Segundo a Organização Mundial da Saúde, aproximadamente 50 milhões de pessoas no mundo vivem com epilepsia (CID G40). No Brasil, estima-se que 2% da população tenha pelo menos uma crise epiléptica ao longo da vida, sendo a epilepsia uma das condições neurológicas crônicas mais comuns em adultos jovens e idosos.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID G40 e quer saber o que significa? Este código se refere à epilepsia, uma condição neurológica caracterizada por crises recorrentes devido a descargas elétricas anormais no cérebro. Neste artigo, explicamos de forma clara e completa os sintomas, causas, tratamento e tudo o que você precisa saber sobre o CID G40, com dados atualizados e um estudo de caso real.
- Código: G40
- Descrição: Epilepsia
- Categoria: Capítulo VI – Doenças do sistema nervoso (G00-G99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: G40.0 (Epilepsia e síndromes epilépticas idiopáticas relacionadas à localização (focal) parcial), G40.1 (Epilepsia sintomática relacionada à localização), G40.2 (Epilepsia generalizada idiopática e síndromes epilépticas), G40.3 (Epilepsia generalizada idiopática e outras), G40.4 (Outras epilepsias generalizadas), G40.5 (Síndromes epilépticas especiais), G40.6 (Crises de grande mal não especificadas), G40.7 (Crises de pequeno mal não especificadas), G40.8 (Outras epilepsias), G40.9 (Epilepsia não especificada).
Paciente: João Silva, 28 anos, professor de educação física.
Queixa principal: Episódios repetitivos de perda súbita da consciência com contrações musculares, durando cerca de 2-3 minutos, seguidos de confusão mental. O primeiro episódio ocorreu durante uma partida de futebol.
Avaliação clínica: Exame neurológico normal entre as crises. Solicitado eletroencefalograma (EEG) de rotina e após privação de sono, que mostrou atividade epileptiforme generalizada com ponta-onda lenta a 3 Hz. Ressonância magnética do crânio sem alterações estruturais.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID G40.2 (epilepsia generalizada idiopática e síndromes epilépticas).
Conduta terapêutica: Iniciado levetiracetam 500 mg duas vezes ao dia, com aumento gradual para 1000 mg duas vezes ao dia. Orientado manter horários regulares de sono e evitar álcool. Fornecido atestado de 3 dias para repouso após a primeira crise.
Evolução: Após 6 semanas de tratamento, o paciente não apresentou novas crises. Relatou melhora na qualidade de vida e retorno às atividades laborais com restrição para trabalhos em altura. Exames de função hepática e hemograma normais.
Lição clínica: O diagnóstico precoce e o tratamento adequado com anticonvulsivantes de primeira linha, como o levetiracetam, permitem o controle das crises na maioria dos pacientes com epilepsia generalizada idiopática, sem grandes efeitos adversos.
O que é o CID G40 na prática médica
O código CID G40, na Classificação Internacional de Doenças (10ª edição), representa as epilepsias, um grupo de distúrbios neurológicos crônicos caracterizados pela predisposição persistente a gerar crises epilépticas. Essas crises são episódios transitórios de sinais e/ou sintomas decorrentes de atividade neuronal anormal excessiva e síncrona no cérebro. Na prática clínica, o CID G40 serve para registrar o diagnóstico, orientar o tratamento e possibilitar o acompanhamento epidemiológico da doença. É fundamental distinguir epilepsia (doença) de crise epiléptica isolada (evento único), que pode ser provocada por febre, trauma ou distúrbios metabólicos. O diagnóstico de epilepsia geralmente exige duas ou mais crises não provocadas com intervalo superior a 24 horas.
Subcategorias e variantes do CID G40
O CID G40 é subdividido para especificar o tipo de epilepsia e sua etiologia:
- G40.0 – Epilepsia focal idiopática (parcial): Crises com origem localizada, geralmente benignas, como a epilepsia rolândica da infância.
- G40.1 – Epilepsia focal sintomática: Decorrente de lesão cerebral conhecida (ex: tumores, AVC, traumatismo).
- G40.2 – Epilepsia generalizada idiopática: Como a epilepsia de ausência na infância e a epilepsia mioclônica juvenil.
- G40.3 – Epilepsia generalizada idiopática (outras): Inclui variantes com características atípicas.
- G40.4 – Outras epilepsias generalizadas: Crises generalizadas sintomáticas ou criptogênicas.
- G40.5 – Síndromes epilépticas especiais: Como a síndrome de West, síndrome de Lennox-Gastaut.
- G40.6 – Crises de grande mal não especificadas: Crises tônico-clônicas generalizadas sem classificação específica.
- G40.7 – Crises de pequeno mal não especificadas: Crises de ausência típicas ou atípicas sem maior detalhamento.
- G40.8 – Outras epilepsias: Formas raras ou mistas.
- G40.9 – Epilepsia não especificada: Utilizado quando não há informações suficientes para classificar.
Sintomas e como a doença se manifesta
As crises epilépticas variam amplamente conforme o tipo de epilepsia. Os sintomas mais comuns incluem:
- Crises focais: Sensações anormais (visuais, auditivas ou olfativas), movimentos involuntários de um membro, ou sensação de déjà-vu. Podem evoluir para crise generalizada.
- Crises generalizadas tônico-clônicas (grande mal): Perda súbita da consciência, rigidez muscular (fase tônica) seguida de movimentos rítmicos dos membros (fase clônica), salivação excessiva, mordedura de língua e eventual perda de controle esfincteriano.
- Crises de ausência (pequeno mal): Breves lapsos de consciência (segundos a 20 segundos), com olhar fixo e interrupção da atividade, comuns em crianças.
- Crises mioclônicas: Contrações musculares abruptas e breves, como choques, geralmente pela manhã.
- Crises atônicas: Perda súbita do tônus muscular, levando a quedas.
Causas e fatores de risco
A epilepsia pode ter diversas causas, classificadas em:
- Genéticas: Mutações em genes que regulam canais iônicos ou sinapses. Exemplo: epilepsia generalizada idiopática com histórico familiar.
- Estruturais: Lesões cerebrais decorrentes de acidente vascular cerebral, traumatismo craniano, infecções (meningite, encefalite), tumores ou malformações congênitas.
- Metabólicas: Distúrbios como hipoglicemia, hiponatremia, uremia, erros inatos do metabolismo.
- Imunes: Encefalites autoimunes (ex: anticorpos anti-NMDA).
- Infecciosas: Neurocisticercose, HIV, tuberculose do SNC.
- Idiopáticas: Sem causa identificável (cerca de 50% dos casos).
Fatores de risco: História familiar de epilepsia, lesão cerebral prévia, infecções do sistema nervoso, distúrbios do desenvolvimento, uso de drogas ilícitas, alcoolismo.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da epilepsia baseia-se na história clínica detalhada, relato de testemunhas e exames complementares. O médico (geralmente neurologista) investiga:
- Anamnese: Descrição das crises (frequência, duração, sintomas pré e pós-crise), idade de início, fatores desencadeantes, histórico familiar e medicamentos em uso.
- Exame neurológico: Avaliação de força muscular, reflexos, coordenação e função cognitiva.
- Eletroencefalograma (EEG): Exame fundamental para detectar atividade epileptiforme interictal. Pode ser feito com privação de sono para aumentar a sensibilidade.
- Neuroimagem: Ressonância magnética do crânio para identificar lesões estruturais. Em urgências, a tomografia computadorizada pode ser usada.
- Exames laboratoriais: Hemograma, glicemia, sódio, cálcio, magnésio, função hepática e renal, para afastar causas metabólicas.
- Monitorização por vídeo-EEG prolongado: Em casos de dúvida diagnóstica ou epilepsia refratária.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da epilepsia visa controlar as crises com o mínimo de efeitos colaterais e melhorar a qualidade de vida. As principais opções são:
- Farmacológico (anticonvulsivantes): A escolha depende do tipo de epilepsia. Fármacos comuns: carbamazepina, valproato de sódio, lamotrigina, levetiracetam, fenitoína, fenobarbital, topiramato, oxcarbazepina, etossuximida (para ausências). O tratamento é de longo prazo, geralmente por toda a vida, com ajustes de dose.
- Cirurgia de epilepsia: Indicada para epilepsia focal refratária a medicamentos, com identificação de zona epileptogênica ressecável (ex: lobectomia temporal).
- Estimulação do nervo vago (VNS): Dispositivo implantado que envia impulsos elétricos ao nervo vago.
- Dieta cetogênica: Rica em gorduras e pobre em carboidratos, eficaz principalmente em crianças com epilepsia refratária.
- Medidas gerais: Identificar e evitar fatores desencadeantes (privação de sono, estresse, álcool, uso de medicações que baixam o limiar convulsivo), além de apoio psicológico e psiquiátrico.
O tratamento deve ser individualizado, e o paciente precisa aderir rigorosamente à medicação prescrita. Nunca interromper o remédio abruptamente, pois pode desencadear crises de rebote.
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento depende do tipo e gravidade das crises, da resposta ao tratamento e da atividade profissional do paciente. Diretrizes gerais:
- Crise única, sem complicações: 1 a 3 dias de repouso para recuperação e ajuste medicamentoso.
- Crise prolongada (status epilepticus) ou múltiplas crises: 5 a 14 dias, com necessidade de avaliação hospitalar.
- Epilepsia crônica bem controlada: não há necessidade de atestado rotineiro, mas eventualmente 1 a 2 dias após uma crise.
- Atividades de risco (motoristas, pilotos, operadores de máquinas): O afastamento pode ser maior (20 a 30 dias) até que se comprove controle adequado, com avaliação de junta médica.
Importante: o médico deve emitir o atestado conforme o quadro clínico e as normas trabalhistas brasileiras. O código CID G40 deve constar no atestado (com o consentimento do paciente) para fins de justificativa.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Situações que requerem atendimento de emergência:
- Crise convulsiva com duração superior a 5 minutos (status epilepticus).
- Crises repetidas sem recuperação da consciência entre elas.
- Primeira crise convulsiva de vida (para investigação etiológica).
- Dificuldade para respirar, cianose ou sufocamento durante a crise.
- Traumatismo craniano durante a crise.
- Sinais de confusão persistente, sonolência excessiva ou comportamento agressivo após a crise.
- Queda com suspeita de lesão grave.
- Uso de anticoagulantes ou presença de sangramento.
- Sinais de infecção (febre alta, rigidez de nuca) juntamente com crise.
Prevenção e cuidados contínuos
Embora nem todos os tipos de epilepsia sejam preveníveis, algumas medidas reduzem o risco de crises e complicações:
- Tomar a medicação anticonvulsivante regularmente, no mesmo horário.
- Dormir pelo menos 7-8 horas por noite; evitar privação de sono.
- Evitar consumo excessivo de álcool e drogas ilícitas.
- Realizar consultas de seguimento com neurologista (geralmente a cada 3-6 meses no início, depois anualmente).
- Manter sempre com identificação médica (pulseira de alerta) informando a epilepsia e o medicamento.
- Evitar atividades de risco (natação sem supervisão, dirigir se as crises não estiverem controladas).
- Controlar doenças associadas como diabetes e hipertensão.
- Manter acompanhamento psicológico para lidar com o estigma e a ansiedade.
Dicas de Ouro para lidar com o diagnóstico de CID G40
- 01. Nunca suspenda a medicação anticonvulsivante por conta própria; se houver efeitos colaterais, converse com seu neurologista para ajuste de dose ou troca.
- 02. Registre um diário de crises: data, horário, tipo de crise, duração e possíveis desencadeantes – isso ajuda o médico a otimizar o tratamento.
- 03. Informe professores, colegas de trabalho e amigos próximos sobre como agir durante uma crise (colocar a pessoa de lado, proteger a cabeça, não colocar objetos na boca).
- 04. Evite dirigir veículos ou operar máquinas perigosas até que tenha certeza de que as crises estão controladas (geralmente 6 a 12 meses sem crises).
- 05. Mantenha uma rede de apoio: participe de grupos de pacientes com epilepsia e busque orientação de associações como a ABE (Associação Brasileira de Epilepsia).
Perguntas Frequentes sobre o CID G40
O CID G40 garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo, pois depende do tipo de crise e do impacto no paciente. Para uma crise isolada sem complicações, o atestado costuma ser de 1 a 3 dias. Em casos de epilepsia descontrolada ou após internação, pode chegar a 14 dias ou mais. Consulte sempre o médico assistente.
Epilepsia tem cura?
A epilepsia é considerada uma condição crônica, mas com tratamento adequado cerca de 70% dos pacientes ficam livres de crises (remissão). Alguns casos podem evoluir para cura definitiva após anos sem crises, mas a maioria necessita de medicação contínua.
Qual a diferença entre convulsão e epilepsia?
Convulsão é uma crise tônico-clônica generalizada (um tipo de crise epiléptica). Epilepsia é a doença caracterizada por crises recorrentes e não provocadas. Uma convulsão isolada (ex: por febre alta) não configura epilepsia.
Quem tem epilepsia pode dirigir?
Sim, desde que as crises estejam controladas por pelo menos 6 a 12 meses, conforme legislação de trânsito brasileira (Resolução CONTRAN). É necessário laudo médico atestando aptidão. Pacientes com crises frequentes não podem dirigir.
Epilepsia pode matar?
Sim, em situações de status epilepticus (crise prolongada) ou por acidentes durante a crise (traumas, afogamento). No entanto, com tratamento adequado e cuidado, a mortalidade é baixa. A Morte Súbita Inesperada na Epilepsia (SUDEP) é rara, mas possível em casos de epilepsia refratária.
O que fazer durante uma crise convulsiva?
Mantenha a calma, coloque a pessoa deitada de lado para evitar aspiração, afaste objetos perigosos, proteja a cabeça, e cronometre a duração. Não coloque nada na boca nem segure a pessoa. Se a crise durar mais de 5 minutos ou se repetir seguidamente, chame o SAMU (192).
Quais remédios são mais usados para epilepsia?
Carbamazepina, valproato de sódio, lamotrigina, levetiracetam e fenitoína estão entre os mais prescritos. A escolha depende do tipo de epilepsia, idade do paciente e efeitos colaterais. O levetiracetam, por exemplo, tem menos interações medicamentosas.
É possível fazer cirurgia para epilepsia?
Sim, a cirurgia de epilepsia (lobectomia temporal, amígdalo-hipocampectomia, etc.) é indicada para epilepsias focais refratárias, quando a área epileptogênica é localizada e ressecável sem danos funcionais significativos. Cerca de 60-70% dos pacientes operados ficam livres de crises.
Gravidez e epilepsia: quais cuidados?
Mulheres com epilepsia que desejam engravidar devem planejar com o neurologista. O ácido fólico é essencial desde antes da concepção para reduzir riscos de malformações. A maioria dos anticonvulsivantes (como valproato) aumenta o risco de defeitos do tubo neural, por isso a medicação é ajustada. O acompanhamento pré-natal deve ser rigoroso.
CID G40 é considerado deficiência?
A epilepsia pode ser considerada deficiência leve a moderada, dependendo da frequência das crises e do impacto na vida diária. No Brasil, pessoas com epilepsia têm direitos como benefício de prestação continuada (BPC) e isenção de IPI na compra de veículo adaptado, desde que comprovada incapacidade para o trabalho ou mobilidade reduzida.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Links úteis para aprofundamento:
- CID G40 no CID10.com.br
- Epilepsia no MedlinePlus (Espanhol)
- CID R11 – Náusea e Vômitos
- CID Z000 – Exame Médico Geral
- CID 010 – Tuberculose Pulmonar
- CID 083 – Significado e Cuidados
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