Segundo o Ministério da Saúde, a asma (CID J45) afeta cerca de 20 milhões de brasileiros, sendo responsável por mais de 350 mil internações anuais no SUS. O uso correto do CID permite melhor alocação de recursos e acompanhamento das políticas públicas de saúde.
Introdução
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID ESPECIALIDADES-MEDICAS-SUA-IMPORTANCIA-E-PRINCIPAIS-CODIGOS e quer saber o que significa? A Classificação Internacional de Doenças (CID) é a espinha dorsal da codificação em saúde, padronizando diagnósticos em todo o mundo. Neste artigo, explicamos como o CID é usado nas diferentes especialidades, sua relevância clínica e os principais códigos que todo paciente deve conhecer. Ao final, você terá clareza para interpretar seu atestado e saber quando buscar ajuda especializada.
- Código: J45
- Descrição: Asma (forma alérgica e não alérgica)
- Categoria: Capítulo X – Doenças do aparelho respiratório (J00‑J99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: J45.0 (asma predominantemente alérgica), J45.1 (asma não alérgica), J45.8 (asma mista), J45.9 (asma não especificada)
Paciente: Marcos Silva, 38 anos, professor de educação física
Queixa principal: Falta de ar aos esforços, chiado no peito e tosse seca há 3 meses, piorando à noite e pela manhã.
Avaliação clínica: Exame físico revelou sibilos inspiratórios e expiratórios difusos. Espirometria mostrou obstrução reversível (VEF1/CVF < 70%, com melhora > 12% após uso de broncodilatador). Testes alérgicos positivos para ácaros e pólen.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID J45.0 — Asma predominantemente alérgica, de início na vida adulta, gravidade moderada.
Conduta terapêutica: Prescrição de budesonida inalatória 400 µg/dia + formoterol 12 µg duas vezes ao dia, plano de ação por escrito com uso de salbutamol em crise, orientação para evitar alérgenos e acompanhamento em pneumologia a cada 3 meses.
Evolução: Após 4 semanas, Marcos apresentou redução de 80% nos sintomas diurnos e noturnos, normalização do pico de fluxo expiratório e retorno às atividades físicas com uso eventual de medicação de resgate.
Lição clínica: O diagnóstico precoce e o registro correto do CID J45.0 permitiram tratamento direcionado, evitando internações e melhorando a qualidade de vida. O CID orienta não só o tratamento, mas também a previsão de dias de atestado e a elegibilidade para programas de saúde pública.
O que é o CID na prática médica
A Classificação Internacional de Doenças (CID) é um sistema padronizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que codifica doenças, sinais, sintomas e causas externas de lesões. Na prática clínica, o CID é o idioma universal que médicos, hospitais, seguradoras e sistemas públicos de saúde usam para registrar diagnósticos. Cada código alfanumérico representa uma condição específica, permitindo estatísticas confiáveis, estudos epidemiológicos e a organização do cuidado. Por exemplo, um paciente com asma recebe o código J45, enquanto uma crise aguda pode ser registrada como J46 (Estado de mal asmático). Sem o CID, haveria enorme variação nos registros, dificultando pesquisas e políticas de saúde. Para o paciente, entender o código ajuda a compreender o próprio diagnóstico e a buscar informações confiáveis.
Importância do CID para as especialidades
Cada especialidade médica utiliza um conjunto específico de códigos do CID que refletem as doenças mais comuns em sua área. Na cardiologia, os códigos I10 (hipertensão essencial) e I25 (doença isquêmica crônica do coração) são frequentes. Na endocrinologia, destacam-se E10-E14 (diabetes mellitus) e E03 (hipotireoidismo). Na pneumologia, o J45 (asma) e o J44 (DPOC) são predominantes. A correta utilização do CID por especialidade permite: (a) comunicação precisa entre profissionais, (b) faturamento adequado de procedimentos, (c) elaboração de protocolos clínicos e (d) monitoramento de indicadores de saúde. Além disso, o CID ajuda o médico a decidir o tempo de afastamento do trabalho (atestado) e orienta o paciente sobre a evolução esperada da doença.
Você pode saber mais sobre o CID Z000 – Exame Médico Geral, que é usado em consultas de rotina, ou sobre o CID F41 – Ansiedade, comum em psiquiatria. Esses exemplos mostram como o código varia conforme a especialidade.
Principais códigos do CID por especialidade
Embora existam milhares de códigos, alguns são especialmente relevantes na prática diária. Listamos os mais frequentes por área:
- Cardiologia: I10 (hipertensão), I25 (doença isquêmica), I48 (fibrilação atrial), I50 (insuficiência cardíaca).
- Pneumologia: J45 (asma), J44 (DPOC), J15 (pneumonia bacteriana), J06 (infecção aguda das vias aéreas superiores).
- Gastroenterologia: K21 (refluxo gastroesofágico), K29 (gastrite), K57 (diverticulose).
- Neurologia: G43 (enxaqueca), G40 (epilepsia), I64 (acidente vascular cerebral não especificado).
- Reumatologia: M54 (dorsalgia), M17 (artrose de joelho), M06 (artrite reumatoide).
- Urologia/Nefrologia: N39 (infecção do trato urinário), N20 (cálculo renal), N18 (insuficiência renal crônica).
Para aprofundar, consulte fontes como o CID10.com.br e o MedlinePlus.
Subcategorias e variantes do CID J45
O CID J45 – Asma possui subcategorias que refinam o diagnóstico. A J45.0 (asma predominantemente alérgica) é a mais comum na infância e em adultos jovens. A J45.1 (asma não alérgica) aparece em adultos mais velhos e está frequentemente associada ao tabagismo ou à exposição a irritantes. A J45.8 (asma mista) combina componentes alérgicos e não alérgicos. Já a J45.9 é usada quando a causa não é especificada. Essa gradação ajuda o médico a personalizar o tratamento: para asma alérgica, pode-se indicar imunoterapia; para a não alérgica, o foco é no controle ambiental. Além disso, o CID J46 (Estado de mal asmático) é reservado para crises graves que exigem internação. O conhecimento dessas variantes é essencial para o paciente que deseja entender seu boletim médico e dialogar com o especialista.
Sintomas e manifestações da asma
A asma (CID J45) caracteriza-se por inflamação crônica das vias aéreas, levando a episódios recorrentes de sibilância, dispneia, aperto no peito e tosse, especialmente à noite ou pela manhã. Os sintomas variam em intensidade e frequência. Na asma alérgica, os gatilhos incluem poeira, mofo, pólen e pelos de animais. Na asma não alérgica, exercício físico, ar frio e estresse emocionais podem desencadear crises. Cerca de 60% dos pacientes apresentam rinite associada. No exame físico, o médico ausculta sibilos; em crises graves, pode haver tiragem intercostal e uso de musculatura acessória. A espirometria é o padrão‑ouro para confirmar a obstrução reversível. Pacientes com sintomas persistentes devem ser encaminhados ao pneumologista para ajuste terapêutico.
Causas e fatores de risco
A asma é multifatorial. Fatores genéticos (história familiar de atopia) e ambientais (exposição a alérgenos, poluição, tabagismo passivo) interagem para desencadear a doença. A hipótese da higiene sugere que a exposição a microrganismos na infância protege contra o desenvolvimento de alergias. No adulto, a asma ocupacional surge por exposição a substâncias como isocianatos, farinha ou madeira. A obesidade também é um fator de risco, pois aumenta a inflamação sistêmica. A prevenção primária inclui evitar fumo durante a gestação e incentivar o aleitamento materno. Para quem já tem asma, evitar alérgenos e manter o peso saudável reduz a frequência de crises.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da asma é clínico e funcional. O médico coleta história detalhada de sintomas, gatilhos e histórico familiar. A espirometria demonstra obstrução ao fluxo aéreo com reversibilidade significativa após broncodilatador (aumento do VEF1 ≥ 12% e 200 mL). O teste de provocação com metacolina é usado em casos duvidosos. Exames complementares incluem hemograma (eosinofilia), IgE total e testes alérgicos (prick test ou IgE específica). Em crianças maiores de 5 anos, a espirometria é factível. O diagnóstico diferencial inclui DPOC, bronquiectasia, disfunção de cordas vocais e refluxo gastroesofágico. Por isso, a avaliação por especialista é fundamental.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da asma é baseado em controle da inflamação e alívio dos sintomas. As diretrizes atuais (GINA 2025) recomendam:
- Controladores: corticoides inalatórios (budesonida, fluticasona) são a base do tratamento. Em casos moderados/graves, associam-se beta‑agonistas de longa duração (formoterol, salmeterol) ou antagonistas dos receptores de leucotrienos (montelucaste).
- Resgate: beta‑agonistas de curta duração (salbutamol) ou combinação formoterol‑budesonida para alívio.
- Imunoterapia: indicada para asma alérgica grave não controlada com medicação.
- Biológicos: omalizumabe, mepolizumabe e dupilumabe para asma eosinofílica grave.
- Planos de ação: o paciente deve receber orientação escrita sobre quando aumentar a medicação e buscar emergência.
O tratamento medicamentoso é complementado por medidas não farmacológicas: exercícios físicos, controle ambiental e vacinação contra influenza e pneumococo. Consulte seu médico regularmente para monitoramento.
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento do trabalho ou escola depende da gravidade da crise e da resposta ao tratamento. Para uma crise leve a moderada, o atestado costuma ser de 3 a 7 dias. Em crises graves que necessitam de internação, o afastamento pode se estender por 2 a 4 semanas. Na asma persistente moderada não controlada, o médico pode recomendar afastamento de 7 a 14 dias para ajuste terapêutico. A tabela do INSS (artigo 71 da CLT) estabelece que o atestado de até 15 dias pode ser emitido pelo médico assistente; acima disso, é necessária perícia. O CID J45, quando bem registrado, justifica o período de afastamento. Lembre-se de que o retorno ao trabalho deve ser gradual, evitando exposição a gatilhos.
Quando procurar médico urgente
Procure atendimento de emergência se apresentar:
- Falta de ar intensa que impede de falar frases completas;
- Chiado muito audível ou ausência de sons respiratórios (tórax silencioso – sinal de gravidade);
- Lábios ou unhas arroxeados (cianose);
- Uso de medicação de resgate por mais de 3 vezes em 1 hora sem melhora;
- Confusão mental ou sonolência.
Esses sinais indicam risco de insuficiência respiratória e exigem intervenção imediata. O CID J46 (Estado de mal asmático) é frequentemente usado nessa situação. Não adie a ida ao hospital.
Prevenção e cuidados contínuos
Para evitar crises, o paciente asmático deve:
- Usar a medicação controladora diariamente, mesmo sem sintomas;
- Manter o ambiente limpo, sem tapetes, cortinas e bichos de pelúcia;
- Usar capas antiácaros no colchão e travesseiro;
- Evitar fumo e locais com fumaça;
- Realizar consultas de seguimento a cada 3-6 meses com pneumologista;
- Manter calendário vacinal atualizado (influenza, COVID-19 e pneumocócica).
O autocuidado e o conhecimento do CID J45 empoderam o paciente para tomar decisões informadas. Consulte também nosso glossário sobre CID M54 – Dorsalgia e CID J06 – Infecção Respiratória.
- 01. Sempre guarde seus atestados e exames com o CID registrado – eles são seus documentos de saúde.
- 02. Anote os gatilhos que desencadeiam suas crises e compartilhe com o médico na consulta.
- 03. Nunca abandone o tratamento controlador mesmo quando estiver se sentindo bem.
- 04. Use a medicação de resgate (salbutamol) apenas em crises e conforme a prescrição.
- 05. Em caso de dúvida sobre seu CID, pesquise em fontes confiáveis como BVS Saúde ou Hospital Israelita Albert Einstein.
Perguntas Frequentes sobre o CID ESPECIALIDADES
O CID J45 garante quantos dias de atestado?
O código J45 (asma) não define automaticamente um número de dias; o médico avalia a gravidade. Em média, crises leves a moderadas geram 3 a 7 dias de atestado. Crises graves com internação podem exigir de 14 a 30 dias. A decisão é clínica e baseada na resposta ao tratamento.
Posso usar o CID J45 para justificar faltas no trabalho?
Sim, o atestado médico com a descrição do CID (opcional) deve ser aceito pelo empregador como justificativa de ausência. O código ajuda a comprovar a condição de saúde, mas a empresa não pode exigir a revelação do CID por questões de sigilo médico.
O CID varia de acordo com a especialidade médica?
Sim. Cada especialidade utiliza um conjunto de códigos mais frequentes. Por exemplo, um cardiologista usa I10, enquanto um pneumologista usa J45. O mesmo paciente pode ter múltiplos CIDs em diferentes especialidades.
Qual a diferença entre CID J45 e J46?
J45 é asma (crônica), enquanto J46 é estado de mal asmático (crise aguda grave com risco de vida). O J46 exige tratamento emergencial e internação hospitalar.
O CID pode ser usado para obter benefícios do INSS?
Sim, para afastamentos superiores a 15 dias, o INSS exige perícia médica. O CID registrado no atestado é um dos documentos que fundamentam o pedido de auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez.
Como saber qual é o meu CID?
O CID deve constar no atestado médico, no laudo de exames ou no relatório de alta hospitalar. Você pode solicitar ao seu médico que informe o código e explique o significado.
O CID é usado apenas por médicos?
Embora seja criado por médicos, o CID é utilizado por enfermeiros, fisioterapeutas, profissionais de saúde pública e seguradoras. Ele organiza a informação em saúde para estatísticas, faturamento e pesquisas.
O CID tem prazo de validade?
O CID-10 está em uso desde 1996 e será substituído pelo CID-11 em 2027 (previsto). No Brasil, a transição ainda está em discussão. Portanto, os códigos atuais continuam válidos até que haja adoção oficial.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
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