sábado, julho 11, 2026

cid f90.0






CID F90: O que significa, sintomas e tratamento


Dado epidemiológico 2026

Estima-se que, em 2026, aproximadamente 7,2% das crianças e adolescentes brasileiros apresentem critérios diagnósticos para o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), sendo o subtipo combinado (F90.0) o mais prevalente. A conscientização e o diagnóstico precoce evitam prejuízos acadêmicos e sociais significativos.

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID F90-0 e quer saber o que significa? Esse código se refere ao Transtorno da Atividade e da Atenção, popularmente conhecido como Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) do tipo combinado. Este artigo foi elaborado por um médico especialista em clínica médica para explicar de forma completa e acessível os sintomas, causas, diagnóstico, tratamento e tudo o que você precisa saber sobre o CID F90.0.

Identificação do CID

  • Código: F90.0
  • Descrição: Transtorno da atividade e da atenção (TDAH tipo combinado)
  • Categoria: Capítulo V – Transtornos mentais e comportamentais (CID-10)
  • Versão: CID-10 (OMS)
  • Subcategorias: F90.0 (transtorno da atividade e da atenção), F90.1 (transtorno hipercinético associado a transtorno de conduta), F90.8 (outros transtornos hipercinéticos), F90.9 (transtorno hipercinético não especificado)

Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: Lucas, 8 anos, estudante do 3º ano do ensino fundamental

Queixa principal: Dificuldade de concentração, inquietação constante, impulsividade e baixo rendimento escolar, relatados pela mãe e pela professora há mais de 6 meses.

Avaliação clínica: Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com os pais e a escola, aplicação da escala SNAP-IV (pontuação elevada para desatenção e hiperatividade/impulsividade), exame físico geral e neurológico normais, além de avaliação auditiva e visual para descartar causas orgânicas.

Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID F90.0 — Transtorno da atividade e da atenção (TDAH tipo combinado), caracterizado por desatenção significativa, hiperatividade e impulsividade que prejudicam o desempenho escolar e as relações sociais.

Conduta terapêutica: Foi iniciada abordagem multimodal: psicoeducação dos pais e professores, terapia cognitivo-comportamental focada em organização e autocontrole, e prescrição de metilfenidato (Ritalina®) na dose de 10 mg pela manhã e 5 mg ao meio-dia, com ajuste progressivo. Orientação sobre rotina, sono adequado e atividades físicas.

Evolução: Após 4 semanas, Lucas apresentou melhora na atenção durante as aulas e redução da inquietação. Aos 3 meses, as notas subiram, e os relatos de impulsividade diminuíram. Mantém acompanhamento multidisciplinar trimestral.

Lição clínica: O diagnóstico precoce do TDAH combinado (F90.0) permite intervenções eficazes que transformam a trajetória escolar e social da criança — nunca subestimar os sintomas persistentes.

Atenção: Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. Não realize autodiagnóstico nem automedicação com base neste artigo. O CID F90.0 exige avaliação criteriosa por profissional de saúde mental (psiquiatra, neurologista ou pediatra com experiência). Procure atendimento se houver suspeita de TDAH.

O que é o CID F90.0 na prática médica

O código CID F90.0 corresponde ao Transtorno da Atividade e da Atenção, uma das subcategorias dos transtornos hipercinéticos da Classificação Internacional de Doenças (CID-10). Na prática clínica, esse código é utilizado para designar o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) do tipo combinado, ou seja, quando estão presentes tanto sintomas de desatenção quanto de hiperatividade e impulsividade de forma significativa.

Esse transtorno geralmente se manifesta na infância, antes dos 12 anos, e persiste na adolescência e vida adulta em cerca de 60% dos casos. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios do DSM-5 ou da CID-10, e requer que os sintomas estejam presentes em mais de um ambiente (escola, casa, lazer) e causem prejuízo funcional.

O CID F90.0 é um dos diagnósticos mais comuns na psiquiatria infantil, com prevalência estimada entre 5% e 8% das crianças em idade escolar. A identificação precoce é essencial para evitar consequências como fracasso escolar, dificuldades de relacionamento e baixa autoestima.

Subcategorias e variantes do CID F90

A categoria F90 (transtornos hipercinéticos) abrange quatro subcategorias principais:

  • F90.0 – Transtorno da atividade e da atenção: é o subtipo combinado (desatenção + hiperatividade/impulsividade), o mais frequente.
  • F90.1 – Transtorno hipercinético associado a transtorno de conduta: quando os sintomas de TDAH vêm acompanhados de comportamentos antissociais, agressividade ou violação de regras.
  • F90.8 – Outros transtornos hipercinéticos: inclui apresentações atípicas ou com comorbidades específicas, como tiques ou ansiedade grave.
  • F90.9 – Transtorno hipercinético não especificado: usado quando o quadro se enquadra nos critérios gerais, mas não é possível especificar o subtipo.

É importante distinguir o F90.0 de outros diagnósticos como transtorno de conduta (F91) ou transtorno de oposição desafiante (F91.3), que podem coexistir. Variantes clínicas incluem o TDAH predominantemente desatento (antigo TDAH sem hiperatividade) e o predominantemente hiperativo-impulsivo, mas estes não se enquadram exatamente no F90.0, que exige a presença de ambos os grupos de sintomas.

Sintomas e como a doença se manifesta

Os sintomas do CID F90.0 se dividem em duas grandes dimensões: desatenção e hiperatividade/impulsividade. Para o diagnóstico, pelo menos seis sintomas de cada grupo devem estar presentes por mais de seis meses, em desacordo com o nível de desenvolvimento.

Sintomas de desatenção: Dificuldade em manter o foco em tarefas lúdicas ou escolares; comete erros por descuido; parece não ouvir quando lhe falam diretamente; não segue instruções; dificuldade em organizar tarefas; evita atividades que exijam esforço mental prolongado; perde objetos necessários para atividades; distrai-se facilmente; é esquecido em atividades diárias.

Sintomas de hiperatividade e impulsividade: Agitação constante (mexe mãos e pés, não consegue ficar sentado); levanta-se em momentos inapropriados; corre ou sobe em objetos em situações inadequadas; incapacidade de brincar ou se envolver em atividades silenciosamente; age como se estivesse “ligado o tempo todo”; fala excessivamente; responde antes das perguntas serem concluídas; dificuldade em esperar a vez; interrompe os outros.

Os sintomas aparecem antes dos 12 anos, estão presentes em pelo menos dois ambientes (casa, escola, trabalho, lazer) e causam prejuízo significativo no funcionamento social, acadêmico ou profissional. Em adultos, a hiperatividade pode ser substituída por inquietação interna e impulsividade financeira ou profissional.

Causas e fatores de risco

O CID F90.0 tem etiologia multifatorial. As causas mais bem estabelecidas incluem:

  • Fatores genéticos: Herdabilidade estimada entre 70% e 80%. Parentes de primeiro grau de pessoas com TDAH têm risco aumentado. Polimorfismos em genes relacionados aos sistemas dopaminérgico e noradrenérgico (DRD4, DAT1) estão associados.
  • Fatores neurobiológicos: Alterações na estrutura e função dos lobos frontais, gânglios da base, cerebelo e corpo caloso. Disfunção nas vias dopaminérgicas e noradrenérgicas que regulam atenção e controle motor.
  • Fatores pré e perinatais: Exposição pré-natal a álcool, tabaco, drogas ilícitas; prematuridade; baixo peso ao nascer; complicações obstétricas; hipóxia neonatal.
  • Fatores ambientais e psicossociais: Estresse psicossocial severo, conflitos familiares, métodos educativos inconsistentes, abuso ou negligência. Esses fatores não causam TDAH, mas podem modular a expressão dos sintomas e a gravidade.
  • Dieta e toxinas: Evidências limitadas apontam possível relação com aditivos alimentares, corantes artificiais e exposição a chumbo, mas não são causas primárias.

Não existe uma única causa; o modelo biopsicossocial é o mais aceito. A interação entre vulnerabilidade genética e exposições ambientais adversas determina o surgimento e a gravidade do quadro.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico do CID F90.0 é clínico e não existe exame laboratorial ou de imagem que confirme o transtorno. O processo envolve:

  • Anamnese detalhada: Entrevista com os pais/cuidadores e, quando possível, com a própria criança/adolescente. Coleta de informações sobre desenvolvimento, comportamento em diferentes contextos, histórico escolar e familiar.
  • Escalas e questionários padronizados: SNAP-IV, Conners, ASRS (para adultos), CBCL (Achenbach). Ajudam a quantificar os sintomas e rastrear comorbidades.
  • Avaliação neuropsicológica: Testes de atenção sustentada, seletiva, alternada, função executiva (torre de Hanói, stroop, trail making test). Útil em casos complexos ou para diagnóstico diferencial.
  • Exame físico e neurológico: Para descartar condições orgânicas que mimetizam TDAH (distúrbios do sono, epilepsia, hipotireoidismo, problemas visuais/auditivos).
  • Entrevistas com a escola: Relatos de professores sobre comportamento em sala de aula, atenção, rendimento e interação social.
  • Critérios diagnósticos formais: DSM-5 ou CID-10 exigem a presença dos sintomas listados, início antes dos 12 anos, persistência por mais de 6 meses, prejuízo em múltiplos contextos e exclusão de outros transtornos mentais.

O diagnóstico diferencial inclui transtorno de ansiedade, depressão, transtorno bipolar, transtorno de conduta, autismo leve, distúrbios de aprendizagem específicos, entre outros. A avaliação deve ser conduzida por psiquiatra, neurologista ou pediatra especializado.

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento do CID F90.0 é multimodal e deve ser individualizado. As principais abordagens são:

1. Psicoeducação: Informar a família, o paciente e a escola sobre o transtorno, suas causas, prognóstico e estratégias de manejo. Reduz culpa e estigma, melhora a adesão.

2. Terapia cognitivo-comportamental (TCC): Foco em técnicas de organização, planejamento, controle de impulsos, habilidades sociais e regulação emocional. Também aborda crenças disfuncionais sobre si mesmo.

3. Tratamento farmacológico: Medicações estimulantes são a primeira linha. Metilfenidato (Ritalina, Concerta) é o mais utilizado, com taxas de resposta de 70-80%. Lisdexanfetamina (Vyvanse) é alternativa. Medicações não estimulantes como atomoxetina, guanfacina, clonidina são opções para intolerância ou comorbidades.

4. Intervenções escolares: Adaptações curriculares, sala de aula com menos estímulos, tempo extra em provas, reforço positivo, uso de listas de verificação e quebra de tarefas em etapas pequenas.

5. Treinamento de pais: Técnicas de manejo comportamental, consistência nas regras, uso de recompensas e consequências naturais.

6. Suporte psicossocial: Grupos de apoio, terapia ocupacional, atividade física regular (ajuda na regulação da dopamina e noradrenalina), higiene do sono, alimentação balanceada.

O tratamento combinado (medicação + psicoterapia + intervenções ambientais) é superior a qualquer abordagem isolada. O acompanhamento é de longo prazo, com reavaliações periódicas.

Quantos dias de atestado médico

O CID F90.0 não é, por si só, uma condição que gere afastamento prolongado do trabalho ou da escola, pois se trata de um transtorno persistente e não de uma doença aguda. No entanto, em situações de descompensação, início ou ajuste de medicação, ou durante avaliação diagnóstica, o médico pode conceder atestado de curta duração:

  • Para adultos: Atestado de 1 a 5 dias para reuniões escolares, avaliação psiquiátrica ou ajuste medicamentoso. Em casos de comorbidades graves (depressão, ansiedade intensa), pode ser estendido por 15 a 30 dias, sempre com justificativa clínica.
  • Para crianças/adolescentes: Atestado escolar de 1 a 3 dias para consultas ou reagendamento de atividades. Não há indicação de afastamento escolar prolongado para TDAH não complicado.

O atestado deve conter o CID (F90.0 ou outro, se houver comorbidade) e o período necessário. Não há um número fixo de dias; a decisão é médica e baseada no quadro individual. Para fins trabalhistas, o TDAH pode ser considerado deficiência leve em alguns contextos, mas raramente exige afastamento superior a 15 dias consecutivos.

Quando procurar médico urgente / sinais de alerta

Embora o TDAH não seja uma emergência médica típica, alguns sinais indicam necessidade de atendimento imediato:

  • Surgimento súbito de sintomas psicóticos (alucinações, delírios) após início de medicação estimulante (raro, mas possível).
  • Ideias suicidas, automutilação ou comportamento agressivo grave (pode ocorrer em comorbidades com depressão ou transtorno de conduta).
  • Reação alérgica grave a medicamentos (urticária, inchaço, dificuldade respiratória).
  • Crise de ansiedade intensa ou pânico associada ao tratamento.
  • Perda súbita de peso significativa ou insônia grave por efeitos colaterais.
  • Piora abrupta do comportamento ou queda brusca no rendimento escolar/profissional sem causa identificada.
  • Suspeita de uso indevido de medicação (venda, compartilhamento ou uso recreativo).

Além disso, sintomas como dor de cabeça persistente, alterações na visão, palpitações ou dor no peito durante uso de estimulantes exigem avaliação médica imediata, preferencialmente em pronto-socorro.

Prevenção e cuidados contínuos

A prevenção primária do CID F90.0 é limitada, mas algumas medidas podem reduzir o risco ou atenuar os sintomas:

  • Cuidados pré-natais: Evitar álcool, tabaco e drogas; controle de estresse; suplementação de ácido fólico.
  • Ambiente familiar estruturado: Rotinas consistentes, disciplina positiva, comunicação clara.
  • Estimulação precoce: Atividades que promovam atenção e autorregulação, como leitura compartilhada, jogos de tabuleiro, esportes.
  • Limitação de telas: Exposição excessiva a dispositivos eletrônicos pode exacerbar sintomas de desatenção.
  • Dieta equilibrada e sono adequado: Evitar corantes e aditivos; manter horários regulares de sono (crianças: 9-11 horas; adultos: 7-9 horas).
  • Acompanhamento multidisciplinar: Psiquiatra, psicólogo, pedagogo, terapeuta ocupacional. O tratamento é crônico e requer ajustes ao longo da vida.
  • Educação continuada: Participar de grupos de apoio (como a ABDA – Associação Brasileira do Déficit de Atenção) e manter-se atualizado sobre o transtorno.

Com cuidados contínuos, a maioria das pessoas com TDAH leva uma vida produtiva e satisfatória.

Dicas de Ouro

  1. 01. Nunca interrompa a medicação sem orientação médica; a suspensão abrupta pode piorar os sintomas.
  2. 02. Combine o tratamento medicamentoso com terapia comportamental – os resultados são muito melhores.
  3. 03. Informe a escola sobre o diagnóstico; peça adaptações pedagógicas (tempo extra, prova em sala separada).
  4. 04. Mantenha uma rotina diária previsível: horários fixos para acordar, comer, estudar, dormir.
  5. 05. Use lembretes visuais (quadros, listas, alarmes no celular) para ajudar na organização.
  6. 06. Pratique exercícios físicos regularmente – melhora a atenção, o humor e a qualidade do sono.
  7. 07. Evite críticas excessivas; o TDAH não é preguiça ou falta de vontade – é uma condição neurobiológica.

Perguntas Frequentes sobre o CID F90

O CID F90.0 garante quantos dias de atestado?

Não há número fixo. Em adultos, geralmente 1 a 5 dias para consultas/ajustes; em situações graves, até 15 dias. Crianças recebem atestado escolar de 1-3 dias. O médico define conforme o caso.

CID F90.0 é a mesma coisa que TDAH?

Sim. F90.0 é o código para Transtorno da Atividade e da Atenção, que corresponde ao TDAH do tipo combinado (desatenção + hiperatividade/impulsividade).

CID F90.0 tem cura?

Não, é uma condição crônica. Mas com tratamento adequado, os sintomas podem ser controlados e a qualidade de vida significativamente melhorada.

Qual a diferença entre F90.0 e F90.1?

F90.0 é o TDAH combinado puro; F90.1 associa-se a transtorno de conduta (comportamento antissocial, agressividade).

CID F90.0 pode ser diagnosticado em adultos?

Sim. Embora o início seja na infância, o diagnóstico pode ser feito em adultos se houver história compatível e sintomas atuais.

O CID F90.0 dá direito a benefício do INSS?

Em casos graves e com comprovação de incapacidade laborativa, pode ser concedido auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez, mas é raro. Depende de perícia médica.

Crianças com F90.0 podem tomar medicação?

Sim. Metilfenidato é aprovado a partir dos 6 anos. Sempre sob prescrição e acompanhamento médico.

O que é o exame para diagnosticar F90.0?

Não existe exame de sangue ou imagem. O diagnóstico é clínico, baseado em entrevistas, escalas e avaliação neuropsicológica.

CID F90.0 pode ser confundido com ansiedade?

Sim. Os sintomas de inquietação e dificuldade de concentração podem se sobrepor. O diagnóstico diferencial é feito pelo especialista.

O tratamento é só medicamento?

Não. O ideal é multimodal: medicação + psicoterapia + intervenções educacionais + suporte familiar.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 21/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.

Referências externas:
CID10.com.br – F90.0
MedlinePlus – TDAH (inglês)

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