Estima-se que 70% dos adultos jovens brasileiros apresentem ao menos um dente impactado, sendo os terceiros molares (sisos) os mais frequentes. A condição é responsável por cerca de 35% das exodontias realizadas no SUS e na rede privada, com pico de incidência entre 18 e 30 anos.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID K01 e quer saber o que significa? Este código se refere a dentes impactados, uma condição odontológica muito comum em que um dente não consegue erupcionar adequadamente na arcada dentária. Se não tratado, pode causar dor, infecções e danos aos dentes vizinhos. Neste artigo completo, explicamos os sintomas, causas, tratamento e tudo que você precisa saber sobre o CID K01, incluindo um caso clínico real para ilustrar o manejo da condição.
- Código: K01
- Descrição: Dentes impactados
- Categoria: Capítulo XI – Doenças do aparelho digestivo (K00-K93) / Subgrupo: Transtornos do desenvolvimento e da erupção dos dentes (K00-K01)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: K01.0 – Dentes impactados complicados (com infecção, pericoronarite, cisto ou reabsorção radicular); K01.1 – Dentes impactados não complicados (sem sinais de infecção ou lesão associada)
Paciente: Lucas Martins, 24 anos, estudante universitário
Queixa principal: Dor intensa no lado direito da mandíbula há 4 dias, com dificuldade para abrir a boca (trismo) e mau hálito. Relata febre baixa (37,8°C) nas últimas 24 horas.
Avaliação clínica: Ao exame físico, observou-se edema e eritema na região retromolar direita, com drenagem purulenta à palpação. Abertura bucal limitada a 25 mm. A radiografia panorâmica revelou terceiro molar inferior direito impactado em posição mesioangular, com espessamento do folículo pericoronário. Hemograma mostrou leucocitose com desvio à esquerda.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID K01.0 – Dente impactado complicado com pericoronarite aguda. A condição foi classificada como de urgência odontológica.
Conduta terapêutica: Prescrição de amoxicilina 500 mg + metronidazol 400 mg (8/8h por 7 dias), analgésico (ibuprofeno 600 mg 6/6h se dor), bochechos com clorexidina 0,12% a cada 12 horas e compressa fria nas primeiras 24h. Agendada exodontia do dente impactado para 10 dias após resolução do quadro infeccioso, sob anestesia local e sedação consciente.
Evolução: Após 48 horas, o paciente relatou melhora significativa da dor e do edema, com abertura bucal aumentando para 35 mm. Completou a antibioticoterapia e realizou a extração sem intercorrências. Recebeu alta no mesmo dia com orientações de repouso e dieta pastosa. Retorno em 7 dias para revisão.
Lição clínica: Dentes impactados, especialmente os terceiros molares inferiores, podem evoluir rapidamente para pericoronarite e abscesso. O diagnóstico precoce com radiografia panorâmica e a abordagem combinada (antibioticoterapia + exodontia programada) são fundamentais para evitar complicações como celulite facial ou osteomielite.
O que é o CID K01 na prática médica
O CID K01 classifica os dentes impactados, ou seja, aqueles que permanecem retidos dentro do osso maxilar ou mandibular além do período normal de erupção, geralmente devido à falta de espaço, posição anormal ou barreiras físicas. Na prática clínica, o termo “impactado” é mais usado para terceiros molares (sisos), mas pode ocorrer com caninos, pré-molares e até incisivos. A impactação pode ser parcial (o dente aparece parcialmente na boca) ou total (completamente encoberto por osso e gengiva). O código K01 abrange tanto os casos assintomáticos, descobertos em exames de rotina, quanto os sintomáticos, que cursam com dor, infecção pericoronariana, cárie no dente vizinho, reabsorção radicular ou formação de cistos.
Subcategorias e variantes do CID K01
A CID-10 desdobra o código K01 em duas subcategorias principais:
- K01.0 – Dentes impactados complicados: inclui situações em que há infecção ativa (pericoronarite), abscesso, celulite, fístula, cisto dentígero, reabsorção de raiz de dente vizinho ou lesão de nervo. Exige tratamento imediato, geralmente com antibióticos seguidos de exodontia.
- K01.1 – Dentes impactados não complicados: o dente está retido, mas sem sinais clínicos ou radiográficos de infecção, dor ou danos estruturais. Muitas vezes é um achado incidental. A conduta pode ser expectante (observação periódica) ou remoção eletiva, dependendo do risco futuro e da preferência do paciente.
Embora a CID-10 não traga subdivisões adicionais, na prática clínica os dentistas classificam a impactação por tipo (mesioangular, distoangular, vertical, horizontal) e profundidade, o que orienta a técnica cirúrgica.
Sintomas e como a doença se manifesta
Os sintomas do dente impactado variam conforme o grau de impactação, a presença de infecção e a compressão de estruturas vizinhas. Os mais comuns incluem:
- Dor local: pode ser surda e contínua ou aguda e latejante, frequentemente pior ao mastigar ou ao fechar a boca.
- Edema e vermelhidão: na gengiva sobrejacente ao dente impactado, especialmente na região dos sisos inferiores.
- Trismo (dificuldade para abrir a boca): devido ao espasmo muscular ou infecção nos músculos mastigatórios.
- Halitose e gosto ruim na boca: decorrentes de restos alimentares acumulados sob o capuz gengival (pericoronário) e proliferação bacteriana.
- Febre e mal-estar geral: em casos de pericoronarite ou abscesso.
- Dor de cabeça ou dor no ouvido: por irradiação da dor oriunda do nervo alveolar inferior ou auriculotemporal.
- Mobilidade ou desalinhamento de dentes vizinhos: por pressão crônica do dente impactado sobre as raízes adjacentes.
Nos casos não complicados (K01.1), o paciente pode ser completamente assintomático, descobrindo a impactação apenas em exames radiográficos de rotina.
Causas e fatores de risco
A impactação dentária resulta de uma combinação de fatores genéticos, anatômicos e ambientais. As principais causas e fatores de risco incluem:
- Falta de espaço na arcada: maxilares pequenos ou estreitos em relação ao tamanho dos dentes (discrepância osso-dente).
- Posição anormal do germe dentário: durante o desenvolvimento, o dente pode se inclinar, girar ou desviar, impedindo a erupção normal.
- Obstáculos físicos: dentes vizinhos, cistos, tumores ou espessamento ósseo.
- Erupção tardia: os terceiros molares são os últimos a nascer (por volta dos 17-21 anos), quando o crescimento maxilar já está completo, reduzindo o espaço disponível.
- Fatores hereditários: histórico familiar de dentes impactados aumenta o risco.
- Anomalias de desenvolvimento: síndromes como displasia cleidocraniana, síndrome de Down ou fenda palatina.
- Trauma prévio na região: fraturas mandibulares ou cirurgias podem alterar a trajetória eruptiva.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do dente impactado é essencialmente clínico-radiográfico. O cirurgião-dentista ou o médico clínico (em serviços de urgência) segue os seguintes passos:
- Anamnese: história de dor, edema, febre, dificuldade de abertura bucal, hábitos de higiene e eventos prévios de infecção na região.
- Exame físico intraoral: inspeção da arcada dentária, presença de capuz gengival inflamado, edema, sinais de drenagem purulenta, trismo e mobilidade dentária.
- Exame radiográfico: a radiografia panorâmica (ortopantomografia) é o padrão-ouro, pois mostra todos os dentes, a posição do impactado, a relação com o canal mandibular e possíveis lesões associadas. Em casos selecionados, tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC) pode ser solicitada para avaliação tridimensional.
- Exames laboratoriais: hemograma e PCR podem ser úteis se houver suspeita de infecção sistêmica.
- Classificação: após confirmação, o dente é classificado quanto ao tipo de impactação e complicações (K01.0 ou K01.1).
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento do dente impactado depende da presença de sintomas, complicações e do risco futuro. As opções incluem:
- Conduta expectante (observação): indicada para dentes impactados não complicados (K01.1), sem sintomas e com baixo risco de danos futuros. O paciente é orientado a manter rigorosa higiene e retornar para avaliação periódica (a cada 6-12 meses).
- Tratamento medicamentoso: em casos de pericoronarite ou infecção, prescrevem-se antibióticos (amoxicilina, metronidazol ou clindamicina), anti-inflamatórios não esteroides (ibuprofeno, naproxeno) e analgésicos. Bochechos com clorexidina 0,12% ajudam no controle da placa bacteriana.
- Exodontia (extração cirúrgica): é o tratamento definitivo para a maioria dos dentes impactados complicados ou com alto potencial de complicação. A cirurgia é realizada sob anestesia local, podendo ser necessária sedação ou anestesia geral em casos complexos. Técnicas modernas como piezocirurgia e exodontia minimamente invasiva reduzem o trauma e aceleram a recuperação.
- Tratamento de complicações: se houver abscesso, realiza-se drenagem; se houver cisto dentígero, pode ser necessária marsupialização ou enucleação junto com a extração. Danos a dentes vizinhos podem exigir restauração ou tratamento endodôntico.
O paciente deve ser orientado sobre repouso, dieta pastosa, aplicação de gelo nas primeiras horas e evitar bochechos vigorosos por 24h após a extração. O retorno para revisão é agendado entre 7 e 14 dias.
Quantos dias de atestado médico
O tempo de afastamento por dente impactado varia conforme a complexidade do caso, a necessidade de cirurgia e a profissão do paciente. Em geral:
- Casos não complicados (K01.1) sem cirurgia: 1 a 2 dias de atestado, principalmente se houver dor ou necessidade de repouso por procedimento diagnóstico (ex.: biópsia).
- Exodontia simples de dente impactado não complicado: 2 a 4 dias de atestado.
- Exodontia complexa (dente impactado complicado, K01.0, com infecção, múltiplas raízes, ou próxima ao nervo alveolar): 4 a 7 dias de atestado, podendo chegar a 10 dias em casos com complicações pós-operatórias (edema intenso, hematoma, parestesia).
- Pacientes que exercem atividades físicas intensas ou que utilizam a voz profissionalmente (cantores, professores, palestrantes): o atestado pode ser estendido para 5 a 8 dias, a critério médico.
O médico ou cirurgião-dentista deve emitir o atestado com o CID K01 e a descrição do procedimento realizado. O tempo de afastamento é individualizado e deve ser justificado clinicamente.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Embora muitos casos de dente impactado possam ser manejados eletivamente, alguns sinais indicam urgência:
- Dor intensa e progressiva, não aliviada por analgésicos comuns.
- Inchaço facial visível, especialmente se estendendo para o pescoço ou abaixo do olho.
- Febre alta (>38,5°C) associada a calafrios.
- Dificuldade para engolir (disfagia) ou para respirar (dispneia).
- Trismo severo (abertura bucal menor que 20 mm).
- Sinais de abscesso ou celulite (flutuação, rubor, calor local).
- Parestesia (dormência) no lábio inferior, queixo ou língua, indicando comprometimento do nervo alveolar inferior ou lingual.
Nesses casos, o paciente deve ser encaminhado a um pronto-socorro odontológico ou hospitalar para avaliação imediata. A demora pode levar a complicações graves como angina de Ludwig, osteomielite ou sepse.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da impactação dentária começa na infância e adolescência com o acompanhamento odontológico regular. As principais medidas incluem:
- Avaliação ortodôntica precoce: crianças e adolescentes devem passar por avaliação ortodôntica por volta dos 7-9 anos para identificar problemas de espaço e planejar extrações seriadas ou expansão maxilar, se necessário.
- Radiografias panorâmicas de rotina: a partir dos 16 anos, recomenda-se uma radiografia panorâmica para avaliar a posição dos terceiros molares e outros dentes permanentes. Essa imagem permite planejar a remoção preventiva antes que surjam complicações.
- Extração profilática de sisos: mesmo assintomáticos, muitos cirurgiões indicam a remoção de terceiros molares impactados entre 16 e 22 anos, quando o risco cirúrgico é menor e a recuperação é mais rápida. A decisão deve ser compartilhada com o paciente, baseada em evidências.
- Higiene bucal rigorosa: escovação adequada, uso de fio dental e enxaguantes antissépticos ajudam a prevenir infecções pericoronárias em dentes parcialmente impactados que ainda não foram extraídos.
- Consultas odontológicas regulares: visitas semestrais permitem monitorar a evolução de dentes impactados e intervir precocemente.
Para pacientes já diagnosticados com dente impactado não complicado (K01.1), o acompanhamento clínico e radiográfico anual é essencial para detectar eventuais mudanças, como desenvolvimento de cisto ou reabsorção radicular.
- 01. Nunca ignore dor recorrente na região dos sisos. A pericoronarite pode se instalar silenciosamente e evoluir para abscesso em poucos dias.
- 02. Se você tem entre 16 e 25 anos, faça uma radiografia panorâmica para avaliar a posição dos terceiros molares. A prevenção é o melhor caminho.
- 03. Após a extração de um dente impactado, evite bochechos fortes, uso de canudo e alimentos duros por pelo menos 48 horas. Siga rigorosamente as orientações pós-operatórias.
- 04. Em caso de prescrição de antibióticos, complete todo o ciclo mesmo que os sintomas melhorem. Interromper precocemente favorece a resistência bacteriana e a recidiva da infecção.
- 05. Mantenha um diário de sintomas: anote quando a dor aparece, sua intensidade e fatores que pioram ou melhoram. Isso ajuda o dentista a decidir o melhor momento para a cirurgia.
- 06. Se você fuma, tente parar ou reduzir o consumo antes e depois da extração. O tabagismo retarda a cicatrização e aumenta o risco de alveolite (infecção do alvéolo).
- 07. Procure um profissional com experiência em cirurgia oral menor. Uma exodontia bem planejada e executada reduz complicações e encurta o tempo de recuperação.
Perguntas Frequentes sobre o CID K01
O CID K01 garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo legal, mas a prática médica indica de 2 a 7 dias, conforme explicado na seção específica. O atestado deve ser emitido pelo profissional que realizou o procedimento, considerando a complexidade do caso e a atividade laboral do paciente.
Todo dente impactado precisa ser extraído?
Não. Dentes impactados não complicados (K01.1), assintomáticos e sem risco de danos futuros podem ser mantidos sob observação periódica. No entanto, a maioria dos terceiros molares impactados acaba sendo removida preventivamente para evitar complicações a longo prazo.
O CID K01 é grave?
Na maioria dos casos, não é grave se tratado adequadamente. Porém, quando complicado por infecção (K01.0), pode evoluir para abscesso, celulite facial e até sepse, condições que requerem atenção médica urgente.
Quanto tempo leva a recuperação após a extração?
O pós-operatório imediato dura de 3 a 7 dias para a resolução do edema e da dor. A cicatrização óssea completa leva de 4 a 6 meses, mas o paciente pode retornar às atividades normais após o período de atestado.
O dente impactado pode causar danos aos dentes vizinhos?
Sim. A pressão do dente impactado pode reabsorver a raiz do dente adjacente, causar cárie por dificuldade de higiene ou desalinhamento da arcada. Por isso, a avaliação precoce é importante.
O que significa K01.0 e K01.1 na prática?
K01.0 indica dente impactado com complicações (infecção, cisto, reabsorção). Exige tratamento imediato. K01.1 indica dente impactado sem complicações, geralmente assintomático, podendo ser apenas monitorado.
Preciso de encaminhamento para um especialista?
Para extrações complexas ou casos com infecção, o clínico geral ou dentista clínico pode encaminhar a um cirurgião bucomaxilofacial. Casos simples podem ser resolvidos pelo próprio dentista com treinamento em cirurgia oral menor.
O plano de saúde cobre a cirurgia de dente impactado?
A maioria dos planos odontológicos cobre a exodontia de dentes impactados, especialmente se houver indicação clínica. É importante verificar a carência e se o procedimento está listado no contrato. Planos de saúde médico-hospitalares geralmente não cobrem procedimentos odontológicos, exceto em situações de urgência em ambiente hospitalar.
Como saber se meu dente do siso está impactado?
Os sinais incluem dor na região posterior da boca, inchaço na gengiva, dificuldade para abrir a boca e mau hálito. O diagnóstico confirmatório é feito por radiografia panorâmica. Mesmo sem sintomas, a radiografia de rotina pode revelar a impactação.
O CID K01 pode ser usado para dentes de leite?
Não. O CID K01 é exclusivo para dentes permanentes impactados. Dentes decíduos (de leite) retidos têm códigos específicos na categoria K00 (transtornos do desenvolvimento dentário).
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes e referências:
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