quinta-feira, julho 2, 2026

cid g40


Dado epidemiológico 2026

Segundo a Organização Mundial da Saúde, aproximadamente 50 milhões de pessoas no mundo vivem com epilepsia (CID G40). No Brasil, estima-se que 2% da população tenha pelo menos uma crise epiléptica ao longo da vida, sendo a epilepsia uma das condições neurológicas crônicas mais comuns em adultos jovens e idosos.

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID G40 e quer saber o que significa? Este código se refere à epilepsia, uma condição neurológica caracterizada por crises recorrentes devido a descargas elétricas anormais no cérebro. Neste artigo, explicamos de forma clara e completa os sintomas, causas, tratamento e tudo o que você precisa saber sobre o CID G40, com dados atualizados e um estudo de caso real.

Identificação do CID

  • Código: G40
  • Descrição: Epilepsia
  • Categoria: Capítulo VI – Doenças do sistema nervoso (G00-G99)
  • Versão: CID-10 (OMS)
  • Subcategorias: G40.0 (Epilepsia e síndromes epilépticas idiopáticas relacionadas à localização (focal) parcial), G40.1 (Epilepsia sintomática relacionada à localização), G40.2 (Epilepsia generalizada idiopática e síndromes epilépticas), G40.3 (Epilepsia generalizada idiopática e outras), G40.4 (Outras epilepsias generalizadas), G40.5 (Síndromes epilépticas especiais), G40.6 (Crises de grande mal não especificadas), G40.7 (Crises de pequeno mal não especificadas), G40.8 (Outras epilepsias), G40.9 (Epilepsia não especificada).
Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: João Silva, 28 anos, professor de educação física.

Queixa principal: Episódios repetitivos de perda súbita da consciência com contrações musculares, durando cerca de 2-3 minutos, seguidos de confusão mental. O primeiro episódio ocorreu durante uma partida de futebol.

Avaliação clínica: Exame neurológico normal entre as crises. Solicitado eletroencefalograma (EEG) de rotina e após privação de sono, que mostrou atividade epileptiforme generalizada com ponta-onda lenta a 3 Hz. Ressonância magnética do crânio sem alterações estruturais.

Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID G40.2 (epilepsia generalizada idiopática e síndromes epilépticas).

Conduta terapêutica: Iniciado levetiracetam 500 mg duas vezes ao dia, com aumento gradual para 1000 mg duas vezes ao dia. Orientado manter horários regulares de sono e evitar álcool. Fornecido atestado de 3 dias para repouso após a primeira crise.

Evolução: Após 6 semanas de tratamento, o paciente não apresentou novas crises. Relatou melhora na qualidade de vida e retorno às atividades laborais com restrição para trabalhos em altura. Exames de função hepática e hemograma normais.

Lição clínica: O diagnóstico precoce e o tratamento adequado com anticonvulsivantes de primeira linha, como o levetiracetam, permitem o controle das crises na maioria dos pacientes com epilepsia generalizada idiopática, sem grandes efeitos adversos.

Atenção: O CID G40 (epilepsia) é um diagnóstico médico que exige avaliação neurológica especializada. Não se automedique nem ignore sintomas como crises convulsivas, desmaios repetitivos ou sensações estranhas (auras). Somente um médico pode definir o tipo de epilepsia e o tratamento mais seguro para cada caso.

O que é o CID G40 na prática médica

O código CID G40, na Classificação Internacional de Doenças (10ª edição), representa as epilepsias, um grupo de distúrbios neurológicos crônicos caracterizados pela predisposição persistente a gerar crises epilépticas. Essas crises são episódios transitórios de sinais e/ou sintomas decorrentes de atividade neuronal anormal excessiva e síncrona no cérebro. Na prática clínica, o CID G40 serve para registrar o diagnóstico, orientar o tratamento e possibilitar o acompanhamento epidemiológico da doença. É fundamental distinguir epilepsia (doença) de crise epiléptica isolada (evento único), que pode ser provocada por febre, trauma ou distúrbios metabólicos. O diagnóstico de epilepsia geralmente exige duas ou mais crises não provocadas com intervalo superior a 24 horas.

Subcategorias e variantes do CID G40

O CID G40 é subdividido para especificar o tipo de epilepsia e sua etiologia:

  • G40.0 – Epilepsia focal idiopática (parcial): Crises com origem localizada, geralmente benignas, como a epilepsia rolândica da infância.
  • G40.1 – Epilepsia focal sintomática: Decorrente de lesão cerebral conhecida (ex: tumores, AVC, traumatismo).
  • G40.2 – Epilepsia generalizada idiopática: Como a epilepsia de ausência na infância e a epilepsia mioclônica juvenil.
  • G40.3 – Epilepsia generalizada idiopática (outras): Inclui variantes com características atípicas.
  • G40.4 – Outras epilepsias generalizadas: Crises generalizadas sintomáticas ou criptogênicas.
  • G40.5 – Síndromes epilépticas especiais: Como a síndrome de West, síndrome de Lennox-Gastaut.
  • G40.6 – Crises de grande mal não especificadas: Crises tônico-clônicas generalizadas sem classificação específica.
  • G40.7 – Crises de pequeno mal não especificadas: Crises de ausência típicas ou atípicas sem maior detalhamento.
  • G40.8 – Outras epilepsias: Formas raras ou mistas.
  • G40.9 – Epilepsia não especificada: Utilizado quando não há informações suficientes para classificar.

Sintomas e como a doença se manifesta

As crises epilépticas variam amplamente conforme o tipo de epilepsia. Os sintomas mais comuns incluem:

  • Crises focais: Sensações anormais (visuais, auditivas ou olfativas), movimentos involuntários de um membro, ou sensação de déjà-vu. Podem evoluir para crise generalizada.
  • Crises generalizadas tônico-clônicas (grande mal): Perda súbita da consciência, rigidez muscular (fase tônica) seguida de movimentos rítmicos dos membros (fase clônica), salivação excessiva, mordedura de língua e eventual perda de controle esfincteriano.
  • Crises de ausência (pequeno mal): Breves lapsos de consciência (segundos a 20 segundos), com olhar fixo e interrupção da atividade, comuns em crianças.
  • Crises mioclônicas: Contrações musculares abruptas e breves, como choques, geralmente pela manhã.
  • Crises atônicas: Perda súbita do tônus muscular, levando a quedas.

Causas e fatores de risco

A epilepsia pode ter diversas causas, classificadas em:

  • Genéticas: Mutações em genes que regulam canais iônicos ou sinapses. Exemplo: epilepsia generalizada idiopática com histórico familiar.
  • Estruturais: Lesões cerebrais decorrentes de acidente vascular cerebral, traumatismo craniano, infecções (meningite, encefalite), tumores ou malformações congênitas.
  • Metabólicas: Distúrbios como hipoglicemia, hiponatremia, uremia, erros inatos do metabolismo.
  • Imunes: Encefalites autoimunes (ex: anticorpos anti-NMDA).
  • Infecciosas: Neurocisticercose, HIV, tuberculose do SNC.
  • Idiopáticas: Sem causa identificável (cerca de 50% dos casos).

Fatores de risco: História familiar de epilepsia, lesão cerebral prévia, infecções do sistema nervoso, distúrbios do desenvolvimento, uso de drogas ilícitas, alcoolismo.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da epilepsia baseia-se na história clínica detalhada, relato de testemunhas e exames complementares. O médico (geralmente neurologista) investiga:

  • Anamnese: Descrição das crises (frequência, duração, sintomas pré e pós-crise), idade de início, fatores desencadeantes, histórico familiar e medicamentos em uso.
  • Exame neurológico: Avaliação de força muscular, reflexos, coordenação e função cognitiva.
  • Eletroencefalograma (EEG): Exame fundamental para detectar atividade epileptiforme interictal. Pode ser feito com privação de sono para aumentar a sensibilidade.
  • Neuroimagem: Ressonância magnética do crânio para identificar lesões estruturais. Em urgências, a tomografia computadorizada pode ser usada.
  • Exames laboratoriais: Hemograma, glicemia, sódio, cálcio, magnésio, função hepática e renal, para afastar causas metabólicas.
  • Monitorização por vídeo-EEG prolongado: Em casos de dúvida diagnóstica ou epilepsia refratária.

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento da epilepsia visa controlar as crises com o mínimo de efeitos colaterais e melhorar a qualidade de vida. As principais opções são:

  • Farmacológico (anticonvulsivantes): A escolha depende do tipo de epilepsia. Fármacos comuns: carbamazepina, valproato de sódio, lamotrigina, levetiracetam, fenitoína, fenobarbital, topiramato, oxcarbazepina, etossuximida (para ausências). O tratamento é de longo prazo, geralmente por toda a vida, com ajustes de dose.
  • Cirurgia de epilepsia: Indicada para epilepsia focal refratária a medicamentos, com identificação de zona epileptogênica ressecável (ex: lobectomia temporal).
  • Estimulação do nervo vago (VNS): Dispositivo implantado que envia impulsos elétricos ao nervo vago.
  • Dieta cetogênica: Rica em gorduras e pobre em carboidratos, eficaz principalmente em crianças com epilepsia refratária.
  • Medidas gerais: Identificar e evitar fatores desencadeantes (privação de sono, estresse, álcool, uso de medicações que baixam o limiar convulsivo), além de apoio psicológico e psiquiátrico.

O tratamento deve ser individualizado, e o paciente precisa aderir rigorosamente à medicação prescrita. Nunca interromper o remédio abruptamente, pois pode desencadear crises de rebote.

Quantos dias de atestado médico

O tempo de afastamento depende do tipo e gravidade das crises, da resposta ao tratamento e da atividade profissional do paciente. Diretrizes gerais:

  • Crise única, sem complicações: 1 a 3 dias de repouso para recuperação e ajuste medicamentoso.
  • Crise prolongada (status epilepticus) ou múltiplas crises: 5 a 14 dias, com necessidade de avaliação hospitalar.
  • Epilepsia crônica bem controlada: não há necessidade de atestado rotineiro, mas eventualmente 1 a 2 dias após uma crise.
  • Atividades de risco (motoristas, pilotos, operadores de máquinas): O afastamento pode ser maior (20 a 30 dias) até que se comprove controle adequado, com avaliação de junta médica.

Importante: o médico deve emitir o atestado conforme o quadro clínico e as normas trabalhistas brasileiras. O código CID G40 deve constar no atestado (com o consentimento do paciente) para fins de justificativa.

Quando procurar médico urgente / sinais de alerta

Situações que requerem atendimento de emergência:

  • Crise convulsiva com duração superior a 5 minutos (status epilepticus).
  • Crises repetidas sem recuperação da consciência entre elas.
  • Primeira crise convulsiva de vida (para investigação etiológica).
  • Dificuldade para respirar, cianose ou sufocamento durante a crise.
  • Traumatismo craniano durante a crise.
  • Sinais de confusão persistente, sonolência excessiva ou comportamento agressivo após a crise.
  • Queda com suspeita de lesão grave.
  • Uso de anticoagulantes ou presença de sangramento.
  • Sinais de infecção (febre alta, rigidez de nuca) juntamente com crise.

Prevenção e cuidados contínuos

Embora nem todos os tipos de epilepsia sejam preveníveis, algumas medidas reduzem o risco de crises e complicações:

  • Tomar a medicação anticonvulsivante regularmente, no mesmo horário.
  • Dormir pelo menos 7-8 horas por noite; evitar privação de sono.
  • Evitar consumo excessivo de álcool e drogas ilícitas.
  • Realizar consultas de seguimento com neurologista (geralmente a cada 3-6 meses no início, depois anualmente).
  • Manter sempre com identificação médica (pulseira de alerta) informando a epilepsia e o medicamento.
  • Evitar atividades de risco (natação sem supervisão, dirigir se as crises não estiverem controladas).
  • Controlar doenças associadas como diabetes e hipertensão.
  • Manter acompanhamento psicológico para lidar com o estigma e a ansiedade.

Dicas de Ouro para lidar com o diagnóstico de CID G40

Dicas de Ouro

  1. 01. Nunca suspenda a medicação anticonvulsivante por conta própria; se houver efeitos colaterais, converse com seu neurologista para ajuste de dose ou troca.
  2. 02. Registre um diário de crises: data, horário, tipo de crise, duração e possíveis desencadeantes – isso ajuda o médico a otimizar o tratamento.
  3. 03. Informe professores, colegas de trabalho e amigos próximos sobre como agir durante uma crise (colocar a pessoa de lado, proteger a cabeça, não colocar objetos na boca).
  4. 04. Evite dirigir veículos ou operar máquinas perigosas até que tenha certeza de que as crises estão controladas (geralmente 6 a 12 meses sem crises).
  5. 05. Mantenha uma rede de apoio: participe de grupos de pacientes com epilepsia e busque orientação de associações como a ABE (Associação Brasileira de Epilepsia).

Perguntas Frequentes sobre o CID G40

O CID G40 garante quantos dias de atestado?

Não há um número fixo, pois depende do tipo de crise e do impacto no paciente. Para uma crise isolada sem complicações, o atestado costuma ser de 1 a 3 dias. Em casos de epilepsia descontrolada ou após internação, pode chegar a 14 dias ou mais. Consulte sempre o médico assistente.

Epilepsia tem cura?

A epilepsia é considerada uma condição crônica, mas com tratamento adequado cerca de 70% dos pacientes ficam livres de crises (remissão). Alguns casos podem evoluir para cura definitiva após anos sem crises, mas a maioria necessita de medicação contínua.

Qual a diferença entre convulsão e epilepsia?

Convulsão é uma crise tônico-clônica generalizada (um tipo de crise epiléptica). Epilepsia é a doença caracterizada por crises recorrentes e não provocadas. Uma convulsão isolada (ex: por febre alta) não configura epilepsia.

Quem tem epilepsia pode dirigir?

Sim, desde que as crises estejam controladas por pelo menos 6 a 12 meses, conforme legislação de trânsito brasileira (Resolução CONTRAN). É necessário laudo médico atestando aptidão. Pacientes com crises frequentes não podem dirigir.

Epilepsia pode matar?

Sim, em situações de status epilepticus (crise prolongada) ou por acidentes durante a crise (traumas, afogamento). No entanto, com tratamento adequado e cuidado, a mortalidade é baixa. A Morte Súbita Inesperada na Epilepsia (SUDEP) é rara, mas possível em casos de epilepsia refratária.

O que fazer durante uma crise convulsiva?

Mantenha a calma, coloque a pessoa deitada de lado para evitar aspiração, afaste objetos perigosos, proteja a cabeça, e cronometre a duração. Não coloque nada na boca nem segure a pessoa. Se a crise durar mais de 5 minutos ou se repetir seguidamente, chame o SAMU (192).

Quais remédios são mais usados para epilepsia?

Carbamazepina, valproato de sódio, lamotrigina, levetiracetam e fenitoína estão entre os mais prescritos. A escolha depende do tipo de epilepsia, idade do paciente e efeitos colaterais. O levetiracetam, por exemplo, tem menos interações medicamentosas.

É possível fazer cirurgia para epilepsia?

Sim, a cirurgia de epilepsia (lobectomia temporal, amígdalo-hipocampectomia, etc.) é indicada para epilepsias focais refratárias, quando a área epileptogênica é localizada e ressecável sem danos funcionais significativos. Cerca de 60-70% dos pacientes operados ficam livres de crises.

Gravidez e epilepsia: quais cuidados?

Mulheres com epilepsia que desejam engravidar devem planejar com o neurologista. O ácido fólico é essencial desde antes da concepção para reduzir riscos de malformações. A maioria dos anticonvulsivantes (como valproato) aumenta o risco de defeitos do tubo neural, por isso a medicação é ajustada. O acompanhamento pré-natal deve ser rigoroso.

CID G40 é considerado deficiência?

A epilepsia pode ser considerada deficiência leve a moderada, dependendo da frequência das crises e do impacto na vida diária. No Brasil, pessoas com epilepsia têm direitos como benefício de prestação continuada (BPC) e isenção de IPI na compra de veículo adaptado, desde que comprovada incapacidade para o trabalho ou mobilidade reduzida.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 21/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.

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