sábado, julho 11, 2026

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CID F91: O que significa, sintomas e tratamento


Dado epidemiológico 2026

O transtorno de conduta (CID F91) afeta entre 5% e 10% das crianças e adolescentes em idade escolar no Brasil, sendo mais frequente no sexo masculino (proporção 4:1). Estima-se que 40% dos casos não tratados evoluam para transtorno de personalidade antissocial na vida adulta.

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID F91 e quer saber o que significa? Este código se refere aos transtornos de conduta, um grupo de condições psiquiátricas caracterizadas por um padrão repetitivo e persistente de comportamento agressivo, desafiador ou antissocial, que viola os direitos básicos dos outros ou as normas sociais. Neste artigo, explicamos em detalhes os sintomas, as causas, o tratamento e tudo que você precisa saber sobre o CID F91.

Identificação do CID

  • Código: F91
  • Descrição: Transtornos de conduta
  • Categoria: Capítulo V – Transtornos mentais e comportamentais (F00-F99)
  • Versão: CID-10 (OMS)
  • Subcategorias: F91.0 (Transtorno de conduta restrito ao contexto familiar), F91.1 (Transtorno de conduta não socializado), F91.2 (Transtorno de conduta socializado), F91.3 (Transtorno desafiador de oposição), F91.8 (Outros transtornos de conduta), F91.9 (Transtorno de conduta não especificado)

Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: Lucas M., 12 anos, estudante do 7º ano, residente em Fortaleza-CE.

Queixa principal: Comportamento agressivo na escola e em casa, destruição de objetos, mentiras frequentes e roubo de itens de colegas.

Avaliação clínica: Maior queixas há cerca de 8 meses. A mãe relatou que Lucas quebrou o tablet da irmã, ameaçou colegas com um lápis e foi suspenso três vezes. Exame psiquiátrico: humor irritadiço, nega culpa, padrão de violação de regras. Solicitados testes psicométricos (CBCL) e entrevista com familiares. Nenhum transtorno neurológico identificado.

Diagnóstico: Após avaliação completa, a psiquiatra registrou o CID F91.0 (Transtorno de conduta restrito ao contexto familiar) — conduta antissocial que ocorre predominantemente no ambiente doméstico, com início aos 11 anos.

Conduta terapêutica: Psicoterapia cognitivo-comportamental (PCC) individual e sessões familiares. Treinamento parental com foco em reforço positivo, disciplina consistente e comunicação não violenta. Medicação: risperidona 0,5 mg/dia (dose baixa) para agressividade intensa, ajustada conforme resposta.

Evolução: Após 12 semanas de tratamento, redução de 70% nas crises agressivas. Lucas melhorou as notas na escola e participa de grupo de habilidades sociais. A mãe reportou melhora na convivência familiar.

Lição clínica: O diagnóstico precoce e a abordagem multimodal (terapia + orientação familiar + suporte escolar) são essenciais para modificar a trajetória do transtorno de conduta e evitar a cronificação.

Atenção: O CID F91 (transtorno de conduta) não pode ser autodiagnosticado. Apenas um psiquiatra ou psicólogo clínico pode fechar o diagnóstico após avaliação multidimensional. Não rotule crianças ou adolescentes como “problemáticos” sem acompanhamento profissional. O tratamento precoce é determinante para o prognóstico.

O que é o CID F91 na prática médica

O código CID F91 abrange os chamados “transtornos de conduta”, que pertencem ao grupo dos transtornos disruptivos, do controle de impulsos e da conduta. Na prática, esses transtornos caracterizam-se por um padrão repetitivo e persistente de comportamento em que os direitos básicos dos outros ou as principais normas sociais são violados. Estamos falando de condutas como agressão a pessoas ou animais, destruição de propriedade, fraudes, furtos e violações graves de regras.

O transtorno geralmente tem início na infância ou na adolescência, e o diagnóstico requer que os sintomas estejam presentes por pelo menos 6 meses. A gravidade pode variar de leve (apenas alguns sintomas em um contexto) a grave (múltiplos sintomas com danos significativos). É fundamental diferenciar o transtorno de conduta de comportamentos transitórios típicos da adolescência; a persistência, a frequência e o sofrimento causado são os diferenciais.

Na prática clínica, o CID F91 é frequentemente associado a comorbidades como TDAH, transtorno de aprendizagem, depressão e abuso de substâncias. Por isso, a avaliação deve ser abrangente, incluindo história escolar, familiar e social.

Subcategorias e variantes do CID F91

O CID-10 subdivide o F91 em seis categorias principais, que permitem maior precisão diagnóstica e orientação terapêutica:

  • F91.0 – Transtorno de conduta restrito ao contexto familiar: As condutas antissociais ocorrem quase que exclusivamente em casa, com pais e irmãos, mas não na escola ou na comunidade. Geralmente associado a dinâmicas familiares disfuncionais.
  • F91.1 – Transtorno de conduta não socializado: A criança ou adolescente age sozinho, sem vínculo com grupos de iguais, e apresenta agressividade tanto em casa quanto fora. Há baixa tolerância à frustração e dificuldade de formar amizades.
  • F91.2 – Transtorno de conduta socializado: O comportamento antissocial ocorre dentro de um grupo de amigos ou gangue, mas o indivíduo mantém relações sociais razoavelmente boas com o grupo. Roubos em grupo, violência coletiva e vandalismo são comuns.
  • F91.3 – Transtorno desafiador de oposição: Caracterizado por humor irritadiço, comportamento desafiador e vingativo, mas sem violação grave dos direitos dos outros. É considerado uma forma mais leve dentro do espectro dos transtornos de conduta, comum em crianças mais jovens.
  • F91.8 – Outros transtornos de conduta: Para casos que não se encaixam nas subcategorias anteriores, como condutas antissociais mistas ou não especificadas.
  • F91.9 – Transtorno de conduta não especificado: Utilizado quando o clínico opta por não especificar o subtipo, geralmente em avaliações iniciais.

Sintomas e como o transtorno se manifesta

Os sintomas do CID F91 variam de acordo com a idade, o sexo e o subtipo. Em linhas gerais, podem ser agrupados em quatro domínios:

  • Agressão a pessoas e animais: Brigas físicas frequentes, uso de armas, crueldade física contra outras pessoas ou animais, roubo com confronto da vítima.
  • Destruição de propriedade: Quebra de objetos, vandalismo, incêndios provocados intencionalmente.
  • Fraude ou furto: Mentiras repetidas para obter vantagens, arrombamentos, furto de objetos de valor, falsificação de assinaturas.
  • Violacão grave de regras: Fugas noturnas constantes, ficar fora de casa a noite toda sem permissão, matar aulas de forma persistente, início precoce de atividade sexual ou uso de substâncias.

É importante notar que a criança ou adolescente com transtorno de conduta frequentemente demonstra pouca empatia, baixo remorso e tendência a culpar os outros por seus atos. O início dos sintomas costuma ser gradual, mas pode se intensificar rapidamente se não houver intervenção.

Causas e fatores de risco

O transtorno de conduta é multifatorial. As principais causas e fatores de risco incluem:

  • Genéticos e biológicos: Há uma herdabilidade estimada entre 40% e 60%. Estudos mostram alterações na amígdala, córtex pré-frontal e sistema de recompensa. Filhos de pais com transtorno de conduta ou antissocial têm maior risco.
  • Ambientais: Exposição à violência doméstica, abuso físico ou sexual, negligência, pais com transtorno mental ou uso de substâncias, disciplina inconsistente e rejeição parental.
  • Psicossociais: Baixo nível socioeconômico, vizinhança violenta, associação com grupos delinquentes, falta de supervisão escolar.
  • Comorbidades: TDAH presente em 30-50% dos casos, transtorno de aprendizagem, depressão e ansiedade podem exacerbar os sintomas.

A combinação de múltiplos fatores de risco aumenta exponencialmente a chance de desenvolvimento do transtorno.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico do CID F91 é essencialmente clínico, baseado em entrevistas com a criança/adolescente e com os pais, além de informações da escola. Ferramentas complementares incluem:

  • Entrevista psiquiátrica estruturada: Utiliza-se o K-SADS ou o MINI-KID para avaliar critérios do DSM-5 e CID-10.
  • Escalas de comportamento: Child Behavior Checklist (CBCL), BASC-3, ou SDQ – preenchidas por pais e professores.
  • Avaliação psicológica: Testes projetivos (CAT, TAT) e de personalidade (Rorschach) podem ajudar na compreensão de dinâmicas emocionais.
  • Exclusão de outras condições: Exame neurológico e testes para TDAH, transtorno bipolar, depressão, autismo e uso de substâncias.

O diagnóstico só deve ser feito após pelo menos 6 meses de sintomas, e com evidências de prejuízo significativo no funcionamento social, escolar ou familiar. Não existem exames laboratoriais ou de imagem que confirmem o transtorno.

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento do transtorno de conduta é multimodal e deve ser individualizado. As principais abordagens são:

  • Psicoterapia: A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é a mais estudada, focada em habilidades de resolução de problemas, controle da raiva, empatia e autorregulação. A terapia familiar funcional (FFT) ou o modelo MST (Multisystemic Therapy) são altamente recomendados.
  • Treinamento parental: Programas como o Incredible Years ou Parent-Child Interaction Therapy (PCIT) ensinam pais a estabelecer limites consistentes, usar reforço positivo e reduzir punições severas.
  • Intervenção escolar: Planos de apoio comportamental positivo, aulas de habilidades sociais e monitoramento próximo.
  • Medicamentos: Não há medicamento específico para transtorno de conduta. Podem ser usados antipsicóticos atípicos (risperidona, aripiprazol) para agressividade grave, estabilizadores de humor (lítio, valproato) ou psicoestimulantes (metilfenidato) se houver TDAH comórbido. O uso é adjuvante, nunca isolado.
  • Programas comunitários: Grupos de jovens, mentorias e atividades esportivas estruturadas ajudam a canalizar impulsos e construir vínculos saudáveis.

O prognóstico é melhor quando o tratamento começa cedo, antes da adolescência. Casos graves e persistentes podem necessitar de internação parcial ou integral em unidades psiquiátricas infantojuvenis.

Quantos dias de atestado médico

Não há um número fixo de dias de atestado previsto em lei para o CID F91, pois o transtorno de conduta é crônico e o tratamento é ambulatorial. No entanto, em situações agudas de crise, com risco de autoagressão ou heteroagressão grave, o psiquiatra pode recomendar afastamento escolar ou laboral (no caso de adolescentes que trabalham) por períodos que variam de 5 a 15 dias, renováveis. Em internações psiquiátricas, o atestado pode cobrir a duração da hospitalização. O mais comum é o paciente necessitar de acompanhamento contínuo sem necessidade de afastamento prolongado, mas cada caso deve ser avaliado individualmente.

Quando procurar médico urgente / sinais de alerta

Procure atendimento médico de urgência (pronto-socorro psiquiátrico ou hospital geral) se a criança ou adolescente apresentar:

  • Comportamento violento que coloque em risco a própria vida ou a de outras pessoas (uso de facas, armas, tentativas de enforcamento).
  • Ameaças verbais graves e planejamento de homicídio ou suicídio.
  • Destruição significativa de patrimônio com potencial de incêndio ou desabamento.
  • Fugas constantes com exposição a situações de risco (ruas, drogas, exploração sexual).
  • Agitação psicomotora intensa com risco iminente de agressão.

Nesses casos, não espere pela consulta agendada. Ligue para 192 (SAMU) ou dirija-se a uma emergência psiquiátrica.

Prevenção e cuidados contínuos

A prevenção do transtorno de conduta começa na primeira infância com o fortalecimento dos vínculos familiares, disciplina positiva e detecção precoce de comportamentos de risco. Escolas com programas de habilidades socioemocionais reduzem a incidência. Para crianças já diagnosticadas, o cuidado contínuo inclui:

  • Adesão à psicoterapia e às consultas psiquiátricas regulares.
  • Participação ativa dos pais em grupos de apoio e treinamento parental.
  • Comunicação constante entre escola, família e terapeutas.
  • Evitar exposição a violência, jogos violentos extremos e conteúdo inadequado.
  • Incentivar hobbies, esportes e atividades pró-sociais.
  • Monitorar uso de redes sociais e círculos de amizades.

O acompanhamento de longo prazo é essencial para prevenir recaídas e evolução para transtorno antissocial na vida adulta.

Dicas de Ouro

  1. 01. Não confunda birra normal com transtorno de conduta. Se os comportamentos duram mais de 6 meses e causam prejuízo real, procure um psiquiatra infantojuvenil.
  2. 02. O tratamento mais eficaz combina psicoterapia para a criança e treinamento para os pais. Não espere que a medicação resolva sozinha.
  3. 03. Estabeleça rotinas claras e consequências consistentes em casa. Crianças com transtorno de conduta respondem melhor a ambientes previsíveis.
  4. 04. Nunca use castigos físicos ou humilhações; isso piora a agressividade. Prefira técnicas de “time-out” e perda de privilégios.
  5. 05. Cuide da sua saúde mental como cuidador. Pais de crianças com CID F91 têm alto risco de estresse e depressão. Busque apoio psicológico se necessário.
  6. 06. Mantenha contato próximo com a escola: peça relatórios de comportamento, participe de reuniões e alinhe estratégias com professores.
  7. 07. Incentive atividades extracurriculares que exijam cooperação, como esportes coletivos, música em grupo ou voluntariado.

Perguntas Frequentes sobre o CID F91

O CID F91 garante quantos dias de atestado?

Não há previsão legal de dias fixos. Em crises agudas ou internação, o psiquiatra pode emitir atestado de 5 a 15 dias, renovável. Para acompanhamento ambulatorial, não há necessidade de afastamento prolongado. Cada caso é avaliado individualmente.

CID F91 é o mesmo que “criança mal educada”?

Não. O transtorno de conduta é uma condição psiquiátrica com critérios diagnósticos objetivos, enquanto “mal educação” é um conceito subjetivo. Crianças com F91 apresentam alterações neurobiológicas e necessidade de tratamento especializado.

O transtorno de conduta tem cura?

O tratamento pode controlar os sintomas e melhorar o funcionamento social, mas o transtorno costuma ser crônico. Muitos pacientes melhoram significativamente com intervenção precoce, mas alguns podem evoluir para transtorno de personalidade antissocial na vida adulta.

Qual a diferença entre TOD (F91.3) e TC (F91.0-F91.2)?

O Transtorno Desafiador de Oposição (TOD) envolve desobediência, teimosia e irritabilidade sem violação grave de direitos. Já o Transtorno de Conduta (TC) inclui agressão, roubo, destruição e fuga – comportamentos mais graves.

CID F91 pode ser diagnosticado em adultos?

Sim, mas o diagnóstico em adultos geralmente é feito como “transtorno de conduta em adultos” ou “transtorno de personalidade antissocial” (F60.2). O código F91 é mais comum para crianças e adolescentes.

O que fazer se meu filho recebeu CID F91?

Mantenha a calma e siga as orientações do psiquiatra. Inicie a psicoterapia, participe do treinamento parental e informe a escola. Não julgue a criança; ela precisa de apoio e tratamento, não de punição.

Exame de sangue ou imagem diagnostica CID F91?

Não. O diagnóstico é clínico, baseado em entrevistas e escalas comportamentais. Exames complementares servem apenas para descartar outras condições (ex.: epilepsia, lesão cerebral).

O plano de saúde cobre o tratamento do CID F91?

Sim, consultas com psiquiatra, psicoterapia e medicamentos prescritos são cobertos pela ANS. Verifique a rede credenciada e possíveis coparticipações. Sessões de terapia podem ter limitações de quantidade; informe-se na operadora.

CID F91 pode levar à criminalidade?

Há uma associação estatística, mas a maioria das crianças com transtorno de conduta tratadas adequadamente não se torna criminosa. A intervenção precoce reduz drasticamente esse risco.

O que significa “transtorno de conduta não socializado” (F91.1)?

Refere-se a crianças que agem sozinhas, sem vínculo com grupos, e apresentam agressividade generalizada. Elas têm dificuldade de fazer amigos e costumam ser rejeitadas pelos pares.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 21/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.

Fontes e referências:

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