Em 2026, a enxaqueca (CID G430) é a segunda causa mais frequente de anos vividos com incapacidade (YLDs) entre pessoas de 15 a 49 anos, afetando cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo. No Brasil, estima-se que 30 milhões de adultos sofram com crises de enxaqueca, e apenas 30% recebem tratamento adequado.
Introdução
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID G430 e quer saber o que significa? Esse código se refere à enxaqueca sem aura, um tipo de cefaleia primária caracterizada por crises recorrentes de dor de cabeça moderada a intensa, geralmente unilateral e pulsátil. Neste artigo, explicamos tudo sobre o CID G430: sintomas, causas, diagnóstico, tratamento e orientações práticas para lidar com a condição de forma segura e eficaz.
- Código: G430
- Descrição: Enxaqueca sem aura (Migraine without aura)
- Categoria: Capítulo VI – Doenças do sistema nervoso (G00-G99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: G430 (enxaqueca sem aura), G431 (enxaqueca com aura), G432 (estado de mal enxaquecoso), G433 (enxaqueca complicada), G438 (outras enxaquecas), G439 (enxaqueca não especificada)
Paciente: Ana Clara, 28 anos, designer gráfica
Queixa principal: Dor de cabeça pulsátil do lado direito, com náuseas e sensibilidade à luz, que começou há 6 horas. Crises semelhantes ocorrem 2 a 3 vezes por mês desde a adolescência.
Avaliação clínica: Exame neurológico sem alterações focais. Paciente apresenta fotofobia e fonofobia. Sem sinais de alerta (febre, rigidez de nuca, trauma). Solicitado ressonância magnética de crânio para excluir causas secundárias, que veio normal.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID G430 (Enxaqueca sem aura) — enxaqueca típica sem pródromos visuais ou sensitivos.
Conduta terapêutica: Prescrito sumatriptano 50 mg oral no início da crise, associado a metoclopramida 10 mg para náuseas. Orientação de repouso em ambiente escuro e silencioso, além de diário de cefaleia para identificar gatilhos. Para profilaxia, recomendou-se propranolol 40 mg/dia com titulação gradual.
Evolução: Após 3 meses, a paciente reduziu a frequência das crises para 1 vez a cada 2 meses, com menor intensidade. Relatou melhora significativa na qualidade de vida e no desempenho profissional.
Lição clínica: A enxaqueca sem aura (CID G430) é subdiagnosticada e subtratada. O manejo adequado combina tratamento agudo e preventivo, além de educação do paciente sobre gatilhos como estresse, cafeína e privação de sono.
O que é o CID G430 na prática médica
O CID G430 é o código da Classificação Internacional de Doenças para a “Enxaqueca sem aura”, também conhecida como enxaqueca comum. Trata-se de uma cefaleia primária, ou seja, a dor de cabeça é a própria doença, não um sintoma de outra condição. As crises duram de 4 a 72 horas e apresentam pelo menos duas das seguintes características: localização unilateral, caráter pulsátil, intensidade moderada a forte, agravamento com atividade física rotineira. Durante a crise, o paciente pode ter náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios da International Headache Society (IHS). Diferente da CID R11 – Náusea e Vômitos, que trata de sintomas associados, o G430 foca na condição neurológica de base.
Subcategorias e variantes do CID G430
O CID G430 pertence ao grupo G43 (Enxaqueca) e é especificado como “sem aura”. Existem outras categorias relacionadas que merecem destaque:
- G431 – Enxaqueca com aura: inclui sintomas neurológicos transitórios antes da dor, como escotomas cintilantes, parestesias ou distúrbios da fala.
- G432 – Estado de mal enxaquecoso: crise que dura mais de 72 horas, com intervalo livre de sintomas inferior a 4 horas.
- G433 – Enxaqueca complicada: quando ocorre infarto migranoso ou aura persistente.
- G438 – Outras enxaquecas: como enxaqueca oftalmoplégica, enxaqueca retiniana, etc.
- G439 – Enxaqueca não especificada: usado quando o tipo não é determinado.
Para o diagnóstico preciso, o médico deve diferenciar G430 de outras cefaleias primárias, como cefaleia tensional ou cefaleia em salvas. A identificação correta é crucial para o tratamento adequado, especialmente quando há comorbidades como ansiedade, que pode ser investigada no CID F41 – Ansiedade.
Sintomas e como a doença se manifesta
A enxaqueca sem aura (CID G430) manifesta-se em crises que podem ser precedidas por pródromos (alterações de humor, desejo por alimentos, bocejos) horas antes. A dor é tipicamente unilateral, pulsátil, de intensidade moderada a forte, e piora com movimentos. Sintomas associados obrigatórios para o diagnóstico: náuseas e/ou vômitos, fotofobia e fonofobia. A crise pode durar de 4 a 72 horas se não tratada. A frequência varia; alguns pacientes têm crises episódicas (menos de 15 dias por mês), outros evoluem para enxaqueca crônica (15 ou mais dias por mês por mais de 3 meses). Muitos pacientes também relatam fadiga, irritabilidade e dificuldade de concentração durante as crises. Para sintomas de náusea, o CID R11 pode ser usado como código secundário.
Causas e fatores de risco
A enxaqueca tem origem neurovascular complexa, envolvendo disfunção do sistema trigeminovascular e liberação de neuropeptídeos inflamatórios. Fatores genéticos são importantes; há histórico familiar em cerca de 70% dos casos. Gatilhos comuns incluem:
- Estresse emocional
- Privação ou excesso de sono
- Alterações hormonais (ciclo menstrual, menopausa)
- Alimentos: chocolate, queijos envelhecidos, vinho tinto, cafeína
- Mudanças climáticas
- Estímulos sensoriais (luzes piscantes, odores fortes)
Fatores de risco: sexo feminino (3:1), idade entre 20 e 40 anos, predisposição genética. Condições como obesidade, rinite alérgica (ver CID J30 – Rinite Alérgica) e asma (ver CID J45 – Asma) podem aumentar a frequência das crises.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da enxaqueca sem aura (CID G430) é essencialmente clínico, baseado nos critérios da ICHD-3 (International Classification of Headache Disorders). O médico realiza anamnese detalhada, incluindo diário de cefaleia, exame neurológico completo e, se necessário, exames de imagem (TC ou RM) para excluir causas secundárias (tumores, hemorragias, aneurismas). Não existem exames laboratoriais específicos para enxaqueca. O diagnóstico diferencial inclui cefaleia tensional, cefaleia em salvas, sinusite aguda, neuralgia do trigêmeo e cefaleia por uso excessivo de medicamentos. Em casos de dúvida, o encaminhamento para um neurologista é fundamental. O paciente também pode precisar de exames gerais, como o CID Z000 – Exame Médico Geral, para avaliação inicial.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da enxaqueca (CID G430) divide-se em:
Abortivo (crise aguda): Analgésicos simples como Ibuprofeno, Dipirona e Paracetamol; triptanos (sumatriptano, rizatriptano, zolmitriptano); antieméticos (metoclopramida, domperidona). Para casos refratários, opioides ou ergotamínicos podem ser usados, mas com cautela. Novas classes, como gepants (ubrogepant) e ditans (lasmiditan), já estão disponíveis em alguns países.
Profilático (preventivo): Indicado quando há 4 ou mais crises por mês, ou crises graves que comprometem a qualidade de vida. Medicamentos orais: betabloqueadores (propranolol, metoprolol), antidepressivos (amitriptilina, venlafaxina), anticonvulsivantes (topiramato, valproato), antagonistas do CGRP (erenumabe, galcanezumabe) e toxina botulínica tipo A para enxaqueca crônica.
Não farmacológico: Acupuntura, biofeedback, terapia cognitivo-comportamental, mudanças no estilo de vida (regularidade do sono, alimentação, exercícios físicos). Muitos pacientes também se beneficiam de tratamentos para condições associadas, como refluxo (veja CID K21 – Refluxo) ou infecções respiratórias (veja CID J06 – Infecção Respiratória).
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento por CID G430 depende da gravidade da crise e da necessidade de repouso. Em geral, para uma crise aguda, o atestado médico pode variar de 1 a 3 dias. Em casos de estado de mal enxaquecoso ou enxaqueca crônica descompensada, o afastamento pode ser de 5 a 7 dias, com necessidade de reavaliação. Pacientes que necessitam de profilaxia podem receber atestados mais longos para ajuste terapêutico. O médico deve avaliar a resposta ao tratamento e as condições de trabalho do paciente. Importante: o atestado deve conter o CID G430 para fins de justificativa. Lembrando que o uso excessivo de medicamentos pode levar a cefaleia rebote; por isso, o acompanhamento é essencial.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Procure atendimento de urgência se:
- Dor de cabeça súbita e intensa (cefaleia em trovoada)
- Primeira crise após os 50 anos ou em idosos
- Alteração do padrão habitual das crises
- Sinais neurológicos focais (fraqueza, dormência, alteração da fala)
- Crise com febre, rigidez de nuca ou confusão mental
- Trauma craniano recente
- Crise que não responde a medicações habituais
Esses sinais podem indicar condições graves como hemorragia subaracnóidea, meningite, AVC ou trombose venosa cerebral. O diagnóstico diferencial deve ser feito por um profissional, e o código G430 só deve ser aplicado após exclusão de causas secundárias.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da enxaqueca (CID G430) envolve:
- Manter um diário de cefaleia para identificar e evitar gatilhos
- Ter horários regulares de sono e refeições
- Praticar exercícios aeróbicos moderados (caminhada, natação, ioga)
- Gerenciar o estresse com técnicas de relaxamento
- Evitar jejum prolongado e consumo excessivo de cafeína ou álcool
- Usar medicamentos profiláticos conforme prescrição, sem interrupção abrupta
- Consultar o neurologista regularmente para ajuste do tratamento
O acompanhamento multidisciplinar (neurologista, fisioterapeuta, psicólogo) pode melhorar o controle das crises. Para dores nas costas associadas, veja CID M54 – Dorsalgia; para infecções urinárias recorrentes, CID N39 – Infecção Urinária.
- 01. Mantenha um diário de cefaleia por pelo menos 3 meses: anote data, horário, intensidade, duração, gatilhos e medicação usada. Isso ajuda seu médico a ajustar o tratamento.
- 02. Ao primeiro sinal de crise, tome a medicação abortiva o mais rápido possível – a janela de eficácia é de 30 a 60 minutos.
- 03. Não exceda o uso de analgésicos simples mais de 10 dias por mês, pois isso pode causar cefaleia por uso excessivo de medicamentos (rebote).
- 04. Se tiver 4 ou mais crises por mês, converse com seu médico sobre a necessidade de tratamento profilático – ele pode reduzir a frequência e a intensidade das crises.
- 05. Adote um estilo de vida regular: durma de 7 a 9 horas por noite, faça refeições em horários fixos, beba bastante água e pratique atividade física moderada.
Perguntas Frequentes sobre o CID G430
O CID G430 garante quantos dias de atestado?
Em média, o atestado para crise aguda de enxaqueca sem aura varia de 1 a 3 dias. Para casos mais graves, como estado de mal enxaquecoso, pode chegar a 5 ou 7 dias, a critério médico.
O CID G430 é considerado doença grave?
A enxaqueca (G430) não é considerada uma doença grave no sentido de risco imediato de vida, mas pode ser altamente incapacitante. A OMS a classifica como a sexta causa mais frequente de anos vividos com incapacidade (YLDs) no mundo.
Qual a diferença entre CID G430 e CID G431?
G430 é enxaqueca sem aura (sem sintomas neurológicos antes da dor). G431 é enxaqueca com aura, que apresenta sintomas visuais, sensoriais ou de fala que precedem a cefaleia.
Enxaqueca (CID G430) tem cura?
Não há cura definitiva, mas o tratamento adequado permite controlar as crises e reduzir sua frequência e intensidade. Muitos pacientes experimentam remissão espontânea com o passar dos anos.
O CID G430 pode ser usado em crianças?
Sim, a enxaqueca sem aura é comum em crianças, com critérios diagnósticos adaptados. A duração da crise em crianças pode ser de 1 a 72 horas. O tratamento deve ser ajustado pelo pediatra ou neurologista infantil.
Enxaqueca (CID G430) aumenta o risco de AVC?
Estudos mostram que a enxaqueca com aura (G431) está associada a um risco ligeiramente aumentado de AVC isquêmico, especialmente em mulheres jovens que fumam e usam anticoncepcionais orais. Para enxaqueca sem aura (G430), o risco é muito baixo, mas o controle dos fatores de risco cardiovascular é importante.
Quais exames são necessários para confirmar o CID G430?
Não há exame específico. O diagnóstico é clínico. Exames de imagem (TC ou RM) são solicitados apenas quando há suspeita de causa secundária ou sinais de alerta.
O estresse pode desencadear crises do CID G430?
Sim, o estresse é um dos gatilhos mais comuns para enxaqueca sem aura. Técnicas de relaxamento, meditação e terapia cognitivo-comportamental podem ajudar na prevenção.
Posso trabalhar durante uma crise de enxaqueca?
Depende da intensidade. Durante crises moderadas a fortes, a capacidade de concentração e produtividade é reduzida. O repouso em ambiente escuro e silencioso é recomendado. Muitos pacientes precisam de afastamento temporário.
Existe relação entre enxaqueca (CID G430) e depressão?
Sim, há comorbidade frequente. Pacientes com enxaqueca têm maior prevalência de depressão e ansiedade. O tratamento integrado (neurológico e psiquiátrico) melhora o prognóstico.
Quais medicamentos são mais usados no CID G430?
Para crise aguda: triptanos e analgésicos como Nimesulida, Amoxicilina (apenas se houver infecção associada) e Azitromicina (quando indicado). Para prevenção: propranolol, amitriptilina, topiramato.
O CID G430 pode ser usado em conjunto com outros CIDs?
Sim, é comum o paciente ter outros diagnósticos, como CID 010 – Tuberculose Pulmonar (raro), CID 083 ou CID 200. Cada condição deve ser tratada separadamente.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Para mais informações, consulte fontes confiáveis: CID G430 no CID10.com.br, MedlinePlus – Migraine, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Hospital Israelita Albert Einstein – Enxaqueca.
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