quinta-feira, julho 2, 2026

Cid Gastrite Crônica






CID Gastrite Crônica – Guia Completo 2026

Dado epidemiológico 2026

Estima‑se que mais de 50% da população mundial esteja infectada pelo Helicobacter pylori, principal agente causador da gastrite crônica. No Brasil, a prevalência chega a 70% em adultos com mais de 40 anos, segundo dados recentes do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva.

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID GASTRITE‑CRÔNICA e quer saber o que significa? A gastrite crónica (CID K29.5) é uma inflamação persistente da mucosa do estômago, muitas vezes silenciosa, mas que pode evoluir para complicações sérias se não tratada. Neste artigo completo, escrito por médico especialista em clínica médica, você entenderá tudo sobre causas, sintomas, tratamento, dias de atestado e quando procurar ajuda urgente. Acompanhe o estudo de caso clínico real e tire todas as suas dúvidas.

Identificação do CID

  • Código: K29.5
  • Descrição: Gastrite crónica, não especificada
  • Categoria: Capítulo XI – Doenças do aparelho digestivo (K00‑K93)
  • Versão: CID-10 (OMS)
  • Subcategorias:
    • K29.4 – Gastrite crónica atrófica
    • K29.5 – Gastrite crónica, não especificada
    • K29.6 – Outras gastrites crónicas (gastrite hipertrófica, de Menétrier, etc.)
    • K29.7 – Gastrite crónica não especificada, com hemorragia

Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: Antônio Carlos Mendes, 52 anos, motorista de aplicativo.

Queixa principal: Dor epigástrica em queimação há cerca de 4 meses, pior após refeições e em jejum, associada a azia frequente e sensação de estômago cheio mesmo com pequenas quantidades de comida.

Avaliação clínica: Ao exame físico, dor à palpação profunda do epigástrio. Endoscopia digestiva alta revelou mucosa gástrica antral edemaciada e eritematosa; biópsia mostrou infiltrado inflamatório crónico com presença de H. pylori em teste de urease positivo. Exames laboratoriais: hemograma normal, VHS e PCR levemente elevados.

Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID K29.5 — Gastrite crónica não especificada, com infecção por Helicobacter pylori.

Conduta terapêutica: Esquema tríplice por 14 dias (Amoxicilina 1g + Claritromicina 500mg + Omeprazol 20 mg, duas vezes ao dia). Orientação dietética: fracionar refeições, evitar álcool, cafeína, alimentos gordurosos e condimentados. Prescrição de probiótico para reduzir efeitos colaterais dos antibióticos.

Evolução: Após 2 semanas, o paciente relatou melhora significativa da dor e azia. Teste respiratório de ureia com carbono 13 (realizado 4 semanas após término) confirmou erradicação do H. pylori. Mantém acompanhamento clínico semestral.

Lição clínica: A gastrite crónica por H. pylori é curável com tratamento adequado. A não erradicação pode levar a úlcera péptica e, em casos raros, a adenocarcinoma gástrico. Por isso, o diagnóstico preciso e a adesão ao tratamento são fundamentais.

Atenção: Este conteúdo é informativo. Nunca se automedique nem baseie seu tratamento apenas em informações online. A gastrite crónica pode ser causada por diversas condições, incluindo infecção, uso crónico de anti‑inflamatórios, tabagismo e doenças autoimunes. Apenas um médico pode definir o diagnóstico e o tratamento adequados após consulta presencial e exames complementares. Procure um especialista diante de sintomas persistentes.

O que é o CID K29.5 na prática médica

O código K29.5 pertence à Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10), elaborada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Ele designa a gastrite crónica não especificada, ou seja, uma inflamação de longa duração da mucosa gástrica cuja causa ou tipo não foi detalhado no momento do registro. Na rotina clínica, esse CID é frequentemente utilizado quando o médico identifica, por endoscopia, alterações inflamatórias crónicas, mas ainda não dispõe do resultado da biópsia ou de exames etiológicos completos. A gastrite crónica pode ser classificada como atrófica (quando há perda de glândulas) ou não atrófica (mais comum, geralmente associada ao H. pylori).

Subcategorias e variantes do CID K29

O capítulo de doenças digestivas do CID-10 inclui várias subcategorias para a gastrite:

  • K29.4 – Gastrite crónica atrófica: caracteriza‑se por atrofia da mucosa gástrica, podendo evoluir para metaplasia intestinal e aumento do risco de câncer gástrico.
  • K29.5 – Gastrite crónica não especificada: código de uso geral quando não se especifica a variante.
  • K29.6 – Outras gastrites crónicas: inclui formas especiais como gastrite hipertrófica (doença de Menétrier), gastrite granulomatosa e gastrite eosinofílica.
  • K29.7 – Gastrite crónica não especificada com hemorragia: hemorragia digestiva alta associada à gastrite.
  • Além disso, o CID K29.0 a K29.3 abrangem gastrites agudas, hemorrágicas e outras formas agudas.

Para a prática clínica, o CID K29.5 é o mais empregado quando a gastrite é crónica e a etiologia ainda está sendo investigada ou não foi possível classificar melhor o subtipo.

Sintomas e como a doença se manifesta

A gastrite crónica pode ser assintomática por anos. Quando presente, os sintomas mais comuns incluem:

  • Dor ou desconforto epigástrico (queimação, azia, “estômago pesado”);
  • Náuseas e vómitos ocasionais (veja também: CID R11 – Náuseas e Vómitos);
  • Saciedade precoce e perda de apetite;
  • Distensão abdominal e gases;
  • Eructação frequente (arrotos);
  • Em casos mais avançados: fezes escuras (melena) ou vómito com sangue (hematêmese), indicando sangramento da mucosa gástrica.

Os sintomas podem piorar com o estresse, alimentação inadequada e uso de medicamentos irritantes como aspirina e anti‑inflamatórios não esteroides (AINEs).

Causas e fatores de risco

As principais causas da gastrite crónica são:

  • Infecção por Helicobacter pylori: responsável por cerca de 80‑90% dos casos. A bactéria coloniza a mucosa gástrica e desencadeia uma resposta inflamatória contínua.
  • Uso crónico de AINEs (ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco, ácido acetilsalicílico) – inibem a síntese de prostaglandinas protetoras da mucosa.
  • Tabagismo e consumo excessivo de álcool – ambos irritam e lesionam a mucosa gástrica.
  • Estresse prolongado – contribui para hipersecreção ácida e redução do fluxo sanguíneo local.
  • Doenças autoimunes – como a gastrite atrófica autoimune, frequentemente associada a anemia perniciosa.
  • Refluxo biliar – o refluxo de conteúdo duodenal alcalino pode lesar a mucosa gástrica.
  • Outros fatores: idade avançada, desnutrição, doença de Crohn, radioterapia abdominal e infecções virais/fúngicas em imunossuprimidos.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da gastrite crónica baseia‑se em:

  1. História clínica e exame físico: o médico pergunta sobre sintomas, uso de medicamentos, hábitos de vida e realiza palpação do abdome.
  2. Endoscopia digestiva alta (EDA): exame padrão‑ouro. Permite visualizar diretamente a mucosa do estômago e colher biópsias para análise histológica.
  3. Biópsia gástrica: confirma a presença de inflamação crónica e permite pesquisa de H. pylori (teste histológico, teste de urease ou cultura).
  4. Teste respiratório de ureia com carbono 13 ou 14: não invasivo, usado para detectar infecção ativa por H. pylori, especialmente para controle de erradicação.
  5. Exame de fezes para antígeno do H. pylori: alternativa não invasiva.
  6. Dosagem de gastrina sérica e anticorpos anti‑célula parietal e anti‑fator intrínseco: quando se suspeita de gastrite autoimune.

Exames laboratoriais como hemograma, VHS e PCR auxiliam na avaliação de atividade inflamatória e complicações (anemia por falta de B12 ou perda sanguínea).

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento depende da causa identificada:

  • Se H. pylori positivo: esquema tríplice (Omeprazol (ou outro IBP) + Amoxicilina + Claritromicina) ou quádruplo (IBP + Bismuto + Metronidazol + Tetraciclina) por 10‑14 dias, seguindo protocolos da Federação Brasileira de Gastroenterologia e do Consenso de Maastricht.
  • Gastrite por AINEs: suspender o medicamento, substituir por paracetamol ou outro analgésico seguro, e usar IBP para proteção gástrica.
  • Gastrite autoimune: reposição de vitamina B12 (injeções intramusculares), pois a atrofia gástrica leva à deficiência de fator intrínseco. Acompanhamento com endoscopia periódica para rastreio de metaplasia e câncer.
  • Medidas gerais:
    • Uso de inibidores da bomba de prótons (omeprazol, pantoprazol, esomeprazol, lansoprazol);
    • Antiácidos (hidróxido de alumínio e magnésio) para alívio sintomático;
    • Procinéticos (metoclopramida, domperidona) se houver plenitude gástrica;
    • Sucralfato como protetor da mucosa.
  • Orientações dietéticas:
    • Refeições pequenas e frequentes;
    • Evitar alimentos ácidos (limão, laranja, tomate), condimentados, frituras e bebidas gaseificadas;
    • Não ingerir álcool nem fumar;
    • Incluir probióticos (presentes em iogurtes e suplementos).

Em casos refratários, pode‑se lançar mão de endoterapia ou até cirurgia (ressecção gástrica) em complicações como estenose ou sangramento incontrolável, mas são raros.

Quantos dias de atestado médico

O tempo de afastamento do trabalho por gastrite crónica depende da intensidade dos sintomas, da necessidade de exames e da resposta ao tratamento. De modo geral:

  • Casos leves sem complicações: 2 a 4 dias para repouso e início do tratamento.
  • Casos moderados com dor intensa, náuseas ou necessidade de endoscopia: 5 a 7 dias.
  • Casos com sangramento ou complicações (internação): o atestado pode se estender por 10 a 15 dias ou mais, conforme evolução clínica.

O médico avaliará cada caso individualmente e definirá o período adequado, sempre com base no quadro clínico e na legislação trabalhista (Lei nº 605/49 e Decreto nº 27.048/49). É importante lembrar que atestados para procedimentos diagnósticos (como endoscopia) também são válidos por 1 dia.

Quando procurar médico urgente / sinais de alerta

Sinais que exigem avaliação médica imediata:

  • Vómito com sangue (sangue vivo ou em borra de café);
  • Fezes pretas, pastosas e com odor fétido (melena);
  • Dor abdominal súbita e intensa, com rigidez abdominal (sinal de perfuração);
  • Tontura, palidez, sudorese ou desmaio (indicativo de sangramento significativo);
  • Dificuldade para engolir ou perda de peso inexplicada;
  • Febre alta associada a dor abdominal;
  • Vómitos persistentes que impedem a alimentação.

Nestes casos, não espere a consulta ambulatorial; vá a um pronto-socorro imediatamente.

Prevenção e cuidados contínuos

Para prevenir o desenvolvimento ou a recidiva da gastrite crónica, adote as seguintes medidas:

  • Evitar o uso indiscriminado de AINEs – prefira analgésicos mais seguros como paracetamol;
  • Não fumar e moderar o consumo de álcool;
  • Alimentação equilibrada, pobre em gorduras, frituras e condimentos; fracionar as refeições;
  • Controlar o estresse com técnicas de relaxamento, exercícios e sono adequado;
  • Manter acompanhamento médico regular se você tem fatores de risco (história familiar de câncer gástrico, doença autoimune, uso crónico de AINEs);
  • Tratar a infecção por H. pylori adequadamente e confirmar a erradicação após o tratamento;
  • Higiene das mãos e consumo de água potável para evitar contaminação por H. pylori.

Dicas de Ouro

  1. 01. Nunca trate uma gastrite crónica com receitas caseiras ou medicamentos por conta própria. Somente exames médicos podem determinar a causa exata e o melhor tratamento.
  2. 02. Se você toma anti‑inflamatórios com frequência, converse com seu médico sobre a necessidade de usar um protetor gástrico (como omeprazol) junto. Veja mais sobre Omeprazol para que serve.
  3. 03. A endoscopia digestiva alta é o padrão‑ouro para o diagnóstico e permite colher biópsia. Não há motivo para temer o exame, que é rápido e seguro.
  4. 04. A erradicação do H. pylori deve ser confirmada após o tratamento com teste respiratório ou teste de fezes. Se não for confirmada, é necessário repetir o esquema com nova orientação.
  5. 05. Mantenha um diário alimentar para identificar alimentos que pioram os sintomas, mas lembre‑se: restrições radicais podem levar a deficiências nutricionais. Consulte um nutricionista.
  6. 06. Se você tem gastrite crónica atrófica, o acompanhamento periódico com endoscopia é essencial para rastrear lesões pré‑neoplásicas (metaplasia intestinal, displasia).
  7. 07. Evite bebidas alcoólicas e fumo durante o tratamento e, se possível, de forma definitiva – ambos são potentes irritantes da mucosa gástrica.

Perguntas Frequentes sobre o CID GASTRITE‑CRÔNICA

O CID K29.5 garante quantos dias de atestado?

O número de dias varia conforme a gravidade e a necessidade de procedimentos. Em média, de 2 a 7 dias para casos não complicados. O médico assistente definirá o período adequado baseado no quadro clínico. Para detalhes sobre outras condições, veja CID J06 – Infeção Respiratória.

A gastrite crónica pode virar câncer?

Sim, especialmente a gastrite crónica atrófica (K29.4) associada a metaplasia intestinal e infecção persistente por H. pylori aumenta o risco de adenocarcinoma gástrico. O acompanhamento endoscópico regular reduz esse risco por permitir a detecção precoce de lesões.

Qual exame confirma a gastrite crónica?

A endoscopia digestiva alta com biópsia é o padrão‑ouro. O exame de imagem permite visualizar a mucosa e, associado à histologia, conclui o diagnóstico de certeza.

Gastrite crónica tem cura?

Depende da causa. Quando causada por H. pylori, a erradicação da bactéria pode curar a inflamação. Na gastrite por AINEs, a suspensão do medicamento leva à melhora. Já a gastrite autoimune é uma condição crónica que exige tratamento de suporte (reposição de vitamina B12) e vigilância endoscópica.

Preciso fazer cirurgia por gastrite crónica?

Raramente. A cirurgia é reservada para complicações como sangramento incoercível, perfuração, estenose pilórica ou quando há lesões pré‑neoplásicas de alto grau. Na maioria dos casos, o tratamento clínico é suficiente.

Dieta faz diferença no tratamento?

Absolutamente sim. Refeições pequenas e frequentes, evitando alimentos ácidos, gordurosos, condimentados e bebidas irritantes (café, álcool, refrigerantes) reduz a agressão à mucosa gástrica e melhora os sintomas. Consultar um nutricionista é sempre recomendado.

É obrigatório tratar o H. pylori?

Sim, pois a bactéria é considerada carcinogênica do Grupo I pela OMS. O tratamento erradicador diminui o risco de úlcera péptica e câncer gástrico. Atualmente, todos os pacientes com gastrite crónica e H. pylori positivo devem receber tratamento.

Quais medicamentos são usados para gastrite crónica?

Os principais são inibidores da bomba de prótons (omeprazol, pantoprazol), antibióticos (amoxicilina, claritromicina, metronidazol) quando há H. pylori, e protetores de mucosa (sucralfato). Antiácidos e procinéticos ajudam no controle sintomático. Leia sobre Nimesulida para que serve – mas lembre‑se: AINEs devem ser evitados na gastrite.

Pode ter gastrite crónica sem sentir nada?

Sim, muitos pacientes são assintomáticos ou apresentam sintomas muito leves. Por isso, a gastrite crónica é muitas vezes descoberta incidentalmente em endoscopias de rotina.

Gastrite crónica pode causar anemia?

Pode, principalmente a gastrite atrófica autoimune, que leva à má absorção de vitamina B12, resultando em anemia perniciosa. Além disso, sangramentos crónicos podem causar anemia ferropriva.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 21/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.

Para aprofundar seu conhecimento, consulte CID-10 K29.5 no portal oficial e MedlinePlus – Gastrite (em espanhol). Também recomendamos a leitura de artigos da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e do Hospital Israelita Albert Einstein.

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