quinta-feira, julho 2, 2026

cid insuficiencia venosa






cid insuficiencia venosa

Dado epidemiológico 2026

No Brasil, estima-se que 35% da população adulta apresente algum grau de insuficiência venosa crônica, sendo a quarta causa de absenteísmo no trabalho entre mulheres acima de 40 anos. Em 2026, projeta-se um aumento de 12% nos diagnósticos devido ao envelhecimento populacional e ao estilo de vida sedentário.

Introdução

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID INSUFICIÊNCIA VENOSA e quer saber o que significa? A insuficiência venosa crônica (IVC) é uma condição que compromete o retorno do sangue das pernas para o coração, causando sintomas como dor, inchaço e alterações na pele. Este artigo explica detalhadamente o CID I87.2, suas implicações clínicas, tratamento e orientações práticas para pacientes e profissionais de saúde.

Identificação do CID

  • Código: I87.2
  • Descrição: Insuficiência venosa (crônica) (periférica)
  • Categoria: Capítulo IX – Doenças do aparelho circulatório (I00-I99)
  • Versão: CID-10 (OMS)
  • Subcategorias: I87.2 é um código único sem subdivisões, mas estão relacionados: I83.9 (varizes de membros inferiores sem úlcera ou inflamação), I83.0 (varizes com úlcera), I83.1 (varizes com inflamação), I83.2 (varizes com úlcera e inflamação), I87.0 (síndrome pós-flebítica), I87.1 (compressão venosa).

Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: Mariana S., 52 anos, professora, permanece em pé por longos períodos.

Queixa principal: “Minhas pernas ficam pesadas e inchadas no final do dia, com dor na panturrilha e coceira na pele.”

Avaliação clínica: Exame físico revelou edema maleolar bilateral, varizes de médio calibre em ambas as pernas, hiperpigmentação ocre na região medial dos tornozelos e lipodermatoesclerose incipiente. Ecodoppler venoso mostrou refluxo nas veias safenas magna e parva, com tempo de refluxo > 3 segundos.

Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID I87.2 — Insuficiência venosa crônica periférica, classificada como CEAP C4a (alterações tróficas cutâneas).

Conduta terapêutica: Prescrição de meias de compressão graduada (15-20 mmHg), orientação para elevar as pernas 20 minutos três vezes ao dia, uso de venotônicos (diosmina + hesperidina) por 3 meses, e encaminhamento para cirurgia vascular para avaliação de termoablação a laser da safena.

Evolução: Após 6 semanas, a paciente relatou melhora de 70% da sensação de peso e edema. A pega da meia compressiva foi ajustada para 20-30 mmHg. A cirurgia foi realizada em 3 meses, com recuperação satisfatória e retorno às atividades após 10 dias.

Lição clínica: O diagnóstico precoce da insuficiência venosa, antes do surgimento de úlceras, permite tratamento conservador eficaz e evita complicações. O uso correto da meia de compressão é tão importante quanto a medicação.

Atenção: Este artigo tem caráter informativo. A insuficiência venosa pode evoluir para úlceras de difícil cicatrização e trombose venosa profunda. Não se automedique nem dispense o uso de meias compressivas sem orientação médica. Consulte um angiologista ou cirurgião vascular para diagnóstico preciso.

O que é o CID I87.2 na prática médica

O código I87.2 da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) designa a insuficiência venosa crônica (IVC) de localização periférica, mais comumente nos membros inferiores. Trata-se de uma condição na qual as válvulas venosas das pernas não funcionam adequadamente, permitindo que o sangue flua em sentido contrário (refluxo) e se acumule nas veias superficiais e profundas. A IVC afeta cerca de 25 a 40% da população adulta mundial, sendo duas vezes mais frequente em mulheres. Na prática clínica, o CID I87.2 é utilizado quando há evidências clínicas e/ou ultrassonográficas de refluxo venoso crônico, sem necessariamente a presença de varizes evidentes. O diagnóstico diferencial inclui insuficiência arterial, linfedema e trombose venosa profunda prévia.

Subcategorias e variantes do CID I87.2

Embora o código I87.2 seja único, a classificação da insuficiência venosa pode ser detalhada pela classificação CEAP (Clínica, Etiológica, Anatômica, Patofisiológica), que não faz parte da CID-10 mas é amplamente usada em serviços de angiologia. As principais variantes clínicas incluem:

  • I83.0 a I83.2: Varizes com úlcera, inflamação ou ambas.
  • I87.0: Síndrome pós-flebítica (sequela de trombose venosa profunda).
  • I87.1: Compressão venosa (ex.: síndrome de May-Thurner).
  • I87.8: Outros transtornos venosos especificados.
  • I87.9: Transtorno venoso não especificado.

O médico pode optar por codificar a complicação predominante (ex.: úlcera venosa) juntamente com o I87.2 para maior precisão. A versão CID-11, prevista para implementação gradual no Brasil a partir de 2027, trará subcategorias mais detalhadas para a IVC.

Sintomas e como a doença se manifesta

A insuficiência venosa crônica apresenta um espectro de sintomas que pioram ao longo do dia e com a posição ortostática. Os sinais mais comuns incluem:

  • Sensação de peso e cansaço nas pernas (principal queixa).
  • Edema (inchaço) maleolar e no terço inferior da perna, que melhora com a elevação.
  • Dor tipo “pontada” ou “queimação”, especialmente na panturrilha.
  • Cãibras noturnas e sensação de pernas inquietas.
  • Prurido (coceira) na pele, principalmente na região medial do tornozelo.
  • Alterações cutâneas: hiperpigmentação (manchas escuras), dermatite ocre, lipodermatoesclerose (pele endurecida) e atrofia branca.
  • Varizes visíveis ou veias reticulares e telangiectasias.
  • Em estágios avançados: úlcera venosa (ferida de difícil cicatrização na perna).

É importante distinguir a IVC de outras causas de dor e edema, como insuficiência arterial (que apresenta claudicação, pele fria e pulsos diminuídos) e linfedema (edema mais duro e que não melhora totalmente com elevação).

Causas e fatores de risco

A IVC é multifatorial. As principais causas incluem:

  • Fraqueza da parede venosa e deficiência congênita ou adquirida das válvulas venosas.
  • Trombose venosa profunda (TVP) prévia – que danifica as válvulas, levando à síndrome pós-trombótica.
  • Obesidade – aumento da pressão intra-abdominal dificulta o retorno venoso.
  • Gravidez – alterações hormonais e compressão do útero sobre as veias pélvicas.
  • Sedentarismo e profissões que exigem longos períodos em pé ou sentado.
  • Tabagismo – prejudica a microcirculação e a função endotelial.

Os fatores de risco mais relevantes são: idade acima de 50 anos, sexo feminino, histórico familiar de varizes, múltiplas gestações e uso de anticoncepcionais orais. A obesidade (IMC > 30) duplica o risco de desenvolver IVC.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da insuficiência venosa é essencialmente clínico, complementado por exames de imagem. As etapas são:

  1. Anamnese detalhada: queixa principal, duração, fatores de melhora e piora, histórico de TVP, cirurgias, gestações.
  2. Exame físico: inspeção (varizes, edema, alterações cutâneas), palpação (pulsos, temperatura, consistência da pele), e manobra de Trendelenburg (para avaliar refluxo safeno).
  3. Ecodoppler colorido venoso – padrão-ouro não invasivo. Mede a competência valvular, refluxo (tempo > 0,5s é anormal), diâmetro das veias e patência do sistema venoso profundo.
  4. Pletismografia a ar e fotopletismografia – úteis para quantificar o refluxo e a eficácia da bomba muscular da panturrilha.
  5. Em casos selecionados: fleborressonância ou fleboTC para planejamento cirúrgico.

O código I87.2 no CID-10 é registrado quando há confirmação de refluxo venoso crônico periférico.

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O tratamento da IVC é baseado na gravidade dos sintomas e no estágio CEAP. As opções dividem-se em:

  • Medidas gerais: elevação das pernas (20-30 min, 3-4x/dia), perda de peso, atividade física (caminhada, natação), evitar ficar em pé ou sentado por longos períodos.
  • Terapia compressiva: meias de compressão graduada (15-20 mmHg para sintomas leves, 20-30 mmHg para moderados, 30-40 mmHg para graves ou após cirurgia). O uso diário é fundamental.
  • Farmacológico: venotônicos (diosmina + hesperidina, ruscus, centella asiática) reduzem o edema e a sensação de peso. Heparinoides tópicos para alívio local.
  • Procedimentos minimamente invasivos: escleroterapia com espuma (para varizes reticulares e telangiectasias), termoablação (laser ou radiofrequência) da veia safena, flebectomia ambulatorial.
  • Cirurgia convencional: stripping de safena, ligadura de veias perfurantes, indicada para casos avançados ou quando a ablação não é possível.
  • Tratamento de úlceras venosas: curativos especiais, desbridamento, terapia compressiva e, se necessário, enxerto de pele.

A MedlinePlus oferece material adicional sobre opções terapêuticas.

Quantos dias de atestado médico

O número de dias de afastamento depende do estágio clínico e do tratamento realizado. Em geral:

  • IVC leve (CEAP C0-C2): 1 a 2 dias para avaliação inicial.
  • IVC moderada com edema e dor (C3): 2 a 5 dias, especialmente se houver necessidade de repouso com elevação das pernas.
  • Após procedimento cirúrgico (ablação ou stripping): 7 a 14 dias, dependendo da atividade laboral. Profissões que exigem longos períodos em pé podem necessitar de 15 a 21 dias.
  • Úlcera venosa ativa: o afastamento pode ser prolongado (30 a 60 dias) até cicatrização parcial, com retorno gradual.

O médico deve avaliar cada caso individualmente e emitir o atestado com o CID I87.2 ou, se houver complicação, o código correspondente (ex.: I83.0 para úlcera). A média nacional para IVC sem complicação é de 3 a 5 dias.

Quando procurar médico urgente / sinais de alerta

Procure atendimento de urgência se apresentar:

  • Dor súbita e intensa em uma perna, acompanhada de edema assimétrico e vermelhidão – pode indicar trombose venosa profunda (TVP).
  • Úlcera que não cicatriza apesar dos cuidados, ou sinais de infecção (pus, febre, odor).
  • Piora rápida do edema ou aparecimento de bolhas com conteúdo hemorrágico.
  • Sinais de insuficiência respiratória (falta de ar, tosse com sangue) – pode ser embolia pulmonar associada à TVP.
  • Celulite (pele quente, rubor, dor à palpação) na perna com varizes.

O alerta é especialmente importante para pacientes com histórico de TVP, câncer, imobilização prolongada ou cirurgia recente.

Prevenção e cuidados contínuos

As medidas preventivas e de manutenção são essenciais para evitar a progressão da IVC:

  • Mantenha o peso corporal adequado (IMC < 25).
  • Pratique atividade física regular, especialmente caminhada (30 min/dia) e exercícios de flexão plantar.
  • Evite ficar em pé ou sentado por mais de 2 horas seguidas; faça pausas para andar e elevar as pernas.
  • Use meias de compressão se houver risco ocupacional ou história familiar.
  • Hidrate a pele das pernas e evite traumas.
  • Faça acompanhamento anual com angiologista ou cirurgião vascular, mesmo na ausência de sintomas.

A Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular disponibiliza diretrizes atualizadas.

Dicas de Ouro

  1. 01. Não negligencie o inchaço nas pernas – pode ser o primeiro sinal de insuficiência venosa. Procure um especialista antes que surjam úlceras.
  2. 02. Use a meia de compressão adequada ao seu estágio. Meias de 15-20 mmHg já aliviam sintomas leves; não use meias de 30-40 mmHg sem orientação.
  3. 03. Eleve as pernas acima do nível do coração sempre que possível – não basta colocar os pés sobre um banquinho.
  4. 04. Se você trabalha em pé, faça microexercícios: levante-se na ponta dos pés 10 vezes a cada hora para ativar a bomba muscular da panturrilha.
  5. 05. Em caso de úlcera venosa, não use curativos caseiros ou pomadas sem prescrição. O tratamento especializado com terapia compressiva é fundamental.

Perguntas Frequentes sobre o CID INSUFICIÊNCIA VENOSA

O CID I87.2 garante quantos dias de atestado?

Em média, 2 a 5 dias para casos sem complicação. Após cirurgia, o afastamento pode ser de 7 a 14 dias. Cada caso é avaliado individualmente pelo médico.

Insuficiência venosa tem cura?

Não há cura definitiva, mas o tratamento controla os sintomas e retarda a progressão. Procedimentos como ablação a laser podem eliminar as veias doentes, mas a tendência à insuficiência em outras veias permanece.

Qual a diferença entre varizes e insuficiência venosa?

Varizes são veias dilatadas e tortuosas, um sinal de insuficiência venosa. A IVC é o distúrbio funcional do fluxo venoso, que pode ocorrer sem varizes visíveis (insuficiência venosa profunda).

Posso fazer atividade física com insuficiência venosa?

Sim, a atividade física é benéfica. Caminhada, natação e bicicleta (com elevação das pernas ao final) são recomendadas. Evite exercícios que sobrecarreguem as pernas, como corrida de impacto ou musculação com cargas muito pesadas.

A insuficiência venosa pode causar trombose?

Sim, a IVC é um fator de risco para trombose venosa superficial e profunda, principalmente se houver imobilização, cirurgia ou viagens longas. O uso de meias compressivas reduz o risco.

O que significa a cor ocre na pele da perna?

É a hiperpigmentação causada pelo extravasamento de hemácias e depósito de hemossiderina, indicando cronicidade da IVC. É um sinal de que a pressão venosa elevada está danificando a microcirculação.

Preciso tomar anticoagulante para insuficiência venosa?

Não, a menos que haja trombose associada. A IVC isolada não é tratada com anticoagulantes. O tratamento inclui compressão, venotônicos e, se necessário, procedimentos intervencionistas.

Existe exame de sangue para diagnosticar insuficiência venosa?

Não. O diagnóstico é clínico e confirmado pelo ecodoppler venoso. Exames de sangue (como D-dímero) podem auxiliar na exclusão de trombose aguda, mas não diagnosticam a IVC.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 21/06/2026

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.

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