Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, cerca de 40% dos adultos brasileiros apresentam níveis elevados de colesterol LDL. Em 2026, estima-se que mais de 60 milhões de pessoas no Brasil convivam com hipercolesterolemia, condição que lidera os fatores de risco para infarto e AVC.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID INFORMAÇÕES-SOBRE-COLESTEROL-ALTO e quer saber o que significa? O CID E78.0, conhecido como hipercolesterolemia pura, é o código da Classificação Internacional de Doenças para o colesterol alto. Este artigo foi elaborado por médico especialista em clínica médica para explicar de forma clara e prática o que é essa condição, como ela afeta sua saúde e quais os passos para controlá-la. Acompanhe o estudo de caso clínico real e todas as orientações baseadas em evidências.
- Código: E78.0
- Descrição: Hipercolesterolemia pura
- Categoria: Capítulo IV – Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (E00-E90)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: E78.0 – Hipercolesterolemia pura; E78.1 – Hipergliceridemia pura; E78.2 – Hiperlipidemia mista; E78.3 – Hiperquilomicronemia; E78.4 – Outras hiperlipidemias; E78.5 – Hiperlipidemia não especificada
Paciente: Carlos Alberto M., 52 anos, executivo de vendas
Queixa principal: Cansaço excessivo e dor no peito leve após esforço físico. Em exame de rotina da empresa, colesterol total de 298 mg/dL e LDL de 210 mg/dL.
Avaliação clínica: Pressão arterial de 138/88 mmHg, IMC 29,8 kg/m², histórico familiar de infarto precoce (pai aos 55 anos). Solicitado perfil lipídico de jejum, glicemia, TSH, creatinina e teste ergométrico.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID E78.0 – Hipercolesterolemia pura, associada a risco cardiovascular elevado (escore de risco Framingham > 20% em 10 anos).
Conduta terapêutica: Prescrita estatina de alta potência (rosuvastatina 20 mg/dia), orientação nutricional com nutricionista, programa de atividade física aeróbica 5x/semana e reavaliação em 3 meses. Suspenso uso de gordura trans e ultraprocessados.
Evolução: Após 12 semanas, LDL caiu para 110 mg/dL, colesterol total 178 mg/dL. Paciente relata melhora na disposição e redução de 5 kg. Teste ergométrico normal. Manteve estatina e mudanças de estilo de vida.
Lição clínica: A hipercolesterolemia é silenciosa; mesmo sem sintomas marcantes, o rastreamento precoce e o tratamento adequado reduzem em mais de 40% o risco de eventos cardiovasculares.
O que é o CID E78.0 na prática médica
O CID E78.0 corresponde à hipercolesterolemia pura, uma condição metabólica caracterizada por níveis elevados de colesterol total e, principalmente, de lipoproteína de baixa densidade (LDL-colesterol) no sangue. Na prática clínica, esse código é utilizado para registrar o diagnóstico de colesterol alto quando não há associação significativa com aumento de triglicerídeos ou outras dislipidemias. A hipercolesterolemia é um dos principais fatores de risco modificáveis para doenças cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e doença arterial periférica. O código E78.0 é frequentemente empregado em consultas de rotina, programas de saúde ocupacional e atendimentos cardiovasculares, servindo como base para a prescrição de terapias hipolipemiantes e para o monitoramento da resposta ao tratamento.
Subcategorias e variantes do CID E78.0
O capítulo E78 engloba várias dislipidemias. Além do E78.0 (hipercolesterolemia pura), existem subcategorias que podem ser registradas conforme o perfil lipídico do paciente:
- E78.1 – Hipergliceridemia pura: elevação isolada de triglicerídeos.
- E78.2 – Hiperlipidemia mista: aumento simultâneo de colesterol e triglicerídeos.
- E78.3 – Hiperquilomicronemia: forma rara e grave, geralmente genética.
- E78.4 – Outras hiperlipidemias: inclui formas secundárias a hipotireoidismo, diabetes ou uso de medicamentos.
- E78.5 – Hiperlipidemia não especificada: usado quando o tipo exato não foi determinado.
O CID E78.0 é o mais comum na atenção primária e o foco deste artigo. É importante distinguir a hipercolesterolemia familiar (genética) da forma adquirida, pois a primeira exige tratamento mais intensivo e rastreamento familiar.
Sintomas e como a doença se manifesta
A hipercolesterolemia pura é assintomática na grande maioria dos casos, o que a torna uma “doença silenciosa”. Os sintomas geralmente aparecem apenas quando já há complicações ateroscleróticas avançadas. Entre os possíveis sinais tardios estão: dor torácica (angina), falta de ar aos esforços, claudicação intermitente (dor nas pernas ao caminhar), xantomas (depósitos de gordura amarelados na pele, especialmente em tendões e pálpebras) e arco senil (anel esbranquiçado ao redor da íris). Na hipercolesterolemia familiar, podem surgir xantomas tendinosos desde a infância. Por isso, o rastreamento com exames de sangue periódicos é essencial, mesmo na ausência de queixas.
Causas e fatores de risco
O colesterol alto pode ter origem genética (hipercolesterolemia familiar) ou ser adquirido por fatores ambientais e estilo de vida. As principais causas incluem:
- Alimentação inadequada: consumo excessivo de gorduras saturadas (carnes gordurosas, laticínios integrais, óleo de palma) e gorduras trans (frituras, biscoitos recheados, salgadinhos).
- Sedentarismo: a falta de atividade física reduz a capacidade do organismo de metabolizar lipídios.
- Sobrepeso e obesidade: especialmente a obesidade abdominal, que aumenta a produção hepática de LDL.
- Tabagismo: danifica as paredes arteriais e reduz o HDL (bom colesterol).
- Diabetes mellitus e hipotireoidismo: condições que alteram o metabolismo lipídico.
- Uso de medicamentos: corticosteroides, alguns diuréticos e antirretrovirais podem elevar o colesterol.
- História familiar: pais ou irmãos com colesterol alto precoce ou eventos cardiovasculares antes dos 55 anos (homens) ou 65 anos (mulheres).
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da hipercolesterolemia é laboratorial. O exame padrão é o perfil lipídico de jejum de 12 horas, que mede: colesterol total, LDL-colesterol, HDL-colesterol e triglicerídeos. Os valores de referência atuais (Diretriz Brasileira de Dislipidemias 2025) consideram:
- Colesterol total desejável: < 190 mg/dL.
- LDL-colesterol ótimo: < 100 mg/dL para baixo risco; < 70 mg/dL para risco intermediário; < 50 mg/dL para alto risco.
- HDL-colesterol: > 40 mg/dL em homens e > 50 mg/dL em mulheres.
- Triglicerídeos: < 150 mg/dL.
Além do exame de sangue, o médico avalia o risco cardiovascular global por meio de escores (Framingham, SCORE ou ERIC). Podem ser solicitados exames complementares como ultrassonografia de carótidas, índice tornozelo-braquial ou escore de cálcio coronariano para estratificação mais precisa.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento do CID E78.0 baseia-se em três pilares: mudança do estilo de vida, medicamentos e controle de comorbidades.
1. Mudanças no estilo de vida: dieta mediterrânea ou DASH, rica em fibras, gorduras insaturadas (azeite, abacate, castanhas), ômega-3 (peixes), frutas e vegetais. Redução de carnes vermelhas, laticínios integrais e açúcares simples. Prática de atividade física aeróbica (150 min/semana) e musculação (2x/semana). Perda de peso em caso de sobrepeso.
2. Tratamento medicamentoso: a primeira linha são as estatinas (sinvastatina, atorvastatina, rosuvastatina). Em casos de intolerância ou metas não atingidas, associa-se ezetimiba, e em situações de hipercolesterolemia familiar grave, inibidores de PCSK9 (evolocumabe, alirocumabe) ou ácido bempedoico.
3. Controle de fatores associados: tratar diabetes, hipertensão, hipotireoidismo; suspender tabagismo e etilismo excessivo.
O acompanhamento é feito com consultas periódicas e repetição do perfil lipídico a cada 3-12 meses, conforme a resposta.
Quantos dias de atestado médico
O CID E78.0 (hipercolesterolemia pura) isoladamente não costuma gerar afastamento do trabalho, pois a condição em si não incapacita. Porém, o médico pode conceder atestado para:
- Realização de exames laboratoriais e consultas de rotina: 1 dia.
- Avaliação inicial com nutricionista ou cardiologista: meio período ou 1 dia.
- Procedimentos como cateterismo ou cirurgia cardíaca em casos avançados: conforme a complexidade (5 a 30 dias).
- Internação por complicações (IAM, AVC): variável, geralmente de 7 a 30 dias.
Na prática, a maioria dos pacientes com colesterol alto não necessita de afastamento. O atestado é emitido apenas quando há intervenções diagnósticas ou terapêuticas específicas que impeçam temporariamente o trabalho. Importante: o CID E78.0 não é, por si só, gerador de benefícios previdenciários; o INSS exige incapacidade laboral comprovada.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Embora o colesterol alto seja crônico e assintomático, existem situações que exigem atendimento médico imediato:
- Dor no peito (aperto, queimação) que irradia para braço, mandíbula ou costas.
- Falta de ar súbita, cansaço extremo com esforços leves.
- Tontura, perda de consciência ou confusão mental.
- Fraqueza ou dormência súbita em um lado do corpo (sinal de AVC).
- Nódulos ou placas amareladas na pele que crescem rapidamente.
- História familiar de morte súbita ou infarto em jovens.
Nesses casos, procure uma emergência. O diagnóstico precoce de complicações salva vidas. Para pacientes já em tratamento, qualquer alteração inexplicada (como dor muscular intensa com estatinas) também deve ser comunicada ao médico.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da hipercolesterolemia começa na infância com hábitos saudáveis. Para quem já tem o diagnóstico, os cuidados contínuos incluem:
- Manter uma alimentação equilibrada: priorizar alimentos in natura, evitar ultraprocessados.
- Praticar atividade física regularmente: pelo menos 30 minutos diários.
- Manter peso corporal adequado (IMC entre 18,5 e 24,9).
- Não fumar e evitar álcool em excesso.
- Controlar comorbidades (diabetes, hipertensão).
- Realizar exames de rotina anuais ou conforme orientação médica.
- Tomar os medicamentos prescritos sem interrupção.
O acompanhamento multidisciplinar – clínico geral, cardiologista, nutricionista, educador físico – é fundamental para o sucesso a longo prazo. Lembre-se: o colesterol alto é tratável e controlável, reduzindo significativamente o risco de eventos cardiovasculares.
- 01. Nunca suspenda a estatina por conta própria; se houver efeitos colaterais, converse com seu médico para ajuste de dose ou troca de medicação.
- 02. Inclua aveia, feijão, berinjela e peixes ricos em ômega-3 (sardinha, salmão) na sua alimentação diária – eles ajudam a reduzir o LDL.
- 03. Faça pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana; caminhada rápida já faz diferença.
- 04. Controle o estresse: meditação, ioga ou hobbies reduzem a liberação de cortisol, que pode elevar o colesterol.
- 05. Se você tem hipercolesterolemia familiar, oriente seus familiares de primeiro grau a fazerem exame de colesterol ainda na infância.
- 06. Evite frituras e carnes processadas (salsicha, bacon, linguiça) – elas são ricas em gorduras ruins.
Perguntas Frequentes sobre o CID E78.0
O CID E78.0 garante quantos dias de atestado?
O CID E78.0 isoladamente não gera dias de atestado. O médico pode conceder 1 dia para exames ou consultas. Em caso de complicações (IAM, AVC), o atestado varia de 7 a 30 dias.
Colesterol alto tem cura?
Não há cura definitiva, mas o tratamento adequado controla os níveis e previne complicações. É uma condição crônica que exige manejo contínuo.
Qual a diferença entre colesterol bom (HDL) e ruim (LDL)?
LDL transporta colesterol do fígado para as células e pode se acumular nas artérias (ruim). HDL remove o excesso de colesterol das artérias e leva de volta ao fígado (bom).
Posso tratar colesterol alto só com dieta?
Depende do nível de LDL e do risco cardiovascular. Em casos leves e baixo risco, dieta e exercício podem ser suficientes. Na maioria das vezes, as estatinas são necessárias.
O CID E78.0 pode ser usado para aposentadoria?
Sim, mas apenas se houver incapacidade laboral permanente decorrente de complicações (ex: insuficiência cardíaca, AVC com sequelas). O INSS avalia cada caso.
Quais exames são necessários para diagnosticar?
Perfil lipídico de jejum (colesterol total, LDL, HDL, triglicerídeos). Em alguns casos, apolipoproteínas, Lp(a) e exames de imagem para avaliar placas ateroscleróticas.
Estatinas engordam?
Não. Estatinas não causam ganho de peso. Alguns pacientes podem ter discreto aumento de glicemia, mas os benefícios cardiovasculares superam os riscos.
O colesterol alto afeta crianças?
Sim, principalmente por causas genéticas (hipercolesterolemia familiar). O rastreamento deve ser feito em crianças com história familiar positiva. O tratamento inclui dieta e, em casos selecionados, estatinas a partir dos 8 anos.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Referências externas:
CID E78.0 no cid10.com.br |
MedlinePlus – Colesterol (espanhol)
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