Estima-se que a síndrome do túnel do carpo (CID G560) afete cerca de 3 a 6% da população adulta mundial, sendo duas vezes mais comum em mulheres do que em homens. No Brasil, a condição é uma das principais causas de afastamento do trabalho por doenças osteomusculares, com pico de incidência entre 40 e 60 anos.
Introdução
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID G560 e quer saber o que significa? Esse código corresponde à Síndrome do Túnel do Carpo, uma condição que comprime o nervo mediano ao passar pelo punho, causando dormência, formigamento e dor nas mãos. Neste artigo completo, baseado em evidências científicas atuais e na prática clínica, você vai entender os sintomas, causas, tratamento e orientações práticas para lidar com esse problema tão comum.
- Código: G560
- Descrição: Síndrome do túnel do carpo
- Categoria: Capítulo VI – Doenças do sistema nervoso (G00-G99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: G560.0 – Síndrome do túnel do carpo bilateral; G560.1 – Síndrome do túnel do carpo unilateral à direita; G560.2 – Síndrome do túnel do carpo unilateral à esquerda; G560.3 – Síndrome do túnel do carpo em associação com outras condições; G560.8 – Outras formas; G560.9 – Não especificada.
Paciente: Sra. Mariana Alves, 52 anos, digitadora e analista administrativa.
Queixa principal: Dormência e formigamento nos dedos polegar, indicador e médio da mão direita, com piora à noite, há cerca de 4 meses. Também relata dificuldade para segurar objetos pequenos e sensação de “choque” ao movimentar o punho.
Avaliação clínica: Exame físico revelou sinal de Tinel positivo (percusão sobre o túnel do carpo reproduz parestesias) e sinal de Phalen positivo (flexão máxima do punho por 60 segundos desencadeia sintomas). A eletroneuromiografia (ENMG) confirmou neuropatia compressiva do nervo mediano à direita, com latência distal aumentada (5,2 ms; normal < 4,0 ms).
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID G560 — Síndrome do túnel do carpo unilateral à direita, grau moderado.
Conduta terapêutica: Orientação de repouso relativo e imobilização do punho com órtese neutra durante a noite por 6 semanas. Prescrição de anti-inflamatório não esteroidal (ibuprofeno 600 mg 12/12h por 10 dias) e fisioterapia com alongamentos e deslizamento de nervo mediano. Foi recomendada avaliação ergonômica do posto de trabalho e pausas ativas a cada 50 minutos. Em caso de persistência, discutiu-se infiltração local com corticóide ou cirurgia de descompressão.
Evolução: Após 8 semanas de tratamento conservador, Mariana apresentou melhora significativa: redução de 80% dos episódios noturnos de formigamento e retorno da força de preensão. O atestado médico inicial foi de 14 dias com possibilidade de prorrogação conforme reavaliação. Retornou ao trabalho com adaptações ergonômicas e realiza pausas regulares.
Lição clínica: A síndrome do túnel do carpo tem bom prognóstico quando diagnosticada precocemente e tratada de forma adequada. A combinação de imobilização, medicação e fisioterapia resolve a maioria dos casos leves a moderados, evitando a progressão para atrofia muscular e perda funcional permanente.
O que é o CID G560 na prática médica
O código CID G560 é a classificação internacional para a Síndrome do Túnel do Carpo (STC), uma neuropatia compressiva que afeta o nervo mediano em sua passagem pelo punho, através do túnel do carpo – um canal ósseo e ligamentar estreito. Esse nervo é responsável pela sensibilidade do polegar, indicador, médio e metade do anular, além de controlar alguns movimentos da mão, como a oposição do polegar.
Na prática clínica, esse código é utilizado por médicos de diferentes especialidades para registrar o diagnóstico em prontuários, atestados, solicitações de exames e guias de tratamento. A STC é uma condição extremamente comum, correspondendo a aproximadamente 40% de todas as neuropatias periféricas diagnosticadas. Estima-se que no Brasil cerca de 1 em cada 20 adultos desenvolva sintomas ao longo da vida, especialmente em faixas etárias produtivas, entre 40 e 60 anos.
O uso correto do CID G560 é essencial para o planejamento terapêutico, a concessão de afastamentos previdenciários e a análise de epidemiológica. A condição pode ser classificada como leve, moderada ou grave, de acordo com a eletroneuromiografia, e o tratamento varia conforme o grau de comprometimento.
Subcategorias e variantes do CID G560
O CID G560 apresenta subdivisões que permitem maior precisão diagnóstica. As principais subcategorias são:
- G560.0 – Síndrome do túnel do carpo bilateral: quando ambos os punhos são afetados, comum em atividades que exigem movimentos repetitivos com ambas as mãos.
- G560.1 – Síndrome do túnel do carpo unilateral à direita: mais frequente em destros devido ao maior uso da mão dominante.
- G560.2 – Síndrome do túnel do carpo unilateral à esquerda: menos comum, mas pode ocorrer em canhotos ou em casos de esforço unilateral.
- G560.3 – Síndrome do túnel do carpo associada a outras condições: como diabetes mellitus, hipotireoidismo, artrite reumatoide, gestação, obesidade ou traumas.
- G560.8 – Outras formas especificadas: inclui variantes atípicas ou associadas a anomalias anatômicas.
- G560.9 – Não especificada: usada quando o lado ou a lateralidade não é informada.
Essas subdivisões ajudam o médico a planejar o tratamento específico e a definir a necessidade de exames complementares. Por exemplo, na forma bilateral, deve-se investigar fatores sistêmicos como diabetes ou doenças da tireoide.
Vale destacar que o CID G560 não inclui outras compressões do nervo mediano em locais diferentes (como no antebraço, classificadas em outras categorias).
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas da Síndrome do Túnel do Carpo são característicos e geralmente progressivos. Os principais incluem:
- Dormência e formigamento (parestesias) nos dedos polegar, indicador, médio e na metade do anular. Muitas vezes o paciente descreve como “mão dormente” ou “agulhadas”.
- Dor noturna que acorda o paciente, com necessidade de “sacudir” a mão para aliviar.
- Alterações de sensibilidade – dificuldade para distinguir texturas ou temperaturas.
- Fraqueza na mão, especialmente na preensão de objetos pequenos (como fechar um pote, segurar um lápis ou abotoar uma camisa).
- Sensação de inchaço nas mãos, mesmo sem edema visível.
- Em estágios avançados, atrofia da região tenar (base do polegar) e perda de força permanente.
Os sintomas tendem a piorar com movimentos repetitivos do punho, atividades que exigem flexão ou extensão prolongada (como dirigir, digitar, usar ferramentas manuais) e à noite, devido à posição do punho durante o sono. Muitos pacientes relatam melhora temporária ao mover ou massagear a mão.
É importante diferenciar a STC de outras condições que causam sintomas semelhantes, como cervicalgia com radiculopatia (CID M54 ou CID G54), Síndrome do Desfiladeiro Torácico ou neuropatia periférica diabética.
Causas e fatores de risco
A causa principal da STC é o aumento da pressão dentro do túnel do carpo sobre o nervo mediano. Esse aumento pode ser decorrente de diversos fatores, isolados ou combinados:
- Movimentos repetitivos do punho e das mãos – comum em digitadores, operadores de caixa, músicos, costureiras, cozinheiros e trabalhadores da construção civil.
- Posturas inadequadas – flexão ou extensão extrema do punho por tempo prolongado.
- Condições sistêmicas – diabetes mellitus (aumenta em até 3 vezes o risco), hipotireoidismo, artrite reumatoide, obesidade, amiloidose e acromegalia.
- Gestante – até 50% das mulheres grávidas podem apresentar sintomas transitórios, especialmente no terceiro trimestre, devido a retenção hídrica e alterações hormonais.
- Traumas – fraturas de rádio distal, luxações do punho ou hematomas locais.
- Alterações anatômicas – tumores, cistos sinoviais, anomalias ósseas ou musculares.
- Idade e sexo – mais comum entre 40 e 60 anos e até 3 vezes mais frequente em mulheres.
Em muitos casos, não se identifica uma causa única, e a condição é classificada como idiopática. O reconhecimento dos fatores de risco é fundamental para a prevenção e o tratamento.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da Síndrome do Túnel do Carpo é essencialmente clínico, baseado na história e no exame físico, e pode ser confirmado por exames complementares. As etapas incluem:
- História clínica detalhada: o médico pergunta sobre os sintomas, sua localização, horário de piora, atividades profissionais e lazer, doenças prévias e medicamentos.
- Exame físico: testes provocativos como Tinel (percussão no trajeto do nervo mediano no punho) e Phalen (flexão mantida do punho). A sensibilidade e a força muscular são avaliadas.
- Eletroneuromiografia (ENMG): é o padrão-ouro para confirmar o diagnóstico e classificar a gravidade. Mede a velocidade de condução do nervo mediano e a atividade muscular. Ajuda a descartar outras neuropatias ou radiculopatias.
- Ultrassonografia do punho: pode medir a área de secção transversa do nervo mediano; valores acima de 10 mm² são sugestivos de STC.
- Ressonância magnética: indicada em casos atípicos ou suspeita de tumores/lesões ocupando espaço.
O diagnóstico precoce é fundamental para evitar a cronificação. A ENMG deve ser solicitada sempre que os sintomas forem moderados a graves, ou quando não houver resposta ao tratamento conservador inicial.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da STC é escalonado, variando de medidas conservadoras à cirurgia, dependendo da intensidade e duração dos sintomas. As opções incluem:
- Tratamento não cirúrgico (conservador):
- Imobilização do punho com órtese neutra (posição neutra) durante a noite e, se necessário, durante atividades de risco. É a principal medida para casos leves a moderados.
- Anti-inflamatórios não esteroidais (ibuprofeno, diclofenaco, naproxeno) por curto prazo para reduzir a inflamação local.
- Fisioterapia com alongamentos, mobilização do nervo mediano (deslizamento neural), fortalecimento de punho e orientação ergonômica.
- Infiltração local de corticóide (ex.: metilprednisolona) guiada por ultrassom – eficaz em até 70% dos casos, com alívio por semanas a meses. Pode ser repetida, mas com cautela para não danificar o nervo.
- Medidas ergonômicas: ajuste do posto de trabalho, pausas ativas, uso de suportes para punho.
- Tratamento cirúrgico: indicado quando não há resposta ao conservador após 6-12 semanas, ou em casos graves com atrofia muscular. A cirurgia de descompressão do túnel do carpo consiste na secção do ligamento transverso do carpo, liberando o nervo. Pode ser realizada por técnica aberta ou endoscópica. O sucesso é superior a 90%.
O tratamento deve ser individualizado. Pacientes com diabetes, gestantes ou com doenças sistêmicas associadas necessitam de abordagem multidisciplinar.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado para o CID G560 (Síndrome do Túnel do Carpo) depende da gravidade, do tipo de trabalho e da resposta ao tratamento. De forma geral:
- Casos leves a moderados (tratamento conservador): atestado de 7 a 14 dias iniciais, podendo ser prorrogado conforme reavaliação. Muitos pacientes conseguem retornar ao trabalho com restrições (evitar esforço repetitivo, uso de órtese) em até 30 dias.
- Casos graves ou pós-operatórios imediatos: após cirurgia de descompressão, o afastamento varia de 14 a 30 dias para atividades leves e de 30 a 60 dias para trabalhos que exigem força manual ou movimentos repetitivos. O retorno gradual é comum.
- Trabalhadores com exposição contínua: podem necessitar de afastamento prolongado (60 a 90 dias) com readaptação de função, mediante perícia médica do INSS, se enquadrado como doença ocupacional.
O médico deve avaliar cada caso individualmente e registrar no atestado o tempo necessário para a recuperação, considerando a atividade profissional e a evolução clínica. É fundamental que o paciente retorne para reavaliação antes do término do atestado.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Embora a STC seja geralmente crônica e progressiva, alguns sinais indicam a necessidade de avaliação médica imediata:
- Fraqueza súbita e intensa em uma das mãos, com incapacidade de segurar objetos.
- Perda completa da sensibilidade nos dedos envolvidos.
- Dor intensa e contínua que não melhora com analgésicos comuns.
- Atrofia visível da musculatura da base do polegar (região tenar) em poucas semanas.
- Sintomas bilaterais repentinos ou associados a sinais sistêmicos (febre, perda de peso, fraqueza generalizada).
- Piora rápida apesar do tratamento conservador adequado.
Além disso, pacientes com diabetes, doenças autoimunes ou gestantes devem ter acompanhamento regular, pois a progressão pode ser mais acelerada. A demora no tratamento pode levar a lesão nervosa irreversível.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da STC baseia-se na redução dos fatores de risco modificáveis e na adoção de hábitos saudáveis no trabalho e no dia a dia:
- Ergonomia no trabalho: manter o punho em posição neutra, usar apoio para o punho ao digitar, ajustar cadeira e mesa para evitar flexão ou extensão excessiva.
- Pausas ativas: realizar alongamentos de punho e mãos a cada 50-60 minutos de atividade repetitiva.
- Evitar movimentos repetitivos sem descanso; alternar tarefas sempre que possível.
- Controle de doenças sistêmicas: manter diabetes, hipotireoidismo e outras condições sob controle adequado.
- Manutenção do peso saudável, pois a obesidade aumenta a pressão no túnel do carpo.
- Fortalece muscular e alongamentos podem ser orientados por fisioterapeuta para prevenir recidivas.
Para quem já teve o diagnóstico, o seguimento com o médico é essencial para evitar recorrências ou piora. O uso de órtese noturna pode ser necessário por meses, especialmente se houver fatores ocupacionais persistentes.
- 01. Ao primeiro sinal de formigamento noturno nos dedos polegar e indicador, use uma órtese neutra para dormir – isso pode evitar a progressão e até reverter sintomas iniciais.
- 02. Se você trabalha com computador, ajuste o teclado e o mouse para que o punho fique numa linha reta com o antebraço; evite apoiar o punho em bordas duras.
- 03. Não ignore a “mão dormente” ao dirigir ou segurar o telefone. Essas posições pioram a compressão; faça pausas e mude a posição.
- 04. Se for gestante e apresentar sintomas, converse com seu obstetra – a maioria melhora após o parto, mas o uso de órtese noturna é seguro e eficaz.
- 05. Após a cirurgia de descompressão, siga rigorosamente a reabilitação: evite esforço por 4-6 semanas e faça fisioterapia para recuperar a força e a amplitude de movimento.
- 06. Cuidado com a automedicação: anti-inflamatórios podem aliviar, mas não tratam a causa. Consulte um médico para um plano adequado ao seu caso.
- 07. Mantenha controle de glicemia e tireoide em dia – condições metabólicas são fatores de risco importantes e podem ser tratadas para prevenir a STC.
Perguntas Frequentes sobre o CID G560
O CID G560 garante quantos dias de atestado?
O tempo de atestado varia conforme o caso. Para tratamento conservador, geralmente 7 a 14 dias iniciais; para casos cirúrgicos, de 14 a 60 dias, dependendo da função laboral. O médico responsável define o período, sempre reavaliando a evolução.
O CID G560 é considerado doença ocupacional?
Sim, pode ser reconhecida como doença ocupacional quando relacionada a atividades profissionais que envolvem movimentos repetitivos do punho e vibração, como digitação, montagem industrial ou uso de ferramentas manuais. Nesse caso, o trabalhador tem direito a benefícios previdenciários e estabilidade no emprego.
Qual a diferença entre CID G560 e CID G561?
O CID G560 é especificamente para Síndrome do Túnel do Carpo. Já o CID G561 corresponde a “Outras lesões do nervo mediano”, como compressões em outros locais (ex.: síndrome do pronador). A distinção é feita por exame clínico e eletroneuromiografia.
O CID G560 tem cura?
Sim, a síndrome do túnel do carpo tem tratamento eficaz. Casos leves podem se resolver com medidas conservadoras. Casos mais avançados frequentemente necessitam de cirurgia, que apresenta alta taxa de sucesso (acima de 90%) para alívio dos sintomas e recuperação funcional.
É possível ter CID G560 em ambas as mãos?
Sim, a forma bilateral (CID G560.0) é comum, especialmente em atividades que usam ambas as mãos simetricamente. O tratamento deve ser individualizado para cada lado, podendo ser necessário abordar uma mão de cada vez.
Quais exames são necessários para confirmar o CID G560?
O exame padrão-ouro é a eletroneuromiografia (ENMG). A ultrassonografia do punho também é útil para medir o diâmetro do nervo mediano. Exames de sangue (glicemia, hormônios tireoidianos) podem ser solicitados para investigar causas sistêmicas.
Gestantes com CID G560 podem tratar sem cirurgia?
Sim, o tratamento conservador é preferido na gestação: órtese noturna, fisioterapia e, se necessário, infiltração com corticóide segura para a mãe e o bebê. A maioria dos casos melhora espontaneamente após o parto. Cirurgia fica reservada para casos raros e graves.
O que significa CID G560 “não especificada”?
A subcategoria G560.9 é usada quando o médico registra o diagnóstico sem especificar o lado (direito, esquerdo ou bilateral) ou quando a informação está incompleta. É importante que o prontuário contenha o máximo de detalhes para orientar o tratamento.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Referências externas:
CID10.com.br – G560
MedlinePlus – Síndrome do túnel do carpo (espanhol)
Conselho Federal de Medicina – CFM
Biblioteca Virtual em Saúde – BVS
Hospital Israelita Albert Einstein – Guia de doenças
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