Estima-se que cerca de 60% da população adulta brasileira apresente ao menos um episódio de gastrite ao longo da vida. O CID K297 (gastrite não especificada) é um dos diagnósticos mais registrados em consultas de clínica médica e gastroenterologia, especialmente em pacientes acima de 40 anos.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID K297 e quer saber o que significa? Esse código representa a gastrite não especificada, uma inflamação da mucosa do estômago que pode ser aguda ou crônica. Embora seja um termo genérico, ele orienta o médico a investigar causas e iniciar o tratamento adequado para aliviar os sintomas e prevenir complicações. Neste artigo, você entenderá tudo sobre o CID K297, desde os sintomas até os dias de atestado recomendados, com base em um caso clínico real.
- Código: K297
- Descrição: Gastrite não especificada (Gastritis, unspecified)
- Categoria: Capítulo XI – Doenças do aparelho digestivo (K00-K93)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: O código K297 não possui subcategorias oficialmente listadas na CID-10. Entretanto, o bloco K29 (Gastrite e duodenite) inclui K290 (gastrite aguda hemorrágica), K291 (gastrite aguda não hemorrágica), K292 (gastrite alcoólica), K293 (gastrite crônica superficial), K294 (gastrite crônica atrófica), K295 (gastrite crônica não especificada), K296 (outras gastrites) e K297 (gastrite não especificada).
Paciente: Maria da Silva, 45 anos, professora do ensino fundamental.
Queixa principal: Dor epigástrica em queimação, azia frequente, náuseas matinais e sensação de estômago pesado após as refeições há aproximadamente três semanas. Relata também episódios de regurgitação ácida.
Avaliação clínica: Ao exame físico, apresentava dor à palpação no epigástrio, sem sinais de irritação peritoneal. A endoscopia digestiva alta revelou mucosa gástrica eritematosa e edemaciada, com erosões puntiformes no antro. Teste rápido para H. pylori foi positivo. A biópsia confirmou gastrite crônica superficial ativa.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID K297 (gastrite não especificada), complementado pelo CID B96.81 (infecção por Helicobacter pylori). Na prática, K297 foi o código principal, pois a gastrite era a condição de atendimento imediato.
Conduta terapêutica: Foi prescrito esquema tríplice para erradicação do H. pylori (amoxicilina 1g, claritromicina 500 mg e omeprazol 20 mg, dois comprimidos ao dia, durante 14 dias). Além disso, orientou-se dieta fracionada, evitar alimentos gordurosos, café e bebidas alcoólicas, e uso de omeprazol 20 mg pela manhã em jejum por mais 4 semanas após o término do antibiótico.
Evolução: Após 14 dias de tratamento, a paciente relatou melhora significativa da dor e da azia. Repetiu o teste de ureia expirada (teste respiratório) após 6 semanas, que foi negativo para H. pylori. A endoscopia de controle aos 3 meses mostrou mucosa gástrica normal. Maria retornou às suas atividades habituais sem restrições.
Lição clínica: Mesmo com um código genérico como K297, o diagnóstico preciso da causa (no caso, H. pylori) é fundamental para o tratamento definitivo. A gastrite não especificada nunca deve ser tratada apenas com sintomáticos; é necessário investigar e tratar a etiologia.
O que é o CID K297 na prática médica
O CID K297 é o código da Classificação Internacional de Doenças (10ª edição) para gastrite não especificada. Isso significa que o médico diagnosticou uma inflamação da mucosa do estômago, mas sem especificar se é aguda ou crônica, erosiva ou não erosiva, ou qual a causa exata no momento do registro. Na prática clínica, esse código é frequentemente utilizado quando:
- O paciente apresenta sintomas típicos de gastrite (dor epigástrica, azia, náuseas) e a endoscopia ainda não foi realizada ou está em andamento.
- A endoscopia mostra alterações compatíveis com gastrite, mas a biópsia ainda não definiu o subtipo histológico.
- O médico opta por um código mais genérico para o primeiro contato, enquanto investiga causas secundárias (H. pylori, uso de AINEs, estresse).
Embora seja um código inespecífico, ele permite que o tratamento inicial seja iniciado e que o paciente receba o atestado adequado. Estima-se que cerca de 30% dos diagnósticos de gastrite em pronto-socorro sejam registrados como K297.
Subcategorias e variantes do CID K297
Conforme mencionado, o código K297 não possui subcategorias oficiais na CID-10. No entanto, dentro do bloco K29, existem outros códigos mais específicos que podem ser usados quando o diagnóstico é refinado:
- K290 – Gastrite aguda hemorrágica
- K291 – Gastrite aguda não hemorrágica
- K292 – Gastrite alcoólica
- K293 – Gastrite crônica superficial
- K294 – Gastrite crônica atrófica
- K295 – Gastrite crônica não especificada
- K296 – Outras gastrites (inclui gastrite granulomatosa, eosinofílica, etc.)
- K297 – Gastrite não especificada (uso quando nenhuma outra categoria se aplica)
Na prática, muitos médicos registram K297 como diagnóstico inicial e, após exames complementares, atualizam para um código mais específico, como K293 ou K295.
Sintomas e como a doença se manifesta
A gastrite não especificada pode se apresentar de diversas formas, desde sintomas leves até quadros mais intensos. Os mais comuns incluem:
- Dor epigástrica – sensação de queimação ou desconforto na parte superior do abdômen.
- Azia e regurgitação – sensação de ácido subindo pelo esôfago.
- Náuseas e vômitos – principalmente após as refeições.
- Empachamento pós-prandial – sensação de estômago cheio mesmo com pequenas quantidades de comida.
- Perda de apetite – em casos crônicos.
- Sangramento digestivo – menos comum, mas possível em gastrites erosivas (vômito com sangue ou fezes escuras).
É importante ressaltar que muitas pessoas com gastrite não especificada são assintomáticas, sendo o diagnóstico feito incidentalmente em endoscopias de rotina.
Causas e fatores de risco
As causas da gastrite não especificada são variadas, mas os fatores mais frequentes incluem:
- Infecção por Helicobacter pylori – responsável por até 70% dos casos de gastrite crônica.
- Uso prolongado de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) – como ibuprofeno, diclofenaco e naproxeno.
- Consumo excessivo de álcool – irrita diretamente a mucosa gástrica.
- Estresse físico ou emocional intenso – pode aumentar a produção de ácido.
- Tabagismo – prejudica a proteção da mucosa.
- Refluxo biliar – conteúdo duodenal que volta ao estômago.
- Doenças autoimunes – gastrite crônica atrófica autoimune.
Fatores de risco incluem idade acima de 60 anos, uso contínuo de AINEs, história familiar de doenças gástricas e dieta rica em alimentos ultraprocessados.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da gastrite não especificada segue um fluxo lógico:
- Anamnese e exame físico – o médico coleta informações sobre sintomas, uso de medicamentos, hábitos alimentares e histórico familiar.
- Exames laboratoriais – hemograma, ferritina (para avaliar anemia por sangramento), teste de H. pylori (fezes, sangue ou respiração).
- Endoscopia digestiva alta (EDA) – exame padrão-ouro, que permite visualizar a mucosa e colher biópsias.
- Anatomopatológico da biópsia – define o tipo de gastrite (aguda, crônica, atrófica, com metaplasia intestinal) e a presença de H. pylori.
O CID K297 é geralmente registrado após a EDA quando o laudo anatomopatológico ainda não está disponível, ou quando a gastrite é leve e o médico opta por não aprofundar a investigação.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da gastrite não especificada depende da causa subjacente. As principais abordagens incluem:
- Inibidores da bomba de prótons (IBPs) – omeprazol, pantoprazol, esomeprazol, reduzindo a secreção ácida e permitindo a cicatrização da mucosa.
- Erradicação do H. pylori – quando presente, utiliza-se esquema tríplice (IBP + amoxicilina + claritromicina ou metronidazol) por 14 dias.
- Suspensão de AINEs – substituição por analgésicos seguros para a mucosa, como paracetamol.
- Mudanças na dieta – refeições fracionadas, evitar alimentos gordurosos, frituras, café, bebidas alcoólicas e refrigerantes.
- Probióticos – podem auxiliar na recuperação da microbiota intestinal e na adesão ao tratamento.
- Cirurgia – raramente necessária; indicada em complicações como sangramento refratário ou estenose.
O tratamento geralmente dura de 4 a 8 semanas, com acompanhamento clínico e, se necessário, endoscópico.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de atestado para o CID K297 varia conforme a intensidade dos sintomas e a atividade profissional do paciente. Em geral:
- Casos leves (dor moderada, sem náuseas intensas): 2 a 3 dias de repouso, com retorno ao trabalho leve.
- Casos moderados (náuseas frequentes, dor significativa): 5 a 7 dias, especialmente se o tratamento incluir antibióticos para H. pylori.
- Casos graves (vômitos, desidratação, sangramento): 10 a 14 dias, com necessidade de internação ou acompanhamento ambulatorial intensivo.
O médico avalia individualmente cada paciente, considerando a necessidade de repouso para recuperação da mucosa gástrica e a resposta ao tratamento. O atestado pode ser renovado se necessário.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Alguns sinais indicam que a gastrite não especificada pode estar evoluindo para complicações graves. Procure atendimento de urgência se apresentar:
- Vômito com sangue (vermelho vivo ou borra de café).
- Fezes escuras e pastosas (melena – sinal de sangramento digestivo alto).
- Dor abdominal intensa e persistente que não melhora com medicação.
- Dificuldade para engolir (disfagia).
- Perda de peso inexplicada nos últimos 3 meses.
- Anemia (palidez, fraqueza, tontura).
- Febre alta associada a dor abdominal.
Esses sintomas podem indicar úlcera péptica, gastrite erosiva grave ou até neoplasia gástrica, exigindo avaliação imediata.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da gastrite não especificada baseia-se em hábitos saudáveis e controle dos fatores de risco:
- Alimentação balanceada: evite alimentos ultraprocessados, muito condimentados ou gordurosos; prefira frutas, vegetais e grãos integrais.
- Evite AINEs sempre que possível; se necessário, use com proteção gástrica (IBP).
- Modere o consumo de álcool e evite fumar.
- Controle o estresse com técnicas de relaxamento, exercícios físicos e sono adequado.
- Mantenha o peso corporal adequado – a obesidade aumenta a pressão intra-abdominal e o refluxo.
- Realize exames de rotina – especialmente se tiver histórico familiar de câncer gástrico.
Pacientes com gastrite crônica devem fazer acompanhamento periódico com gastroenterologista.
- 01. Anote seus sintomas: um diário alimentar e de dores ajuda o médico a identificar gatilhos e ajustar o tratamento.
- 02. Nunca tome omeprazol por conta própria por longos períodos; o uso crônico pode causar deficiência de vitamina B12 e aumentar risco de infecções intestinais.
- 03. Se você usa AINEs para dores crônicas, converse com seu médico sobre a necessidade de proteção gástrica com IBP.
- 04. Após a erradicação do H. pylori, refaça o teste de respiração após 4 a 6 semanas para confirmar a cura.
- 05. Prefira refeições menores e mais frequentes (5 a 6 vezes ao dia) para evitar o estômago vazio ou muito cheio.
- 06. Evite deitar-se logo após as refeições; aguarde pelo menos 2 a 3 horas para se deitar.
- 07. Chá de camomila, gengibre e espinheira-santa podem ajudar a aliviar sintomas leves, mas não substituem o tratamento médico.
Perguntas Frequentes sobre o CID K297
O CID K297 garante quantos dias de atestado?
Geralmente de 2 a 7 dias, conforme a gravidade. Casos leves: 2 a 3 dias; moderados: 5 a 7 dias; graves: 10 a 14 dias. O médico define o período ideal para cada paciente.
O CID K297 é grave?
Na maioria dos casos, não. A gastrite não especificada é uma condição leve a moderada que responde bem ao tratamento. Porém, se não tratada, pode evoluir para úlcera ou gastrite crônica atrófica, que aumenta o risco de câncer gástrico.
Posso me alimentar normalmente com gastrite?
É recomendado evitar alimentos que irritam a mucosa: frituras, café, refrigerantes, bebidas alcoólicas, pimentas e alimentos muito ácidos. Prefira alimentos cozidos, frutas não ácidas, carnes magras e grãos integrais.
O estresse causa gastrite?
Sim, o estresse emocional intenso pode aumentar a secreção ácida e reduzir a proteção da mucosa, contribuindo para o desenvolvimento da gastrite. Técnicas de relaxamento e acompanhamento psicológico podem ajudar.
Gastrite não especificada pode virar câncer?
Diretamente, o risco é baixo. No entanto, gastrite crônica por H. pylori ou gastrite atrófica autoimune podem evoluir para metaplasia intestinal e câncer gástrico. O acompanhamento regular com endoscopia é essencial nesses casos.
Quanto tempo dura o tratamento para H. pylori?
O tratamento padrão dura 14 dias. Após o término, o paciente deve usar IBP por mais 4 semanas. O teste de cura (teste respiratório) é feito 4 a 6 semanas depois de finalizar os antibióticos.
Posso tomar antiácidos junto com o tratamento?
Antiácidos (como hidróxido de alumínio e magnésio) podem ser usados para alívio temporário da azia, mas não substituem os IBPs. Eles devem ser tomados com intervalo de pelo menos 2 horas dos antibióticos para não interferir na absorção.
O CID K297 é contagioso?
Não. A gastrite não especificada não é contagiosa. A infecção pelo H. pylori pode ser transmitida de pessoa a pessoa (contato oral-oral ou fecal-oral), mas a gastrite em si não se transmite.
Preciso de jejum para fazer endoscopia?
Sim, é necessário jejum absoluto de 8 a 12 horas para a realização da endoscopia digestiva alta, conforme orientação do médico.
O CID K297 pode ser usado para faltar ao trabalho?
Sim, desde que o médico considere que os sintomas incapacitam o paciente para o trabalho. O atestado deve ser emitido de acordo com a avaliação clínica.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
Na Clinica Popular Fortaleza você encontra consultas acessíveis com médicos que explicam seu diagnóstico e orientam o melhor tratamento.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Referências e links úteis:
Conteúdos relacionados no nosso site:
- CID R11 – Náusea e Vômitos
- CID Z000 – Exame Médico Geral
- CID K21 – Refluxo Gastroesofágico
- Omeprazol: para que serve e como tomar
- CID F41 – Ansiedade
- CID J30 – Rinite Alérgica
- CID N39 – Infecção Urinária
- CID M54 – Dorsalgia
- CID 010 – Tuberculose Pulmonar
- CID 083 – Significado e Cuidados
- CID 200 – O que significa
- CID J06 – Infecção Respiratória
- CID G43 – Enxaqueca
- CID J45 – Asma
- Dipirona: para que serve
- Ibuprofeno: para que serve
- Amoxicilina: para que serve
- Azitromicina: para que serve
- Nimesulida: para que serve
- Paracetamol: para que serve