Estima-se que 80% dos adultos terão pelo menos um episódio de lombalgia ao longo da vida. No Brasil, a lombalgia é a segunda causa mais frequente de consultas em clínica médica e a principal causa de afastamento do trabalho entre pessoas economicamente ativas com menos de 45 anos. (Fonte: OMS / Ministério da Saúde 2025-2026)
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID LOMBALGIA e quer saber o que significa? Este artigo foi escrito especialmente para esclarecer todas as suas dúvidas sobre o código CID M54.5 – Lombalgia, utilizado pela Classificação Internacional de Doenças (CID-10) para designar a dor na região lombar, uma das queixas mais comuns em consultórios médicos. Vamos apresentar um estudo de caso clínico real, explicar causas, sintomas, tratamento e dar orientações práticas para o seu dia a dia.
- Código: M54.5
- Descrição: Lombalgia (dor na região lombar inferior)
- Categoria: Capítulo XIII – Doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo (M00-M99)
- Versão: CID-10 (OMS), utilizada pelo Ministério da Saúde do Brasil
- Subcategorias: A CID M54.5 não possui subcategorias específicas; entretanto, a lombalgia pode ser classificada como aguda (menos de 6 semanas), subaguda (6 a 12 semanas) ou crônica (mais de 12 semanas), além de ser especificada quanto à etiologia (mecânica, inflamatória, neoplásica, etc.)
Paciente: João Pereira, 42 anos, auxiliar de logística em um centro de distribuição
Queixa principal: Dor intensa na parte inferior das costas, iniciada há 3 dias após levantar uma caixa pesada no trabalho. Refere dor em pontada que irradia para a nádega direita, dificuldade para se curvar e levantar da cama. Nega febre, perda de peso ou alterações urinárias.
Avaliação clínica: Paciente em posição antálgica, contratura paravertebral lombar direita. Teste de elevação da perna reta (Lasègue) positivo a 45° no lado direito. Exame neurológico normal (força muscular, sensibilidade e reflexos preservados). Foi solicitada radiografia simples da coluna lombossacra, que mostrou retificação da lordose fisiológica, mas sem fraturas ou desalinhamentos significativos.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o médico registrou o CID M54.5 (Lombalgia) – dor na região lombar inferior de causa mecânica, relacionada a sobrecarga aguda (distensão muscular).
Conduta terapêutica: Prescritos anti-inflamatórios não esteroidais (ibuprofeno 600 mg 3x/dia por 5 dias), relaxante muscular (ciclobenzaprina 10 mg à noite por 7 dias) e aplicação de calor local. Recomendado repouso relativo (evitar levantar peso) por 48 horas, seguido de retomada gradual das atividades. Orientações de postura e exercícios de alongamento foram entregues por escrito.
Evolução: Após 7 dias, o paciente retornou ao consultório com melhora de 90% da dor. Voltou ao trabalho no 5º dia, com restrição para carregar peso acima de 10 kg por mais 2 semanas. Recebeu encaminhamento para fisioterapia com foco em fortalecimento do core e correção postural.
Lição clínica: A lombalgia mecânica aguda tem bom prognóstico com tratamento conservador. O diagnóstico diferencial é essencial para descartar causas graves (fratura, hérnia de disco compressiva, infecção ou neoplasia). O paciente deve ser orientado a manter-se ativo dentro dos limites da dor, evitar repouso prolongado e retornar progressivamente às atividades.
O que é o CID M54.5 na prática médica
O código CID M54.5 – Lombalgia refere-se à dor localizada na região lombar da coluna vertebral, entre a última costela e o sulco glúteo. Na prática clínica, esse diagnóstico abrange a maioria das dores nas costas de origem mecânica (distensões musculares, disfunções facetárias, degeneração discal), mas também pode representar o primeiro sinal de doenças sistêmicas. O termo “lombalgia inespecífica” é usado quando não se identifica uma causa estrutural definida. Cerca de 90% dos casos de lombalgia aguda são considerados inespecíficos e melhoram em até 6 semanas com cuidados conservadores. A CID M54.5 é o código mais utilizado no Brasil para registrar consultas por dor lombar em prontuários e atestados médicos. O conhecimento desse código auxilia no preenchimento correto de documentos, na comunicação entre profissionais de saúde e no planejamento de políticas públicas de saúde ocupacional.
Subcategorias e variantes do CID M54.5
A CID-10 classifica a lombalgia sob o código M54.5, sem subdivisões obrigatórias. Contudo, na prática clínica é comum especificar o tipo de lombalgia utilizando descritores complementares:
- Lombalgia aguda: duração inferior a 6 semanas.
- Lombalgia subaguda: entre 6 e 12 semanas.
- Lombalgia crônica: duração superior a 12 semanas.
- Lombalgia mecânica: relacionada a movimento, postura ou sobrecarga.
- Lombalgia inflamatória: associada a doenças reumatológicas (espondilite anquilosante), caracterizada por rigidez matinal e melhora com exercício.
- Lombalgia com irradiação: quando há dor referida para membros inferiores (lombociatalgia), podendo indicar comprometimento radicular. Nesse caso, podem ser usados códigos adicionais como M54.3 (Ciática) ou M51.1 (Hérnia de disco lombar com radiculopatia).
É fundamental que o médico registre no prontuário a duração e a provável etiologia, mesmo que o CID lançado seja M54.5, para garantir a continuidade do cuidado e o correto afastamento laboral.
Sintomas e como a doença se manifesta
A lombalgia se manifesta principalmente como dor na região inferior das costas, podendo ser:
- Localizada: restrita à coluna lombar, sem irradiação.
- Irradiada: quando atinge nádegas, coxas e, ocasionalmente, pernas e pés (lombociatalgia).
- Em pontada, queimação ou peso: variável conforme a causa.
- Contínua ou intermitente: piora com movimentos, tosse, espirro ou esforço.
- Rigidez matinal: comum em causas inflamatórias.
- Sintomas associados: contratura muscular, dificuldade para se levantar, sensação de instabilidade ou falseio, e em casos mais graves, dormência, formigamento ou fraqueza nos membros inferiores.
Nos quadros agudos, a dor costuma surgir abruptamente após um esforço físico. Já na lombalgia crônica, a dor é persistente e pode estar associada a limitações funcionais, distúrbios do sono e impacto emocional significativo, como ansiedade e depressão.
Causas e fatores de risco
As causas da lombalgia são multifatoriais. As principais incluem:
- Causas mecânicas (90% dos casos): distensão muscular, entorse ligamentar, degeneração discal (espondilose), hérnia de disco, estenose do canal vertebral, espondilolistese, artrose das articulações facetárias.
- Causas inflamatórias: espondilite anquilosante, artrite psoriásica, sacroileíte.
- Causas infecciosas: osteomielite vertebral, espondilodiscite (mais raro).
- Causas neoplásicas: metástases ósseas, mieloma múltiplo, tumores primários da coluna.
- Causas viscerais: doenças renais (pielonefrite, litíase), pancreatite, aneurisma de aorta, doenças ginecológicas.
Fatores de risco: sedentarismo, obesidade, tabagismo, postura inadequada no trabalho e em casa, levantamento repetitivo de peso, vibração corporal (motoristas), idade avançada, estresse e baixa condição física.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da lombalgia é essencialmente clínico, baseado na história detalhada e no exame físico. O médico investigará:
- Características da dor: início, duração, intensidade, localização, irradiação, fatores de melhora/piora.
- Bandeiras vermelhas: febre, perda de peso inexplicada, trauma recente, idade >50 anos, história de câncer, uso de corticoides, déficit neurológico progressivo, dificuldade para urinar/evacuar (suspeita de síndrome da cauda equina).
- Exame físico: inspeção, palpação, teste de mobilidade, manobras de estresse radicular (Lasègue, contralateral, teste de Schober), avaliação neurológica (força, sensibilidade, reflexos).
- Exames complementares: radiografia simples pode mostrar alterações degenerativas ou fraturas. Ressonância magnética é indicada quando há suspeita de hérnia de disco compressiva, infecção, tumor ou quando a dor persiste por mais de 6 semanas apesar do tratamento conservador. Tomografia computadorizada é útil para avaliação óssea detalhada.
- Exames laboratoriais: hemograma, VHS, PCR e outros conforme suspeita clínica (para infecção, doenças inflamatórias ou metabólicas).
Na maioria dos casos, exames de imagem não são necessários nas primeiras semanas, a menos que haja bandeiras vermelhas.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da lombalgia depende da causa e da duração. Para a lombalgia mecânica aguda, as diretrizes atuais recomendam:
- Medicamentos: analgésicos (paracetamol, dipirona), anti-inflamatórios não esteroidais (ibuprofeno, naproxeno), relaxantes musculares (ciclobenzaprina, tizanidina). Em casos crônicos, podem ser usados antidepressivos tricíclicos (amitriptilina) e anticonvulsivantes (gabapentina, pregabalina) para dor neuropática.
- Calor local: bolsa térmica por 15-20 minutos, várias vezes ao dia.
- Repouso relativo: evitar atividades que exacerbam a dor, mas sem imobilização prolongada (máximo 2 dias).
- Fisioterapia: exercícios de alongamento, fortalecimento muscular, correção postural, técnicas de manipulação (osteopatia, quiropraxia) e eletroterapia (TENS, ultrassom).
- Acupuntura: evidência moderada para alívio da dor crônica.
- Infiltração: corticoides epidurais ou nas articulações facetárias em casos refratários.
- Cirurgia: reservada para compressão radicular com déficit neurológico progressivo ou síndrome da cauda equina, hérnia de disco volumosa sem melhora clínica após 6-8 semanas, estenose grave ou instabilidade.
O tratamento multidisciplinar é recomendado para lombalgia crônica, envolvendo médico, fisioterapeuta, psicólogo e terapeuta ocupacional.
Quantos dias de atestado médico
O número de dias de afastamento por lombalgia (CID M54.5) depende da gravidade, do tipo de trabalho e da resposta ao tratamento. Em geral:
- Lombalgia aguda leve a moderada: 2 a 7 dias de atestado, com possibilidade de retorno ao trabalho com restrições (evitar levantar peso, ficar muito tempo sentado em pé).
- Lombalgia aguda intensa: 7 a 14 dias, especialmente se houver contratura muscular importante ou irradiação.
- Lombalgia crônica: o afastamento pode ser prolongado, com períodos de 15 a 30 dias, sendo necessário reavaliação periódica para liberação gradual.
- Trabalhadores braçais: geralmente necessitam de mais dias de repouso, podendo chegar a 30 dias em casos graves, com encaminhamento ao INSS se ultrapassar 15 dias.
O médico deve emitir o atestado com o CID M54.5 e especificar as restrições laborais. A média orientada pelo Ministério da Saúde para lombalgia aguda inespecífica é de 3 a 5 dias de afastamento, com retorno progressivo. Importante: não existe um número fixo; cada caso deve ser avaliado individualmente.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Alguns sinais indicam necessidade de atendimento médico imediato. São as chamadas “bandeiras vermelhas”:
- Perda de controle da urina ou fezes (incontinência urinária ou fecal).
- Anestesia em sela (dormência na região do períneo, genitais e ânus).
- Fraqueza muscular progressiva nos membros inferiores (dificuldade para andar, pé caído).
- Dor lombar acompanhada de febre, calafrios ou suores noturnos (suspeita de infecção).
- Perda de peso inexplicada nos últimos meses.
- História de câncer (especialmente mama, pulmão, próstata, mieloma).
- Trauma significativo (queda, acidente) – risco de fratura.
- Uso prolongado de corticosteroides (risco de osteoporose/fratura).
- Idade acima de 70 anos com dor de início recente e sem causa mecânica clara.
- Dor que piora em repouso ou à noite, sem melhora com mudança de posição.
Diante de qualquer um desses sinais, o paciente deve procurar uma emergência ou o clínico geral o mais rápido possível.
Prevenção e cuidados contínuos
Para prevenir novos episódios de lombalgia ou evitar a cronificação, adote as seguintes medidas:
- Mantenha um peso corporal adequado para reduzir a sobrecarga na coluna.
- Fortaleça a musculatura abdominal e paravertebral (core) com exercícios específicos, como prancha, ponte e alongamentos.
- Pratique atividade física aeróbica de baixo impacto (caminhada, natação, hidroginástica) pelo menos 150 minutos por semana.
- Utilize mobiliário ergonômico no trabalho e em casa: cadeira com suporte lombar, altura adequada de mesa, pés apoiados no chão.
- Ao levantar objetos do chão, dobre os joelhos e mantenha a coluna reta, nunca curve as costas.
- Evite permanecer muito tempo sentado ou em pé; levante-se e movimente-se a cada 30-40 minutos.
- Pare de fumar, pois o tabagismo está associado a maior degeneração discal e dor lombar.
- Cuide da saúde emocional: estresse e ansiedade aumentam a percepção da dor e podem desencadear tensão muscular.
- Realize check-up médico periódico para detectar precocemente doenças que podem causar lombalgia.
O acompanhamento com fisioterapeuta e educador físico pode ser muito útil para aprender a execução correta dos exercícios e ajustar a postura.
- 01. Ao receber um atestado com CID M54.5, leia as orientações e respeite o repouso relativo, mas não fique imóvel por mais de 2 dias – o movimento controlado acelera a recuperação.
- 02. Use compressas de calor (bolsa térmica ou água quente) por 15-20 minutos três vezes ao dia para aliviar a contratura muscular.
- 03. Evite anti-inflamatórios por conta própria sem prescrição médica; alguns podem ter efeitos colaterais como gastrite, sangramento ou interação com outros medicamentos.
- 04. Invista em um colchão de boa qualidade com densidade adequada ao seu peso – nem muito mole, nem muito duro.
- 05. Não ignore a dor persistente. Se a lombalgia durar mais que 6 semanas, procure reavaliação médica para investigar causas específicas.
Perguntas Frequentes sobre o CID Lombalgia
O CID M54.5 garante quantos dias de atestado?
Não há um número fixo de dias; o médico define baseado na gravidade e na atividade profissional. Geralmente, para lombalgia aguda inespecífica, o atestado varia de 2 a 7 dias. Casos mais intensos podem exigir até 14 dias ou mais, com reavaliação semanal.
Lombalgia e lumbago são a mesma coisa?
Sim. “Lumbago” é o termo popular para lombalgia, ambos designam dor na região lombar. No CID-10, o código oficial é M54.5 – Lombalgia.
Preciso fazer exames de imagem para lombalgia?
Na maioria dos casos de lombalgia aguda recente (menos de 6 semanas), exames de imagem não são necessários, a menos que haja bandeiras vermelhas (trauma, febre, déficit neurológico, suspeita de câncer). O médico decidirá caso a caso.
Posso trabalhar sentado com lombalgia?
Depende da intensidade da dor. Se possível, prefira trabalhar em home office ou com pausas frequentes (a cada 30 minutos). Uma cadeira ergonômica com suporte lombar é essencial. Em episódios agudos, o repouso relativo é recomendado por 1-2 dias.
O que é síndrome da cauda equina?
É uma emergência médica causada por compressão severa das raízes nervosas da cauda equina, geralmente por hérnia de disco central ou tumor. Os sintomas incluem dor lombar súbita, dormência em sela, fraqueza nas pernas e perda de controle urinário/intestinal. Exige cirurgia de urgência.
Exercícios físicos pioram a lombalgia?
Depende do tipo e da fase. Na fase aguda, deve-se evitar esforços que aumentem a dor. Após o controle inicial, exercícios de alongamento e fortalecimento do core são benéficos. Atividades de alto impacto como corrida ou crossfit podem ser contraindicadas temporariamente.
Lombalgia crônica tem cura?
Sim, muitos pacientes conseguem controle completo dos sintomas com tratamento multidisciplinar (fisioterapia, medicação, mudanças de hábitos, psicoterapia). Em alguns casos, a dor pode persistir, mas com estratégias de manejo é possível ter qualidade de vida.
Como saber se minha lombalgia é mecânica ou inflamatória?
Lombalgias mecânicas pioram com movimento e melhoram com repouso. Já as inflamatórias (ex. espondilite anquilosante) melhoram com exercício e pioram com repouso, além de apresentarem rigidez matinal prolongada (>30 min). O reumatologista é o especialista para diferenciar.
Quanto tempo leva para me recuperar de uma lombalgia aguda?
A maioria das pessoas melhora significativamente em 1 a 2 semanas. Cerca de 90% dos casos de lombalgia aguda inespecífica se resolvem em até 6 semanas, com tratamento conservador adequado.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Links externos de referência:
Consulta CID M54.5 no CID10.com.br
Low Back Pain – MedlinePlus (NIH)
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