cid glaucoma






CID Glaucoma – Estudo de Caso Clínico


Dado epidemiológico 2026

O glaucoma é a segunda causa de cegueira evitável no mundo, afetando cerca de 80 milhões de pessoas em 2026. No Brasil, estima-se que 1,5 milhão de brasileiros convivam com a doença, sendo que metade desconhece o diagnóstico. O envelhecimento populacional e a maior expectativa de vida ampliam a urgência do rastreamento precoce.

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID GLAUCOMA e quer saber o que significa? O glaucoma é uma neuropatia óptica progressiva, frequentemente associada ao aumento da pressão intraocular (PIO). O código CID-10 para glaucoma é H40, que abrange diversas formas clínicas. Neste artigo, você entenderá os subtipos, sintomas, exames, tratamento, tempo de afastamento do trabalho e as respostas para as dúvidas mais comuns. Tudo explicado de forma clara e baseado nas melhores evidências.

Identificação do CID

  • Código: H40 (com subcategorias H40.0 a H40.9)
  • Descrição: Glaucoma (doença do nervo óptico com alterações típicas de campo visual e dano ao disco óptico)
  • Categoria: Capítulo VII – Doenças do olho e anexos (CID-10)
  • Versão: CID-10 (OMS)
  • Subcategorias principais: H40.0 (suspeita de glaucoma), H40.1 (glaucoma primário de ângulo aberto), H40.2 (glaucoma primário de ângulo fechado), H40.3 (glaucoma secundário), H40.4 (glaucoma de desenvolvimento), H40.5 (glaucoma pseudoexfoliativo), H40.6 (glaucoma pigmentar), H40.8 (outros glaucomas), H40.9 (glaucoma não especificado).

Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: Sr. Joaquim Alves, 68 anos, aposentado, natural de Fortaleza/CE.

Queixa principal: “Estou enxergando mal de lado e tropeçando em objetos. À noite parece que fico meio cego.”

Avaliação clínica: Acuidade visual 20/30 em ambos os olhos. Pressão intraocular (PIO) de 28 mmHg no olho direito e 26 mmHg no esquerdo (normal <21 mmHg). Fundoscopia revelou escavação do disco óptico de 0,8 em ambos os olhos. Campimetria computadorizada mostrou defeito arciforme superior no olho direito e escotoma nasal no esquerdo. Tomografia de coerência óptica (OCT) confirmou redução significativa da camada de fibras nervosas da retina.

Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID H40.1 (Glaucoma primário de ângulo aberto) – doença crônica e progressiva, sem sintomas iniciais, mas já causando danos visuais periféricos.

Conduta terapêutica: Foi prescrito colírio de latanoprosta 0,005% (análogo de prostaglandina) uma vez ao dia à noite e timolol 0,5% (beta-bloqueador) duas vezes ao dia. Orientação rigorosa sobre adesão e técnica de instilação. Agendamento de retorno em 4 semanas para reavaliação da PIO.

Evolução: Após 30 dias, a PIO reduziu para 17 mmHg no olho direito e 16 mmHg no esquerdo. O paciente relata melhora na adaptação noturna, mas a campimetria ainda mostra defeitos fixos (não reversíveis). Mantida mesma medicação. Recebeu atestado de 10 dias para adaptação e consultas iniciais.

Lição clínica: O glaucoma de ângulo aberto é silencioso até fases avançadas. Pacientes acima de 40 anos, especialmente com histórico familiar, devem realizar exames oftalmológicos anuais com medição da PIO e fundoscopia. O tratamento precoce preserva a visão central e a qualidade de vida.

Atenção: Este artigo é informativo e não substitui a consulta presencial. O glaucoma é uma doença grave que pode levar à cegueira irreversível. Nunca se automedique com colírios sem prescrição médica. Procure um oftalmologista imediatamente se apresentar dor ocular intensa, vermelhidão, visão embaçada ou halos coloridos ao redor de luzes.

O que é o CID H40 na prática médica

O código CID H40 classifica todas as formas de glaucoma, exceto o glaucoma congênito (classificado como CID Q15). Na prática, o médico utiliza a subcategoria mais específica para descrever o tipo exato. O glaucoma é caracterizado por dano progressivo ao nervo óptico, levando a perda de campo visual periférico e, se não tratado, perda da visão central. A pressão intraocular elevada é o principal fator de risco, mas pacientes com PIO normal também podem desenvolver a doença (glaucoma de pressão normal). O CID H40 é fundamental para comunicar o diagnóstico, solicitar exames, prescrever tratamento e emitir atestados médicos.

Subcategorias e variantes do CID H40

O CID-10 organiza o glaucoma em várias subcategorias:

  • H40.0 – Suspeita de glaucoma: PIO limítrofe (21-25 mmHg) sem dano ao nervo óptico ou alteração de campo visual; requer seguimento.
  • H40.1 – Glaucoma primário de ângulo aberto: Tipo mais comum, evolução lenta, geralmente assintomático no início.
  • H40.2 – Glaucoma primário de ângulo fechado: Crises agudas com dor intensa, náuseas, visão borrada; emergência médica.
  • H40.3 – Glaucoma secundário: Causado por outras doenças (diabetes, uveíte, trauma, uso de corticoides).
  • H40.4 – Glaucoma de desenvolvimento: Presente desde a infância ou adolescência, muitas vezes associado a anomalias congênitas.
  • H40.5 – Glaucoma pseudoexfoliativo: Acúmulo de material fibrilar no olho, comum em idosos.
  • H40.6 – Glaucoma pigmentar: Depósito de pigmento da íris no sistema de drenagem, mais frequente em homens jovens míopes.
  • H40.8 – Outros glaucomas especificados: Inclui glaucoma inflamatório, traumático, etc.
  • H40.9 – Glaucoma não especificado: Usado quando o tipo não é determinado.

O conhecimento dessas subcategorias ajuda no planejamento terapêutico e no prognóstico.

Sintomas e como a doença se manifesta

No glaucoma de ângulo aberto (H40.1), os sintomas são tardios: perda gradual da visão periférica (visão em túnel), dificuldade para enxergar em ambientes com pouca luz e aumento da sensibilidade ao ofuscamento. Muitos pacientes só percebem quando a visão central já está comprometida. Já no glaucoma de ângulo fechado (H40.2), os sintomas são agudos: dor ocular intensa, olho vermelho, visão embaçada, halos coloridos ao redor de luzes, náuseas e vômitos. Essa crise requer atendimento emergencial nas primeiras horas para evitar dano irreversível. Em crianças (H40.4), os sinais incluem olhos grandes, lacrimejamento excessivo, fotofobia e córnea opaca.

Causas e fatores de risco

O glaucoma é multifatorial. Os principais fatores de risco são:

  • Idade: acima de 60 anos (o risco aumenta exponencialmente).
  • Raça/etnia: afrodescendentes têm maior risco de glaucoma de ângulo aberto; asiáticos, de ângulo fechado.
  • História familiar: parentes de primeiro grau com glaucoma têm risco até 10 vezes maior.
  • Pressão intraocular elevada: principal fator modificável.
  • Miopia elevada: associada a glaucoma de ângulo aberto e pigmentar.
  • Diabetes, hipertensão arterial, hipotireoidismo, uso crônico de corticoides (tópicos, inalatórios ou sistêmicos).
  • Trauma ocular ou cirurgia prévia.

Compreender esses fatores permite ações preventivas e rastreamento em grupos de risco.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico do glaucoma é clínico e baseia-se em exames complementares. O médico oftalmologista realiza:

  • Tonometria: medição da PIO (normal 10-21 mmHg).
  • Fundoscopia: avaliação do disco óptico, relação escavação/disco (E/D) e presença de hemorragias.
  • Campimetria computadorizada: mapeia o campo visual, detectando defeitos periféricos.
  • Gonioscopia: exame do ângulo da câmara anterior para classificar o tipo (aberto ou fechado).
  • Tomografia de coerência óptica (OCT): mede a espessura da camada de fibras nervosas da retina e do complexo de células ganglionares.
  • Paquimetria: espessura corneana (influencia a medida da PIO).

O diagnóstico precoce é essencial para preservar a função visual.

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento visa reduzir a pressão intraocular para níveis que impeçam a progressão do dano. As opções incluem:

  • Clínicas: colírios hipotensores (prostaglandinas, beta-bloqueadores, agonistas alfa-2, inibidores da anidrase carbônica). A terapia combinada é frequente.
  • Laser: trabeculoplastia a laser (SLT) para melhorar a drenagem do humor aquoso; iridotomia no glaucoma de ângulo fechado.
  • Cirúrgicas: trabeculectomia (filtração) ou implantes de drenagem (válvulas) para casos avançados ou refratários.
  • Tratamento da causa base: suspensão de corticoides, controle de diabetes, etc.

O tratamento é contínuo e individualizado. O paciente deve ser monitorado regularmente para ajuste terapêutico.

Quantos dias de atestado médico

O tempo de afastamento depende do tipo de glaucoma, da gravidade e do procedimento realizado:

  • Crise aguda de glaucoma (H40.2): geralmente de 7 a 14 dias, devido à dor e necessidade de tratamento intensivo.
  • Cirurgia de glaucoma (trabeculectomia, implante de drenagem): de 15 a 30 dias, dependendo da evolução pós-operatória.
  • Tratamento clínico (colírios) sem cirurgia: não há necessidade de afastamento, mas o médico pode conceder alguns dias após a primeira consulta ou sessão de laser (ex.: SLT – 1 a 3 dias).
  • Glaucoma avançado com baixa visão: pode requerer readaptação profissional ou aposentadoria por invalidez (avaliação pericial).

O atestado deve ser emitido pelo médico assistente com o CID específico (ex.: H40.1) e o tempo justificado. Em geral, para procedimentos cirúrgicos, o período varia entre 2 e 4 semanas. Consulte seu médico para orientação individualizada.

Quando procurar médico urgente / sinais de alerta

Sinais de alerta que exigem atendimento oftalmológico imediato:

  • Dor ocular súbita e intensa, especialmente unilateral.
  • Olho vermelho com visão embaçada.
  • Halos coloridos ao redor de luzes.
  • Náuseas e vômitos associados a dor ocular.
  • Perda súbita ou progressiva rápida da visão.
  • Trauma ocular com suspeita de glaucoma secundário.

Nessas situações, procure um pronto-socorro oftalmológico. A demora pode levar a dano irreversível do nervo óptico.

Prevenção e cuidados contínuos

Embora não seja possível evitar todos os casos de glaucoma, medidas preventivas reduzem o risco de perda visual:

  • Realizar exame oftalmológico completo anualmente a partir dos 40 anos (ou antes, se fatores de risco).
  • Controlar doenças crônicas (diabetes, hipertensão).
  • Evitar uso indiscriminado de colírios com corticoides sem prescrição.
  • Usar óculos de proteção em atividades de risco (esportes, trabalho).
  • Adesão rigorosa ao tratamento prescrito, mesmo sem sintomas.
  • Manter consultas de seguimento para ajuste terapêutico e monitoramento.
  • Informar familiares de primeiro grau sobre a necessidade de rastreamento.

Dicas de Ouro

  1. 01. Faça exames oftalmológicos completos anualmente após os 40 anos – o glaucoma pode começar silenciosamente.
  2. 02. Use os colírios exatamente como prescrito, mesmo que não sinta nada; a adesão é o principal fator de sucesso.
  3. 03. Pergunte ao seu oftalmologista sobre a técnica de instilação (pausa lacrimal, intervalo entre colírios) para maximizar a eficácia e minimizar efeitos colaterais.
  4. 04. Mantenha uma lista atualizada de seus medicamentos e compartilhe com todos os médicos – alguns remédios podem elevar a PIO.
  5. 05. Em caso de crise aguda (dor intensa, olho vermelho, halos), vá ao pronto-socorro oftalmológico imediatamente – o tempo é visão.
  6. 06. Converse com sua família sobre o diagnóstico; parentes de primeiro grau devem ser rastreados o quanto antes.

Perguntas Frequentes sobre o CID Glaucoma

O CID H40 garante quantos dias de atestado?

Não há um número fixo. Para crises agudas (H40.2), geralmente 7 a 14 dias. Para cirurgias, de 15 a 30 dias. O médico avalia cada caso. Na fase crônica controlada, não há necessidade de afastamento, mas o paciente pode precisar de dias para consultas e exames.

Qual a diferença entre H40.1 e H40.2?

H40.1 é o glaucoma primário de ângulo aberto (crônico, progressão lenta). H40.2 é o glaucoma primário de ângulo fechado (crise aguda, emergência). O tratamento e o prognóstico são distintos: o primeiro é clínico e cirúrgico eletivo; o segundo exige intervenção imediata com iridotomia a laser.

O glaucoma tem cura?

Não. O glaucoma é uma doença crônica e progressiva. O tratamento controla a pressão intraocular e retarda ou interrompe a perda visual, mas o dano já instalado é irreversível. Por isso o diagnóstico precoce é fundamental.

Posso dirigir com glaucoma?

Sim, desde que a acuidade visual e o campo visual estejam dentro dos limites exigidos pelo Contran (Código de Trânsito Brasileiro). Em casos avançados, pode haver restrições. É obrigatório informar ao médico e ao DETRAN. Pacientes com perda significativa de campo periférico devem evitar dirigir à noite ou em condições de baixa luminosidade.

O CID H40 é considerado deficiência (PCD)?

Sim, quando o glaucoma leva a baixa visão severa ou cegueira. A avaliação é feita por perícia médica (INSS ou serviço de saúde). O código mais comum nesses casos é H54 (cegueira e baixa visão). O glaucoma é uma das causas, mas o grau de comprometimento define o benefício.

Quais exames são obrigatórios para confirmar o glaucoma?

Tonometria (PIO), fundoscopia, campimetria computadorizada e, idealmente, OCT de disco óptico e camada de fibras nervosas. Gonioscopia é essencial para classificar o tipo e orientar o tratamento.

O glaucoma é hereditário?

Sim, há forte componente genético. Familiares de primeiro grau de pacientes com glaucoma têm risco aumentado (4 a 10 vezes). Recomenda-se rastreamento a partir dos 30-40 anos nesse grupo.

Existe relação entre glaucoma e diabetes?

Sim. O diabetes aumenta o risco de glaucoma secundário (neovascular) e também pode estar associado ao glaucoma primário de ângulo aberto. O mau controle glicêmico também pode agravar a progressão. Pacientes diabéticos devem fazer exames oftalmológicos regulares.

O tratamento com colírios é para toda a vida?

Sim. Na grande maioria dos casos, o tratamento é crônico e contínuo. Interromper os colírios sem orientação médica pode levar a aumento da PIO e progressão do dano. Exames periódicos permitem ajustes na medicação ao longo do tempo.

O CID H40 pode ser usado em atestado para cirurgia de catarata?

Não diretamente. O CID para catarata é H25/H26. Se o paciente tem glaucoma associado, ambos os códigos podem ser registrados. O tempo de atestado para facoemulsificação (cirurgia de catarata) é geralmente de 7 a 14 dias, dependendo da técnica e da presença de glaucoma.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 21/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.

Links externos de referência:
CID-10 H40 – cid10.com.br
MedlinePlus – Glaucoma
Hospital Israelita Albert Einstein – Glaucoma

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