O acidente vascular cerebral (AVC) continua sendo a segunda maior causa de morte no Brasil, com cerca de 100 mil óbitos anuais. O código CID I64 é registrado em aproximadamente 35% dos casos na emergência, quando o tipo de AVC (isquêmico ou hemorrágico) ainda não foi confirmado por exame de imagem. A detecção precoce e o tratamento ágil reduzem em até 40% o risco de sequelas graves.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID I64 e quer saber o que significa? Este código da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) corresponde a “Acidente Vascular Cerebral não especificado como hemorrágico ou isquêmico”. É utilizado quando o médico identifica um derrame cerebral, mas ainda não dispõe de exames de imagem para determinar a causa exata. Neste artigo, você vai entender os sintomas, causas, tratamento e tudo sobre o CID I64.
- Código: I64
- Descrição: Acidente vascular cerebral, não especificado como hemorrágico ou isquêmico
- Categoria: Capítulo IX – Doenças do aparelho circulatório (I00-I99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: Não há subcategorias oficiais. O código I64 é único e genérico, sendo substituído por I63 (isquêmico) ou I61 (hemorrágico) após confirmação.
Paciente: Seu Antônio, 68 anos, aposentado, hipertenso e diabético tipo 2 em acompanhamento irregular.
Queixa principal: Fraqueza súbita no lado direito do corpo, dificuldade para falar e desvio da comissura labial, iniciados há 2 horas.
Avaliação clínica: Escala de NIHSS = 9 (moderado). PA 190×110 mmHg, glicemia capilar elevada. Tomografia de crânio sem sinais de sangramento. Ecocardiograma normal.
Diagnóstico: A seguir da avalição completa, o médico registrou o CID I64 – Acidente vascular cerebral não especificado. O paciente foi internado para investigação complementar (angio-RM) que confirmou AVC isquêmico (migrado para CID I63 posteriormente).
Conduta terapêutica: Trombolise com alteplase na janela de 4h30, controle pressórico rigoroso, AAS 100 mg/dia após 24h, atorvastatina 40 mg, fisioterapia motora e fonoaudiologia.
Evolução: Após 14 dias de internação e reabilitação precoce, o paciente apresentou melhora parcial da força muscular e da fala. Recebeu alta com orientações e seguimento ambulatorial.
Lição clínica: O CID I64 é provisório e não deve atrasar a conduta. Todo paciente com suspeita de AVC precisa de avaliação imediata para definir o tratamento específico e reduzir sequelas.
O que é o CID I64 na prática médica
O CID I64 é um código da Classificação Internacional de Doenças (10ª edição) utilizado para designar o Acidente Vascular Cerebral (AVC) quando ainda não foi possível determinar se a origem é isquêmica (obstrução de um vaso) ou hemorrágica (rompimento de um vaso). Na prática, esse código é empregado em situações de emergência, como pronto-socorro, unidades de AVC e ambulatórios, enquanto os exames complementares estão em andamento.
Segundo as diretrizes da Biblioteca Virtual em Saúde e do Ministério da Saúde, o código I64 não deve permanecer por longos períodos; idealmente, o diagnóstico deve ser refinado em até 48 horas para I63 (isquêmico) ou I61 (hemorrágico). No entanto, em situações de óbito precoce ou impossibilidade de exames, o I64 pode ser mantido como registro final.
Relevância estatística: Em 2025, o Brasil registrou cerca de 400 mil casos de AVC, sendo que aproximadamente 30% receberam inicialmente o código I64. O uso adequado desse código é fundamental para o planejamento em saúde pública e para a alocação de recursos em reabilitação.
Para saber mais, consulte o verbete oficial do CID I64 no CID10.com.br.
Subcategorias e variantes do CID I64
Diferente de outros códigos da CID-10, o I64 não possui subcategorias oficiais. Ele é um código único, sem desdobramentos. Contudo, na prática clínica, os profissionais utilizam códigos relacionados para refinamento diagnóstico:
- I63 – AVC isquêmico: quando a neuroimagem confirma obstrução arterial.
- I61 – AVC hemorrágico: quando há sangramento intracraniano.
- I60 – Hemorragia subaracnóidea: subtipo específico de AVC hemorrágico.
- I62 – Outras hemorragias intracranianas não traumáticas: inclui hematoma subdural espontâneo.
- G45 – Ataque isquêmico transitório (AIT): déficit neurológico reversível em menos de 24 horas.
É importante que o médico especifique a lateralidade e o território vascular comprometido (carotídeo ou vértebro-basilar) para planejamento terapêutico, embora isso não altere o código CID.
Links úteis: CID R11 – Náuseas e Vômitos | CID Z000 – Exame Médico Geral
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas do AVC (CID I64) são de início súbito e variam conforme a região cerebral afetada. Os mais comuns incluem:
- Fraqueza ou paralisia de um lado do corpo (braço, perna ou face).
- Dificuldade para falar (afasia) ou compreender a fala.
- Desvio da boca (comissura labial) para um lado.
- Alteração visual: perda súbita da visão ou visão dupla.
- Tontura e perda de equilíbrio (vertigem central).
- Cefaleia intensa de início abrupto – mais comum em AVC hemorrágico.
- Confusão mental ou rebaixamento do nível de consciência.
A manifestação clínica pode ser reversível no AIT (G45) ou permanente no AVC estabelecido. A rápida identificação dos sinais (teste SAMU: Sorriso, Abraço, Música, Urgência) é crucial para o prognóstico.
Causas e fatores de risco
O AVC (CID I64) tem causas distintas conforme o subtipo. No isquêmico, a obstrução arterial decorre geralmente de:
- Aterotrombose: placas de gordura nas artérias carótidas ou vertebrais.
- Cardioembolismo: coágulos formados no coração (fibrilação atrial, prótese valvar).
- Doença de pequenos vasos (lacunas): hipertensão e diabetes mal controlados.
- Dissecção arterial: especialmente em jovens (trauma cervical).
Já no AVC hemorrágico, as principais causas são hipertensão arterial não controlada, aneurismas, malformações arteriovenosas, angiopatia amiloide e uso de anticoagulantes.
Fatores de risco modificáveis: hipertensão (responsável por 70% dos AVCs), diabetes, dislipidemia, tabagismo, obesidade, sedentarismo, dieta rica em sódio e gorduras, consumo excessivo de álcool, fibrilação atrial.
Fatores não modificáveis: idade (risco dobra a cada década após 55 anos), sexo masculino, histórico familiar de AVC, etnia negra (maior prevalência de hipertensão).
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do CID I64 é clínico e radiológico. O passo a passo inclui:
- Anamnese e exame neurológico: aplicação da escala NIHSS para quantificar o déficit.
- Tomografia de crânio sem contraste: exame inicial para descartar sangramento (diferencia I61 de I63).
- Angio-TC ou angio-RM: identifica o vaso ocluído ou a fonte do sangramento.
- Exames laboratoriais: glicemia, coagulograma, hemograma, função renal, eletrólitos, troponina.
- Ressonância magnética: mais sensível para áreas de isquemia precoce (DWI).
- Ecocardiograma transtorácico/transesofágico: pesquisa fonte cardioembólica.
- Doppler de carótidas e vertebrais: avalia estenose ou dissecção.
O código I64 é atribuído após a TC inicial, enquanto se aguardam os demais exames para definição etiológica. O diagnóstico diferencial inclui enxaqueca com aura, hipoglicemia, convulsão parcial, tumor cerebral e encefalopatia hipertensiva.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento do CID I64 depende do subtipo. Para AVC isquêmico (mais comum, 85% dos casos), as opções são:
- Trombólise intravenosa (alteplase): janela de até 4h30 desde o início dos sintomas.
- Trombectomia mecânica: para oclusões de grandes vasos, até 24h em casos selecionados.
- Antiplaquetários: AAS iniciado após 24h da trombólise.
- Controle pressórico: manter PA entre 185-110 mmHg na fase aguda, depois <130/80 mmHg.
- Estatina em alta dose: atorvastatina 80 mg para estabilização de placa.
- Reabilitação motora, fonoaudiológica e ocupacional precoce.
Para AVC hemorrágico, o tratamento é diferente:
- Controle rigoroso da PA: reduzir para <160/90 mmHg em 1-2 horas.
- Reversão de coagulopatias: vitamina K, plasma fresco, protamina conforme medicação em uso.
- Neurocirurgia: drenagem de hematoma ou clipagem de aneurisma.
- Suporte em UTI com monitorização neurológica contínua.
O paciente com CID I64 deve ser internado em unidade de AVC (U-AVC) para otimizar desfechos. A Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares recomenda o início da reabilitação nas primeiras 48 horas.
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento pelo CID I64 varia conforme a gravidade e a evolução clínica. Em geral:
- AVC leve (NIHSS ≤5): atestado de 30 a 60 dias para reabilitação ambulatorial.
- AVC moderado (NIHSS 6-15): afastamento de 60 a 120 dias.
- AVC grave (NIHSS ≥16): 120 a 180 dias ou mais, podendo evoluir para aposentadoria por invalidez.
Na prática, o médico assistente deve reavaliar o paciente a cada 30 dias. O auxílio-doença pelo INSS é comum após 15 dias de afastamento. O código I64 é aceito como justificativa médica para licença, desde que o paciente esteja em acompanhamento regular.
Observação importante: o atestado inicial pode ser de 7 a 14 dias para avaliação hospitalar, sendo prorrogado conforme a resposta ao tratamento. Consulte o médico periodicamente.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Suspeite de AVC (CID I64) e busque emergência imediata se houver qualquer um dos seguintes sinais:
- Fraqueza ou dormência súbita em um lado do corpo (braço, perna, face).
- Dificuldade repentina para falar ou compreender o que os outros dizem.
- Desvio da boca ao sorrir.
- Perda súbita de visão em um ou ambos os olhos.
- Tontura intensa com desequilíbrio associada a náuseas/vômitos.
- Cefaleia explosiva (“pior dor de cabeça da vida”).
- Queda súbita sem causa aparente.
O teste SAMU ajuda: peça para a pessoa sorrir (assimetria?), levantar os braços (um lado cai?), cantar uma música (fala enrolada?). Se qualquer resposta for alterada, chame o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro mais próximo. O tempo é cérebro: cada minuto sem tratamento perde-se cerca de 1,9 milhão de neurônios.
Prevenção e cuidados contínuos
Após um AVC (CID I64), a prevenção secundária é essencial para evitar novos eventos. As medidas incluem:
- Controle rigoroso da pressão arterial: meta <130/80 mmHg na maioria dos pacientes.
- Uso de antiplaquetários (AAS, clopidogrel) ou anticoagulantes (em caso de fibrilação atrial).
- Estatina em alta potência para redução do LDL (<70 mg/dL).
- Controle do diabetes: hemoglobina glicada <7%.
- Cessacão do tabagismo e redução do consumo de álcool.
- Alimentação saudável: dieta DASH ou mediterrânea, pobre em sódio e gorduras saturadas.
- Atividade física regular: pelo menos 150 minutos/semana de exercícios moderados.
- Fisioterapia e fonoaudiologia contínuas para recuperação de sequelas.
- Acompanhamento periódico com neurologista, cardiologista e médico de família.
O risco de recorrência do AVC é de 25-30% em 5 anos sem prevenção adequada. Com as medidas corretas, esse risco cai para menos de 10%.
- 01. Ao primeiro sinal de AVC (boca torta, braço fraco, fala enrolada), ligue 192. Não espere os sintomas passarem.
- 02. Se você ou um familiar recebeu o diagnóstico CID I64, exija a realização de neuroimagem (TC ou RM) em até 24h para definir o tratamento correto.
- 03. Mantenha uma lista de medicações atualizada, incluindo anticoagulantes e anti-hipertensivos – isso acelera o atendimento na emergência.
- 04. Após a alta, não interrompa o tratamento por conta própria. A adesão aos medicamentos reduz em 70% o risco de um segundo AVC.
- 05. Busque reabilitação precoce: a fisioterapia iniciada nas primeiras 48 horas melhora a recuperação motora em até 50%.
- 06. monitore a pressão arterial em casa com aparelho validado e leve o registro nas consultas.
- 07. Informe-se sobre a “Unidade de AVC” mais próxima – hospitais com essa estrutura têm menor mortalidade e melhor recuperação.
Perguntas Frequentes sobre o CID I64
O CID I64 garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo. Depende da gravidade: casos leves têm 30-60 dias; moderados 60-120; graves 120-180 dias ou mais. O médico reavalia a cada 30 dias para prorrogação.
CID I64 é a mesma coisa que derrame?
Sim, o CID I64 é a classificação internacional para “derrame cerebral” (acidente vascular cerebral) quando ainda não se sabe se é isquêmico ou hemorrágico. O termo “derrame” é popular, mas o código I64 é o mais genérico.
O CID I64 tem cura?
O AVC não tem “cura” no sentido de reverter o dano neuronal já ocorrido, mas o tratamento precoce pode limitar as sequelas. Muitos pacientes recuperam funções com reabilitação. A prevenção é a melhor estratégia.
CID I64 e CID I63 são a mesma coisa?
Não. I64 é o código genérico (AVC não especificado), enquanto I63 é o código específico para AVC isquêmico. O I64 geralmente é substituído pelo I63 após a realização de exames de imagem.
Quais exames são necessários para confirmar o CID I64?
O diagnóstico inicial é clínico, mas a confirmação exige tomografia de crânio (para excluir hemorragia) e, posteriormente, angio-TC ou ressonância para identificar o tipo e a localização do AVC.
Pessoas jovens podem ter CID I64?
Sim. Embora o AVC seja mais comum em idosos, cerca de 15% dos casos ocorrem em pessoas com menos de 50 anos. Nesses casos, causas como dissecção arterial, cardioembolia e trombofilias devem ser investigadas.
O CID I64 dá direito a auxílio-doença do INSS?
Sim, desde que o paciente fique incapacitado para o trabalho por mais de 15 dias. O médico deve emitir atestado com o CID I64 e solicitar o benefício. A perícia médica do INSS avaliará o caso.
Como prevenir um novo AVC depois do CID I64?
Com controle rigoroso da pressão, uso correto de medicações antiplaquetárias ou anticoagulantes, estatina, dieta saudável, exercícios, cessação do tabagismo e acompanhamento médico regular. A adesão reduz o risco de recorrência em 70%.
É seguro viajar depois de um AVC com CID I64?
Depende da recuperação. Pacientes com sequelas leves e estáveis podem viajar após 3-6 meses. Viagens longas (mais de 4 horas) exigem cautela, hidratação, movimentação das pernas e avaliação médica prévia.
O que significa CID I64 na prática do pronto-socorro?
Na emergência, o CID I64 é usado como código de trabalho para iniciar protocolos de AVC. Ele aciona a equipe multidisciplinar e autoriza exames de imagem, mesmo antes do diagnóstico definitivo. Isso agiliza o tratamento.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
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