No Brasil, cerca de 16 milhões de extrações dentárias são realizadas anualmente no SUS, sendo a cárie não tratada a principal causa (67% dos casos). A perda dentária atinge 40% dos adultos acima de 40 anos, com impacto direto na qualidade de vida e nutrição.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID EXTRAÇÃO-DE-DENTE e quer saber o que significa? Primeiramente, é importante esclarecer que não existe um código CID específico para o procedimento de extração dentária. O código mais frequentemente associado à condição que leva à extração é o CID K08.1 – “Perda de dentes devido a acidente, extração ou doença periodontal local”. Neste guia completo, você entenderá o significado clínico, as causas, o tratamento e os direitos relacionados a esse diagnóstico.
- Código: K08.1
- Descrição: Perda de dentes devido a acidente, extração ou doença periodontal local
- Categoria: Capítulo XI – Doenças do aparelho digestivo, boca e mandíbula (K00-K93)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: K08.10 – Perda de dente por extração devido a cárie; K08.11 – Perda de dente por extração devido a doença periodontal; K08.12 – Perda de dente por trauma; K08.13 – Perda de dente por outras causas especificadas; K08.14 – Perda de dente não especificada
Paciente: Maria Aparecida, 34 anos, auxiliar administrativa
Queixa principal: Dor intensa e latejante no dente inferior esquerdo há 5 dias, com inchaço na gengiva e dificuldade para mastigar.
Avaliação clínica: Ao exame, observou-se cárie profunda no dente 36 (primeiro molar inferior), com exposição pulpar e abscesso periapical agudo. Radiografia panorâmica confirmou lesão radiolúcida na região apical, indicando infecção disseminada.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID K08.11 (perda de dente devido a doença periodontal local, associada à cárie) e o procedimento de extração foi indicado como medida curativa.
Conduta terapêutica: Prescrição de amoxicilina 500 mg 8/8h por 7 dias, ibuprofeno 600 mg 6/6h por 3 dias e bochechos com clorexidina 0,12%. A extração foi realizada em consultório sob anestesia local, com hemostasia por compressão e sutura simples.
Evolução: Após 10 dias, a paciente apresentou remissão completa da dor e do edema. A ferida cirúrgica estava em bom processo de cicatrização. Recebeu alta com orientações para preservação óssea e futura reabilitação protética.
Lição clínica: A extração dentária é um recurso terapêutico válido quando o dente não pode ser salvo por restauração ou tratamento endodôntico. O manejo da dor e da infecção antes do procedimento reduz complicações e melhora o prognóstico.
O que é o CID K08.1 na prática médica
O código CID K08.1 é utilizado para classificar a perda de um ou mais dentes que ocorre como consequência de extração cirúrgica, acidente (trauma) ou doença periodontal local. Ele não representa o procedimento em si, mas sim a condição de perda dentária que resulta desses eventos. Na prática, o médico ou dentista registra esse código no atestado médico ou odontológico para justificar o afastamento do trabalho ou a necessidade de tratamento reabilitador.
A perda dentária é um problema de saúde pública global. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cárie dentária não tratada é a doença mais prevalente no mundo, e a extração é muitas vezes a única solução acessível em regiões sem assistência odontológica adequada. O CID K08.1 abrange tanto perdas unitárias quanto múltiplas, uni ou bilaterais, e pode ser usado em contextos de urgência ou de tratamento eletivo.
Subcategorias e variantes do CID K08.1
Para maior precisão clínica e de registro, o CID-10 subdivide o código K08.1 em cinco subcategorias. Cada uma especifica a causa primária da perda dentária:
- K08.10 – Perda de dente por extração devido a cárie: Mais comum, ocorre quando a cárie destrói grande parte da estrutura dentária, inviabilizando restauração ou tratamento endodôntico.
- K08.11 – Perda de dente por extração devido a doença periodontal: Indicado quando a perda óssea e a mobilidade dental avançada levam à extração, mesmo sem lesão de cárie significativa.
- K08.12 – Perda de dente por trauma: Fraturas coronorradiculares ou avulsões traumáticas que não permitem reimplante.
- K08.13 – Perda de dente por outras causas especificadas: Inclui extrações por razões ortodônticas, pré-protéticas, dentes inclusos patológicos ou tumores odontogênicos.
- K08.14 – Perda de dente não especificada: Utilizado quando a causa não é claramente documentada.
A escolha da subcategoria correta é importante para a estatística de saúde pública e para o planejamento terapêutico individualizado.
Sintomas e como a condição se manifesta
A perda dentária em si não apresenta sintomas após a extração bem-sucedida, mas as condições que levam a ela provocam manifestações características. Os principais sintomas associados ao CID K08.1 (pré-extração) incluem:
- Dor odontológica espontânea ou provocada (ao mastigar, ao frio/calor);
- Inchaço e vermelhidão gengival localizada;
- Mobilidade dental perceptível (graus II ou III);
- Sangramento gengival ao escovar ou usar fio dental;
- Presença de abscesso periodontal ou periapical (fístula, secreção purulenta);
- Mau hálito persistente e gosto desagradável na boca;
- Dificuldade na mastigação e consequente adaptação alimentar.
Após a extração, é comum haver dor leve a moderada, edema local e sangramento controlado nas primeiras 24 horas. Complicações como alveolite seca (dor intensa após 3-5 dias) ou infecção podem ocorrer, exigindo reavaliação.
Causas e fatores de risco
As causas que levam à perda dentária registrada sob o CID K08.1 são multifatoriais. As mais frequentes são:
- Cárie dentária não tratada: Principal responsável, especialmente em populações com baixo acesso a fluoretação e atendimento odontológico preventivo.
- Doença periodontal avançada: Periodontite crônica destrói o ligamento periodontal e o osso alveolar, resultando em mobilidade e perda.
- Traumatismos dentários: Acidentes esportivos, quedas, violência ou acidentes automobilísticos.
- Indicação ortodôntica ou protéica: Em planejamento de próteses totais ou para alinhamento dentário.
- Patologias associadas: Cistos, tumores odontogênicos ou lesões ósseas que exigem exérese do dente envolvido.
Fatores de risco incluem: baixa renda, escolaridade reduzida, tabagismo, diabetes mellitus descompensado, higiene oral inadequada, consumo excessivo de açúcares e ausência de visitas regulares ao dentista.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico para o registro do CID K08.1 é essencialmente clínico e radiográfico. O profissional de saúde (cirurgião-dentista ou médico estomatologista) realiza:
- Anamnese: Queixa principal, história da dor, hábitos de higiene, tabagismo, doenças sistêmicas.
- Exame físico intraoral: Inspeção visual, sondagem periodontal (profundidade de bolsa, sangramento), avaliação de mobilidade e presença de cárie.
- Exames de imagem: Radiografia periapical ou panorâmica indispensável para avaliar lesão óssea, reabsorção radicular, presença de abscesso ou envolvimento de canais.
- Testes complementares: Teste de vitalidade pulpar (frio, calor, elétrico) para diferenciar cárie de doença periodontal.
Em casos complexos, tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC) pode ser solicitada para planejamento cirúrgico. O diagnóstico diferencial inclui fratura radicular, reabsorção dentária interna/externa e lesões periapicais de origem não odontogênica.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento do CID K08.1 envolve dois momentos: o manejo da causa (extração) e a reabilitação da perda dentária.
Tratamento curativo (extração): A remoção cirúrgica do dente comprometido é realizada sob anestesia local. Pode ser simples (dente erupcionado) ou cirúrgica (dente incluso, raiz fraturada). Antibioticoterapia profilática ou terapêutica é indicada em casos de infecção ativa (amoxicilina 500 mg 8/8h por 7 dias ou clindamicina 300 mg 6/6h em alérgicos). Analgésicos (ibuprofeno, paracetamol) e anti-inflamatórios são prescritos para controle da dor pós-operatória.
Reabilitação: Após a cicatrização (4-6 semanas), são indicadas opções como prótese parcial removível, ponte fixa (prótese adesiva ou convencional) ou implante dentário com coroa protética. A escolha depende de fatores clínicos, financeiros e preferências do paciente.
Cuidados pós-extração: Compressão local com gaze por 30-60 minutos, repouso relativo nas primeiras 24h, dieta pastosa fria, evitar bochechos vigorosos e manter higiene oral suave. O uso de bolsas de gelo externas reduz o edema.
Quantos dias de atestado médico
O CID K08.1 (perda de dente por extração) geralmente concede de 1 a 7 dias de atestado, dependendo da complexidade do procedimento e da recuperação do paciente. Extrações simples (um dente, sem intercorrências) costumam gerar atestado de 1 a 2 dias. Extrações múltiplas ou cirúrgicas (exodontias de sisos inclusos, dentes com lesão óssea) podem requerer de 3 a 7 dias, especialmente se houver edema significativo, dor intensa ou risco de infecção.
O médico ou cirurgião-dentista que realizou o procedimento é o responsável por definir o período de afastamento com base na avaliação clínica. Empregadores públicos e privados aceitam atestados odontológicos desde que contenham CID, data, assinatura e carimbo do profissional. Caso haja complicações (alveolite, infecção), o atestado pode ser renovado.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Embora a extração dentária seja um procedimento seguro, alguns sinais exigem atendimento imediato:
- Sangramento incontrolável após 4 horas de compressão;
- Dor intensa que não melhora com analgésicos prescritos (suspeita de alveolite seca);
- Febre superior a 38°C, calafrios ou mal-estar geral (infecção sistêmica);
- Edema progressivo que se estende ao pescoço ou olho (celulite facial);
- Dificuldade para engolir ou respirar (sinais de abscesso profundo);
- Parestesia persistente (dormência) em lábio, queixo ou bochecha após 24h (lesão de nervo alveolar).
Nessas situações, o paciente deve retornar ao serviço odontológico de urgência ou procurar pronto-socorro hospitalar com cobertura cirúrgica.
Prevenção e cuidados contínuos
A melhor forma de evitar o CID K08.1 é prevenir as causas da perda dentária. Medidas eficazes incluem:
- Escovação com creme dental fluoretado três vezes ao dia e uso diário de fio dental;
- Consultas odontológicas semestrais para profilaxia e detecção precoce de cárie ou doença periodontal;
- Dieta equilibrada com baixo consumo de açúcares refinados e ultraprocessados;
- Controle de doenças sistêmicas como diabetes e hipertensão;
- Uso de protetores bucais em esportes de contato e cinto de segurança em veículos;
- Cessacão do tabagismo e moderação no consumo de álcool.
Após a perda dentária, é fundamental planejar a reabilitação protética para evitar migração de dentes adjacentes, perda óssea local e sobrecarga mastigatória.
- 01. Nunca extraia um dente sem radiografia prévia – a anatomia radicular pode variar e trazer riscos desnecessários.
- 02. Siga rigorosamente a prescrição de antibióticos e analgésicos no pós-operatório para evitar infecção e dor prolongada.
- 03. Alimente-se com alimentos pastosos e frios nas primeiras 24-48 horas para não deslocar o coágulo e prevenir alveolite.
- 04. Evite fumar por pelo menos 72 horas após a extração – o fumo retarda a cicatrização e aumenta o risco de complicação.
- 05. Programe a reabilitação protética dentro de 3 meses após a extração para preservar o espaço e o osso alveolar.
Perguntas Frequentes sobre o CID EXTRAÇÃO DE DENTE
O CID K08.1 garante quantos dias de atestado?
Em média, 1 a 3 dias para extrações simples e 3 a 7 dias para extrações cirúrgicas ou múltiplas. O profissional define com base na complexidade.
Posso usar o CID K08.1 para justificar falta no trabalho?
Sim, desde que o atestado seja emitido por cirurgião-dentista ou médico, contenha o CID correto, data e assinatura. O empregador deve aceitar atestados odontológicos.
O CID K08.1 cobre extração de dente de leite?
Sim, a perda de dentes decíduos por extração também se enquadra no código, especialmente se houver indício de patologia.
Qual a diferença entre K08.1 e K08.0?
K08.0 é “Perda de dentes devido a causas sistêmicas” (ex.: hipodontia congênita). K08.1 é especificamente por extração, trauma ou doença periodontal local.
Preciso de retorno ao dentista após a extração?
Sim, recomenda-se retorno em 7-10 dias para avaliar a cicatrização da ferida e planejar a reabilitação protética.
O CID K08.1 pode ser usado para plano de saúde?
Sim, as operadoras de planos odontológicos reconhecem o código para autorização de procedimentos reabilitadores (próteses, implantes).
Existe algum código CID para “dente incluso” que precise ser extraído?
Sim, o código K01.1 (dente impactado) é usado para dentes inclusos patológicos, e K01.0 para dentes supranumerários. A extração desses dentes geralmente recebe CID K08.1 após o procedimento.
O que fazer se o atestado vier com CID genérico “Z01.2”?
Z01.2 é “Exame odontológico” e não justifica afastamento. Solicite ao profissional que registre o CID específico da condição (K08.1) se houve extração.
Quantos dias de repouso são necessários após extração de siso?
Extração de terceiros molares inferiores inclusos pode exigir 5 a 7 dias de repouso relativo, com atestado correspondente.
O CID K08.1 pode ser usado para perda dentária por acidente de trânsito?
Sim, a subcategoria K08.12 (perda por trauma) é a mais indicada para esses casos, incluindo acidentes automobilísticos.
Qual a validade do atestado com CID K08.1 para o INSS?
Atestados de até 15 dias são aceitos pelo empregador. Acima disso, é necessário perícia médica do INSS para afastamento previdenciário.
O CID K08.1 tem relação com diabetes?
Indiretamente, sim. Diabéticos descompensados têm maior risco de periodontite e cáries, levando a extrações. O controle glicêmico é essencial para prevenir perdas dentárias.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Referências externas:
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