sábado, junho 27, 2026

Cid Gordura no Fígado






Cid Gordura no Fígado

Dado epidemiológico 2026

Estima-se que cerca de 30% da população adulta mundial apresenta esteatose hepática não alcoólica (CID K76.0). No Brasil, a doença já atinge aproximadamente 35% dos adultos, sendo a principal causa de elevação crônica das enzimas hepáticas. Projeções para 2026 indicam aumento de 20% nos casos devido ao crescimento da obesidade e do diabetes tipo 2.

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID GORDURA NO FÍGADO e quer saber o que significa? Este código se refere à esteatose hepática, condição caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura nas células do fígado. Pode ser alcoólica ou não alcoólica (a mais comum). Neste artigo, você vai entender causas, sintomas, tratamento e quantos dias de atestado são indicados.

Identificação do CID

  • Código: K76.0
  • Descrição: Doença hepática gordurosa, não alcoólica (esteatose hepática não alcoólica – NAFLD)
  • Categoria: Capítulo XI – Doenças do aparelho digestivo (CID-10)
  • Versão: CID-10 (OMS)
  • Subcategorias: K70.0 (doença hepática alcoólica gordurosa); K76.0 (não alcoólica); K75.8 (esteato-hepatite não alcoólica – NASH, quando há inflamação)

Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: Carlos Eduardo Silva, 45 anos, motorista de aplicativo

Queixa principal: Cansaço excessivo, desconforto no lado direito do abdômen e exames de rotina com enzimas hepáticas elevadas (AST 78 U/L, ALT 92 U/L).

Avaliação clínica: IMC 31 kg/m² (obesidade grau I), circunferência abdominal 108 cm. Ultrassom abdominal revelou fígado difusamente hiperecogênico, sugestivo de esteatose hepática grau II. Exames sorológicos para hepatites virais negativos. Consumo de álbergue: 2 latas de cerveja aos finais de semana (não considerado uso pesado).

Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID K76.0 — Doença hepática gordurosa não alcoólica (NAFLD) com esteatose moderada e elevação de transaminases, sem sinais de fibrose avançada (elastografia hepática: 5,2 kPa).

Conduta terapêutica: Orientação nutricional com redução de 500 kcal/dia, dieta low-carb (menos de 50g de carboidratos refinados/dia), prática de caminhada 30 min/dia, 5x/semana. Prescrito vitamina E 800 UI/dia e metformina 850 mg 2x/dia (devido à resistência insulínica associada). Atestado médico de 7 dias para readequação alimentar e repouso relativo.

Evolução: Após 12 semanas, Carlos perdeu 8 kg (peso inicial 98 kg), AST e AST normalizaram (AST 28, ALT 32). Ultrassom de controle mostrou redução significativa da ecogenicidade hepática. Relata melhora da disposição e desaparecimento do desconforto abdominal.

Lição clínica: Esteatose hepática não alcoólica é reversível com mudanças de estilo de vida. A identificação precoce evita progressão para esteato-hepatite (NASH) e cirrose.

Atenção: A gordura no fígado muitas vezes não causa sintomas iniciais. O diagnóstico é frequentemente incidental em exames de imagem ou laboratoriais. Não ignore exames alterados. Procure um médico para avaliação completa e não se automedique. A progressão silenciosa para fibrose e cirrose pode ocorrer em 10-20% dos casos.

O que é o CID K76.0 na prática médica

O CID K76.0 corresponde à doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA ou NAFLD, do inglês Non-Alcoholic Fatty Liver Disease). Trata-se do acúmulo de triglicerídeos nos hepatócitos que ultrapassa 5% do peso do fígado, na ausência de consumo significativo de álcool (menos de 20g/dia para mulheres e 30g/dia para homens). É a principal causa de hepatopatia crônica no mundo, afetando pessoas de todas as idades, com pico entre 40-60 anos. Está fortemente associada à síndrome metabólica: obesidade, diabetes tipo 2, dislipidemia e hipertensão arterial.

Subcategorias e variantes do CID K76.0

Embora o código principal seja K76.0, a classificação inclui variantes importantes:

  • K70.0 – Doença hepática alcoólica gordurosa (esteatose alcoólica) – uso excessivo de álcool.
  • K75.8 – Esteato-hepatite não alcoólica (NASH) – quando há inflamação e dano hepatocelular, podendo evoluir para fibrose.
  • K76.0 – Esteatose simples (gordura sem inflamação significativa).
  • K74.0-K74.6 – Fibrose e cirrose hepática (estágios avançados da doença).

Na prática clínica, o médico pode especificar o grau (leve/moderado/grave) e a presença de fibrose (F0-F4) através de exames complementares.

Sintomas e como a doença se manifesta

A maioria dos pacientes com gordura no fígado é assintomática. Quando aparecem, os sintomas são inespecíficos:

  • Fadiga crônica e cansaço fácil
  • Desconforto ou dor no hipocôndrio direito (sensação de peso)
  • Hepatomegalia (fígado aumentado) ao exame físico
  • Níveis elevados de ALT e AST em exames de rotina (relação AST/ALT geralmente < 1 na NAFLD)
  • Aumento da GGT (gama-glutamil transferase) – pode estar elevada tanto na forma alcoólica quanto não alcoólica
  • Em casos avançados: icterícia, ascite, varizes esofágicas, encefalopatia hepática

É fundamental lembrar que a ausência de sintomas não exclui a doença. Exames periódicos são essenciais, especialmente em grupos de risco.

Causas e fatores de risco

A principal causa da NAFLD é o excesso de calorias aliado ao sedentarismo, levando ao acúmulo de gordura visceral e resistência insulínica. Fatores de risco específicos:

  • Obesidade: IMC ≥ 30 kg/m² aumenta em 4-5 vezes o risco.
  • Diabetes tipo 2: 60-70% dos diabéticos tipo 2 têm NAFLD.
  • Dislipidemia: triglicerídeos elevados e HDL baixo.
  • Hipertensão arterial
  • Síndrome do ovário policístico (SOP)
  • Hipotiroidismo
  • Apneia obstrutiva do sono
  • Dieta rica em frutose e carboidratos refinados
  • Genética: variantes no gene PNPLA3 aumentam a suscetibilidade.

Já a esteatose alcoólica (K70.0) decorre do consumo crônico de álcool (> 30g/dia para homens, > 20g/dia para mulheres).

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da gordura no fígado segue etapas:

  1. História clínica e exame físico: investigação de consumo de álcool, medicamentos, sintomas e fatores de risco.
  2. Exames laboratoriais: hemograma, ALT, AST, GGT, fosfatase alcalina, bilirrubinas, perfil lipídico, glicemia de jejum, hemoglobina glicada (HbA1c).
  3. Exames de imagem: ultrassonografia abdominal (primeira linha – acurácia > 90% para esteatose moderada a grave). A tomografia e a ressonância magnética são mais precisas para quantificação.
  4. Elastografia hepática (FibroScan): mede a rigidez do fígado, estimando fibrose (F0 sem fibrose até F4 cirrose). Essencial para estadiamento.
  5. Biópsia hepática: padrão-ouro, mas reservada para casos de dúvida diagnóstica ou quando há suspeita de NASH com fibrose significativa (geralmente F≥2).

Em 2025-2026, novos biomarcadores sanguíneos (como o teste NIS4) têm sido utilizados para identificar NASH sem biópsia.

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento da NAFLD baseia-se em três pilares:

  1. Mudança do estilo de vida (primeira linha):
    • Perda de peso ≥ 7-10% do peso corporal – reduz a esteatose e a inflamação.
    • Dieta mediterrânea ou low-carb hipocalórica (redução de carboidratos refinados e frutose).
    • Atividade física aeróbica ≥ 150 minutos/semana + exercícios resistidos.
  2. Medicamentos (para casos selecionados):
    • Vitamina E (800 UI/dia) – indicada para NASH confirmada por biópsia (não recomendada em diabéticos ou cirróticos).
    • Metformina – reduz resistência insulínica e pode auxiliar na perda de peso, mas não tem efeito direto na histologia hepática.
    • Pioglitazona (agonista PPAR-gama) – melhora esteatose e inflamação, mas causa ganho de peso.
    • Análogos do GLP-1 (liraglutida, semaglutida) – promovem perda de peso e melhoram transaminases.
    • Ácidos graxos ômega-3 – reduzem triglicerídeos, mas evidências na NAFLD são modestas.
    • NOVOS (2025/2026): Obeticholic acid (agonista FXR) e tropifexor (em estudo) – podem ser opções para NASH com fibrose.
  3. Cirurgia bariátrica: indicada para obesidade grave (IMC ≥ 40 ou ≥ 35 com comorbidades) refratária ao tratamento clínico. A melhora da NAFLD/NASH é significativa após o procedimento.

Controle rigoroso de diabetes, hipertensão e dislipidemia é mandatório.

Quantos dias de atestado médico

O período de afastamento depende da gravidade e das comorbidades:

  • Esteatose simples (K76.0): geralmente 3 a 7 dias para início da reabilitação e orientações iniciais.
  • NASH ou com fibrose (K75.8): 7 a 14 dias, especialmente se houver sintomas como fadiga intensa ou dor abdominal.
  • Exacerbação aguda ou hospitalização: de 15 a 30 dias.
  • Pós-operatório de cirurgia bariátrica: 30 a 60 dias, conforme evolução.

Médicos do trabalho podem conceder atestados complementares para acompanhamento multidisciplinar (nutricionista, endocrinologista). É importante que o paciente não retorne ao trabalho sem condições de manter as mudanças de estilo de vida.

Quando procurar médico urgente / sinais de alerta

Embora a NAFLD seja geralmente indolor, existem situações que exigem avaliação imediata:

  • Icterícia (olhos e pele amarelados)
  • Urina escura (cor de coca-cola) e fezes claras
  • Dor abdominal intensa e persistente no quadrante superior direito
  • Náuseas e vômitos incoercíveis
  • Inchaço abdominal (ascite) ou edema nos membros inferiores
  • Sangramentos gengivais, hematomas espontâneos ou vômito com sangue
  • Confusão mental, sonolência excessiva ou alteração do comportamento (sinais de encefalopatia hepática)

Esses sintomas podem indicar progressão para cirrose descompensada ou hepatite aguda.

Prevenção e cuidados contínuos

A prevenção da gordura no fígado foca no controle metabólico:

  • Manter peso saudável (IMC entre 18,5-24,9 kg/m²).
  • Praticar exercícios físicos regularmente (mínimo 150 minutos/semana).
  • Alimentação equilibrada: priorizar vegetais, frutas, grãos integrais, proteínas magras e gorduras boas (azeite, abacate, castanhas). Evitar bebidas açucaradas, fast food e carboidratos refinados.
  • Controlar diabetes, hipertensão e colesterol.
  • Evitar consumo excessivo de álcool (mesmo pequenas quantidades podem agravar a NAFLD).
  • Não usar medicamentos hepatotóxicos sem supervisão (ex: paracetamol em altas doses, alguns anti-inflamatórios).
  • Vacinação contra hepatite A e B (reduz risco de hepatite aguda sobre fígado já comprometido).
  • Realizar exames periódicos: ultrassom abdominal a cada 2 anos para grupos de risco, ou anualmente se já houver diagnóstico de esteatose.

Com acompanhamento adequado, a reversão da esteatose é possível em até 90% dos casos com perda de peso suficiente.

Dicas de Ouro

  1. 01. Perder 7-10% do peso corporal é a intervenção mais eficaz para reduzir a gordura no fígado.
  2. 02. Elimine bebidas açucaradas e frutose concentrada (refrigerantes, sucos artificiais, xaropes) – são grandes vilãs para o fígado gorduroso.
  3. 03. Não ignore a elevação de transaminases mesmo sem sintomas; solicite ultrassom e elastografia hepática para estadiamento.
  4. 04. Consulte um nutricionista especializado em doenças hepáticas para um plano alimentar personalizado.
  5. 05. Associe exercícios aeróbicos e de resistência – ambos têm benefícios sinérgicos na redução da gordura hepática.
  6. 06. Evite álcool completamente se você já tem diagnóstico de NAFLD, especialmente se houver elevação de enzimas.

Perguntas Frequentes sobre o CID Gordura no Fígado

O CID K76.0 garante quantos dias de atestado?

O atestado varia de 3 a 14 dias conforme a gravidade. Para esteatose simples sem sintomas, geralmente 3-7 dias. Para NASH com fadiga intensa, 7-14 dias. Casos com hospitalização podem exigir 15-30 dias.

Gordura no fígado tem cura?

Sim, a esteatose simples (K76.0) é reversível com perda de peso e mudanças de estilo de vida. A fibrose instaurada (estágios F2-F4) pode ser estabilizada, mas a reversão completa da cirrose é rara.

Quais exames detectam gordura no fígado?

Ultrassom abdominal (primeira linha), elastografia hepática (FibroScan), ressonância magnética (quantificação precisa) e, em casos selecionados, biópsia hepática.

O CID K76.0 é grave?

Na maioria dos casos não é grave, mas pode progredir para esteato-hepatite (NASH), fibrose e cirrose em 10-20% dos pacientes. O risco aumenta com obesidade, diabetes e sedentarismo.

Preciso tomar remédios para gordura no fígado?

Nem sempre. O tratamento de primeira linha é mudança de estilo de vida. Medicamentos como vitamina E, metformina ou análogos do GLP-1 são reservados para NASH confirmada ou fibrose significativa.

Posso consumir álcool se tenho gordura no fígado?

O ideal é evitar completamente o álcool, pois mesmo pequenas quantidades podem agravar a esteatose e acelerar a fibrose. Consulte seu médico para orientação individualizada.

Gordura no fígado causa câncer?

Sim, a NAFLD associada à fibrose avançada (cirrose) aumenta o risco de carcinoma hepatocelular (CHC). Pacientes com NASH e fibrose F3-F4 devem fazer rastreamento com ultrassom a cada 6-12 meses.

Qual a diferença entre K76.0 e K70.0?

K76.0 é a doença hepática gordurosa não alcoólica (NAFLD), sem relação com álcool. K70.0 é a esteatose alcoólica, causada por consumo excessivo de álcool. O manejo e o prognóstico diferem.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 21/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.

Leia mais sobre esteatose hepática:
CID K76.0 no CID10.com.br |
MedlinePlus – Fatty Liver Disease (em espanhol) |
BVS – Biblioteca Virtual em Saúde

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