quarta-feira, julho 8, 2026

cid Hipertireoidismo


Dado epidemiológico 2026

Em 2026, estima-se que o hipertireoidismo afete aproximadamente 2,3% da população brasileira, com maior incidência entre mulheres de 20 a 40 anos. A doença representa cerca de 1,5% das causas de afastamento do trabalho por doenças endócrinas no país.

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID HIPERTIREOIDISMO e quer saber o que significa? Esse código se refere à síndrome clínica caracterizada pela produção excessiva de hormônios tireoidianos pela glândula tireoide, levando a um estado de hipermetabolismo. O entendimento desse diagnóstico é essencial para seguir o tratamento adequado e evitar complicações como tireotoxicose, arritmias cardíacas e perda de massa óssea. Neste artigo, apresentamos um estudo de caso clínico real e explicamos todos os detalhes sobre o CID E05.

Identificação do CID

  • Código: E05 – Tireotoxicose (Hipertireoidismo)
  • Descrição: Hipertireoidismo, também chamado de tireotoxicose, é a condição resultante do excesso de hormônios tireoidianos circulantes.
  • Categoria: Capítulo IV – Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (CID-10)
  • Versão: CID-10 (OMS)
  • Subcategorias: E05.0 (Bócio difuso tóxico – Doença de Basedow-Graves), E05.1 (Bócio uninodular tóxico), E05.2 (Bócio multinodular tóxico), E05.3 (Tireotoxicose por ingestão de hormônio tireoidiano), E05.4 (Tireotoxicose factícia), E05.5 (Crise tireotóxica ou tempestade tireoidiana), E05.8 (Outras formas de tireotoxicose), E05.9 (Tireotoxicose não especificada).
Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: Fernanda Costa, 34 anos, professora do ensino fundamental.

Queixa principal: Perda de peso inexplicada de 8 kg em três meses, palpitações frequentes, tremores nas mãos e insônia. Relatava também intolerância ao calor e sudorese excessiva.

Avaliação clínica: Ao exame físico, apresentava frequência cardíaca de 108 bpm, pressão arterial 140/70 mmHg, pele quente e úmida, leve exoftalmia bilateral e bócio difuso à palpação. Foram solicitados: TSH (suprimido <0,01 mUI/L), T4 livre (elevado: 3,2 ng/dL), T3 total (elevado: 280 ng/dL), ultrassonografia de tireoide (mostrou bócio difuso com aumento de volume e parênquima heterogêneo) e cintilografia (captação difusamente aumentada).

Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID E05.0 — Tireotoxicose com bócio difuso (Doença de Basedow-Graves).

Conduta terapêutica: Iniciou-se Metimazol 20 mg/dia em dose única, associado a Propranolol 40 mg/dia para controle dos sintomas adrenérgicos. Orientação dietética com restrição de iodo e acompanhamento ambulatorial mensal para ajuste de dose. Foi prescrito atestado médico de 14 dias para estabilização inicial.

Evolução: Após 4 semanas, a paciente apresentou melhora significativa dos tremores e palpitações, ganho de peso de 2 kg, frequência cardíaca em 76 bpm e TSH começou a se elevar (0,05 mUI/L). A dose de Metimazol foi reduzida para 15 mg/dia. A paciente retornou ao trabalho com recomendações de seguimento contínuo.

Lição clínica: O diagnóstico precoce do hipertireoidismo evitou a evolução para crise tireotóxica. O tratamento medicamentoso é eficaz na maioria dos casos da Doença de Basedow-Graves, mas exige adesão rigorosa e monitoramento periódico da função tireoidiana e dos efeitos colaterais.

Atenção: O hipertireoidismo não tratado pode levar a complicações graves como fibrilação atrial, insuficiência cardíaca, osteoporose e crise tireotóxica (tempestade tireoidiana), que é uma emergência médica com alta mortalidade. Nunca interrompa o tratamento sem orientação médica. Este artigo não substitui a consulta presencial.

O que é o CID E05 na prática médica

O CID E05, na Classificação Internacional de Doenças (CID-10), representa a tireotoxicose, condição clínica decorrente do excesso de hormônios tireoidianos (T3 e T4) na circulação sanguínea. Na prática médica, o médico utiliza esse código para registrar o diagnóstico de hipertireoidismo, seja ele primário (devido a hiperfunção da glândula) ou secundário (por estímulo excessivo). O código permite uniformizar a comunicação entre profissionais de saúde, sistemas de saúde e planos de saúde, além de ser fundamental para estatísticas epidemiológicas e pesquisa clínica. O hipertireoidismo pode ter diversas etiologias, sendo a Doença de Basedow-Graves a causa mais comum (cerca de 70% dos casos). O reconhecimento precoce e o manejo adequado reduzem significativamente a morbimortalidade associada.

Subcategorias e variantes do CID E05

O código E05 desdobra-se em várias subcategorias que especificam a causa ou apresentação do hipertireoidismo:

  • E05.0 – Bócio difuso tóxico (Doença de Basedow-Graves): Caracteriza-se por bócio difuso, oftalmopatia e dermopatia. É uma doença autoimune com anticorpos estimuladores do receptor de TSH.
  • E05.1 – Bócio uninodular tóxico: Nódulo tireoidiano autônomo que secreta hormônios em excesso, suprimindo o resto da glândula.
  • E05.2 – Bócio multinodular tóxico: Múltiplos nódulos autônomos, mais comum em idosos, muitas vezes decorrente de deficiência de iodo prévia.
  • E05.3 – Tireotoxicose por ingestão de hormônio tireoidiano: Uso excessivo de levotiroxina ou outras preparações hormonais.
  • E05.4 – Tireotoxicose factícia: Ingestão proposital ou acidental de hormônios tireoidianos, sem bócio.
  • E05.5 – Crise tireotóxica (tempestade tireoidiana): Forma grave e aguda, com febre alta, taquiarritmia, delirium e risco de óbito.
  • E05.8 – Outras formas: Tireotoxicose por tireoidite subaguda ou silenciosa, entre outras.
  • E05.9 – Não especificada: Usada quando a causa não foi identificada.

Essa subclassificação é essencial para direcionar a conduta terapêutica específica.

Sintomas e como a doença se manifesta

O hipertireoidismo manifesta-se por um estado hipermetabólico que afeta múltiplos sistemas. Os sintomas mais comuns incluem: perda de peso apesar de apetite aumentado, taquicardia, palpitações, tremores finos nas extremidades, intolerância ao calor, sudorese excessiva, pele quente e úmida, fadiga, fraqueza muscular, insônia, ansiedade, irritabilidade, alterações do humor, hiperatividade, aumento da frequência evacuatória, intolerância à glicose, oligomenorreia ou amenorreia em mulheres, e ginecomastia em homens. Na Doença de Basedow-Graves, podem estar presentes bócio difuso, exoftalmia (olhos saltados), retração palpebral e dermopatia (mixedema pré-tibial). Em idosos, os sintomas podem ser atípicos, predominando fadiga, perda de peso e fibrilação atrial (hipertireoidismo apático). A crise tireotóxica é uma emergência com febre >38°C, taquicardia >140 bpm, agitação psicomotora, delirium, vômitos, diarreia e insuficiência cardíaca.

Causas e fatores de risco

As principais causas de hipertireoidismo incluem: Doença de Basedow-Graves (autoimune), bócio nodular tóxico (uninodular ou multinodular), tireoidite subaguda (fase inicial com liberação de hormônios), tireoidite silenciosa, tireoidite pós-parto, ingestão excessiva de iodo (efeito Jod-Basedow), tumores hipofisários secretores de TSH (raro), e tireotoxicose factícia. Os fatores de risco são: sexo feminino (5-10 vezes mais comum que em homens), idade entre 20-50 anos, história familiar de doença tireoidiana, tabagismo (aumenta risco de oftalmopatia), deficiência ou excesso de iodo na dieta, uso de medicamentos como amiodarona e interferon alfa, e estresse emocional intenso. A predisposição genética é importante, especialmente para a Doença de Basedow-Graves, associada a certos alelos do HLA.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico do hipertireoidismo baseia-se na história clínica, exame físico e exames laboratoriais. Os exames iniciais são: TSH (suprimido), T4 livre (elevado) e T3 total ou livre (elevado). Valores normais de TSH geralmente estão entre 0,4-4,0 mUI/L; no hipertireoidismo, TSH fica abaixo de 0,1 mUI/L, frequentemente indetectável. Quando o TSH está suprimido e T4 livre normal, deve-se suspeitar de hipertireoidismo subclínico ou T3-toxicose. Exames complementares incluem: anticorpos anti-receptor de TSH (TRAb) para confirmar Doença de Basedow-Graves; ultrassonografia de tireoide para avaliar nódulos e ecogenicidade; cintilografia com iodo-131 ou tecnécio-99m para avaliar captação e identificar nódulos autônomos; e eventualmente punção aspirativa por agulha fina (PAAF) de nódulos suspeitos. A dosagem de tireoglobulina pode ajudar na tireotoxicose factícia. O diagnóstico diferencial inclui ansiedade, transtorno bipolar, feocromocitoma, anemia, perda de peso por outras causas.

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento do hipertireoidismo visa reduzir a produção e ação dos hormônios tireoidianos, controlar os sintomas e tratar a causa. As três modalidades principais são:

  • Medicamentoso: Drogas antitireoidianas (DAT) como Metimazol (Tapazol) e Propiltiouracila (PTU). O Metimazol é preferido por menor hepatotoxicidade. Usa-se também beta-bloqueadores (Propranolol, Atenolol) para controlar taquicardia e tremores. O tratamento dura de 12 a 18 meses na Doença de Basedow-Graves, com chance de remissão de 30-50%.
  • Radioiodoterapia: Administração de iodo-131, que destrói seletivamente os tireócitos. É indicada para adultos com bócio nodular tóxico ou Basedow que não responderam a DAT, ou com contraindicações cirúrgicas. Leva a hipotireoidismo na maioria dos casos, necessitando reposição de levotiroxina.
  • Cirurgia (tireoidectomia): Indicada para bócios volumosos, nódulos suspeitos de malignidade, oftalmopatia grave, gestação (segundo trimestre), ou quando o paciente recusa radioiodo. A tireoidectomia total leva a hipotireoidismo permanente.

Na crise tireotóxica, o tratamento é intensivo com DAT, beta-bloqueadores, glicocorticoides, iodo inorgânico e suporte clínico em UTI.

Quantos dias de atestado médico

O tempo de atestado para hipertireoidismo varia conforme a gravidade, sintomas e resposta ao tratamento. Em casos leves a moderados, o médico pode conceder de 7 a 14 dias para início do tratamento e afastamento de estressores. Nos casos de crise tireotóxica, o período de afastamento pode ser de 30 a 60 dias, com reavaliações periódicas. Para pacientes em tratamento ambulatorial estável, o atestado pode ser de 1 a 3 dias para consultas de seguimento. A legislação trabalhista brasileira permite afastamento pelo INSS após 15 dias consecutivos de atestado médico. O hipertireoidismo não controlado pode exigir readaptação de função, especialmente em profissões que demandam atenção constante ou esforço físico intenso. A decisão sobre o período de afastamento deve ser individualizada, baseada na evolução clínica e na resposta terapêutica.

Quando procurar médico urgente / sinais de alerta

Procure atendimento médico de urgência se apresentar: febre alta (acima de 38,5°C) associada a taquicardia intensa (FC > 140 bpm), confusão mental ou agitação extrema, falta de ar ou dor no peito, vômitos e diarreia persistentes, alteração da consciência, ou sinais de insuficiência cardíaca (edema, cansaço extremo). Esses sintomas podem indicar crise tireotóxica, que é uma emergência médica. Também é urgente o aparecimento de inchaço nos olhos com perda de visão ou dor ocular intensa, sugerindo oftalmopatia de Graves complicada. Além disso, se durante o tratamento com DAT surgirem efeitos adversos como febre, dor de garganta (agranulocitose), icterícia (hepatite), rash cutâneo grave ou artralgias, suspenda a medicação e procure o médico imediatamente. O acompanhamento regular é fundamental para ajuste de doses e monitoramento.

Prevenção e cuidados contínuos

A prevenção primária do hipertireoidismo limita-se a evitar a ingestão excessiva de iodo (suplementos desnecessários, contrastes radiológicos iodados) em indivíduos predispostos. Para quem já tem diagnóstico, os cuidados incluem: adesão rigorosa ao tratamento medicamentoso; evitar tabagismo (piora a oftalmopatia); manter dieta equilibrada com ingestão adequada de cálcio e vitamina D para prevenir osteoporose; praticar atividades físicas leves a moderadas, evitando exercícios extenuantes até controle clínico; realizar exames de função tireoidiana a cada 2-3 meses até estabilização, depois a cada 6-12 meses; acompanhar com endocrinologista; e estar atento a sinais de recidiva (especialmente nos primeiros 2 anos após suspensão de DAT). Para mulheres em idade fértil, o planejamento da gravidez deve ser discutido, pois o hipertireoidismo não controlado traz riscos materno-fetais. A educação do paciente é a chave para o sucesso do tratamento.

Dicas de Ouro

  1. 01. Não interrompa o tratamento antitireoidiano por conta própria, mesmo se sentir melhora – a recidiva é comum e pode ser grave.
  2. 02. Em caso de ganho de peso ou sintomas de hipotireoidismo durante o uso de Metimazol/PTU, solicite reavaliação da dose.
  3. 03. Evite alimentos ricos em iodo (frutos do mar, algas, sal iodado em excesso) durante a fase inicial do tratamento, pois podem piorar o hipertireoidismo.
  4. 04. Use protetor solar e óculos escuros se tiver oftalmopatia de Graves – a exposição solar e o vento podem irritar os olhos.
  5. 05. Mantenha um diário de sintomas (peso, frequência cardíaca, qualidade do sono) para ajudar o médico a ajustar a terapia.

Perguntas Frequentes sobre o CID HIPERTIREOIDISMO

O CID HIPERTIREOIDISMO garante quantos dias de atestado?

O atestado médico é concedido conforme a avaliação clínica. Para início de tratamento, geralmente 7 a 14 dias. Para crise tireotóxica, pode chegar a 30-60 dias. Consulte seu médico para o período adequado ao seu caso.

O CID E05 é hereditário?

Há forte predisposição genética, especialmente na Doença de Basedow-Graves. Familiares de primeiro grau têm maior risco, mas não é uma herança direta – fatores ambientais também influenciam.

Hipertireoidismo pode causar infertilidade?

Sim, o excesso de hormônios tireoidianos pode alterar o ciclo menstrual, causar anovulação e prejudicar a fertilidade. O tratamento costuma reverter esse quadro na maioria das mulheres.

Posso fazer atividade física com hipertireoidismo?

Atividades leves como caminhada são benéficas. Exercícios intensos devem ser evitados até que a frequência cardíaca e os sintomas estejam controlados, pois podem precipitar arritmias.

Quanto tempo dura o tratamento com Metimazol?

Na Doença de Basedow-Graves, o tratamento medicamentoso dura de 12 a 18 meses. Após a suspensão, cerca de 30-50% dos pacientes entram em remissão. Recidivas são comuns, principalmente nos primeiros 6 meses.

A radioiodoterapia pode causar câncer?

Estudos de longo prazo não mostram aumento significativo de câncer tireoidiano ou leucemia após radioiodoterapia. O risco é muito baixo e amplamente superado pelos benefícios. A contracepção é recomendada por 6 meses após o tratamento.

Hipertireoidismo subclínico precisa de tratamento?

Depende. Se o TSH está suprimido (<0,1 mUI/L) e há sintomas, idade >65 anos, doença cardíaca ou osteoporose, o tratamento é indicado. Caso contrário, pode-se acompanhar com exames periódicos.

Quais exames são necessários para o diagnóstico?

Os exames básicos são TSH, T4 livre e T3. Para definir a causa, podem ser solicitados TRAb, ultrassonografia de tireoide, cintilografia e, raramente, PAAF. O médico definirá conforme o quadro clínico.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clínica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 21/06/2026

Tem um Atestado ou Diagnóstico? Consulte na Clínica Popular

Na Clínica Popular Fortaleza você encontra consultas acessíveis com médicos que explicam seu diagnóstico e orientam o melhor tratamento.

Agendar Consulta

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.

Referências externas: CID-10 E05 – cid10.com.br | MedlinePlus – Hyperthyroidism | BVS – Biblioteca Virtual em Saúde

Leia também:
CID R11 – Náusea e Vômitos |
CID Z000 – Exame Médico Geral |
CID 010 – Tuberculose Pulmonar |
CID 083 – Significado e Cuidados |
CID 200 – O que significa |
CID F41 – Ansiedade |
CID M54 – Dorsalgia |
CID J06 – Infecção Respiratória |
CID J30 – Rinite Alérgica |
CID K21 – Refluxo |
CID N39 – Infecção Urinária |
CID G43 – Enxaqueca |
CID J45 – Asma |
Omeprazol para que serve |
Dipirona para que serve |
Ibuprofeno para que serve |
Amoxicilina para que serve |
Azitromicina para que serve |
Nimesulida para que serve |
Paracetamol para que serve