e dor. Frequentemente afeta membros inferiores, mas pode ocorrer em face, braços e tronco. O conhecimento desse CID é essencial para médicos e pacientes, pois orienta o tratamento antibiótico específico e o tempo de afastamento do trabalho.
Subcategorias e variantes do CID A46
O CID A46 não possui subcategorias oficiais na CID-10. No entanto, na prática clínica, os médicos costumam especificar a localização e a gravidade. Por exemplo:
- Erisipela de membro inferior (mais comum)
- Erisipela facial (pode estar associada a foco em vias aéreas superiores)
- Erisipela recidivante (ocorre em pacientes com insuficiência venosa ou linfedema)
- Erisipela bolhosa (com presença de bolhas no local da lesão)
O CID-11, já em implementação em alguns países, mantém a erisipela sob o código 1B71, mas com maior detalhamento de localização e complicações.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas da erisipela surgem de forma aguda, geralmente entre 2 a 5 dias após a porta de entrada da bactéria (pequenos ferimentos, micoses interdigitais, úlceras). Os principais sinais e sintomas incluem:
- Placa vermelha e brilhante, com bordas nítidas e elevadas, de crescimento rápido
- Inchaço local (edema) e sensação de calor na região
- Dor ao toque (hiperalgesia)
- Febre alta (acima de 38°C), calafrios e mal-estar
- Linfonodos (ínguas) próximos ao local afetado, dolorosos
- Em casos graves, podem surgir bolhas (erisipela bolhosa) ou necrose superficial
O diagnóstico diferencial inclui celulite, trombose venosa profunda, dermatite de contato e reações alérgicas. A presença de bordas elevadas e bem delimitadas é um dos traços distintivos da erisipela.
Causas e fatores de risco
A erisipela é causada pela invasão bacteriana, principalmente estreptococos, através de solução de continuidade na pele. Os fatores de risco mais comuns são:
- Insuficiência venosa crônica (varizes)
- Linfedema (inchaço crônico por má drenagem linfática)
- Micoses interdigitais (frieiras) – principal porta de entrada nos pés
- Obesidade
- Diabetes mellitus
- Imunossupressão (HIV, quimioterapia, uso de corticoides)
- Úlceras de perna ou feridas cirúrgicas recentes
A prevenção passa pelo cuidado com a pele, hidratação, tratamento de micoses e uso de meias de compressão em pacientes com insuficiência venosa.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da erisipela é essencialmente clínico, baseado na história e no exame físico. O médico observa as características da lesão (placa eritematosa, bordas elevadas, calor, edema) e a presença de febre e linfonodomegalia. Exames complementares podem auxiliar na confirmação e na exclusão de outras doenças:
- Hemograma completo: geralmente mostra leucocitose com desvio à esquerda
- Proteína C reativa (PCR): elevada
- Cultura de secreção: nem sempre é necessária, mas pode ser feita se houver exsudato ou bolhas
- Ultrassonografia com Doppler: indicada quando há suspeita de trombose venosa profunda (edema unilateral)
- Hemocultura: reservada para casos graves ou sépticos
Achados laboratoriais típicos: leucócitos totais entre 12.000 e 20.000/mm³, PCR acima de 30 mg/L.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento padrão para erisipela é baseado em antibióticos que atuam contra estreptococos. As opções incluem:
- Penicilina G cristalina (endovenosa) em casos hospitalares: 2-4 milhões UI a cada 4 horas
- Amoxicilina (oral) 500 mg a cada 8 horas por 7-14 dias
- Cefalexina (alternativa) 500 mg a cada 6 horas
- Clindamicina (em caso de alergia à penicilina) 300-600 mg a cada 8 horas
Medidas complementares: repouso com elevação do membro afetado, compressas frias, analgésicos (dipirona, paracetamol) e anti-inflamatórios (ibuprofeno) para controle da dor e do edema. Em casos de bolhas, deve-se realizar curativos com antissépticos e evitar rompê-las. Pacientes com insuficiência venosa devem usar meias elásticas após a fase aguda.
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento do trabalho por erisipela (CID A46) varia conforme a gravidade, a localização e a resposta ao tratamento. Em média, recomenda-se:
- Casos leves (ambulatoriais): 7 a 14 dias de repouso
- Casos moderados a graves (com internação): 14 a 21 dias
- Pacientes com complicações (abscesso, necrose): 21 a 30 dias ou mais
O médico avaliará a necessidade de prorrogação com base na evolução clínica. Durante o afastamento, é fundamental manter o repouso com elevação do membro e seguir o esquema antibiótico completo.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Busque atendimento de emergência imediatamente se você ou alguém apresentar:
- Vermelhidão que se espalha rapidamente (mais de 1 cm por hora)
- Febre muito alta (acima de 39°C) com calafrios intensos
- Dor desproporcional ao tamanho da lesão
- Presença de bolhas grandes ou áreas escuras (necrose)
- Sinais de sepse: confusão mental, queda da pressão, respiração acelerada
- Piora do quadro após 48h de antibiótico
A demora no tratamento pode levar a complicações como celulite profunda, fasciíte necrosante (rara, mas grave) e sepse, que exigem terapia intensiva.
Prevenção e cuidados contínuos
Para reduzir o risco de erisipela (inclusive a forma recidivante), adote as seguintes medidas:
- Trate prontamente micoses interdigitais (frieiras) com antifúngicos tópicos
- Mantenha a pele hidratada e evite ressecamento ou rachaduras
- Use calçados adequados e evite andar descalço em locais públicos
- Em caso de insuficiência venosa, use meias de compressão sob orientação médica
- Controle doenças crônicas como diabetes e obesidade
- Higienize qualquer ferimento com água e sabão e cubra com curativo limpo
- Pacientes com episódios recorrentes podem necessitar de profilaxia antibiótica (penicilina benzatina a cada 21-28 dias) – consulte seu médico
- 01. Identifique cedo: qualquer placa vermelha quente e dolorida com bordas elevadas merece avaliação médica urgente.
- 02. Siga o antibiótico à risca: mesmo com melhora em 48h, não suspenda o medicamento antes do prazo prescrito (7 a 14 dias).
- 03. Eleve o membro afetado acima do nível do coração sempre que possível – isso reduz o edema e acelera a recuperação.
- 04. Não use pomadas com antibiótico sem orientação: a erisipela requer antibiótico sistêmico, não apenas local.
- 05. Previna recidivas: trate micoses, use meias de compressão e mantenha a pele íntegra.
Perguntas Frequentes sobre o CID ERISIPELA
O CID ERISIPELA garante quantos dias de atestado?
Sim, o CID A46 (erisipela) justifica afastamento do trabalho. Em média, o atestado varia de 7 a 21 dias, dependendo da gravidade. Casos leves: 7 a 14 dias; casos internados: 14 a 21 dias; complicações: 21 a 30 dias.
Erisipela é contagiosa?
Não. A erisipela é uma infecção causada por bactérias que habitam a própria pele ou são adquiridas por contato com ferimentos, mas não se transmite de pessoa para pessoa pelo ar ou contato casual.
Posso tratar erisipela em casa?
Casos leves podem ser tratados em casa com antibióticos orais e repouso, sempre sob prescrição médica. Casos com febre alta, extensão rápida ou comorbidades descontroladas requerem internação.
Qual o melhor antibiótico para erisipela?
A penicilina (amoxicilina ou penicilina G) é a primeira escolha. Em alérgicos, usa-se clindamicina ou macrolídeos (azitromicina). O tratamento deve ser orientado por médico.
Erisipela recidivante: o que fazer?
Pacientes com dois ou mais episódios no mesmo local podem se beneficiar de profilaxia com penicilina benzatina a cada 21 dias. Além disso, é essencial tratar fatores de risco como insuficiência venosa e micoses.
Erisipela pode voltar depois de tratada?
Sim, a recorrência é comum (cerca de 20-30% dos casos), especialmente em pacientes com linfedema ou insuficiência venosa. A prevenção é a melhor estratégia.
Quanto tempo leva para a erisipela sarar?
Com tratamento adequado, a melhora do quadro agudo ocorre em 2 a 4 dias, mas a resolução completa pode levar de 1 a 4 semanas, dependendo da extensão e das condições do paciente.
Erisipela pode causar complicações graves?
Sim. Se não tratada, pode evoluir para celulite profunda, abscessos, necrose, sepse e até óbito. O tratamento precoce reduz drasticamente esses riscos.
O que é erisipela bolhosa?
É uma variante em que formam-se bolhas no local da placa eritematosa. Geralmente é mais dolorosa e pode deixar cicatrizes. O tratamento é o mesmo, mas requer cuidados com curativos.
Erisipela e celulite são a mesma coisa?
Não. A erisipela atinge as camadas mais superficiais da pele (derme) e os vasos linfáticos, com bordas bem nítidas. A celulite é mais profunda (hipoderme) e tem bordas mal definidas. Ambas requerem antibióticos, mas o tratamento e o prognóstico podem diferir.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
Na Clínica Popular Fortaleza você encontra consultas acessíveis com médicos que explicam seu diagnóstico e orientam o melhor tratamento.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
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