Em 2026, a Sociedade Brasileira de Cardiologia estima que cerca de 22% da população adulta brasileira apresenta triglicerídeos elevados (≥150 mg/dL), condição que aumenta o risco cardiovascular e de pancreatite aguda. Apenas 35% desses casos estão diagnosticados e em tratamento adequado.
Introdução
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID EXAMES-DE-TRIGLICERIDEOS-ENTENDA-SUA-IMPORTANCIA-E-CODIGOS e quer saber o que significa? Embora exames laboratoriais não possuam um código CID próprio, a condição clínica detectada — como a hipertrigliceridemia — é classificada no CID-10 como E78.1 (Hipertrigliceridemia pura). Este artigo explica em detalhes o significado desse código, suas subcategorias, sintomas, tratamento e responde às principais dúvidas dos pacientes.
- Código: E78.1
- Descrição: Hipertrigliceridemia pura
- Categoria: Capítulo IV – Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (E00-E90)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias principais: E78.0 (Hipercolesterolemia pura), E78.1 (Hipertrigliceridemia pura), E78.2 (Hiperlipidemia mista), E78.3 (Hiperquilomicronemia), E78.4 (Outras hiperlipidemias), E78.5 (Hiperlipidemia não especificada), E78.6 (Deficiência de lipoproteína), E78.8 (Outros transtornos do metabolismo de lipoproteínas), E78.9 (Transtorno não especificado do metabolismo de lipoproteínas)
Paciente: João Almeida, 47 anos, comerciante
Queixa principal: Cansaço excessivo há 3 meses, episódios de dor abdominal difusa e achado laboratorial de triglicerídeos de 520 mg/dL em exame de rotina.
Avaliação clínica: IMC 29 kg/m², circunferência abdominal 102 cm, pressão arterial 135/85 mmHg. Exames complementares: glicemia de jejum 112 mg/dL, HDL 34 mg/dL, LDL 160 mg/dL, PCR ultrassensível 3,8 mg/L. Ultrassom de abdome mostrou esteatose hepática moderada.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID E78.1 (Hipertrigliceridemia pura) associado a Síndrome Metabólica.
Conduta terapêutica: Prescrição de fenofibrato 200 mg/dia, orientação dietética com redução de carboidratos simples e gorduras saturadas, programa de exercícios aeróbicos 5x/semana, e meta de perda de peso de 7% em 6 meses.
Evolução: Após 12 semanas, triglicerídeos reduziram para 210 mg/dL, dor abdominal desapareceu, e o paciente relata melhora na disposição. A adesão ao tratamento e às mudanças de estilo de vida foi fundamental.
Lição clínica: A hipertrigliceridemia isolada é frequentemente assintomática até atingir níveis muito altos (>500 mg/dL), quando o risco de pancreatite aguda se torna elevado. O diagnóstico precoce e a abordagem multidisciplinar (dieta, exercício e medicamentos) são essenciais.
O que é o CID E78.1 na prática médica
O código CID E78.1 refere-se à Hipertrigliceridemia pura, uma condição metabólica caracterizada pelo aumento isolado dos triglicerídeos no sangue, sem elevação significativa do colesterol total ou LDL. Na prática clínica, esse diagnóstico é aplicado quando os níveis de triglicerídeos em jejum ultrapassam 150 mg/dL (valores de referência da Diretriz Brasileira de Dislipidemias 2025). A hipertrigliceridemia pura pode ser primária (genética) ou secundária a fatores como obesidade, diabetes mal controlado, hipotireoidismo, consumo excessivo de álcool e uso de medicamentos (corticosteroides, betabloqueadores, diuréticos tiazídicos). O CID E78.1 é frequentemente utilizado em prontuários, atestados e guias de encaminhamento para especialistas (endocrinologistas, cardiologistas).
Subcategorias e variantes do CID E78
A categoria E78 abrange diversos transtornos do metabolismo de lipoproteínas. As principais subcategorias incluem:
- E78.0 – Hipercolesterolemia pura: elevação isolada do LDL-colesterol.
- E78.1 – Hipertrigliceridemia pura: foco deste artigo.
- E78.2 – Hiperlipidemia mista: aumento de colesterol e triglicerídeos.
- E78.3 – Hiperquilomicronemia: forma grave, geralmente genética, com triglicerídeos > 1000 mg/dL.
- E78.4 – Outras hiperlipidemias: inclui deficiência de lipoproteína lipase, etc.
- E78.5 – Hiperlipidemia não especificada: quando o perfil lipídico completo não está disponível.
- E78.6 – Deficiência de lipoproteína: condições como abetalipoproteinemia.
- E78.8 e E78.9: outros transtornos e não especificados.
É importante que o médico especifique a subcategoria correta para direcionar o tratamento e o prognóstico. Caso haja dúvida, o código E78.9 pode ser usado temporariamente até elucidação diagnóstica.
Sintomas e como a doença se manifesta
A hipertrigliceridemia pura (CID E78.1) é frequentemente assintomática nas fases iniciais, sendo descoberta em exames de rotina. Quando os níveis se tornam muito elevados (>500 mg/dL), podem surgir:
- Dor abdominal difusa – pode ser sinal de pancreatite aguda, emergência médica.
- Xantomas eruptivos – pequenas pápulas amareladas na pele (nádegas, cotovelos, joelhos).
- Hepatomegalia e esplenomegalia – devido ao acúmulo de gordura no fígado e baço.
- Lipemia retinalis – aspecto leitoso dos vasos retinianos ao exame de fundo de olho.
- Fadiga e mal-estar – sintomas inespecíficos relatados por alguns pacientes.
É fundamental que pacientes com fatores de risco (obesidade, diabetes, história familiar) realizem dosagem periódica de triglicerídeos para diagnóstico precoce.
Causas e fatores de risco
As causas da hipertrigliceridemia podem ser divididas em primárias (genéticas) e secundárias. As principais incluem:
- Genéticas: mutações no gene da lipoproteína lipase (LPL), apolipoproteína C-II, APOA5, entre outras. Formas familiares podem cursar com níveis extremamente altos desde a infância.
- Obesidade e síndrome metabólica: resistência à insulina e excesso de tecido adiposo visceral aumentam a produção hepática de triglicerídeos.
- Diabetes mellitus tipo 2: mau controle glicêmico eleva triglicerídeos.
- Hipotireoidismo não tratado: reduz a depuração de lipoproteínas.
- Consumo excessivo de álcool: estimula a síntese hepática de triglicerídeos.
- Dieta rica em carboidratos refinados e gorduras saturadas: padrão alimentar ocidental.
- Medicamentos: corticosteroides, betabloqueadores, diuréticos tiazídicos, estrogênios, antirretrovirais.
- Doenças renais e hepáticas: síndrome nefrótica, insuficiência renal crônica.
A identificação da causa é crucial para definir a estratégia terapêutica mais eficaz.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da hipertrigliceridemia pura (CID E78.1) baseia-se em:
- História clínica detalhada – sintomas, fatores de risco, uso de medicamentos, história familiar.
- Exame físico – medida de peso, altura, circunferência abdominal, presença de xantomas, hepatomegalia.
- Exames laboratoriais – perfil lipídico em jejum (pelo menos 12 horas): triglicerídeos, colesterol total, HDL, LDL (calculado ou direto). Valores de referência atuais (2025-2026):
- Triglicerídeos: desejável < 150 mg/dL; limítrofe 150-199; alto 200-499; muito alto ≥ 500 mg/dL.
- Exames complementares – glicemia de jejum, hemoglobina glicada (HbA1c), TSH, função hepática e renal, urina tipo I.
- Testes genéticos – em casos suspeitos de formas hereditárias graves (hiperquilomicronemia familiar).
O diagnóstico diferencial inclui outras dislipidemias (E78.0, E78.2, E78.3) e condições que elevam triglicerídeos secundariamente.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da hipertrigliceridemia pura (CID E78.1) segue os protocolos da Sociedade Brasileira de Cardiologia e do Ministério da Saúde. As principais abordagens são:
1. Mudanças no estilo de vida (base do tratamento)
- Redução de carboidratos refinados (açúcar, pães brancos, refrigerantes).
- Substituição de gorduras saturadas por insaturadas (azeite, abacate, peixes ricos em ômega-3).
- Prática de exercício aeróbico moderado (150 min/semana).
- Perda de peso (5-10% do peso corporal) em pacientes com sobrepeso/obesidade.
- Suspensão do consumo de álcool.
2. Tratamento medicamentoso
Indicado quando triglicerídeos > 500 mg/dL, ou > 200 mg/dL com alto risco cardiovascular (diabetes, doença coronariana):
- Fibratos (fenofibrato, bezafibrato) – primeira linha, reduzem triglicerídeos em 30-50%.
- Ácidos graxos ômega-3 (2-4 g/dia) – adjuvantes.
- Estatinas – indicadas se LDL também elevado (hiperlipidemia mista).
- Niacina (ácido nicotínico) – reservada para casos refratários (uso limitado por efeitos colaterais).
- Inibidores de PCSK9 – em casos selecionados de hipertrigliceridemia familiar.
O acompanhamento deve ser feito a cada 3-6 meses com reavaliação do perfil lipídico e ajuste de doses.
Quantos dias de atestado médico
O atestado médico para o CID E78.1 (Hipertrigliceridemia pura) depende da gravidade e da presença de complicações. Em geral:
- Casos assintomáticos ou leves (triglicerídeos < 500 mg/dL) – não há necessidade de afastamento do trabalho; o médico pode emitir atestado de 1 dia para realização de exames complementares ou consulta especializada.
- Casos moderados com sintomas (dor abdominal, fadiga intensa) – atestado de 2 a 3 dias para início do tratamento e avaliação de resposta.
- Pancreatite aguda por hipertrigliceridemia (emergência) – internação hospitalar, atestado de 7 a 15 dias, podendo ser prorrogado conforme evolução.
A decisão final é médica, baseada na avaliação clínica individual. Saiba mais sobre atestados para condições associadas.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Pacientes com CID E78.1 devem buscar atendimento de urgência se apresentarem:
- Dor abdominal intensa e súbita (pode irradiar para as costas, acompanhada de náuseas e vômitos).
- Febre alta associada à dor abdominal.
- Icterícia (pele e olhos amarelados).
- Distensão abdominal e parada de eliminação de gases/fezes.
- Alteração do nível de consciência ou confusão mental (raro, mas possível em pancreatite grave).
Esses sinais podem indicar pancreatite aguda, complicação potencialmente fatal. O tratamento precoce reduz a mortalidade.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da hipertrigliceridemia e de suas complicações envolve:
- Alimentação balanceada – dieta rica em fibras, proteínas magras, gorduras insaturadas, pobre em açúcares e ultraprocessados.
- Controle do peso corporal – manter IMC < 25 kg/m² e circunferência abdominal < 94 cm (homens) / < 80 cm (mulheres).
- Atividade física regular – pelo menos 30 minutos/dia, 5 dias por semana.
- Monitoramento periódico – perfil lipídico anual (ou semestral se alto risco).
- Tratamento de condições associadas – diabetes, hipotireoidismo, obesidade.
- Evitar álcool e tabagismo.
O seguimento com clínico geral, endocrinologista e nutricionista é fundamental para o sucesso a longo prazo.
Perguntas Frequentes sobre o CID E78.1 (Hipertrigliceridemia)
1. O CID E78.1 garante quantos dias de atestado?
Conforme explicado na seção específica, o número de dias varia de 1 (exames) até 15 (internação por pancreatite). A média para casos sem complicação é de 1 a 3 dias.
2. O que significa ter triglicerídeos altos?
Significa que a concentração de triglicerídeos (gordura) no sangue está acima do valor considerado saudável (<150 mg/dL). Isso aumenta o risco de doenças cardiovasculares e pancreatite.
3. Qual o valor normal de triglicerídeos?
Segundo as diretrizes de 2025-2026: desejável < 150 mg/dL; limítrofe 150-199; alto 200-499; muito alto ≥ 500 mg/dL.
4. Preciso jejuar para fazer o exame de triglicerídeos?
Sim, é recomendado jejum de 10 a 12 horas para obter resultados precisos. A ingestão de água é permitida.
5. Hipertrigliceridemia tem cura?
Depende da causa. As formas secundárias podem ser reversíveis com tratamento da condição de base. As formas genéticas tendem a ser crônicas, mas controláveis com tratamento contínuo.
6. Posso usar remédios naturais para baixar triglicerídeos?
Alguns suplementos (ômega-3, berinjela, chá verde) têm evidências limitadas. Nunca substitua o tratamento médico sem orientação. Consulte um profissional antes de usar qualquer produto.
7. O que comer para reduzir triglicerídeos rapidamente?
Priorize: peixes (salmão, sardinha), abacate, nozes, aveia, feijões, vegetais verdes. Reduza drasticamente açúcar, refrigerantes, pão branco e bebidas alcoólicas.
8. Quando repetir o exame de triglicerídeos após iniciar o tratamento?
Geralmente após 3 meses de mudanças no estilo de vida e/ou medicamentos. O médico ajustará conforme a resposta.
9. O CID E78.1 é usado para licença médica no trabalho?
Sim, o código CID E78.1 pode ser utilizado em atestados médicos para justificar faltas ao trabalho quando há necessidade de exames, tratamento ou internação.
10. Existe relação entre triglicerídeos altos e diabetes?
Sim, a resistência à insulina no diabetes tipo 2 frequentemente eleva os triglicerídeos. Controlar a glicemia ajuda a reduzir os níveis.
- 01. Avalie o risco cardiovascular global: triglicerídeos elevados nunca devem ser vistos isoladamente; verifique também LDL, HDL, glicemia e pressão arterial.
- 02. Incorpore ômega-3 na dieta: consumo regular de peixes gordurosos (salmão, sardinha, atum) ou suplementação com 2-4 g/dia reduz triglicerídeos em 20-30%.
- 03. Elimine bebidas açucaradas: refrigerantes e sucos industrializados são ricos em frutose, que estimula a produção hepática de triglicerídeos.
- 04. Não interrompa medicamentos sem orientação: fibratos e estatinas devem ser mantidos conforme prescrição; a suspensão abrupta pode elevar rapidamente os níveis e precipitar pancreatite.
- 05. Mantenha um diário alimentar e de atividades: anotar o que come e os exercícios ajuda a identificar gatilhos e melhora a adesão ao tratamento.
- 06. Realize exames de acompanhamento rigorosamente: o perfil lipídico deve ser repetido a cada 3-6 meses até atingir a meta, depois anualmente.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil (Diretrizes de Dislipidemias 2025).
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Referências externas:
CID-10 E78.1 no site cid10.com.br |
MedlinePlus – Triglycerides (em inglês)
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